Walter Santos, o Louro José de Nonato Bandeira e João Azevedo

Walter Santos é um jornalista sui generis. Quer um exemplo? Nem o hábito diário de escrever, um dos atributos que define a profissão de jornalista em qualquer área, fez com aprendesse o ofício. O que sempre foi para mim um verdadeiro mistério, porque pelo menos técnicas de redação o estudante de jornalismo aprende na universidade.

Na maior parte das vezes que me vi obrigado a visitar o WSCOM para ler a coluna do “multimídia” Walter Santos, como ele gosta de ser chamado, deparei-me com um esforço de eloquência vazia, raciocínios tão labirínticos e desconexos que tornam leitura dos seus textos um ato de paciência.

Ontem, depois de exercitar o que ele mais sabe fazer, no caso atual, cumprir a tarefa que lhe foi reservada pela Secom estadual, nos esforços diversionistas na forma de matéria (?) jornalístico – a última mentira foi dizer que Gregória Bernário, do PCdoB, havia sido convidada por Ricardo Coutinho para a ser sua vice, convite que Ricardo Coutinho jamais fez.

Quando Tião Lucena em seu blog expôs a fake news, Walter Santos desandou a atacar os “pitbulls” de Ricardo Coutinho por terem mostrado que ele é um propagador de mentiras em seu site para agradar João Azevedo. Numa ridícula “nota da redação” escrita por ele mesmo, Walter Santos diz que o site “reagiu com dados e informações comprovadas confirmando que os ‘pitbulls ricardistas’, na realidade da conjuntura política de João Pessoa” – quem nas redações de João Pessoa escreve realidade da conjuntura política, a não ser Walter Santos?

Aí, você vai em busca dos tais “fatos e informações comprovadas” e não encontra absolutamente nada, a não ser o vazio de sempre, além de ameaças veladas.

Pelo contrário. Nesse caso, foram os próprios fatos que evidenciaram o cinismo e a mentira do jornalista, quando o próprio WSCOM teve de noticiar que tanto estavam em curso conversas com o PT local e nacional para que o partido indicasse a indicasse vice na chapa de RC, como Antônio Barbosa tinha sido, aí sim, convidado pelo ex-governador.

E para o WSCOM, la nave vá. Nenhum pedidos de desculpas, sequer o reconhecimento de que errou ao noticiar que Gregória Bernário havia sido convidada por Ricardo Coutinho.
Ora, uma notícia desmente a outra, qual seria a atitude correta de um jornalista de política sério?

Reconhecer o erro, pedir desculpas e dizer que vai se esforçar para não voltar a repetir. Mas, seria o ingenuidade demais de minha parte acreditar que Walter Santos agiria como manda o código de ética dos jornalistas.

Mas, Walter Santos está a serviço de uma causa, que não é causa de informar bem a sociedade, mais ainda em tempos de eleição.

Presidente da Assembleia da PB mostra que até a Ave Maria ele esqueceu

O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, protagonizou mais uma cena reveladora.

Dessa vez, não se tratou de um ato falho, como o do Válber Virgolino e que deve se tornar o bordão de vida pública – “corrupção se pratica que rodou o Brasil”, – mas a maneira como Galdino reza uma Ave Maria deve torná-lo famoso em tudo o Brasil.

Conhecido por andar com uma broche da mãe de Jesus na lapela do paletó, Adriano Galdino esqueceu da oração da Ave Maria quando resolveu peonunciá-la ao fim de uma live.

No tom em que algus jogadores de futebol rezam o Pai Nosso no vestiário antes de cada jogo, Galdino começou:

Ave Maria, cheia de graça,

o Senhor é convosco.

Bendito… seu ventre…

Galdino é alertado pela esposa do erro e tenta continuar.

…bendita sois vós, entre as mulheres, entre seu ventre

A esposa Eliane corrige novamente e Adriano Galdino diz que engasgou. E tenta retomar a oração mais praticada pelos católicos, depois do Pai Nosso.

Ave Maria, cheia de graça,

o Senhor é convosco.

Bendita sois vós

Entre seus ventres…

Alerta de novo erro. Agora, Galdino diz que a esposa foi quem o atrapalhou. Galdino passa a rezar, agora pausadamente, mas com a esposa agora em silêncio. Não dá certo dele pede ajuda a Elaine Galdino, que pacientemente, como quem ensina a uma criança, repete os trechos da oração, mas mesmo assim o deputado se enrola.

Acompanhe você mesmo essa comédia pastelão e recomenda ao presidente da Assembleia da Paraíba voltar às aulas de catecismo.

DESASTRE: Com João Azevedo, Paraíba perde 4 posições no ranking nacional de competividade

O Ranking de Competitividade dos Estados foi criado em 2013 pela Centro de Liderança Pública (CLP), que se define como “uma organização suprapartidária que busca engajar a sociedade e desenvolver líderes públicos para enfrentar os problemas mais urgentes do Brasil”  e trabalha “por um Estado Democrático de Direito de fato, que seja mais eficiente no uso de seus recursos e com respeito à coisa pública.” (leia aqui)

A elaboração da ranking parte da análise de 10 pilares considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional (Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado, Inovação), além de “68 indicadores de abrangência nacional e atualização periódica.”

Pois bem, impressiontes avanços ocorreram durante o governo Ricardo Coutinho em todas os pilares estratégicos mencionados acima. Tanto que a Paraíba alcançou o 9º lugar entre todos os estados brasileiros e o primeiro no Nordeste, superando estados mais importantes em tamanho de território, economia e população, como Ceará, Pernambuco e Bahia.

