Graças ao governo Ricardo Coutinho, João Azevedo comemora não existirem filas para leitos de UTI na PB

Até quando tenta criar uma imagem favorável ao seu governo, João Azevedo se benefecia do trabalho realizado pelo seu antecessor, o ex-governador Ricardo Coutinho, responsável por sua eleição. Mas, João Azevedo é pequeno demais para reconhecer isso.

Em postagem de hoje nas redes sociais, o atual governador da Paraíba comemorou o feito de não ter existido até agora fila de espera para leitos de UTI para tratar doentes graves de Covid-19. Isso é uma boa notícia, sem dúvida, mas o João Azevedo bem que poderia ter reconhecido o papel do governo de Ricardo Coutinho.

Não custa lembrar. Ao assumir o governo, em 2011, RC encontrou na rede estadual pública apenas 78 leitos de UTI. Considerando as redes estadual, municipal, federal e privada, a rede estadual de saúde ocupava o terceiro lugar nesse quesito.


Oito anos depois, essa realidade havia mudado radicalmente. O Hospital de Traumas de João Pessoa, por exemplo, deixara de ser uma unidade hospitalar que envergonhava os paraibanos, e se tornara exemplo de eficiência e resolutividade. Vários hospitais foram inaugurados, entre eles o Hospital Metropolitano D. José Maria Pires, uma unidade de referência no tratamento de cardiologia e neurologia. Só no Hospital Metropolitano foram criados 226 leitos, sendo 58 de UTI, além de 11 salas de cirurgia.

Quando deixou o governo, em 2018, Ricardo Coutinho deixou a rede estadual da Paraíba equipada com 281 leitos de UTI e 34 leitos de semi-UTI, o que tornou a rede estadual a maior do estado.  Um feito inigualável que só aconteceu na Paraíba.

Portanto, mesmo com todos os problemas do governo João Azevedo na condução do enfrentamento à pandemia do coronavírus, o fato dos paraibanos não terem morrido até agora esperando por antendimento em leitos com respiradores, como acontece em vários estados, está diretamente relacionado com os investimentos públicos realizados durante o governo de Ricardo Coutinho.

João Azevedo poderia reconhecer esse fato. Mas ele é pequeno demais para ter uma atitude generosa como essa.

SÓ ASSIM: Válber Virgulino e setores da imprensa apelam que o “tapetão” impeça candidatura de Ricardo Coutinho

As eleições para a prefeitura de João Pessoa se aproximam e Ricardo Coutinho continua elegível. Isso significa que o plano para afastá-lo da disputa com uma condenação a jato, como fizeram com Lula, não contava com a pandemia de coronavírus.

Por isso, o nervosismo demonstrado pela maior parte imprensa paraibana com a possível candidatura de RC à prefeitura de João Pessoa, que torce para que a Justiça acelere o passo para condenar Ricardo Coutinho, mesmo sem a apresentação de provas, ganhou a voz hoje do deputado estadual Válber Virgulino.

Em entrevista ao programa Rede Verdade, da TV Arapuã, o ex-delegado de polícia quase tinha um colapso ao vivo quando tratou da candidatura do ex-governador. Sabedor que ele e sua turma não teriam a menor chance com RC na disputa, daí o apelo desesperado pela intervenção da Justiça e para que o tapetão resolva a parada, como aconteceu em 2018 na eleição de Jair Bolsonaro, sua maior referência ética e política, Virgolino conclamou nossos juízes a agirem.

Segundo a matéria publicada no site do sistema Arapuã, que repercutiu a entrevista do deputado bolsonarista, “A candidatura de Ricardo Coutinho (PSB) à prefeitura da Capital representa a desmoralização do Poder Judiciário  e um ‘tapa’ na cara da sociedade. ‘Se isso acontecer será o fim’.”

Em seguida, foi a vez de pelo menos dois “jornalistas” manifestarem seu receio com o que consideram indícios de uma possível candidatura se Ricardo e a torcida para que a Justiça aja para impedi-la.

O primeiro foi Henrique Lima, ex-Correio e ex-Arapuan. Segundo ele, “nos bastidores, crescem os rumores de que Ricardo Coutinho (PSB), após consulta a aliados mais próximos e após uma análise fria do cenário, teria definido que só não será candidato se a justiça não permitir.”

Em seguida, foi a vez de Heron Cid, ex-Correio, ex-Arapuã. Vejam um trecho do que ele publicou em seu blog, cujo título era de arrepiar os cabelos de 9 entre 10 jornalistas e políticos da Paraíba: Ricardo, candidatíssimo.

Segundo a Heron Cid, “Ricardo Coutinho (PSB), ex-governador da Paraíba, é candidato a prefeito de João Pessoa, a menos que uma condenação judicial na Operação Calvário em segunda instância atravesse seu caminho até novembro, o que é improvável”.

As previsões dessa turma são tão frágeis quanto as mentiras de que eles têm “fontes” (quá, quá, quá!) próximas a Ricardo Coutinho. Mas, chega a ser divertido acompanhar a o indisfarçável preocupação com a volta do Mago. O que não é divertido é essa suposta tabelinha descarada entre politicos e setores da imprensa para pressionar o Judiciário.

Deu certo contra Lula. Dará certo contra Ricardo Coutinho?

Márcia, filha de Iveraldo Lucena.

Iveraldo Lucena foi meu professor no curso de História da UFPB. Lembro de como ele sentava à frente do birô e de como assim permanecia enquanto a aula de duas horas durasse. Essa foi a primeira imagem marcante do meu ex-professor.

Voltei a fixá-lo de novo na memória 30 anos depois, numa noite de dezembro do ano passado. Ele com um microfone na mão, vestido de branco, clamando por justiça em frente ao presídio para onde a filha, Márcia Lucena, havia sido levada como se fosse ela uma presa política. E era mesmo. Aliás, ainda é.

Iveraldo Lucena não tinha uma expressão envergonhanda nem sua voz traduzia qualquer tipo de constrangimento por ter de enfrentar aquela situação, aos 85 anos de idade. Quando começou a falar, suas palavras não protestaram apenas por Márcia Lucena, elas ressoavam um sentido mais amplo e mais generoso de equidade jurídica e liberdade, porque se aquilo acontecia com a filha, que era prefeita, poderia acontecer a qualquer um. Eis uma verdade universal quando as injustiças se institucionalizam.

A voz firme, o raciocínio equilibrado e organizado, trouxe de volta o professor de 30 anos atrás. Iveraldo Lucena conhecia a filha que o escutava atrás dos muros e que sairia dali no dia seguinte, energizada pela força das palavras encorajadoras do pai e pelo apoio das centenas de apoiadores que a receberam de braços abertos.

Essas duas passagens da minha vida me vieram à lembrança quando terminei de ler o texto que Márcia Lucena postou no final da noite de hoje no Facebook homenageando o pai morto.

Um pequeno, mas expressivo trecho, inspirou-me a escrever o que agora vos escrevo: “Era um homem do amor, tinha fé nas pessoas e na vida.”

Acreditar nas pessoas, acreditar na vida. Não é exatamente isso que nos faz mais falta, nesses tempos sombrios de desprezo pelo humano?

Abaixo, o registro de Márcia Lucena.

Tem coisas que deixam marcas muito profundas e por vezes, em vida, não há tempo de resolvê-las…

Iveraldo. Fortaleza, sabedoria, espírito livre, alma sintonizada com o amor. Este foi – é – o meu pai.

Meu pai, foi um homem que deu a vida ao serviço público. Entendia profundamente o sentido desse ofício. Tinha prazer em seu propósito como servidor, professor, gestor. Esteve em várias funções, ocupou vários cargos nos municípios de João Pessoa e Conde, no Estado da Paraíba e no Governo Federal. Serviu, com dedicação e respeito, ao seu estado, seu país. Uma linda e respeitada carreira!

Fazia tudo com muita inteireza, competência, criatividade e inovação. Sempre de maneira coletiva, agregando pessoas – pois adorava o novo, o movimento, as mudanças e as transformações que só o trabalho inclusivo, coletivo traz. Ele foi um agente ativo para a promoção do bem estar social em cada função que exerceu. Compreendia o valor disso tudo como ninguém.

Era um homem do amor, tinha fé nas pessoas e na vida. Digno, honesto, bom. Livre das coisas mesquinhas como maldades, julgamentos e preconceitos. Um agregador no trabalho e em casa. Nos criou com amor e verdade – suas maiores riquezas.

A vida pública do meu pai foi de dar orgulho e sei que sentia prazer em acompanhar minhas escolhas, meu propósito de vida tão próximo do seu: servir.

Em alguns aspectos, sem planejar, segui seus passos. Ele, professor. Eu, professora. Sei que ele tinha orgulho da minha escolha de trabalhar com o que é público, com o coletivo. E foi aí, nesse lugar de mulher pública que ele me viu ser profundamente ferida.

Por duas vezes, ele sentiu na pele o gosto amargo do autoritarismo e de algo que se quer ser regime de exceção de direitos.

Ele foi uma pessoa que lutou por direitos sociais e pela democracia a vida toda, foi advogado das ligas camponesas. Foi na Ditadura Militar que ele viu minha tia ser presa. Seu crime foi esconder cartilhas de alfabetização de adultos no quintal de sua casa. Como em um show de horrores, o Exército invadiu e queimou tudo. Anos depois, estava meu pai, junto com Darcy Ribeiro, construindo a Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional (LDB). Privilégio? Não. Competência, luta e compromisso para que todos e todas tivessem acesso a uma educação básica e de qualidade.

Meu pai presenciou, na manhã do dia 17 de dezembro (2019)minha prisão, sem que eu tivesse cometido crimes. Que pai, aos 85 anos vendo uma cena destas, ficaria firme?

