Caos na segurança pública da Paraíba: Patos pede socorro

Tiroteios à luz do dia, mortes, assaltos, comerciantes obrigados a fechar as portas dos seus estabelecimentos. Essa é a situação de Patos, a mais populosa cidade de sertão paraibano.

Os relatos são dramáticos. Um policial que pediu anonimato encaminhou ao blog uma lista de estabelecimentos comerciais assaltados entre ontem e hoje (19 e 20/01)

“1- Danellos confecções (Centro)
2- posto Beira Rio (Brasília)
3- Pezão material de construção (Centro)
4- Açaizão (Centro)
5- Farmácia (Centro)
6- Lojas Presentear (Centro)
7- Concessionária Paulista
8- Patos Delivery
9 Ferro e Aço (Centro)
10- Loja de computador (no Salgadinho) vizinho oficina OK

Além de duas Motos tomadas de assalto.”

Eis abaixo alguns registros da imprensa patoense.

A situação é tão dramática que virou rotina o aviso abaixo, produto do medo da população e do descalabro na segurança pública.

É um pedido de socorro da população de Patos, que deve ser o mesmo em todas as regiões do estado. A falta de planejamento do governo e a inépcia do governador levou a Paraíba à situação de descalabro atual.

Só nos resta a denúncia.

Mofi virou conselheiro de Romero Rodrigues

Eu pensei que a fase bolsonarista de Romero Rodrigues estava passando, mas vejo que a desorientação continua a povoar a cabeça do ex-prefeito de Campina Grande.

Depois de um encontro com o influencer Emerson Machado, Romero Rodrigues registrou a conversa com a postagem acima em suas redes sociais.

Café e um bom bate-papo Com o amigo @mofiparaiba, ouvindo uns conselhos.

Mofi sabe das coisas. Ele deve ter sido o responsável, por exemplo, pela recomendação para que aliados de Romero Rodrigues visitassem João Azevedo logo após o governador ter recebido Veneziano Vital, cada vez mais próximo de anunciar a candidatura ao governo do estado.

Romero deveria ter perguntado a Mofi se, nessas circunstâncias, uma audiência dos “correligionários do ex-prefeito de Campina Grande” ao governador e ex-adversário político, não seria entendido como um rebaixamento de Romero à condição de reserva de luxo, ainda mais de um time todo dividido e cheio de contradições. O Paraíba Online descreveu a reunião como ato de adesão da “outra banda” romerista.

João Azevedo já tinha recebido o pedido de demissão da ex-secretária Ana Cláudia Vital do Rego e claramente usou a “visita” para desviar o foco do ousado movimento feito por Veneziano ao antecipar a saída do governo. Romero fez papel de besta.

O próximo conselho que Mofi deveria oferecer a Romero Rodrigues (de graça, por enquanto) eu já imagino qual seja: uma visita a Cícero Lucena para o ex-prefeito de Campina pedir a benção.

Como a vaga de vice na chapa de João Azevedo é irrelevante para Cícero Lucena, ele deve apoiar Romero Rodrigues alegremente.

TCE vai investigar João Azevedo por pagar até o relações públicas da orquestra sinfônica com recursos do Fundeb.

Enquanto João Azevedo enche a folha do governo do estado de indicações políticas, usa recursos que deveriam se destinados exclusivamente à melhoria salarial dos/as professores/as e profissionais da educação da rede estadual de ensino para pagamento de outros servidores, a exemplo de agrônomos, engenheiros, arquitetos e até do relações públicas da orquestra sinfônica da Paraíba.

Foi o que o Tribunal de Contas do Estado contatou a analisar denúncia feita pelo Sindicato de Trabalhadores e Educação da Paraíba (SINTEP) sobre a utilização dos recursos do FUNDEB.

Na análise de denúncia, o TCE lembrou a Nota Técnica nº 02/2021 emitida com o objetivo de orientar o trabalho dos auditores sobre as “alterações legislativas vigentes a partir de 2021 relativas ao FUNDEB” na qual enfatizou a necessidade de acompanhar o emprego dos recursos do Fundo.

Tanto a emenda constitucional aprovada como a lei anterior estabeleciam que dos recursos anuais totais dos Fundeb, uma proporção não inferior a 70% seria destinada ao pagamento da remuneração dos profissionais da educação básica em “efetivo exercício“. Apenas Assistentes Sociais e Psicólogos poderiam ser remunerados com os recursos do Fundo, porém com os 30% restantes.

A investigação do TCE constatou “a existência de diversos pagamentos favorecendo
profissionais que não se enquadram nas hipóteses legalmente previstas”. Ou seja, João Azevedo retirou recursos do Fundeb, que deveriam ser exclusivamente utilizados para valorizar o trabalho de quem se dedica a formar os estudantes da rede estadual, para pagar profissonais que, concursados, são melhor remunerados.

O TCE considerou procedente a denúncia e notificou o governador para justificar tamanho descompromisso com a educação pública e com o apoio aos professores/as da Rede Pública estadual.

Um assunto que deveria interessar ao Ministério Público Estadual, não acham, já que essa denúncia do Sintep é pública já faz algumas semanas? Vamos ver se dessa mata sai cachorro.

Nota de Emília Correia Lima é confissão de culpa e mostra o tamanho da incompetência de João Azevedo

A eterna presidente da Companhia Estadual de Habitação Popular da Paraíba (CEHAP), Emília Correia Lima, tentou responder à denúncia publicada aqui no blog a respeito dos mais de três anos que o governo João Azevedo levou para entregar 576 apartamentos, cujas chaves foram sorteadas em dezembro de 2018

Segundo Correia Lima, o condomínio “não estava finalizado na época da realização do sorteio dos beneficiários” porque a infraestrutura não estava pronta e em razão de problemas burocráticos.

Emilia Correia Lima, porém, esqueceu de mencionar dois detalhes importantes: 1. a Cehap era quem preparava e decidia sobre as datas dos sorteios dos apartamentos e, 2. a presidenta da Cehap à época se chamava Emília Correia Lima. Como a foto abaixo mostra, Emília participou do sorteio e ciceroneou o então governador Ricardo Coutinho pelo condomínio que, como vê, estava em plenas condições de entrega.

Outro detalhe relevante: o representante do Banco do Brasil, que financiou parte da obra, também acompanhou a entrega.

Não quero crer que Emília Correia Lima não tenha vistoriado o condomínio e não tenha identificado os problemas que só agora menciona. Se o condomínio não estava pronto para ser entregue aos moradores, por que as chaves foram sorteadas para os ansiosos moradores, que não viam a hora de finalmente realizarem o sonho da casa própria? Não o fez porque sabia que entregar obra não concluída não era uma prática do governo de Ricardo Coutinho.

E os próprios adversários de Ricardo Coutinho atestam que o condomínio estava pronto. Segundo matéria do Paraíba Rádio Blog do dia do sorteio dos apartamentos, que descreveu a infraestrutura do condomínio:

“Estrutura – O conjunto Rosa Luxemburgo é composto por blocos de térreo mais três pavimentos, sendo 32 unidades por bloco. Os apartamentos possuem revestimento cerâmico em todo o piso e nas paredes das áreas molhadas, sendo compostos por sala, dois quartos, banheiro, cozinha e área de serviço, num total de 44 metros quadrados.

O condomínio residencial é dotado de infraestrutura básica com: rede de abastecimento d’água, energia elétrica, rede coletora de esgotos, pavimentação em paralelepípedos, e, também possui guarita, centro comunitário e área de lazer. Todo o projeto atende as especificações mínimas do Programa Minha Casa Minha Vida, prevendo acessibilidade a pessoas com deficiência e idosos.”

Enfim, a nota de Emília Correia Lima é uma confissão de culpa. Na tentativa de justificar tamanho descompromisso com os mais pobres, a nota de Emília acabou evidenciando o tamanho da incompetência do governo atual, que levou mais de 3 anos para resolver problemas burocráticos, mais tempo que o governo de Ricardo Coutinho levou para construir o condomínio de 576 apartamentos.

A emenda saiu pior que o soneto.

VELHA POLÍTICA DE VOLTA: João Azevedo entrega condomínio que ficou pronto 3 anos atrás

Em 10 de dezembro de 2018, o então governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, sorteou os 576 apartamentos do condomínio Rosa de Luxemburgo, em Santa Rita. As famílias beneficiadas tinham renda mensal bruta inferior a R$ 1,6 mil.

As imagens abaixo são do condomínio Rosa Luxemburgo. Como dá para notar, os apartamentos estavam em plenas condições de moradia.

As famílias beneficiadas, porém, levaram mais de 3 anos para usufruírem da nova moradia, dois desses anos de pandemia. Ou seja, ao invés de terem vivido a alegria de morar em suas casas próprias, essas  famílias pobres tiveram de atravessar os últimos anos, que foram de grandes dificuldades econômicas, desemprego e queda na renda do salário, na insegurança do aluguel, se é que tiveram renda para isso.

E por quê? Porque a mesquinhez política do governador João Azevedo não permitiu. O que mais justificaria tamanho atraso na entrega desses apartamentos, a não ser a intenção de, pela esquecimento, evitar dar o crédito ao antecessor para tentar se apropriar de uma obra em ano de eleição? É a ausência completa de sensibilidade, de empatia com o sofrimento dos mais pobres.

É por essas e outras que o povo da Paraíba começa a ter conhecimento do tipo governo que infelizmente elegeu em 2018.

É a velha política de volta.

João Azevedo libera geral e agora se diz preocupado com aglomerações do Fest Verão

O governador João Azevedo é um poço de contradições. Primeiro, libera festas privadas em ambientes fechados, enquanto proíbe festas organizadas pelo poder público em ambientes abertos.

Todo mundo sabe que os ambientes abertos são muito menos propícios à propagação de vírus, sendo, portanto, injustificáveis os critérios usados pelo governador para autorizar as festas em ambientes fechados e proibi-las em lugares públicos.

Agora, com os postos de saúde públicos e privados lotados de pessoas infectadas, seja pela nova cepa de coronavírus (a ômicron), seja pela nova mutação de H3N2, ambos extremamente transmissíveis, o governador resolveu criticar os shows alinhados de gente do último fim de semana, principalmente os que aconteceram em Cabedelo, no Fest Verão.

Fast Verão: 80% de ocupação? Todo mundo vacinado?

O problema é que a impressão digital do governador está impressa nas imagens dos shows lotados do final de semana que estarreceram a Paraíba, sendo de causar estranheza não só que o governador critique agora as festas privadas lotadas, que acontecerão por todo o mês de Janeiro em Cabedelo. Ele terá coragem de probi-las, já que descumprem claramente o que diz o decreto assinado por ele?

Ou seja, o governador deve ter esquecido que esses shows acontecem porque seu governo os autorizou. No início de dezembro do ano passado, o governador autorizou  a “realização de shows, com ocupação de até 80% por cento da capacidade do local” no “período compreendido entre 03 de janeiro de 2022 a 31 de janeiro de 2022”.

O período do libera geral não foi obra do acaso. O Fest Verão é um milionário evento de shows que acontece sempre em janeiro, quando Cabedelo e João Pessoa estão lotadas de turistas. E um dos proprietários do Fast Verão é o filho do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, Messinho Lucena, que também é vice-prefeito de Cabedelo (não bastasse tudo isso, a prefeitura de Cabedelo é uma das patrocinadoras do evento).

Prefeitura de Cabedelo virou puxadinho da família Lucena?

Pergunto novamente: João Azevedo terá coragem de proibir as aglomerações das festas “privadas” ou vamos ter de esperar pelos resultados do liberou geral, que só virá no pós-janeiro, quando a explosão de casos se realizar? Atos assim põem em risco os esforços de toda a sociedade para um retorno seguro à normalidade.

Cobrar coragem e coerência do atual governador da Paraíba talvez seja ingenuidade de minha parte, porque nada no governo atual parece ser objeto de planejamento. E nenhuma decisão que envolva coragem e firmeza será tomada. O que havia de projeto integrador no governo da Paraíba deu lugar ao pragmatismo eleitoreiro, à acomodação dos grupos políticos para a reeleição do governador, tudo articulado por interesses particulares, que mandam hoje na Paraíba.

Tudo resumido numa só palavra: retrocesso.

ATO DE DESESPERO? Nonato Bandeira provocou encontro com José Dirceu em João Pessoa

Em visita a João Pessoa, o ex-ministro José Dirceu se reuniu com diversas lideranças políticas, entre elas, Ricardo Coutinho, Veneziano Vital do Rego e Luciano Cartaxo. Dirceu não deu nenhuma bola às investidas de João Azevedo para uma conversa entre os dois.

Mesmo assim, o governador resolveu espalhar na imprensa que houve uma “conversa do grupo com ex-ministro José Dirceu”. Segundo o Click PB, João Azevedo declarou que “houve contato sim do ex-ministro com nosso pessoal, nossos interlocutores. Nós estamos conversando”.

Não foi exatamente assim que as coisas transcorreram, porém. Segundo me revelou uma fonte que presenciou o encontro, o secretário de comunicação, Nonato Bandeira, foi sem ser convidado à casa em que o ex-ministro de Lula estava hospedado e pediu para falar com Dirceu. Sem ter o que fazer, a não ser receber Bandeira, Dirceu foi obrigado a ouvir mais um pedido para que Lula recebesse João Azevedo. Como resposta, Dirceu apenas mexeu a panela do cozimento.

Além disso, Dirceu conheceu os pendores de humorista de Nonato, que chegou a antecipar na “conversa” que João Azevedo deseja que o PT não lance candidato em 2022 na Paraíba.