Meu pai ficou! Firme!

Eu disse na hora que entrava no veículo da Polícia Federal “vai ficar tudo bem, painho”, no que ele prontamente respondeu: “tenho certeza!”

Advogado, professor de História, homem sábio e confiante, sempre acreditou na Justiça e no lado bom das coisas. Ambos achávamos que ao ser constatado o equívoco, eu voltaria pra casa em algumas horas. Ingenuidade? Não, inocência.

Mas não foi isso que aconteceu, fiquei presa, como se fosse uma criminosa, sem nunca ter sido interrogada ou informada sobre nada que me levou àquela condição, a não ser na noite do primeiro dia, quando recebi algumas páginas com parágrafos confusos, sem nexo, dizendo coisas que jamais serão provadas, pois não aconteceram.

Depois de 5 dias no presídio, volto pra casa por força de uma liminar, mas antes disso, meu pai participou de uma manifestação de apoio em frente ao presídio, com postura e garra de militante, de defensor do estado democrático de Direito. Ele e muitas centenas de pessoas gritando “Márcia Livre!”.

Sei que ele nunca imaginou que viveria uma cena dessas… Que orgulho danado desse pai, desse homem, capaz de numa hora daquelas generalizar o amor, pois não pediu isoladamente por mim, mas pela Justiça, pela democracia.

Volto pra casa, volto ao trabalho de cabeça erguida, esperando a cada momento um reconhecimento e a retratação por parte dos que me acusaram e me prenderam. Mas o que vimos foi no domingo de carnaval, a tarde, o oficial de justiça trazer uma determinação judicial com uma série de cautelares, sem ter ocorrido nada de novo. Dentre as cautelares, o uso de tornozeleira e a obrigação de todos os dias estar em casa após as 20h, assim como nos finais de semanas e feriados e não poder sair do Conde.

Meu pai adoeceu profundamente – não por isso, já vinha doente, imagino apenas que esses fatos se somaram a outros, agravando a situação.

Enquanto padecia, sua lucidez era cada vez mais presente. Meu pai morreu pensando, aprofundando ideias, fazendo escolhas de forma digna e firme. O desejo e a certeza de haver justiça, de haver reparação no meu caso, nunca esmoreceu dentro dele. “Há homens e mulheres de bem e a reparação será feita, é só uma questão de tempo”, dizia. Pode ser, estou esperando, confiante na certeza de meu pai!

Mas, a indignação de ver meu pai partir sem nada disso ter mudado, tomou forma, ficou grande!
Constatar que meu pai morreu sem me ver livre como eu deveria ser é triste!
A liberdade é um valor essencial para todo e qualquer indivíduo.

Meu pai morreu vendo a minha agonia com advogados em busca do direito de acompanhá-lo ao hospital. Precisava e gostaria de ter partilhado mais com ele esses tempos difíceis em que o corpo padecia. A cabeça permanecia pronta para orientar, esclarecer, iluminar e esbanjar sabedoria, e eu não usufruí disso como queria, como sempre aconteceu desde meu primeiro momento de consciência nesta vida! Ele cuidou de mim a vida toda. Não pude cuidar dele como meus irmãos fizeram em sua reta final.

Meu pai morreu sem me ver livre da tornozeleira, um amuleto às avessas, equipamento que torna evidente a injustiça que me está sendo imposta, pois nada fiz para merecê-la.
Tenho lidado com tudo isso com resiliência, paciência e fé, características herdadas do meu pai, mas a indignação chegou e é feroz.

Como viver tudo isso sem ter culpa, sem ter sido condenada ou mesmo ré em um processo? E como impor isso às pessoas que você ama?

Meu pai foi nessa viagem sem peso, sem dívidas, sem inimigos, morreu com a dignidade que viveu, mas sei que foi com a dor de ver essa situação injusta sem perspectivas de solução.
Há 5 meses estou com essa tornozeleira. Faz sentido? O que fiz pra isso? Que perigo eu ofereço a sociedade? Quando isso vai acabar?

Meu pai não terá nenhuma dessas respostas.
A quem isso importa?

De fato, tem coisas que deixam marcas muito profundas e por vezes, em vida, não há tempo de resolvê-las.

Ricardo Coutinho vence enquete da Arapuã, mesmo depois de ser massacrado pela emissora

O programa Arapuã Verdade realizou uma enquete para prefeito de João Pessoa. O ouvinte ligava e anunciava no ar o nome do candidato.

Obviamente, enquetes com essas características não tem valor científico porque carecem de metodologia e seu resultado, portanto, não representa as opções eleitorais médias da população pessoense.

Mas, a partir delas, pode-se medir a força das candidaturas em meio aos ouvintes da rádio que a promoveu. Por isso, foi tão impactante a vitória de Ricardo Coutinho, que obteve 25% das menções, tendo sido, portanto, a opção de uma entre quatro pessoas que ligaram para o programa.

O resultado impressiona. Trata-se de um feito inquestionável porque mostra que o massacre cotidiano a que o ex-governador foi submetido ao longo dos últimos seis meses pelos apresentadores do programa, entre eles, o ex-secretário de comunicação, Luís Torres, isso sem que ele tivesse como se defender, não afetou significativamente a liderança de Ricardo Coutinho.

Ao contrário, começa a acontecer uma reversão do quadro. Semelhante ao que aconteceu com o ex-presidente Lula, Ricardo Coutinho começa a ser visto como vítima de uma perseguição política, urdida para afastá-lo da política e, no curto prazo, impedir sua eleição à Prefeitura de João Pessoa.

Isso explica porque estamos em julho e nenhuma pesquisa de opinião foi divulgada até agora.

Eu só recomendaria que o ex-governador ficasse alerta. Depois de saber desse fato, eu não me surpreenderia com o anúncio de outra denúncia, das muitas que estão por vir até a eleição.

O que não tem sido de todo negativo para Ricardo Coutinho. Sem provas além das delações premiadas, fica cada vez mais evidente para o povo o tratamento diferenciado e uso político do sistema judiciário contra um cidadão em pleno gozo dos seus direitos.

É esperar para ver.

Márcia Lucena: “é o amor maior do mundo em meu coração que me impulsiona pra luta.”

Que bela a carta de despedida que Márcia Lucena escreveu para seu pai, Iveraldo Lucena! (leia no final)

Uma homenagem carregada de tristeza pela perda inelutável e também a mais reconfortante homenagem que um país poderia receber ainda em vida, um reconhecimento à coragem que provavelmente Iveraldo Lucena teve de reunir para anunciar aos filhos a maneira digna que escolheu para viver seus últimos dias.

Depois do câncer recém descoberto e prestes a completar 86 anos, escolher como morrer é a mais genuína expressão de amor pela vida.

O pai de Márcia Lucena certamente não concordou viver seus últimos dias sofrendo num quarto impessoal, frio e silencioso de um hospital qualquer, em um provavelmente inútil tratamento. Iveraldo Lucena escolheu morrer cheio de vida escutando pela última vez o canto dos pássaros, os derradeiros raios de sol entrando pela janela, as árvores frondosas que preenchem seu jardim, vendo os móveis do seu quarto, conversando, despendido-se de um vida que foi preenchida pela generosidade e pelo amor dos filhos, que a carta de Márcia Lucena é prova, e de Iracema, sua esposa e companheira de uma vida toda.

A carta de Márcia Lucena me emocionou bastante, como você pode notar. E por isso não poderia deixar de desejar-lhe forças. E a resposta que ela me enviou é um libelo à resistência e uma demonstração de que as perseguições de que é vítima as tem transformado numa outra mulher, e que sua disposição para enfrentar seus detratores e adversários políticos moldaram em sua em personalidade uma fortaleza intransponível.

Abaixo as palavras que Márcia Lucena que honrou.

Estou buscando… tenho me refeito tantas vezes nesses últimos tempos, morrendo e ressuscitando tantas vezes… já não sou mais a mesma pessoa… há muito deixei “Marcinha” pra trás, no mundo da ignorância, da ingenuidade. Vivo hoje no mundo da inocência, pois tenho uma essência inocente como de uma criança, mas minha criança tem coragem, tem força, tem o amor maior do mundo em meu coração que me impulsiona pra luta. Vou ferida, vou com medo, vou com saudades, mas vou.

Quando terminei de ler, percebi que a imagem da fortaleza para descrever a nova Márcia Lucena deve ser destacada as muralhas que passaram a rodeà-la por todos os lados, muralhas erguidas com a argamassa do sofrimento ao longo dos últimos anos, sobretudo dos últimos meses.

E lembrei de Berthold Brecht:

Há mulheres que lutam um dia e são bons, há outras que lutam um ano e são melhores, há as que lutam muitos anos e são muito boas. Mas há as que lutam toda a vida e essas são imprescindíveis.

Sem nada mais a acrescentar, a carta de despedida de Márcia Lucena.

Esse é meu pai o Professor Iveraldo Lucena. Isso foi um ato em frente ao presídio Julia Maranhão, no dia 22 de dezembro de 2019, onde “eu me encontrava presa, na cela de uma cadeia”, por algo que nunca fiz e que ainda não foi explicado. De lá de dentro ouvi sua voz que ecoou em mim aquele amor gigante! Muito maior do que o imenso amor de um pai por uma filha: o amor pela verdade, o amor por todos os conhecidos e desconhecidos que vivem ou poderão vir a viver injustiças, o amor pela vida de uma nação e seu processo democrático! A voz de um homem justo! Quem não tem forças para enfrentar as adversidades e as injustiças diante de um homem tão lúcido?

E quando esse homem é seu pai e lhe ensina, com seus atos e palavras, sobre o amor – não o amor egoísta, que prende e limita, aquele amor que faz o sujeito bater no peito e dizer “eu e os meus primeiro”, não, a língua dele sempre foi o amor por todos, pela verdade, pela vida.

Meu pai é um contador de estórias, um professor de história, um gestor público, um servidor público, um amante da vida, da natureza, dos sonhos, um andarilho convicto. Agora, de repente surge um câncer de pâncreas que representa desgosto profundo, associado às limitações no pulmão que representa tristeza profunda, problemas nos rins que traduzem o medo profundo e ao coração crescido que, no seu caso, certamente por acolher tanto amor profundo…

Ontem meu pai, diante do avanço de seu quadro clinico, conversou conosco, seus filhos, suas irmãs, seus netos para dizer da sua decisão: “Como não há o que fazer para que eu retome a liberdade mínima que eu estava tendo de levantar da cadeira e ir ao banheiro, por exemplo, decidi que não farei nenhum tipo de intervenção ou tratamento além do que já fizemos, vou dormir até que o corpo resolva essa questão”.

Ajustou com cada um de nós alguns detalhes, como um bom professor, nos deu segurança e tranquilidade. Resolveu sua herança em vida há anos atrás (o lugar onde moramos a vida toda no Conde, seu único patrimônio, dividiu no Incra em glebas e doou para cada filho), explicou que não teremos problemas, pois não tem dinheiro acumulado, mas não tem dívidas e falou da felicidade e do prazer que foi conviver conosco. Nega, minha mãe, o amor de sua vida, está com a consciência oscilando, mas não esquece seu Nego por um minuto, deverá ir vê-lo hoje, com ele já “dormindo”, pois ele não quer vê-la sofrer.

Assim, um homem que viveu a vida de forma linda, grande, amorosa, decide sobre a morte com a mesma inteireza, grandeza e lucidez. Se despediu, se recolheu e decidiu deixar a natureza, essa respeitável senhora, fazer a sua parte com reverência.

Achei, olhando para o meu pai ao longo da vida como uma filha perdidamente apaixonada, que não suportaria o dia que esse momento chegasse, que não saberia viver sem sua orientação, suas palavras, seu colo, seu olhar, seu amor. Mas a vida é um caminho de aprendizados e tivemos bons professores. A sua última lição tão amorosa, respeitosa e desapegada nos tira o direito de acessarmos o desespero, de congelarmos não dor. Nos impõe o respeito à vida acolhendo a sua morte. Meu pai está deixando alguns desejos inevitáveis de pai e companheiro para trás: preocupações com minha mãe, com meus irmãos, comigo… coisas sem fim para um pai presente e amoroso e um marido apaixonado.

Aqui com meus botões, tenho o desgosto de ver meu pai se despedir sem ver a injustiça contra mim reparada, mas sei que vai com a tranquilidade e a certeza da filha que tem… “Tudo é experiência de vida”, sempre falou. Nessa última conversa com ele dissemos: “painho, o senhor tem algo fundamental ainda, o senhor tem a lucidez!” E ele respondeu com muita dificuldade, pois sem forças para emitir os sons da fala – “conceitue lucidez”…

Só me resta te dizer: te amo tanto painho, muito obrigada por tudo e vai voando, leve para os braços do pai, que, certamente, está feliz em poder lhe dar um abraço. O tempo que seu corpo ficar aqui ficará cercado de beijos e carícias, mas não lhe prenderemos em lugar nenhum! Vice é um andarilho e tem uma bela caminhada a fazer.

PB é 2º lugar no Nordeste em casos de Covid, mas a prioridade de João Azevedo é outra

O governador João Azevedo anunciou que que seu governo pretende retomar a obras no Estado. O governo estadual anunciou pretende gastar R$ 601 milhões, com um aporte de R$ 197 milhões do governo federal nessas obras. 

É um anúncio absolutamente fora de hora, já que, enquanto João Azevedo montava essa peça de propaganda, a Secretaria de Saúde da Paraíba anunciava que o estado havia ultrapassado a marca dos mil mortos por Covid-19 (1.099 mortos ontem).

Ou seja, João Azevedo tenta fazer crer que a Paraíba vive uma situação de normalidade, mesmo a curva de infecções e mortes avança celeremente sobre o território paraibano, chegando às regiões mais longíquas e desasistidas do estado.

Com isso, João Azevedo avança seu plano que pretende colocar um fim completo ao isolamento social. O resultado dessa irresponsabilidade já estamos sentido: a expansão do contágio, que custará a vida de milhares de paraibanos, que poderiam ter sido salvas.

Para demostrar o quanto o governo da Paraíba está sendo incompetente em lidar com a pandemia de coronavírus na Paraíba, observe abaixo o quadro comparativo. Ele representa bem o tamanho da tragédia que se abate sobre a Paraíba. Como há diferenças em termos populacionais, a melhor maneira de compararmos o avanço da pandemia por estado é considerarmos a média de casos por milhão de habitantes.

Note que o número de casos por milhão de habitantes da Paraíba (13.370) é quase o dobro do que o Brasil tem. Além disso, como o quadro abaixo mostra, a Paraíba está bem acima dos estados vizinhos: Pernambuco tem 7.020 e o Rio Grande do Norte tem 10.134 casos de Covid-19 por milhão de habitantes.

A situação se torna ainda mais grave quando comparamos com os números da Bahia. A Bahia tem uma população de 16 milhões de habitantes, ou seja, quatro vezes maior que a da Paraíba, que tem 4 milhões. Só que enquanto a Bahia tem 5.754, ou seja, 7.616 casos de Covid-19 a menos que a Paraíba.

O que justifica tamanha diferença?

Diante de um quadro assim, qual deveria ser a prioridade de qualquer governante? Preservar do máximo de vida dos/as cidadaos/ãs que governa, ou continuar subestimando uma doença que já matou quase 65 mil brasileiros, agindo como se o Brasil já estivesse vivendo em estado de normalidade? Pior ainda, em meio a tantas mortes, o governador mostra que está preocupado mesmo é com a própria imagem.

Proximidade das eleições: Página do TJPB dá tratamento diferenciado a Ricardo Coutinho?

Poucos têm a honraria de ver seu nome nas manchetes das matérias produzidas pela assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça da Paraíba e em sua publicadas na página oficial na internet. Principalmente políticos.

Por exemplo. Quando a página do TJ noticia processos que envolvem prefeitos são identificados como… “prefeitos”. Ou seja, seus nomes não constumam frequentar essas manchetes.

Vasculhei sete meses em busca de notícias do TJPB e eis alguns exemplos abaixo.

Agora, quando se trata de Ricardo Coutinho, a situação muda de figura. O mesmo cuidado quando se trata de outras pessoas, até menos conhecidas, não se observa quando se trata do nome do ex-governador. Observem.

E Ricardo Coutinho ainda tem – imagino – um longo percurso pela frente. Por exemplo, o ex-governador sequer foi chamado a depor, o que significa dizer que, depois de todo o carnaval midiático promovido pela Operação Calvário, contando com a ajuda de gente honestíssima como Nilvan Ferreira, e o apoio de cidadãos de bem como o deputado federal tucano-cassista Ruy Carneiro, RC sequer depôs até agora.

Ruy Carneiro, ex candidato a vice-governadoe de Cássio, e Nilvan Ferreira ao lado de Zé Maranhão em ato de filiação do radialista ao PMDB. Todos apóiam a Operação Calvário.

A questão é saber se essa postura do TJPB tem a ver com a proximidade das eleições.

Ruy Carneiro, Nilvan Ferreira, Operação Calvário: os pesos e as medidas da perseguição política a Ricardo Coutinho

Em agosto de 2018, depois de nove longos anos do ocorrido, a Justiça finalmente acatou a denúncia do Gaeco-PB contra o hoje deputado federal tucano, Ruy Carneiro, por formação de quadrilha para desviar dinheiro público e lavar dinheiro. A denúncia remonta ao tempo em que Carneiro era secretário de da Juventude, Esporte e Lazer o governo Cássio Cunha Lima (2003-2009). Entre 2010 e 2013 foram ajuizadas ações civis públicas, mas só em julho de 2018 o Gaeco ofereceu denúncia.

https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2018/08/28/justica-acata-denuncia-de-corrupcao-contra-ex-secretario-de-esportes-da-pb-e-mais-seis.ghtml

Em março de 2017, a Polícia Civil da Paraíba recebeu várias denúncias sobre a venda de produtos falsificados de várias marcas famosas. As camisetas, calças, sapatênis, carteiras eram vendidas pela Grife Multimarcas, que eram de propriedade do apresentado do Sistema Correio, Nilvan Ferreira. Veja as imagens abaixo que comprovam a fraude.

Pois bem, além do ritmo de tartaruga da tramitação desses processos na Justiça contra Ruy Carneiro e Nilvan Ferreira, há mais um traço em comum entre eles: os dois correm igualmente em segredo de justiça e raramente se ouve falar deles na nossa imprensa. No caso do processo contra Nilvan Ferreira, a última movimentação ocorreu para vistas do Ministério Público.

Isso foi há mais de seis meses e, segundo consta na página do TJPB, os doutos promotores ainda não devolveram o processo. Farão isso ainda esse ano? Duvido muito.

A pergunta é mais que cabível: por que os processos que Ruy Carneiro e Nilvan Ferreira repondem na justiça tramitam sob sigilo, enquanto tudo que tem a ver com Ricardo Coutinho a imprensa tem amplo acesso? O princípio da publicidade só vale para um lado da política?