A resposta de José Dirceu não poderia ter sido outra: uma risada, mesmo para uma piada de péssimo gosto.

Os recados da foto que Cícero Lucena tirou ao lado de Sérgio Moro

Cícero Lucena é hoje o maior aliado de João Azevedo na Paraíba e principal fiador da candidatura do deputado federal Aguinaldo Ribeiro ao Senado. Ao se deixar posar para foto presidenciável e principal responsável pela prisão do ex-presidente Lula, Sérgio Moro, o atual prefeito de João Pessoa deu vários recados políticos que os bons e os maus entendedores entenderão.

A começar pelo cenário da foto, o Lovina, cujo proprietário é o filho do prefeito de João Pessoa e também vice-prefeito de Cabedelo, Mersinho Lucena. Como é possível também observar, o prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo, é um dos mais sorridentes ao lado do ex-coordenador da campanha de Jair Bolsonaro na Paraíba, Julian Lemos, aniversariante e anfitrião do rega-bofe, hoje ardoroso apoiador de Sérgio Moro, o que é revelador, por si só, do que representa a candidatura do ex-juiz.

É bom não esquecer que a administração de Cícero Lucena em João Pessoa é recheada de bolsonaristas e que Ciro Nogueira, o presidente nacional do PP, comanda um dos principais ministérios do governo Jair Bolsonaro, a Casa Civil. E Cícero não é um nome qualquer do PP.

O recado nacional foi dado e, depois de sugar o que foi possível, o PP já prepara o desembarque da base de apoio de Jair Bolsonaro.

No plano estadual, o encontro de Cícero Lucena com Sérgio Moro acontece logo depois da visita de José Dirceu à Paraíba, onde o petista se reuniu com várias lideranças políticas, menos com o governador João Azevedo – ontem, uma visita de Lula ao estado foi anunciada, e também não consta na agenda qualquer encontro com o atual governador.

Ao posar ao lado de Moro, Cícero deu um recado a Lula e ao PT em nome de João Azevedo. E Lula já deve ter entendido quem é mesmo João Azevedo. Cícero Lucena hoje fala por ele. E isso diz tudo.

CAINDO AOS PEDAÇOS: teto da Cinep desabou na hora do expediente (veja vídeo)

A Cinep (Companhia de Desenvolvimento da Paraíba) foi uma das meninas dos olhos do governo Ricardo Coutinho, responsável pela atração de milhões em investimentos para o estado.

Hoje, três anos depois que o engenheiro João Azevedo assumiu o governo da Paraíba, a situação pode ser resumida no vídeo abaixo:

A Cinep está literalmente caindo aos pedaços. O teto da Companhia desabou hoje (06/01), provocando ferimentos e choques em servidores. Empresários que estavam em atendimento se assustaram. Um deles teve de ajudar a socorrer uma servidora do órgão que entrou em pânico.

Eis o retrato do desastre que se tornou o governo João Azevedo.

João Azevedo joga para a galera em negociação com a PM

O governador João Azevedo levou três anos no governo para sentar à mesa de negociação com os servidores estaduais.

Sob ameaça de greve da polícia e com as ruas de João Pessoa tomada pelas famílias dos policiais, o governador enfim resolveu escutar as demandas e, em ano de eleição, fez enfim uma proposta. A maior parte da conta, porém, fica para o próximo governo.

João Azevedo se reuniu com as lideranças da PM na manhã de 4 de novembro e apresentou uma proposta aos policiais que chega a ser desrespeitosa com a inteligência da categoria e de suas lideranças.

Além de aumento de 10% nos vencimentos (o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA acumulado de 2021 foi de 10,74%), João Azevedo propôs a incorporação de 80% da Bolsa Desempenho de PM e bombeiros militares.

O detalhe é que o governador teve a coragem de propor que incorporação dos valores da bolsa aos salários de ativos e aposentados aconteça em módicas prestações de 36 meses!

Isso significa que dois terços dessa conta será paga pelo próximo governo.

Além disso, há dúvidas jurídicas sobre “solução” proposta por João Azevedo. Segundo o inciso VIII do art. 73 da Lei nº 9.504/1997, estão proibidos reajustes salariais em ano de eleição, seis meses antes do pleito e até o dia da posse do eleito.

Segundo o TSE, a intenção da lei é “garantir a igualdade entre os candidatos”, ficando permitido apenas a recomposição de perdas inflacionárias. Infringir a lei nesse ponto configuraria “conduta vedada”.

Como já foi anunciado 10% de reajuste, índice que apenas repõe parte da inflação de 2021, e como cada parcela incorporada resultará em aumento salarial, mesmo que módico, sobretudo para aposentados, parece muito evidente que estamos diante de um ato ilegal.

Enfim, depois de 3 anos de governo, João Azevedo joga para a galera com o chapéu alheio. E tem mais um detalhe notado pelo deputado estadual Cabo Gilberto. O parcelamento de despesa com pessoal que ultrapasse o mandato de quem autorizou é ato considerado “nulo de pleno direito”.

Resta saber se uma proposta carregada de dúvidas jurídicas foi feita intencionalmente ou por descuido. E, mais importante, se as categorias envolvidas vão aceitar participar dessa pantomima em ano eleitoral.

TRAIÇÃO À VISTA? A “botija” que Aguinaldo Ribeiro escondia em seu apartamento

Segundo relato do radialista Clilson Jr., do ClickPB, o apartamento n° 1700, que o deputado federal do PP e pré-candidato ao Senado, Aguinaldo Ribeiro, possui no edifício Cezanne, onde mora parte da fina flor da sociedade pessoense, foi assaltado no dia 2 de novembro, há quase dois meses, portanto.

O assaltante levou o que Clilson Jr. chamou de “botija” (pelo que vejo, encontraram a botija, finalmente) de 23 relógios avaliados em mais de 1 milhão de reais.”

Primeiro, por que esse fato só veio a público quase dois meses depois de ocorrido, e no último dia do ano quando, em geral, a sociedade se mostra menos atenta a acontecimentos dessa natureza?

Segundo, Aguinaldo Ribeiro fez uma declaração de bens para a Justiça Eleitoral em que consta um patrimônio equivalente a pouco mais de R$ 1,4 milhão. E mais R$ 1,3 milhão em espécie.

Só a “botija” com os relógios de Aguinaldo Ribeiro representam quase todo o valor patrimonial declarado pelo deputado ao TRE, que é um dos líderes do Centrão (quase R$ 1,5 milhão).

Agora, as dúvidas de ordem política. Por que a imprensa governista resolveu detonar a bomba no colo de Aguinaldo Ribeiro? Isso seria possível sem o conhecimento e, quem sabe, o estimulo da Granja Santana? João Azevedo resolveu abandonar Aguinaldo Ribeiro na estrada? Como Cícero Lucena vai se comportar? Vai abandonar também Aguinaldo Ribeiro?