Quando o investigado é o ex-governador Ricardo Coutinho e pessoas próximas a ele, os passos de tartaruga dão lugar à rapidez das lebres. Por exemplo, a Operação Calvário levou menos de um ano de investigações para pedir a prisão preventiva do ex-governador e vários ex-assessores, sem que nada mais consistente fosse apresentado para justificar o pedido, aceito pelo desembargador Ricardo Vital, a não ser trechos de delações premiadas.

A decisão foi tão despropositada que, quando julgou o pedido de habeas corpus de Ricardo Coutinho, o ministro do STJ, Napoleão Maia Nunes Filho criticou a decisão de maneira incisiva:

“A convicção do juiz não pode – e mesmo nem deve – se estribar em suposições ou alvitres subjetivos e outras imagens fugidias, que se caracterizam pela imprecisão e pelo aspecto puramente possibilístico”

Além disso, criticou o uso exclusivo da delação premiada como provas:

“A constrição de que se cuida tem a sua origem em delação premiada, ou seja, na fala de um delator, cuja voz há de estar orientada – e isso é da natureza das coisas – pelo interesse de pôr-se em condição de receber benefício pelo ato delacional. Não se deve descartar esse meio de prova – que não é prova, contudo – mas também não se deve atribuir-lhe a força de uma verdade.”

Se um ministro do STJ afirma que não existiam provas para justificar o pedido de prisão, quem sou eu para discordar dele?

Mas, isso não bastou para dar um freio nos arroubos persecutórios do Gaeco e seus promotores continuaram na mesma toada, para o delírio da imprensa e dos inimigos políticos de Ricardo Coutinho.

Vejam o que aconteceu com Amanda Rodrigues, com quem Ricardo Coutinho é casado desde o início de 2019. O nome da ex-secretária de Finanças nunca constou sequer como suspeita durante esses pouco mais de um ano e meio de investigação. Bastou que Amanda começasse a criticar publicamente a Operação Calvário e setores da imprensa suspeitassem que ela poderia vir a ser a candidata do PSB à prefeitura de João Pessoa, para que se tornasse alvo do Gaeco.

Em 22 de maio, Amanda Rodrigues foi inexplicavelmente incluída em nova denúncia, agora envolvendo o laboratório farmacêutico do Estado, o Lifesa. As provas? Mais uma vez e sempre, trecho da delação premiada de Daniel Gomes da Silva em que ele pergunta a Ricardo Coutinho sobre que ocupará a vaga do governo do estado no Conselho Administrativo do laboratório. O ex-governador menciona o nome de Amanda Rodrigues e só. Isso seria a prova de que Ricardo Coutinho é o proprietário oculto do laboratório. Como chamou atenção o sempre atento Manoel Duarte, em texto publicado aqui no blog, as contradições são tão evidentes que saltam os olhos até de um leigo:

O MPPB “afirma que a compra de ações do Lifesa por uma empresa chamada Troy, da qual RC seria o suposto dono foi feita em 2012, porém só em 2018 houve faturamento. Sinceramente, não dá para entender porque um negócio que seria tão bom para os integrantes do que chamam de “quadrilha” só conseguiu faturar alguma coisa 7 anos depois. E qual o faturamento? Não informam, mero detalhe que esqueceram de mencionar na denúncia.

Depois de páginas e páginas falando do desvio de milhões do Lifesa, no final, na parte dos pedidos da denúncia, apontam um suposto desvio de RS 250 mil. Considero que seja uma diferença abismal entre milhões e 250 mil. Se há um erro tão grave entre o que se acusa e o que se aponta como montante do suposto desvio no pedido de ressarcimento ao erário, fico com o “in dúbio pro réu” para acreditar que é mais uma denúncia pra fazer volume e desgastar a imagem de RC.”

É essa a conclusão do combativo advogado de Amanda Rodrigues, Igor Suassuana. Em nota publicada hoje (03/07) logo após o anúncio da aceitação da denúncia, o advogado lançou uma nota oicial criticando a decisão. “Mais uma vez, a Operação Calvário mostra a que veio”, começa ele. “Em momento de aproximação das eleições municipais, intensificam-se os ataques ao ex-Governador Ricardo Coutinho e aos seus familiares mais próximos.”

Segundoe ele, as reuniões que Amanda Rodrigues participou no Conselho de Administração do LIFESA “são públicas e estão registradas em ata, não havendo quaisquer indícios de irregularidades”. Situação estranha essa: o dono oculto do laboratório não recebe nada e a participação da esposa nas reuniões do laboratório são oficiais e registradas em ata – e são essas atas as provas do envolvimento de Amanda Rodrigues nos supostos desvios, jamais apontados, a não ser como ilações.

Além disso, segundo Igor Suassuna, à época “Amanda não era sequer companheira de Ricardo, tendo obtido destaque na administração pública pelo extremo zelo e comprometimento com que desempenhou suas funções”, razões pelas quais o afvogado repudia “com veemência as acusações” e diz que elas serão rechaçadas “por não possuírem respaldo em mínimos indícios de prova”.

Como eu disse ontem, quanto mais a eleição se aproxima, mais os promotores do Gaeco ficam nervosos. Sugiro que eles levem em conta o que acontece hoje com os prmotores da Lava Jato, porque mais dias menos dias, a lei do abuso de autoridade chegará à Paraíba.

Abaixo, as provas de que Nilvan Ferreira vendia mesmo produtos falsificados.

Família, família… Qual é mesmo o partido de Veneziano?

Ninguém pode negar que Veneziano Vital do Rego é um homem de família. A família deve ser tão importante para o senador paraibano que, se pudesse e tivesse tios e primos suficientes, teria parentes em todas as instâncias da República, da câmara de vereador ao Senado, da prefeitura de Campina Grande ao Palácio do Planalto, passando pelos Tribunais. Uma república da grande família.

Tradição familiar é o que não falta na linhagem de Veneziano. Começa lá dos anos 1930, com o ex-governador Argemiro de Figueiredo, de quem é sobrinho-neto, passa pelo também ex-governador e avô, Pedro Gondim, segue com o pai, Vital do Rego, e pela mãe, Nilda Gondim, ambos ex-deputados federais – D. Nilda é hoje suplente do Senador José Maranhão. Da geração atual, tem o irmão, Vitalzinho Vital do Rego, que deixou a política eleitoral por um cargo no Tribunal de Contas da União. Não bastasse esse mundaréu de parentes na política, Vené tentou e quase elegeu deputada federal a esposa, Ana Cláudia, que ficou na primeira-suplência. Mas, o ex-cabeludo promete não desistir. Ana Cláudia é candidatalissima à prefeitura da Campina Grande.

Meu partido é minha família

Se Veneziano Vital do Rego não é o único na Paraíba que deseja transformar a política num espaço para acomodar sua grande família,  talvez seja ele, entretanto, o único a assumir essa intenção sem disfarces e sem vergonha de ser o que é.

Como todo e qualquer político paraibano que pertence a uma oligarquia política, Veneziano tem que ter um partido para chamar de seu. Quando ele se filiou ao PSB fez isso unicamente para, a convite de Ricardo Coutinho, eleger-se senador, outro erro que o ex-governador cometeu em 2018. Mas, quando Veneziano entrou no PSB, não levou a esposa Ana Cláudia junto, ela que sempre acompanhou as incursões partidárias do marido – Ana Cláudia é Veneziano saíram junto juntos do PMDB, só que ela foi para o Podemos.

Quem acampanhou de perto essa inusitada “divisão” familiar foi o ex-deputado e membro de outra tradicional família campinense, Álvaro Gaudêncio Neto. Assim ele descreve em 2018 os termos da negociação de Veneziano com o Podemos para, mesmo no PSB, ser ele o dono do partido na Paraíba.

Comecemos pela situação do meu amigo deputado federal Veneziano Vital do Rego. Era filiado ao PMDB. Com a sua desfiliação deste partido, o PODEMOS passou a ser a opção. Mesmo decidindo filiar-se ao PSB do governador Ricardo Coutinho, o deputado Veneziano “combinou” com o PODEMOS de deixar neste partido a sua esposa Ana Cláudia, sob o argumento de que ela ficaria em seu lugar. E assim, com a promessa dela sair candidata à deputada federal, com amplas chances de vitória, Veneziano convenceu a direção nacional do partido de que a sigla vai ser contemplada na contabilidade dos recursos do fundo partidário, com a eleição de sua mulher.

O site A Palavra, de Campina Grande, foi mais duro na manchete da matéria em que noticiou a nota de Álvaro Neto: “Álvaro denuncia ‘negociata’ para eleger Ana Cláudia…”

Pois bem, essa semana Veneziano Vital do Rego deu um inusitada declaração em nome do Podemos ao site Paraíba Debate, mesmo sendo ele, acredite, não apenas filiado ao PSB, mas também líder do partido no Senado. Tratando sem nenhuma cerimônia das alianças do Podemos em João Pessoa e Campina Grande, o senador do PSB (?) chegou a usar o verbo no plural para explicar a posição do seu (?) partido nas duas cidades:

Não falo em nome do meu partido, pois sou do PSB. Mas posso dizer que tenho a liberdade de falar pelo Podemos. Nós no final de novembro estabelecemos uma parceria entre os partidos, ou seja, dividindo estratégias para que pudéssemos disputar nas chapas majoritárias. O Podemos não tem candidatura em João Pessoa vamos comungar com o PTB, como em Campina Grande recebemos esse apoio para Ana Cláudia”, disse.