Qualquer observador menos atento perceberia que não se trata apenas de suspeitas. Teremos uma investigação séria a partir de fatos concretos?

Não cabe antecipar julgamentos, claro, mas há muito o que ser esclarecido e, portanto, um largo caminho para investigações. Ou será tudo jogado para debaixo do tapete dos amigos do lavajatismo?

PS. Clilson Jr. entrou em contato para esclarecer que a postagem em que o radialista afirmava que o roubo não tinha sido reportado à polícia é anterior à matéria publicada hoje de manhã no ClickPB, razão pela qual excluí os trechos que mencionam o que considerei ser uma contradição.

Lígia Feliciano, o machismo e a misoginia de João Azevedo

Questionado hoje (23) sobre a crítica da vice-governadora Lígia Feliciano, que comparou a Paraíba a uma mulher sofrida e disse que os paraibanos e paraibanas voltarão a se orgulhar do seu  estado, João Azevedo não se dispôs sequer a responder. Uma risada machista pareceu-lhe suficiente.

Como provocou Amanda Rodrigues, em texto publicada hoje no portal Brasil247:

“Ele (João Azevedo) agiria da mesma maneira se a crítica partisse de um homem? Ou a risada de João Azevedo, um desconhecido que ganhou de presente do povo da Paraíba o cargo de governador, revela um medo inconsciente de enfrentar uma mulher nas urnas?”

Amanda Rodrigues botou o dedo na ferida. Em tempos de bolsonarismo, tratar mulheres de forma desrespeitosa, com uma risada ao invés de um argumento político, rebaixando-as à condição de sequer merecerem uma resposta, não é só machismo, é também misoginia pura.

Além disso, revela a alienação do governador, que parece isolado no mundo da fantasia da Granja Santana. O que me traz à lembrança um episódio da eleição de 2010, quando o então governador e candidato à reeleição, José Maranhão, concedia uma entrevista ao jornalista Helder Moura, na TV Correio.

Moura perguntou se Maranhão tinha mágoas do então prefeito de João Pessoa e candidato da oposição, Ricardo Coutinho. Sem saber que  já estava ao vivo, Maranhão respondeu com um deboche e disse que o seu sentimento era de “pena”. Tentou se justificar quando percebeu a gafe, porém, o deslize estava consumado.

Do alto de sua experiência, Maranhão pelo menos sabia o quanto faz mal para uma campanha um candidato se apresentar de salto alto ao eleitor. Por isso, tentou reparar o erro.

Não parece ser esse o caso de João Azevedo. Os bajuladores na imprensa e na política já chegaram a dizer que não haveria chapa de oposição em 2022 na Paraíba (hoje, teremos pelo menos duas chapas de oposição). Uma delas, de uma mulher, Lígia Feliciano, que promete repetir feito de Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte.

Continue assim, João Azevedo. As mulheres começarão a dar a resposta merecida.

João Azevedo agora reclama do lavajatismo, porém ficou em silêncio quando Lula e Ricardo foram as vítimas

A coluna Aparte, do jornalista Arimatéia França, fez um resumo da entrevista que o governador João Azevedo concedeu ontem (22/12) à TV Itararé.

Em um dos trechos, o governador se mostra preocupado com a atuação dos órgãos de fiscalização e controle em ano de eleição.

“Os processos têm os seus tramites normais. Espero que nenhum órgão, seja de controle ou de fiscalização, eles utilizem de suas ferramentas para interferir no processo eleitoral. Espero que o processo seja isento desse tipo de interferência”.

Estranho o governador se preocupar com lavatismo no Brasil só agora, quando está prestes a disputar sua reeleição.

Enquanto Lula era submetido às perseguições da Lava Jato, João Azevedo não foi capaz de dizer um pio; quando Lula foi preso às véspera da eleição, o então candidato a governador foi incapaz de manifestar uma palavra de solidariedade. Lula passou quase dois anos preso, e João Azevedo agiu como se Lula não existisse (Ricardo Coutinho foi a Curitiba prestar solidariedade ao antigo companheiro.) No comício que Fernando Haddad fez em João Pessoa na campanha do segundo turno, João Azevedo, já eleito, subiu mudo e desceu calado do palanque.

Foto da visita que Ricardo Coutinho fez a Lula na prisão.

Como eu já disse, Lula sabe quem é João Azevedo e o que ele fez no verão passado.

As atitudes do atual governador da Paraíba já antecipavam as traições que só se revelariam plenamente ao longo do ano de 2019, quando Ricardo Coutinho foi submetido à uma violência jurídica e midiática que, em muitos aspectos, superou o que a Lava Jato fez com Lula (quer só um exemplo? Lula só foi preso depois do julgamento em segunda instância; Ricardo foi preso sem que sequer se denunciado).

Aliás, a denúncia feita quase um mês depois do pedido de prisão não foi aceita até hoje

João Azevedo começou a abandonar o principal fiador de sua eleição para o governo provavelmente antes de sentar na cadeira de governador. Foi incapaz de sequer agradecer o ato de Ricardo de não ter sido candidato ao Senado para manter as condições de eleger governador um desconhecido.

Ao contrário. O que RC recebeu em troca foi a mais sórdida das traições. Como se não bastasse, João Azevedo colocou a serviço da destruição da imagem de Ricardo Coutinho um exército de jornalistas, de blogs, sites e sistemas de comunicação. Isolado, Ricardo ficou à mercê dos seus inimigos.

A história, porém, é especialista em nos pregar peças. Numa dessas ironias da história, que o caso de Aécio Neves (só para citar o mais notório dos falsos moralistas) é exemplarmente didático, João Azevedo começa a temer que o feitiço vire contra o feiticeiro. Em relação à última delação premiada vazada (vazada ilegalmente, como foram todas as outras!) em que o ex-secretário Waldson Sousa acusa João Azevedo de ter obstruído a Justiça a partir de informações privilegiadas oriundas do MPPB, a mesma mídia, que fazia a festa quando se tratava de Ricardo Coutinho, fez uma cobertura constrangida, logo esquecida.

A guerra de verdade começa agora. E, como dizia Brizola, “a política ama a traição, mas abomina o traidor”. Então, prepare-se.

João Azevedo usará o PT até quando?

João Azevedo declarou o que segue abaixo. É o entendimento que o governador tem do maior partido da esquerda brasileira, o PT:

“O PT, hoje, é usado como instrumento de vingança por umas pessoas (Ricardo) que chegaram ao PT muito mais como instrumento de vingança contra Governo do Estado do que com um objetivo político. Eu espero o apoio do PT, principalmente na aliança majoritária”.

Freud explicaria o termo “vingança” usado pelo atual governador, um reconhecido traidor, uma Judas Calabar, como o nomeou Amanda Rodrigues em texto publicado em suas redes sociais e no portal Brasil 247, hoje (leia clicando aqui).