Entendeu? Veneziano declara que não não fala em nome do partido ao qual é filiado, mas sem nenhum constrangimento, anuncia qual é posição de outro partido, dizendo-se porta-voz do mesmo. Certamente, não deve existir nenhuma ata do Podemos que registre essa autorização para que um filiado a outro partido fale em seu nome, mas é bastante provável que essa decisão tenha sido tomado em volta da mesa da sala-de-jantar na residência dos Vital do Rego.

O mais paradoxal na eleição de Veneziano para a cobiçada vaga de Senador, é que ele era um político em franca decadência quando foi convidado pelo então governador Ricardo Coutinho a se filiar ao PSB para se candidatar ao Senado. Veneziano ganhou fôlego e ressuscitou para a política.

A situação é ainda mais paradoxal porque Veneziano deve sua eleição ao apoio de um governador cuja trajetória é marcada pela crítica ao familismo na política, e nesse ponto a coerência de Ricardo Coutinho é exemplar: mesmo tendo amplas condições de eleger familiares para cargos públicos e criar sucessores políticos, como quase todos fazem, RC jamais fez isso.

Para aumentar ainda mais a dose de paradoxismo, enquanto Veneziano curte seus oito anos no paraíso na Terra que é o Senado, passa incólume pelas investigações da Operação Calvário, ele que foi candidato em 2018, ao contrário de Ricardo Coutinho.

Paradoxos da nossa política que só o familismo explica

Sem apresentar provas contra Ricardo Coutinho, restou ao GAECO o circo midiático

O fato de Ricardo Coutinho ainda estar vivo para a política, liderando todas as pesquisas para a prefeitura de João Pessoa, mesmo depois da Operação Calvário e todas as arbitrariedades e ilegalidades cometidas contra o ex-governador e seus ex-assessores, deve estar deixando os promotores do Gaeco à beira de um ataque de nervos.

Ontem, a Paraíba e o Brasil assistiram a mais um capítulo dessa história que envergonha o Ministério Público da Paraíba e será uma mancha na história dessas instituições difícil de ser removida. Jamais os paraibanos assistiram ao que pode ser definido como “sanha persecutória” por parte de membros desssa instituição contra o ex-governador.

Incapazes de provar as acusações contra Ricardo Coutinho e seus ex-assessores, restou ao Gaeco continuar na sua política do pão e circo, da espetacularização do processo judicial, sempre em dobradinha com a velha imprensa cassista-bolsonarista da Paraíba, quando arbitrariedades e ilegalidades são tratadas como atos de heroísmo. O Brasil e suas instituições começam a perceber o erro que cometeram ao não combater os crimes cometidos pela Lava Jato.

Ao que parece, essas boas novas não chegaram ainda à Paraíba. Enquanto é perceptível o esforço das Cortes Superiores para abandonar as heterodoxias dos últimos anos para fazer o país retornar à normalidade instituicional e ao respeito irrestrito às leis e à Constituição, na Paraíba o lavajatismo continua a orientar os trabalhos do Gaeco.

Na Paraíba, entre outras coisas, um dos princípios mais elementares e caros às nossas tradições jurídicas, que é o ônus da prova como obrigação de quem acusa, continua no esquecimento. Para os promotores do Gaeco, o acusado é quem tem de provar que não é culpado.

Ou seja, depois de mais de um ano e meio de investigações da Operação Calvário, nenhum centavo das mais de três centenas de milhões que os promotores afirmam terem sido desviadas foi até agora encontrado. Nem em malas de dinheiro, nem em contas no exterior, nem mesmo nas “botijas” enterradas que um dos promotores do Gaeco, confessando “anonimamente“ sua incompetência e má-fé foram encontradas. 

As convicções do Gaeco

Follow the money?

Para quem parece saber antecipadamente que não provará suas acusações, certamente é mais fácil e menos trabalhoso acreditar em “botijas” – eis a variação tabajara para o power point. Talvez seja o vício do proverbial atraso oligárquico que domina as instituições paraibanas. Aliás, que voltou à moda e ao poder no ultimo ano. Por que não colocar em prática um procedimento investigativo que em todo o mundo permite seguir os rastros deixados pelo dinheiro da corrupção, porque, como quase todo mundo sabe, dinheiro não some, não evapora, a não ser que resolvam queimá-lo (ops, é melhor não dá essa ideia).

Por isso, quando querem fazer investigações de verdade sempre encontram dinheiro em malas ou escondido em paredes falsas. Ou investido em patrimônio no nome de laranjas. Ou ainda, quando recebem auxílios de instituições do exterior e aparecem, como num passe de mágica, contas no exterior, como no caso de José Serra, Aécio Neves, Michel Temer, e um monte de gente rica que tinha dinheiro em paraísos fiscais (o escândalo mundial dos Panamá Papers está aí para demonstrar a extensão da burla nacional).

No caso dos políticos citados acima, descobriram essa dinheirama toda sem que sequer uma investigação tivesse sido aberta. Só em uma conta de José Serra (lembram?) num banco da Suíça foram encontradas mais de R$ 10 milhões de Reais.

A questão é: por que o dinheiro que o Ministério Público da Paraíba acusa Ricardo Coutinho de ter desviado não é encontrado? E não é só isso. Numa situação de normalidade, o fato dos investimentos em saúde terem crescido tanto durante os oito anos em que RC governou a Paraíba – só os leitos de UTI quase triplicaram durante esse período – serviriam para, no mínimos, lançar dúvidas sobre o que disseram delatores em busca de benefícios. Mas, não. O que parece importar é destruir a imagem de Ricardo Coutinho.

Atestado de honestidade

Nem dinheiro nem patrimônio foram até agora encontrados, nem com o ex-governador nem com familiares ou laranjas. Tanto que, para continuar na linha da carnavalização, o Gaeco pediu o sequestro de R$ 6,5 milhões de Ricardo Coutinho, uma iniciativa para gerar manchetes. A surpresa foram os valores encontrados em posse de Ricardo Coutinho, que não chegaram a 1% desse valor (R$ 56.911,51 em uma conta de investimentos, uma poupança melhor remunerada). Fora a remuneração mensal do ex-governador, esses eram os únicos valores que RC dispunha para pagar as contas mensais. Tudo de origem devidamente comprovada e declarads no imposto de renda.

E tem mais. Foi decretado também o bloqueio dos bens do ex-governador. Ao tomar conhecimento da lista, fiquei estupefato ao descubrir que o homem que é acusado de ter desviado centenas de milhões da Paraíba tem um patrimônio que não é compatível com sua renda, mas estar longe de torná-lo sequer uma pessoa rica. Vejam a lista do patrimônio de uma vida inteira de alguém que, além de servidor federal, foi vereador de João Pessoa (duas vezes), deputado estadual (duas vezes), prefeito de João Pessoa por mais de cinco anos, e governador da Paraíba por oito.

1)      4 hectares de terra nua na área rural de Bananeiras-PB (a fazenda de RC!);

2)      2 lotes de terrenos na Ponta do Seixas;

3)      1 imóvel no bairro dos Estados,

4)      1 Imóvel no Condomínio Bosque das Orquídeas, no Portal do Sol, João Pessoa-PB, onde mora atualmente.

Convenhamos, depois de mais de um ano e meio de investigações, a Operação Calvário já deveria apresentar resultados, sobretudo provas, e sair dessa lenga-lenga espetaculosa. Ou seja, ir além das delações premiadas, cuja utilidade é facilitar a obtenção de provas. Se até agora essas provas não foram produzidas, tem algo errado com essas delações.

De todo modo, há uma pedagogia nesse circo do Gaeco com a imprensa. Qualquer pessoa não movida pelo ódio ou por interesses políticos chegará a conclusão que a Calvário, ao invés de provar as acusações, está oferecendo ao ex-governador Ricardo Coutinho um atestado de honestidade. 

Secretário de Saúde cita números que mostram que pandemia está fora de controle na Paraíba

Hoje, o Secretário de Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, deu informações que deveriam ter deixado a Paraíba perplexa e, sobretudo, preocupada.

Em entrevista à rádio Arapuã, Medeiros disse, entre outras coisas, que a pandemia avança aceleradamente pelo interior do estado. Um número é revelador desse fato que, se não é surpreendente pela incompetência do própria governo estadual em lidar com o avanço da pandemia, é preocupante porque as cidades do interior não tem a mesma cobertura de leitos como na região metropolitana de João Pessoa.

Segundo o secretário, há 60 dias a grande João Pessoa concentrava 64% dos casos, e 36% no interior. Hoje, a situação se inverteu completamente. Enquanto a grande João Pessoa tem 22% dos casos, as cidades do interior chegaram a 78%.

E não pense que essa inversão acontece por conta da melhora da situação em João Pessoa.

O secretário criticou enfaticamente a falta de planejamento das cidades, citando os casos de Campina Grande, Patos e Guarabira, que “flexibilizaram” o isolamento social, como se o governo João Azevedo fosse um exemplo a ser seguido nesse campo. O secretário citou tudo que falta na Paraíba para um ação planejada de enfrentamento da pandemia, como “testagem maciça a população” e altos índices de isolamento social. Risível.

Respondendo sobre o caso se Cabedelo, que pretende fazer uma abertura geral na próxima semana, o secretário mencionou números que revelam o verdadeiro desastre de sua gestão à frente da Secretaria de Saúde. Segundo o secretário, Campina Grande tem o que ele chamou de “grau de duplicação viral”, que vem a ser a taxa se contágio ou de reprodução efetiva (RT) do coronavírus.

João Pessoa tem taxa de contágio de 1,5; a de Campina é 2,1!

Segundo o Secretário de Saúde do governo João Azevedo, Campina Grande atingiu uma taxa de contágio de 2,19 e João Pessoa 1,5, números que deveriam alarmar qualquer um cuja função seja salvar vidas e mostre empatia com os mais pobres. Esses números mostram que a taxa se contágio tanto em Campina quanto em João Pessoa está fora de controle.

Para entendermos a gravidade da situação revelada pelo secretário, veja o quadro abaixo.

Ele mostra a taxa de contágio do estado do Rio de Janeiro e da capital em 24 de junho de 2020. Notem que 1,35 é considerada uma taxa de risco de contágio considerada alta. Essa taxa mede a capacidade de infecção e, portanto, a circulação do vírus.

A ilustração permite visualizar melhor a taxa se contágio. Uma taxa superior a 1 significa que uma pessoa infectada pode espalhar o vírus para pelo menos uma pessoa. Quanto maior a taxa maior a contágio.

Por outro lado, a capacidade de contágio está relacionada a outro índice, o do isolamento social. Isso significa que quanto mais gente infectada circular, mais gente será infectada. Ou seja, quanto maior for a taxa de contágio piores são as condições para flexibilizar o isolamento social. E vice-versa.

Para demonstrar o que foi dito acima, vejamos a evolução da pandemia de coronavírus em dois países europeus. Primeiro a Alemanha.

Fonte: National Geografic

Notem que o primeiro caso de infecção por coronavírus na Alemanha foi registrado em 28 de janeiro de 2020. 16 dias depois, a Alemanha decretou lockdown. O resultado foi uma queda acelerada na taxa de contágio. Hoje, a Alemanha começa a voltar às atividades normais. Mais importante: com uma população de 83 milhões habitantes, a Alemanha teve 5.913 vítimas da Covid-19.

No caso da Suécia, que em nenhum momento adotou o lockdown, o contágio no país escandinavo continua fora de controle, com uma taxa de contágio que se mantém acima de 1.

Fonte: National Geografic

Pior. Com uma população de 10,2 milhões de habilitantes, oito vezes menor que a da Alemanha, 2.274 suecos morreram durante a pandemia de coronavírus até agora.

Se os números que o próprio secretário de saúde da Paraíba mencionou hoje servem para alguma coisa é mostrar que a Paraíba está longe de controlar a pandemeia de coronavírus.

Com a política de abertura e fim progressivo do isolamento social, mesmo diante se números tão preocupantes, seria mais correto e honesto da parte do governador João Azevedo assumir logo que não existe estratégia de enfrentamento da pandemia.

PS. Para comprovar o que disse o Secretário, a Paraíba registrou hoje 2.008 casos.

Machismo: quem tem medo de Amanda Rodrigues?

Foi só o ex-governador Ricardo Coutinho mencionar, na live em que foi entrevistado, ontem, por Wellington Farias e Eloise Elane, a possibilidade da candidatura de Amanda Rodrigues à prefeitura de João Pessoa, para o bueiro do machismo ser destampado e seu odor fétido ser espalhado no ar, através das  ondas de rádio, no caso, da Rádio Arapuã.

Ao comentar sobre a live de ontem (o que, por si só, já é uma demonstração da relevância política de Ricardo Coutinho porque, como dizem os gaúchos, “não se gasta pólvora com chimango”, o radialista Clilson Jr. usou todo seu tempo para atacar Amanda Rodrigues, entre outras coisas, colocando em dúvida sua competência à frente da Secretaria de Finanças, e até mencionando relacionamentos passados da esposa de Ricardo Coutinho.

Será que Clilson Jr. usaria esses argumentos se Amanda Rodrigues fosse homem? Tenho minhas dúvidas.

Ao questionar a competência de Amanda Rodrigues, o radialista esqueceu que, quando ela assumiu a Secretaria de Finanças, em 2016, o Brasil vivia o auge de uma crise econômica que afetava fortemente as finanças públicas.

Ou seja, a administração de Amanda Rodrigues à frente da Secretaria de Finanças foi determinante para que a Paraíba não só atravessasse a crise sem sobressaltos – por exemplo, pagando os servidores em dia – como permitiu que o o governo estadual continuasse a investir e inaugurar obras. Quando Ricardo Coutinho entregou o cargo para João Azevedo, havia mais de R$ 300 milhões em caixa!

Mais uma vez eu pergunto: se Amanda fosse homem, sua competência seria questionada, sobretudo se ele tivesse a seu favor esse invejável portfólio administrativo? Aliás, a administração do atual secretário de Finanças é um desastre e jamais foi criticado. Por que é homem?

Isso para não falar da canalhice de mencionar o ex-marido de Amanda Rodrigues, como se esse detalhe da vida pessoal da ex-secretária pudesse medir sua competência de administradora pública. Mais uma vez, cabe a pergunta: se Amanda Rodrigues fosse homem, mereceria essa lembrança?

Ou o que se valoriza naquele programa da Arapuã é o recato hipócrita dos beatos recém convertidos?

São dois tipos de medo. O medo machista que, como já escreveu Eduardo Galeano, “é o medo dos homens das mulheres sem medo”. E bem resolvidas.

E o medo de Ricardo Coutinho, que eles pensavam morto para a política. Porque o ódio que boa parte da nossa imprensa nutre por Ricardo Coutinho, é proporcional ao medo que sentem do ex-governador. E esse ódio se estende a parentes, aliados e os ex-assessores que não o abandonaram.

E o mais irônico nisso tudo é que quem lançou Amanda Rodrigues candidata a prefeita de João Pessoa foi essa parte da imprensa paraibana. Ela jamais disse que é ou que será candidata.

Além do mais, o PSB é o único partido que conta com três opções de peso para a prefeitura: além de Amanda Rodrigues, que está sendo empurrada para a disputa pelo falatório especulativo da impensa, o deputado federal Gervásio Maia e Ricardo Coutinho, que hoje é uma reserva estratégica de luxo que pode ser usada na eventualidade de sua candidatura se tornar uma necessidade política.

Maranhão e Daniela Ribeiro votam a favor da privatização da água e do saneamento básico

Enquanto mais de 50 mil brasileiros já morreram vítimas do coronavírus, e outras dezenas de milhares podem ainda perder a vida, a maioria do Senado aproveita a oportunidade para enfiar ainda mais a faca nas nossas costas.

O Senado acabou de aprovar o projeto de lei 4.162/2019. Essa proposta, que já havia sido aprovada na Câmara dos Deputados e agora vai à sanção presidencial, privatiza os serviços de saneamento básico.

Pelo novo Marco Legal, os municípios não terão mais autonomia para  escolher o modelo de prestação utilizado nos serviços, que agora ficará a cargo da Agência Nacional de Águas, do governo federal, que terá a mesma organização das agências que regulam os setores de telefonia e energia elétrica, já privatizados.

Hoje, os municípios transferem a administração do serviço de abastecimento de água e saneamento para a CAGEPA, no caso da Paraíba. Como só interessará às empresas o filé mignon, ou seja, administrar regiões com maior disponibilidade de recursos hídricos e maior renda, como a região metropolitana de João Pessoa, e Campina Grande após a transposição, é bastante provável que outras regiões continuem sob administração da CAGEPA. As regiões mais pobres do estado, que precisam de aporte da CAGEPA.

Hoje, são os lucros obtidos nas regiões mais ricas do estado que bancam a manutenção do abastecimento nas regiões mais pobres. A expansão recente dos reservatórios e a grande ampliação do sistema de adultoras feita pelo governo do estado na administração Ricardo Coutinho, permitiu um maior acúmulo e uma melhor distribuição da água na Paraíba, e, portanto, mais segurança hídrica para os paraibanos.

Você acha que uma empresa privada adoraria essa postura estratégica?

Preparem o bolso, porque privatizar significa aumentos no preço da prestação de serviços sempre muito acima da inflação, como aconteceu com a telefonia e energia elétrica.

O senador José Maranhão e a senadora Daniela Ribeiro foram favoráveis ao projeto.

Ricardo não descarta candidatura e deixa claro que com João Azevedo não tem mais conversa

Em entrevista concedida hoje (24/06) ao jornalista Wellington Farias e a Eloise Elane, via Instagram, além de não descartar sua candidatura a prefeito de João, Ricardo Coutinho afastou qualquer possibilidade de aliança ou recomposição com o atual governador João Azevedo.

Wellington Farias quis saber sobre os possíveis candidatos do PSB à Prefeitura de João Pessoa, e citou, além dos nomes de Amanda Rodrigues e do deputado federal Gervásio Maia, o nome do ex-governador.

Como tem feito quado trata dessa questão, Ricardo Coutinho não descartou por completo a possibilidade de sua candidatura. Dessa vez, entretanto, não mostrou tanta resistência com a possibilidade de vir a ser o candidato do PSB, o que deve ter deixado quem acompanha a definição do quadro eleitoral de João Pessoa, principalmente os outros candidatos, com uma pulga ainda maior atrás da orelha.

Ao responder à pergunta sobre a possibilidade de alianças  para a eleição de prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho descartou por completo qualquer possibilidade de uma reaproximação com o atual governador João Azevedo. Disse que as traições políticas de que foi vítima tornam insuperável qualquer aliança, já que, segundo ele, a confiança mútua é a base para qualquer aliança programática.

“Tem coisas que são inaceitáveis na vida e na política. Eu não posso trabalhar com traição, agora o resto da política você discute, porque você discute programa”

No caso do prefeito Luciano Cartaxo, o tom não foi o mesmo. Ricardo lembrou que já fez alianças com as principais lideranças políticas paraibanas, e deixou claro que o mais importante são os objetivos estratégicos, o rumo programático que orientará as composições durante a campanha e a futura administração.

Enfim, na entrevista de hoje, Ricardo Coutinho colocou mais uma peça no quebra-cabeça da estratégia eleitoral que só ele sabe qual é. E não duvidem: quando o Mago entrar em campo, vai entrar pra ganhar.