A entrevista, ressalte-se, foi concedida a um dos maiores expoentes do jornalismo antipetista da Paraíba, Anderson Soares, que a Secom de João Azevedo continua a financiar, o que, por si só, é revelador do caráter e do perfil ideológico do atual governador da Paraíba. Não por acaso, João Azevedo optou pelo Cidadania, uma anão tucano, uma espécie de sublegenda do PSDB.

João Azevedo, Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena. Juntos em nome de quê?

Para João Azevedo, Anísio Maia e sua turma são apenas um braço político, uma linha auxiliar para dar tinturas de esquerda ao projeto regressista e oligárquico, atualmente em curso na Paraíba. E essa turma, que ainda se diz petista, é muito bem aquinhoada para cumprir esse vergonhoso papel. João Azevedo lembrou isso na entrevista:

“O governador ressaltou que o partido compõe o governo com uma das secretarias mais importantes (Agricultura) e tem o apoio de lideranças importantes do partido, a exemplo do deputado federal Frei Anastácio e do deputado estadual Anisio Maia.”

O que Anísio Maia e Cia dão em troca? Votos? Não, porque o raquitismo político dessa turma já entrou para o folclore político da Paraíba. Eles só tem a vender Lula, a imagem do ex-presidente, e usá-lo como arma diveresionista, já que o PT, seu tempo de televisão e seu fundo partidário, eles já não controlam mais.

Se os codificados tinham acabado na Paraíba, foi João Azevedo quem os ressuscitou

O governo de João Azevedo e ele próprio vão terminar entrando para o folclore político da Paraíba. Perdido desde que começou o governo, João Azevedo se contradiz à cada declaração. Agora, diz que vai “acabar” com os codificados quando foi ele próprio a retomar a prática.

Todo mundo lembra. João Azevedo era tão tão desconhecido, que fez campanha com com um slogan que resume bem quem era ele no cenário político estadual: “meu nome é João”. Ora, se um candidato ao cargo mais importante do estado necessita lembrar a toda hora ao eleitor o seu nome…

Mesmo assim, ele foi eleito. E o foi por conta da gigantesca popularidade do governador Ricardo Coutinho e do seu governo, avaliado como o melhor do Nordeste e um dos melhores governos do Brasil – acreditem, até eu teria sido eleito governador com um cabo eleitoral desses!

Medroso feito galinha quando está cercada por raposas, o imberbe governador virou presa fácil, preferindo se render ao familismo oligárquico que, antes de Ricardo, governou a Paraíba sem contestação, e preferiu trair quem de fato o elegeu. Resultado dessa “operação”: Cícero Lucena está de volta à prefeitura de João Pessoa e Aguinaldo Ribeiro, um dos maiores oligarcas paraibanos e destacada liderança do Centrão, é o candidato de João Azevedo ao Senado – viu no que deu o eleitor dar trela ao falso moralismo das elites?

Três anos depois que assumiu o governo, a grande obra que João Azevedo tem para mostrar é não ter deixado pedra sobre pedra do renitente e corajoso trabalho de oito anos de Ricardo Coutinho, para a festa dos que se acostumaram em reservar para si os nacos mais vitaminados do orçamento público paraibano. Hoje, a Paraíba padece de um retrocesso de grande proporções.

Fim dos coficados? De novo?

Ontem, João Azevêdo anunciou o fim dos servidores codificados no Governo da Paraíba. Segundo ele, “uma vergonha que tem na Paraíba há 30 anos” (“uma vergonha que tem na Paraíba”…).

Se é verdade o que diz hoje João Azevedo, ele mentiu para os eleitores que o elegeram em 2018. Quando candidato, ele dizia que Ricardo Coutinho não só tinha diminuído o números de servidores temporários durante seu governo, como tinha acabado com os chamados codificados (escrevi sobre isso aqui).

Só para refrescar a memória dos mais esquecidos, quando Ricardo Coutinho assumiu o governo da Paraíba, em janeiro de 2011, o número de servidores temporários era de 32.282. Ao deixar o governo em 1 de janeiro de 2019 e repassar o carga para quem, meses depois, iria traí-lo, o número de servidores não concursados era 20.092, uma redução de quase 36% ou 11.190 prestadores de serviços a menos.

Sobre os codificados, vou transcrever o que disse o que disse sobre os codificados o então presidente do Tribunal de Contas da Paraíba, André Carlos Torres, ao site ClickPB, em 30 de maio de 2017, criados, segundo ele, “ainda em 2000”:

“A figura do codificado deixou de existir e hoje se assemelha mais a um prestador de serviço porque ele tem matrícula, nome, salário, desconto, bruto e líquido”. Ou seja, esses servidores não concursados passaram a ter direitos que todo trabalhador formal tem, uma conquista para eles e para a Paraíba.

Boa parte desses servidores foi regularizada através das Organizações Sociais, que continuam atuando na maioria dos estados brasileiros e que João Azevedo covardemente extingiu e inviabilizou o funcionamento.

E para quê? Eis a resposta: no governo João Azevedo, os números de prestadores de serviço voltou novamente a crescer. E muito. Em junho de 2021, o número desses servidores era de 27.394, um crescimento maior que 30% ou 7.302 prestadores de serviço a mais do que havia em janeiro de 2019.

E se ele diz que vai acabar com os codificados é porque ele os recriou.

Mais grave ainda é saber que esse crescimento aconteceu durante a pandemia, em que boa parte dos serviços públicos deixaram de funcionar presencialmente – alguém da Secom saberia expllicar essa mágica?

João Azevedo vai continuar mentido para o povo paraibano?

Calvário continua: juiz impede Ricardo Coutinho de ir a jantar com Lula

O grupo Prerrogativas nasceu em 2017 para defender o trabalho da advocacia brasileira e se tornou um um polo intelectual na denúncia dos abusos da Lava Jato e do lavajatismo. O Prerrô, como seus membros apelidaram o grupo, reúne renomados juristas e advogados brasileiros da estirpe de Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), Gabriela Prioli, Gisele Cittadino, José Roberto Batochio, Lenio Streck.

O Prerrogativas realiza anualmente um encontro para o qual são convidados figuras públicas de várias áreas. Para o encontro desse ano, que aconteceu ontem, domingo (19), em São Paulo, no restaurante A Figueira Rubayat, por exemplo, vários políticos de relevância nacional foram convidados para o jantar, como o ex-presidente Lula e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, entre outros. 

O ex-governador Ricardo Coutinho também recebeu a honraria de ser convidado. Ele e sua esposa, Amanda Rodrigues, chegaram a comprar passagens para o maior evento político desse final de ano.

Mas não só. Segundo Marco Aurélio Carvalho, o coordenador do Prerrogativas, Lula fez um único pedido aos organizadores do evento: que Ricardo Coutinho e Amanda Rodrigues ficassem na mesma mesa que ele.  

Ricardo, porém, não pôde viajar a São Paulo para participar do encontro. O motivo? O juiz Carlos Antônio Sarmento, que substitui o desembargador Ricardo Vital nos processos relacionados à Operação Calvário, não deu autorização para RC e Amanda Rodrigues saírem da Paraíba.

“O requerente não apresentou argumentos plausíveis e concretos aptos a justificar a flexibilização da cautelar fixada pela Corte Superior e a concessão da pretendida autorização. Em que pese os fins do Grupo Prerrogativas, o evento (jantar) é festivo, uma confraternização”, escreveu ele na decisão.

Já se discutiu muito o uso de medidas cautelares. Elas têm objetivos: evitar constrangimento de testemunhas, destruição de documentos, venda de patrimônio, fuga do investigado.

Numa investigação que já dura três anos sobre eventos muito mais antigos, é improvável que medidas como impedir que Ricardo Coutinho saia de João Pessoa faça mais algum sentido. Não se tem notícia de testemunha que tenha sido pressionada e Ricardo está com todo seu patrimônio bloqueado pela justiça.

Receio de fuga? Ora, Ricardo Coutinho estava na Turquia quando sua prisão foi decretada. Se tivesse culpa no cartório, teria voltado ao país para enfrentar seus acusadores? Mas, parece que essa atitude não amenizou nem um pouco a situação do ex-governador, pelo contrário.

Dois anos de iniciada uma investigação que parece não ter fim, o ex-governador não foi sequer chamado a depor pela Operação Calvário (isso vai acontecer algum dia?). O Gaeco-MPPB pediu a prisão de Ricardo Coutinho antes de encaminhar a denúncia ao desembargador Ricardo Vital. Dois anos depois, ela, a denúncia, não foi sequer aceita.

E Ricardo provavelmente teria passado todo o mês de janeiro de 2020 no PB1 não fosse o habeas corpus concedido pelo corajoso ministro Napoleão Nunes Maia, um dos primeiros a se levantar contra o lavajatismo nas Cortes Superiores do país. Lula ainda estava preso por essa época.

Depois disso, Ricardo Coutinho foi submetido ao uso de tornozeleira eletrônica e por meses foi proibido de sair de casa à noite e nos fins de semana. Hoje, só pode sair de João Pessoa com a autorização da justiça paraibana.

Ricardo Coutinho é candidato ao senado, porém, não pode participar de atos políticos fora de João Pessoa, como o jantar do grupo Prerrogativas. Ou seja, o calvário de Ricardo Coutinho continua, quando vai acabar, se é que vai, ninguém sabe. Porque ele continua a ser tratado como um condenado sem ter tido sequer direito a um julgamento.

Ricardo é candidato a senador e precisará andar por toda a Paraíba, antes de sua candidatura ser formalizada. Ele poderá fazer isso? Lula é candidato a presidente e já está se movimentando para isso. Ele pode ser candidato e tem liberdade para tal. Não faz muito, Lula estava preso. Ninguém mais do que Lula sabe o que viveu quando foi julgado por um juiz motivado politicamente, como foi Sérgio Moro, que depois virou ministro de Jair Bolsonaro, sócio de uma grande empresa americana e, hoje, é pré-candidato a presidente.

Lula gostaria de ter Ricardo Coutinho ao seu lado no domingo passado. A história recente dos dois tem muito em comum, são parte de um mesmo fenômeno, o lawfare. A ausência do ex-governador da Paraíba na mesa do ex-presidente, entretanto, revelou muito sobre esse fenômeno que marcou a história brasileira nos últimos anos: o lavajatismo. O Brasil começou a mudar, e tanto a liberdade de Lula, a anulação de suas condenações e sua candidatura a presidente parecem indicar isso. 

E a Paraíba?  

A PARAÍBA VIROU (DE NOVO) UMA FESTA: nº de servidores estaduais temporários chega a 28.996 e atinge incrível marca de 83,73% do total dos efetivos

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) emitiu um “alerta” para o governo da Paraíba depois que   um levantamento de Acompanhamento da Gestão Alerta do órgão identificou diversas irregularidades na folha de pessoal, entre elas um exorbitante número de “contratados por excepcional interesse público”, ou seja, de servidores sem concurso.

Segundo o “alerta”, o governo da Paraíba tem hoje 28.996 servidores nessa condição, que equivale a 83,73% do total de servidores efetivos. O alerta do TCE se torna ainda mais grave se considerarmos que em dezembro de 2018, quando Ricardo Coutinho deixou o governo da Paraíba, esse número de servidores temporários era de 12.441 contratados, para um total de 34.166 — uma proporção de 34% dos servidores contratados.

Como já mostramos aqui, Ricardo Coutinho não só diminuiu o número dos servidores temporários de 32 mil, em 2011, quando assumiu o governo da Paraíba, para 20 mil, em 2018, quando deixou o governo. E fez isso regularizando a vida funcional dos codificados, que passaram a ter direitos.

Com João Azevedo, o número de temporários cresceu até atingir, em junho de 2021, os 28.996 apontados acima, isso com 17 meses de pandemia e boa parte dos serviços fechados.

O TCE também chama a atenção em seu alerta a João Azevedo para outro problema grave: o retorno da falta de transparência. Segundo o órgão, as informações prestadas ao SAGRES do TCE-PB contém cargos com nomenclaturas genéricas, o que não permite “a identificação das funções exercidas pelos contratados”.

Tem mais no “alerta”, mas esse detalhe escabroso fica para a próxima.

Walber Virgolino sem máscara: “meus cavalos vivem melhor que tu”

O deputado estadual da Paraíba, Walber Virgolino, é uma desssa figuras lamentáveis que vicejaram na política surfando na onda de chorume que se formou com a ascensão de Jair Bolnonaro. Em todos os lugares do país, políticos aproveitadores emprestaram sua voz à uma legião que se orgulha de ser os que são: em busca de curtidas, cliques e emojis de aprovação, e sem um pingo de constrangimento, longe disso, eles agora exibem nas redes sociais sua ignorância arrogante, compartilhando vilezas que antes só tinham coragem de manifestar em reuniões familiares e em restritas mesas de bar.

Ontem, Virgolino convidou seus seguidores a assitir a um vídeo postado em seu perfil no Instagram em que denuncia os maus-tratos que sofrem os animais que são recolhidos ao Centro de Apreensões de Animais da Prefeitura de João Pessoa. Ele chega a equiparar o lugar a um “campo de concentração“.

Como previsto, os adoradores do deputado nas redes sociais, os mesmos que seguem com ardor quase religioso Jair Bolsonaro, aplaudiram a manifestação. Soou estranho, entretanto, que essa manifestação tenha partido de alguém que, quando o assunto são os proverbiais maus-tratos a que são submetidos os seres humanos nos presídios brasileiros desaparece qualquer senso de civilidade.