Quer assitir toda a entrevista? Clique aqui.

Inauguração de escola: esquecido por João Azevedo, povo de Assunção homenageia Ricardo Coutinho

Patrício Silva é um conhecido morador da cidade de Assunção, no Cariri paraibano. E atua como uma espécie de fiscal do poder público na região.

Hoje, ele fez circular um vídeo da escola João Rogério Dias de Toledo,  inaugurada hoje em Assunção. A “tão sonhada escola”, segundo as palavras de Patrício, é uma das tantas obras do governo Ricardo Coutinho na cidade. Uma escola moderna e bem estruturada, maior escola do município.

Inaugurada hoje sem uma menção sequer a Ricardo Coutinho, esquecido por quem governa hoje a Paraíba, o registro de Patrício ao povo de Assunção é um reconhecimento e uma homenagem ao ex-governador.

Tenho certeza que Ricardo Coutinho prefere ser lembrado dessa maneira: pelo povo e com as obras que marcarão seu governo por muito tempo ainda.

Sintep denuncia: estudantes estão sem acesso às aulas virtuais; governo sonega direitos aos professores

Existem determinados setores do Estado que deveriam ser considerados estratégicos por qualquer governo, e, por conta disso, serem resguardados, principalmente durante crises como a que vivemos hoje.

Além da saúde pública, que, mais do que nunca, mostra sua relevância nós dias de hoje, a Educação é estratégica em qualquer país que protege seus jovens e projeta o quer ser no futuro.

Em um país como o Brasil, cujas elites jamais abraçaram um projeto nacional inclusivo, mesmo com as evidentes potencialidades do nosso povo e o gigantismo de nossas fronteiras, são poucos os governos que colocam em prática a retórica da educação como prioridade.

Esse parece ser o caso do governo João Azevedo. Os testemunhos dados pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Estado da Paraíba (Sintep) são de uma eloquência ímpar.

O Sintep denuncia (leia aqui) que Secretaria de Educação desmarcou seguidas reuniões previamente agendadas nós últimos meses, isso desde o início da pandemia.

A intenção do sindicato é buscar o diálogo para “construir saídas para este momento tão delicado para a Paraíba e para o Brasil”. Ouvir o que os professores têm a dizer e a propor, sobretudo quando o que está em risco são suas vidas e a vida dos estudantes e das centenas de milhares de famílias envolvidas.

Há três meses, os professores da rede estadual da Paraíba esperam que o governo João Azevedo cumpra os compromissos assumidos, que minimizariam os “impactos do isolamento social no processo educativo”.

Até agora nem os estudantes da rede estadual nem os professores tiveram acesso à internet gratuita para usar o aplicativo adotado pela Secretaria de Educação para as aulas à distância, nem a veiculação de vídeo-aulas em TV aberta.

Até mesmo a distribuição de cestas básicas aos estudantes, anunciada com pompa pela mídia governista, foi iniciada a pouco, ou seja, quase quatro meses depois da interrupção das aulas presenciais. 

O Sintep chama a atenção para a dramática situação da maioria dos estudantes da rede estadual, que estão fortemente prejudicados porque suas famílias não têm meios para pagar internet para os filhos, muito menos os equipamentos necessários para assistirem aulas on-line, aulas que duram turnos inteiros, cinco dias por semana.

Não bastasse essa atitude absolutamente descompromissada com a educação pública estadual, os servidores da educação, principalmente professores e professoras, têm recebido um tratamento que beira a desumanidade por parte do governo: inúmeros erros salariais, rescisões de contrato injustificadas de prestadores de serviço, isso em plena pandemia, licenças maternidade, de saúde e pedidos de aposentadorias negados, pedidos formais e garantidos por lei, cujos recursos são provenientes do Fundeb e da PBPREV. A Assembleia Legislativa e o Ministério Público precisam investigar essa denúncia.

O acúmulo por meses desses seguidos de atos de desrespeito contra os professores e as professoras da Paraíba, e contra os/as estudantes, parte dos quais enfrentará o desafio do Enem no final do ano, justifica a paralisação das aulas virtuais entre 22  e 30 de junho, período em que os docentes estaduais aproveitarão para realizar um planejamento efetivo das atividades.

Mais que um exemplo de compromisso com a educação pública, a atitude do Sintep é uma denúncia e um ato em defesa dos nossos estudantes, que tanto orgulho já deram à Paraíba.

Paraíba se desintegrando: Hospital de Trauma fica quase uma hora às escuras

Ontem, faltou energia no Hospital de Trauma de João Pessoa. Provavelmente por conta do gerador quebrado, o hospital ficou por 40 minutos às escuras.

A enfermeira Leila Fonseca denunciou esse absurdo em seu Instagram. Até a UTI ficou sem energia, além do Centro Cirúrgico e Emergência.

Assim como acontece em Brasília com Bolsonaro, o governo João Azevedo acabou. São estradas sem manutenção, obras paralisadas, investimentos insuficientes em saúde, servidores estaduais que não receberão a metade programada do décimo terceiro, paga ao longo dos últimos oito anos.

O Estado está se desintegrando e é preciso que a Assembleia, que está fazendo sua parte para proteger os paraibanos, aja antes que seja tarde.

Golpismo virou moda na Paraíba: Márcia Lucena mobiliza povo e derrota golpe no Conde

Na última semana, a prefeita do Conde, Márcia Lucena, venceu o que pode ter sido o último empecilho para sua reeleição. Um pedido de cassação do seu mandato foi rejeitado pela Câmara de Vereadores, o que impediu que mais um golpe urdido por um presidente da Câmara de Vereadores, prosperasse.

Porque virou moda na Região Metropolitana de João Pessoa, presidentes de Câmaras de Vereadores encabeçarem processos de afastamentos que os tem beneficiado quase sempre com o cargo de prefeito, sem que precisem de votos necessários, além dos votos dos colegas de Câmara. Prefeitos de Santa Rita, Cabedelo, Bayeux foram vítimas recentes dessas armações.

A prefeita do Conde também, nas ela foi a única a impedir que o golpe prosperaase em sua cidade. E conseguiu isso porque denunciou a armação e quem estava por trás do presidente da Câmara, Manga Rosa.

A armação contra Márcia Lucena começou com o inexplicável ato de renúncia do vice-prefeito, Temístocles Ribeiro Filho. Eleito em 2016 pelo PEN, o médico se filiou ao Patriota, do deputado estadual bolsonarista Walber Virgolino. As alegações de Ribeiro Filho para a renúncia são risíveis: segundo ele, um “projeto de poder que estava sendo implantado na cidade” e que estava sendo perseguido por Márcia Lucena.

Isoladamente, essa renúncia pode parecer um fato descolado do todo, mas se obvarmos que ele está presente, de um jeito ou de outro, nos casos de Santa Rita, Cabedelo e Bayeux, veremos que não foi um caso fortuito. A prisão de Márcia Lucena a pedido do Gaeco do Ministério Público Estadual, em 17 de dezembro do ano passado, levou o presidente de Câmara de Vereadores do Conde, Manga Rosa, a assumir o cargo. Ele nem esperou esfriar a cadeira para assumiu o cargo no dia seguinte.

O plano para assumir definitivamente o cargo contava que Márcia Lucena permanecesse presa por todo o mês de janeiro, mês de recesso do Judiciário, o que daria tempo a Manga Rosa conseguir os votos necessários na Câmara para a cassação da prefeita. O Habeas Corpus concedido a Márcia Lucena pelo ministro Napoleão Maia, do STJ, entretanto, impediu que o golpe no Conde prosperasse.

Manga Rosa não desistiu, entretanto. Em fevereiro, durante sessão extraordinária, com maioria na Câmara de Vereadores, Manga Rosa conseguiu criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as licitações do lixo na gestão de Márcia Lucena.

Márcia Lucena se tornou alvo do processo de cassação do mandato em maio. O argumento para o seguimento do processo foi a suposta participação dela em organização criminosa que teria existido no Governo do Estado entre 2011 e 2018. O caso é investigado pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba.

Como não deu em nada, bastou uma denúncia protocolada por Herman Lundgren Régis, filho do ex-prefeito da cidade, Aloízio Régis, e da ex-prefeita, Tatiana Lundgren, para Manga Rosa levar a plenário o pedidod de cassação do mandato da prefeita. Isso em maio. Marcia resistiu, denunciou a armação, mobilizou o povo do Conde e na última quinta-feira (18) o processo foi arquivado porque não obteve os oito votos necessários para dar continuidade ao processo. Com a votação empatada, Manga Rosa finalmente derrotado se absteve.

No curso dessa luta, uma nota organizada espontaneamente em defesa de Márcia Lucena reuniu mais de 1.110 assinaturas quando foi divulgada em 16 de junho. A nota continua aberta a assinaturas e conta hoje com 1.212 assinaturas (caso queira assinar, é só clicar aqui).

A maneira como Márcia Lucena enfrentou o golpismo é um exemplo a ser seguido por outros prefeitos. Ao enfrentar quem queria lhe derrubar, Márcia saiu dessa luta muito maior do que entrou.

Santa Rita

Todo mundo lembra o caso mais rumoroso de Santa Rita, que abriu caminho para o modismo seguinte de depor prefeitos para que presidentes de Câmaras de Vereadores assumissem o cargo, sempre seguindo o surrado script que conta com o apoio da mídia, sobretudo dos nossos conhecidos blogueiros profissionais.

Em abril de 2014, o então prefeito de Santa Rita, Reginaldo Pereira, foi cassado por unanimidade pela Câmara de Vereadores da cidade. Pereira não conseguiu um mísero voto entre os edis santarritenses, muitos deles ganharam notoriedade nacional recente por usarem recursos públicos para fazerem turismo em Gramado.