Questionei ao deputado se a preocupação com o maus-tratos aos animais não deveria ser estender aos presídios, lembrando que muitos desses presídios foram administrados por ele na Paraíba e no Rio Grande do Norte. “Ou a vida humana vale menos que a de um cachorro?”, perguntei ao final.

Em reposta, Virgolino sacou o velho mantra bolsonarista seundo o qual “bandido bom é bandido morto”. Ninguém na Assembleia ou no Ministério Público, obviamente, vai cobrar de Walber Virgolino, uma autoridade pública, sobre uma declaração como essa, principalmente quando o contexto remetia ao tratamento dado aos presidiários. Foi a permissidade das instituições com esse vale-tudo retórico, que se desdobrou em violência real, e que no levou à beira do precipício atual que nos ameaça como democracia e até como nação.

Diante desse espetáculo de incivilidade do deputado e dos seus seguidores, que tinham acabado de receber a ração de ódio com a qual alimentam o espírito mesquinho, só restou-me o protesto inútil nas redes sociais, onde escrevi:

A brutalidade bolsonarista: Walber Virgolino faz demagogia tentando se mostrar indignado com a situação do Centro de Apreensão de Animais, equiparando-o, vejam só, a um “campo de concentração”. Questionado sobre a situação dos presídios, responde que “bandido bom é bandido morto”.
Vamos lembrar ao deputado: quem viveu em “campos de concentração” foram seres humanos para morrerem como bois morrem nos matadouros, em série, em câmaras de gás, de fome, aos milhões.
NAZISMO, VOCÊ VÊ POR AQUI.

De todo jeito, duvido muito que Walber Virgolino esteja realmente preocupado com o bem-estar dos animais – a intenção parece obedecer mesmo ao objetivo nutrido por ele de um dia ser prefeito de João Pessoa. Na mesma postagem, Joaci Júnior lembrou que Virgolino é adepto das vaquejadas.

Pois não é que o deputado foi ao meu perfil para dar uma resposta, que, se de um lado, é reveladora do seu desprezo pela vida humana, também é do quanto Virgolino ascendeu no padrão de vida como deputado e o fez incorporando os valores mais abjetos dos novos ricos – ele que, antes de virar deputado, há dois anos e meio, era um simples delegado de polícia.

@joacijunior68 meus cavalos vivem melhor que tu 😂😂😂

Eis minha resposta abaixo:

Com a complacência dos seguidores falsos moralistas, que antes eram capazes de enxergar ciscos nos olhos dos outros, mas não vêem a trava que toma conta de suas visões, até nisso Virgolino aderiu a Jair Bolsonaro, que antes criticava “mamatas” e hoje tem em torno de si uma corriola de mamateiros, incluindo os próprios filhos: o deputado é um dos mais gastadores da Assembleia:

Como mostra a matéria acima, só em verba idenizatória da Assembleia, fora o salário, entre abril a agosto de 2020, portanto em plena pandemia, o deputado gastou R$ 226 mil reais, com uma média mensal próxima dos R$ 34 mil reais. “Vale ressaltar que, nesse período, as atividades presenciais da Assembleia estavam suspensas”, lembra a matéria.

O tom jocoso exprime bem a completa alienação e desprezo de gente como Walber Virgolino e seus seguidores com a pobreza que nos rodeia, com os milhões de miseráveis que sempre povoaram o Brasil, com os que voltaram a sentir fome. Não seria surpresa se, a exemplo do ex-presidente João Figuereido, o último presidente da ditadura, ele prefira o cheiro do cavalo ao cheiro do povo.

Como lembrou Joaci Júior, o deputado se jacta de ser um dos adeptos e praticantes da vaquejada, se bem que, como mostram vídeos que circulam pela internet, não é lá grande coisa a destreza do ex-delegado de polícia sobre o cavalo já que, por vezes, ele troca de posição com com o boi e seja ele, e não o animal, a ser derrubado dentro da faixa de pontuação.

Mas, nas mãos dos verdadeiros vaqueiros, são os bois que sofrem nas quedas, com fraturas, principalmente no rabo, que é extensão da coluna vertebral desses animais. Tudo isso para divertimento de uma plateia que se acostumou a transformar em espetáculo o sofrimento, não só de animais.

Para terminar, escapa, por óbvio, ao deputado bolsonarista que a precoupação com o bem-estar dos animais é um avanço ético e civilizatório que só pode vir depois de pensarmos no bem-estar humano. Qual sentido faz uma sociedade que é capaz de se indignar com o que acontece com animais, e normaliza a miséria humana em seu estado mais bruto, como está acontecendo hoje no Brasil.

Também escapa a Virgolino a insensatez, que demonstra o quanto essa lógica bolsonarista é perversa e bárbara, de desejar a morte para os presidiários brasileiros, já que a maioria que enche os presídeios cometeu crimes banais, sendo que dezenas de milhares deles ficam presos por anos sem o direito de sequer serem julgados.

Duvido que se houvesse democracia social e racial na ocupação dos presídios brasileiros, onde pretos e pobres se amontoam, esquecidos, num espetáculo grostescos de incivilidade, que diz mais sobre nós do que sobre eles, o jargão que melhor resume Jair Bolsonaro (“bandido bom é bandido morto”) faria tanto sucesso na mentalidade nazista dessa gente.

No final das contas eles odeiam o povo. Eles odeiam os mais pobres.

Candidato a presidente pelo partido de João Azevedo, Alessandro Vieira diz que PT criou uma “cleptocracia” no governo

Em resposta ao ator José de Abreu, o senador Alessandro Vieira, candidato a presidente pelo Cidadania, atribuiu a vitória de Jair Bolsonaro, entre outras coisas, à “cleptocracia do PT”.

O Cidadania é o partido do governador João Azevedo. Quem conhece as opiniões de Roberto Freire, o presidente nacional do Cidadania, e a atuação dos parlamentares do partido no processo de impeachment de Dilma Rousseff, sabe que Alessandro Vieira não é voz isolada.

Muito pelo contrário.

Dirigentes do PSB chamam neolavajatista Gervásio Maia de autoritário e patrimonialista

Cassandra  Figueiredo  (Presidenta  da  Comissão  Provisória do PSB de João Pessoa), Veronica Ismael (Secretária-Geral), Patrícia  Oliveira  (Secretária  de  Organização), João  Vicente  Machado (Tesoureiro), Gilvanildo  Pereira (membro  da  Comissão  Provisória) e Priscilla  Gomes  (Membro  da  Comissão  Provisória) anunciaram, em carta divulgada hoje (20/09), desfiliação do partido. Os nomes mencionados acima devem se filiar ao Partido dos Trabalhadores em breve.Na carta (leia abaixo), os ex-dirigentes do PSB acusam Gervásio Maia de “prática  patrimonialista  e  autoritária”.

Desde o início de 2020, o PSB na Paraíba comandado pelo deputado federal Gervasio Maia. Desde então, o direção nacional do PSB foi dando mostras de que, sem mandato, a história do ex-governador Ricardo Coutinho, no partido desde 2003 e pelo qual se elegeu perfeito de João Pessoa e governador da Paraíba, não tinha mais relevância alguma depois que deixou o governo e ficou sem mandato.

Nunca é demais lembrar que Ricardo Coutinho sacrificou uma eleição certa para o Senado para ajudar a eleger o desconhecido João Azevedo governador, que, em troca, abandonou o PSB depois de tentar assumir o seu controle. Esse golpe articulado na surdina contra RC foi descoberto a tempo, e evidenciou a trama já em andamento para isolar ainda mais o ex-governador.

Único parlamentar federal do PSB, Gervásio Maia foi um dos poucos eleitos em 2018 a permacer solidário a Ricardo Coutinho, ao lado das deputadas estaduais Estela Bezerra e Cida Ramos e do deputado estadual Jeová Campos.

Como se veria depois, porém, a atitide de GM nada tinha a ver com lealdade a um projeto político. Maia tomou essa atitude por dois motivos: 1. Desejava ser candidato a prefeito de João Pessoa com apoio de Ricardo Coutinho e foi muito estimulado para isso; 2. Maia, entretanto, nunca foi bem-vindo no grupo de João Azevedo por motivos que o processo de escolha do candidato a governador em 2018 podem explicar.

O primeiro motivo para que o representante de uma das mais tradicionais oligarquias paraibanas ter permanecido leal a RC, o antíponda do que Gervásio Maia sempre representou para a política nordestina, começou a deixar de ter importância quando, em janeiro de 2020, o deputado federal foi “citado pela primeira vez” na Operação Calvário.

Desde então, nem Maia voltou a aparecer nos vazamentos ilegais da Operação Calvário nem falou mais em ser candidato a prefeito. Não foi só isso. O deputado submergiu de tal maneira que sequer participou – mesmo sendo presidente estadual do PSB – das conversas que definiram o lançamento da candidatura a prefeito na mais importante cidade do estado e na qual é eleitor.

Além disso, Gervásio Maia já pode ser considerado um membro da bancada lavajatista no Congresso. Na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, ele votou contra a PEC 5/21, de autoria do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), que, entre outras coisas, acaba com a exigência de que o corregedor nacional do Ministério Público seja escolhido pelo conselho entre os membros do Ministério Público. A intenção é dar mais transparência e evitar corporativismo e impunidade. A PEC foi aprovada na CCJ, mesmo com o discurso quase histérico que Maia fez na sessão.

Mantendo a mesma linha, Gervásio Maia também votou contra a quarentena para policiais, militares, juízes, promotores e procuradores que quiserem se candidatar a algum cargo público. Membros dessas categorias terão de se afastar das funções quatro anos antes da eleição caso desejem disputar uma eleição.

Novas relações com João Azevedo

Por outro lado, as relações com João Azevedo começaram a perder o tom de beligerância para assumir cada vez mais ares de paquera, para usar metáforas que Jair Bolsonaro tanto gosta. A paquera parece que virou namoro e pode se tornar em breve casamento.

Em busca de um partido que tenha mais proximidade com Lula, já que o Cidadania é um dos maiores adversários do ex-presidente, João Azevedo parece disposto até a voltar ao PSB. É o que já se especula inclusive na imprensa que não vive sem recursos públicos.

Isso exigirá, por óbvio, um casamento de papel passado com Gervásio Maia, o dono do PSB na Paraíba.

Abaixo, a nota:

Carta aberta de desligamento da Comissão Provisória do PSB- João Pessoa

Na história recente da política partidária paraibana, poucos partidos podem apresentar um crescimento substancial, quantitativa e qualitativamente, como o verificado entre 2005 e 2018, quando o PSB chegou a comandar 52 prefeituras no estado além do governo do Estado (2011 a 2019).

Neste mesmo período, o PSB também cresceu nas câmaras municipais e na Assembleia Legislativa. Um crescimento que qualificou o debate público incluindo a minorias, os invisibilizados juntamente com os principais anseios da sociedade contemporânea.

Ainda nesta trajetória de gestão inclusiva, participativa e democrática, o PSB criou e implantou as principais políticas públicas, ancoradas por um projeto de desenvolvimento social e econômico transformador, reconhecidas por toda a Paraíba e ainda por especialistas em gestão pública.

A prática patrimonialista e autoritária, hoje em vigor no PSB, não condiz com os princípios de um partido socialista, que tem por base a defesa da liberdade, da justiça social, e a radicalização da democracia. A condução do presidente Estadual do PSB, o Deputado Gervásio Maia, não coaduna com esses princípios, não obstantes de sua cultura política, da prática oligárquica e de conchavos, que visam sobretudo, garantir sua
sobrevivência pessoal na vida pública.

O deputado tem, segundo a suas declarações intempestivas através da imprensa, desconhecido os agentes políticos históricos do PSB. Nega a promover reuniões, desconhece o processo de construção das decisões coletivas e segue negociando a legenda, oferecendo recursos do fundo partidário e tempo de propaganda eleitoral, no afã de se estabelecer em detrimento da identidade socialista do PSB.

Consideramos que o tempo é o senhor de todas as verdades e continuaremos a construir uma sociedade justa, igualitária e sobretudo democrática que garanta a cidadania e o desenvolvimento sustentável. Nossa energia estará voltada a resgatar o Brasil do Fascismo e do atual fosso de miséria, onde nos colocou Bolsonaro e seus comparsas.

A defesa do Estado democrático, de direito e o bem-estar social, nos rege. Na nossa tela, estão as eleições de 2022 e entendemos que essa retomada do progresso social, passa pela eleição do presidente Luís Inácio da Silva e de quadros nacionais, que defendam o modelo socialista e a soberania popular.

Possuímos lideranças com tal envergadura a exemplo do companheiro Ricardo Coutinho, Márcia Lucena, Estela Bezerra, Cida Ramos, Jeová Campos, entre outros e outras. Iremos somar onde nossa voz é considerada e esses princípios respeitados.

Diante dessa ruptura e dos “novos” rumos do partido, a Comissão Provisória do diretório municipal de João Pessoa vem a público comunicar a desfiliação coletiva, para que o partido possa seguir suas novas deliberações no jogo político estadual, com as quais a atual direção municipal não concorda.

João Pessoa, 20 de setembro de 2021.

Cassandra Figueiredo – Presidenta da Comissão Provisória
Verônica Ismael – Secretária-Geral
Patrícia Oliveira – Secretária de Organização
João Vicente Machado – Tesoureiro
Gilvanildo Pereira – Membro da Comissão Provisória
Priscilla Gomes – Membro da Comissão Provisória.