O sucessor, Netinho da Várzea, que foi vereador e participante ativo do golpe contra Reginaldo Pereira, assumiu o cargo, mas sentiu na pele os dissabores vividos pelo antecessor. Submetido a processo de impeachment, Netinho da Várzea denunciou tentativa de extorsão de vereadores contra ele. Conseguiu terminar o mandato não se sabe como.

Cabedelo

O atual prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo, foi eleito vereador para a legislatura passada (2016) pelo PRB, partido de Roberto Cavalcanti. Deflagrada a chamada Operação Xeque-Mate, que prendeu o então prefeito, Leto Viana, e mais cinco vereadores de Cabedelo, além do afastamento de outros cinco, Vitor Hugo assumiu a Presidência da Câmara para, em seguida, assumir a prefeitura do município.

Apesar de citado pelo ex-vereador de Cabedelo, Lucas Santino, delator da Operação Xeque-Mate, e de ter aparecido em matéria do Fantástico, da Rede Globo, recebendo ele próprio um envelope supostamente contendo dinheiro, Vitor Hugo foi estranhamente um dos cinco vereadores que não foram presos ou afastados a pedido do Ministério Público Estadual. Outro fato estranhíssimo foi a confissão de Leto Viana feita em abril de 2019, um mês depois da eleição de Vitor Hugo para o mandato complementar de prefeito.

Segundo Leto Viana, Vitor Hugo “recebia mensalmente R$ 3.000,00” diretamente das mãos do ex-prefeito, dinheiro que procedia do “desvio de salário dos servidores”. Ainda segundo Leto Viana, quando Vítor Hugo ganhou a eleição para vereador, “recebeu em mãos do interrogado R$ 20.000,00 para aderir à sua base de apoio na Câmara”. (Leia clicando aqui matéria do WSCOM). Leto Viana assumiu o cargo de prefeito após comprar o mandato de José Maria de Lucena Filho (Luceninha), que renunciou.

Vitor Hugo é candidato à reeleição e terá como vice, Messinho Lucena, filho de Cícero Lucena.

Bayeux

Jefferson Kita é o atual prefeito de Bayeux. Assim como Vitor Hugo, assumiu o cargo no último dia 20 de maio, a cinco meses da eleição e sete de concluir o mandato, portanto, depois do afastamento determinado pela justiça de Berg Lima, o prefeito legítimo da cidade, eleito em 2016.

Berg Lima foi preso em flagrante em 5 de julho de 2017, em ação realizada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), por ter sido filmado recebendo dinheiro de um fornecedor da prefeitura de Bayeux. Como ficou demonstrado depois, o vice-prefeito Luiz Antônio estava por trás das ações que levaram Berg Lima à prisão. Gravado em vídeo pedindo dinheiro a um empresário da cidade, Luiz Antônio foi cassado menos de um ano depois de assumir o cargo. Jeferson Kita assumiu interinamente a prefeitura de Bayeux entre abril e dezembro de 2018, até Berg Lima sair da prisão e reassumir suas funções.

Em 20 de maio, o TJPB afastou Berg Lima do cargo, Ministério Público da Paraíba (MPPB), durante uma sessão por videoconferência. Lima foi acusado de contratar servidores fantasmas para a prefeitura de Bayeux em 2017.

Em menos de quatro anos, Bayeux teve quatro interrupções na administração já caótica da cidade e três prefeitos diferentes, o que certamente não ajudou em nada o povo da cidade. Não se pode dizer o Jeferson Kita, que já se prepara para concorrer à prefeitura sentado na cadeira de prefeito.

Kita é do PSB, mas aderiu ao governador João Azevedo desde que foi anunciado o rompimento do governador com Ricardo Coutinho.

Coronavírus: João Azevedo veta gratificação para profissionais da saúde, mas mantém exército de aspones na folha

Como quase todo tecnocrata, João Azevedo é um adepto da austeridade fiscal. Mas, não pense que isso seja uma virtude. Trata-se, antes, de um discurso que é usado para encobrir as inversões de prioridades que escondem injustiças orçamentárias.

Por exemplo. No início da pandemia de coronavírus, o governador fez um remanejamento no orçamento de R$ 7,5 milhões para gastar com publicidade. Não fosse a reação popular a essa medida, que, por razões óvias, contou mais uma vez com o silêncio de quase toda nossa imprensa, a medida teria sido efetivada, para a festa de alguns poucos jornalistas, empresários da comunicação e marketing.

Para baixar o Diário Oficial em que consta esse decreto clique aqui

Enquanto o atual governador é capaz de decretar remanejamento de recursos para atender setores minoritários e em nada prioritários, que enriquecem com dinheiro público, veta a justa e necessária decisão da Assembleia Legislativa, que aprovou projeto de autoria do deputado estadual Nabor Wanderley. O projeto legalização a manutenção de gratificação de produtividade para os profissionais da saúde que, no desempenho de suas funções de salvar as vidas dos paraibanos afetados pela Covid-19, foram também contaminados.

Ora, se um profissional de saúde é afastado do trabalho por ter contraído o vírus, por que não manter a gratificação?

É o mínimo que o povo paraibano pode fazer para reconhecer o trabalho desses profissionais, que arriscam todos os dias suas vidas e as vidas dos seus familiares, mas de prestar-lhes uma justa homenagem nesses tempos tão difícies. Seria uma maneira de dizer a todos/as ele/as que o povo paraibano reconhece e valoriza seus esforços, alguns até com o sacrificio de suas vidas.

Segundo levantamento do Conselho Federal de Enfermagem, ​O Brasil já perdeu 200 profissionais de Enfermagem. De todas as mortes por Covid-19 entre esses trabalhadores no mundo, 30% são brasileiros/as (clique aqui). Há um mês, seis médicos já haviam morrido na Paraíba vítima de Covid-19.

E o governador diz que é medida é inconstitucional “por apresentar vício formal” e ferir o “princípio da segurança jurídica” – no caso do projeto da Assembleia que determinava um desconto nas mensalidades das escolas privadas, as Cortes Superiores já decidiram pea legalidades da norma. O “mercado” é imexível.

Se é assim, ele deveria ter se antecipado a anunciado, junto com o veto, a criação de uma gratificação nos mesmos moldes.

No fim das contas é só uma questão de prioridades. Numa época de recursos escassos, manter as acomodações e os aspones que infestam o atual governo é a prioridade para João Azevedo.

Não tem dinheiro pra tudo. Deu pra entender o que é asteridade fiscal?

Há exatos seis anos, Ricardo Coutinho iniciava a campanha que o tornaria a maior liderança política da Paraíba

Como lembrou Tião Lucena, foi num 17 de junho como hoje que Ricardo Coutinho iniciou sua campanha para governador, em 2014.

Cássio era considerado apontada não só como favorito, mas como um candidato imbatível. Só para relembrar o tamanho da disparidade, Cássio tinha o apoio de 28, dos 36 deputados da Assembleia e da maioria dos prefeitos. Seus apoiadores caçoavam das chances de vitória do mago.

Em março, logo após o anúncio do rompimento com Ricardo Coutinho, eu talvez tenha sido o único a anotar em artigo que a eleição não estava decidida, apesar da grande vantagem do tucano nas pesquisas.

“Os números de Cássio (40.8%) aferidos em um momento tão favorável devem acender o sinal de alerta entre os tucanos. Cássio não está com essa bola toda, como se imaginava”.

Ou seja, Cássio não tinha muito espaço para crescer, já que, em momento algum, superou a casa dos 50%. Era provável que nenhum eleitor paraibano o desconhecesse.

Mas, Cássio continuava a ser incensado pela turma do beija-mão da imprensa, ansiosa pela volta dos velhos tempos. Sem razão, diga-se. Acostumada a olhar para o presente e incapaz de fazer qualquer projeção de tendência, essa turma não foi capaz de observar que, no melhor momento da campanha, Cássio nunca ultrapassou os 50%, chegando no máximo aos 47%, isso sempre pelos prognósticos do sempre simpático às causas eleitorais cassistas, o Ibope. RC já havia pulado de 22 para 33%.

A um mês da eleição, eu registrei:

“O recomendável é esperar um pouco mais. Uma diferença de 14 pontos pode tranquilamente ser retirada em um mês de campanha. A questão a ser respondida é se o eleitor de Cássio estará aberto a mudar de voto. É essa a questão chave.”

Em 19 de setembro, já havia adquirido segurança suficiente para escrever um artigo cujo título antecipava a inexorável derrota de Cassio Cunha Lima: “Segundo turno à vista“. O texto foi recebido com sorrisos de desdém pelos cassistas na imprensa e na política.

“A mais de dois meses estacionado entre os 44%-47%, Cássio não conseguiu abrir uma vantagem que lhe desse a segurança de que não seria alcançado até o dia da eleição e venceria no primeiro turno.”

Em 2014, a eleição foi para o segundo turno e Ricardo Coutinho acabou vencendo com mais de 110 mil votos de frente. Foi a primeira surra eleitoral do até então”imbatível” Cássio.

Se Ricardo Coutinho for candidato a prefeito de João Pessoa, em 2020, enfrentando gente da estirpe de Nilvan Ferreira, Cícero Lucena, Válber Virgulino, Diego Tavares, Ricardo é de longe o favorito, mesmo contra as máquinas partidárias, as máquinas do Judiciário e do Ministério Públicos, unidas para derrotá-lo.

E se RC vencer não será diferente porque sempre foi assim.

Todas as citações desse texto podem ser conferidas aqui.