Essa semana foi divulgado um novo relatório onde constam os estudos em que os pesquisadores do CLP se basearam para elaborar o ranking de 2020. O relatório confirma a regressão da Paraíba em quase todos os indicadores analisados.

O quadro abaixo mostra a evolução da posição da Paraíba entre 2017 e 2020 e deixa claro a reversão da tendência da melhoria iniciada em 2011.

Do nono lugar alcançado em 2018, a Paraíba caiu quatro posições e chegou à 13ª posição no país.

Em razão disso, a Paraíba foi ultrapassada no Nordeste pelo estado do Ceará, que agora ocupa o primeiro lugar considerando apenas os estados na região.

A variante João Azevedo

O ranking de 2020 apenas confirma a tendência de perda de competitividade, porque em 2019, a Paraíba já havia caído duas posições (11º lugar).

Cito aqui um exemplo de indicador em que a queda da regressão é bastante visível: qualidade das rodovias. Em 2018, a Paraíba ocupava o 5º lugar nesse quesito; em 2020, caiu para o 9º lugar. Acompanhe abaixo a perda se qualidade verificada a partir de 2019 considerando um dos pilares estratégicos na elaboração do ranking: infraestrutura.

Veja que a evolução positiva continuou até 2018. Em 2019, a reversão da tendência começou e se consolidou em 2020, produzindo uma impressionante queda de quase 20 pontos e

Talvez não seja obra do acaso que a tendência ascendente da Paraíba até 2018 tenha sido invertida a partir de 2019 para uma vertiginosa queda, no curto espaço de apenas dois anos.

Foi em 2019 que o atual governador da Paraíba, João Azevedo, assumiu o posto que foi de Ricardo Coutinho, e, ao romper com o ex-governador para se jogar nos braços da oposição oligárquica – e a aliança com o adversário de 2018, Aguinaldo Ribeiro (PP), em apoio à candidatura de Cícero Lucena (PP) na eleição de João Pessoa, é apenas um exemplo dessa traição, –  João Azevedo trouxe de volta não apenas as velhas práticas de arranjos políticos e acomodações que Paraíba pensava ter superado.

O resultado pode ser sentido tanto na perda progressiva de qualidade dos serviços oferecidos pelo estado, como na vida dos/as paraibanos/as.

E a pandemia de coronavírus não pode ser justificativa para a decadência verificada, porque a queda começou em 2019, quando não havia o problema. Além disse, a pandemia, claro, atingiu todos os estados indistintamente.

A variante explicativa para esse desastre é apenas uma: a incompetência de João Azevedo.

PELO TWITTER: Gleisi Hoffmann confirma apoio a Ricardo Coutinho; RC agradece apoio do PT

Às 16h56 de hoje (18/09), a presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, confirmou pelo Twitter, o apoio à candidatura de Ricardo Coutinho à Prefeitura de João Pessoa.

“O PT Nacional decidiu apoiar Ricardo Coutinho em João Pessoa por sua trajetória política e solidariedade firme a Lula e a ex-presidenta Dilma. É um companheiro valoroso. Essa é uma aliança p/ 2020, mas estamos abertos p/ construir 2022 com o PSB e todos q pensam primeiro no povo,” tuitou Gleisi.

Ricardo Coutinho respondeu em seguida:

Recebo com uma alegria fraternal o apoio do PT a nossa candidatura a Prefeito de João Pessoa. Somos parceiros de caminhada na eterna luta em defesa do Brasil e do seu Povo. Venceremos!

Os dois tuítes põem uma pá de terra nas especulações, na verdade, esperanças dos adversários bolsonaristaa, sobretudo o governador João Azevedo, de que o apoio do PT não se consolidaria.

“A corrupção tem de ser praticada”: Válber Virgolino, Freud e a história

Quase sempre, a retórica anticorrupção esconde uma prática corrupta recorrente ou, no caso de quem não tem ainda acesso aos meios, um desejo de realizá-la.

O ato falho do deputado estadual bolsonarista e candidato a prefeito de João Pessoa, Válber Virgolino, revelado durante o debate entre os candidatos a prefeitura de João Pessoa, ontem à noite, na TV Arapuã, segundo o qual “a corrupção tem que ser praticada, não apenas falada”,
pode ser revelador de um desenho inconsciente.

Obviamente, ele tentou dizer “combate à corrupção”, mas é próprio do inconsciente nos pregar de vez em quando peças do gênero.

Válber Virgolino foi um dos beneficiarios da onda moralista que resultou na ascensão de Jair Bolsonaro ao poder. Apesar de tentar se apresentar como um outsider, como o presidente, Válber Virgolino é um macaco velho na política. Válber vivia a bajular Ricardo Coutinho, de quem foi secretário, até aprontar das suas e ser demitido pelo Mago da Secretaria de Administração Penitenciária da Paraíba.

Antes de se candidatar a deputado estadual, Virgolino foi secretário de Administração Penitenciária do governador do Rio Grande do Norte, Robinson Farias (PSD), eleito em aliança com o PMDB.

Foi durante a gestão de Virgolino que o PCC passou a dominar os presídios do Rio Grande do Norte, abrindo um confronto com a facção até então dominante, o Sindicato do Crime do RN. A disputa entre facções teve como ápice o Massacre de Alcaçuz, ocorrido em janeiro de 2017. Segundo o G1, “a rebelião mais violenta da história do Rio Grande do Norte” que teve como resultado o assassinato de 26 detentos, todos do Sindicato do Crime, e 56 fugas.

As campanhas contra a corrupção sempre foram farsas que resultaram em tragédia

A retórica contra a corrupção perpassa a história brasileira, desde que a República foi proclamada. Aliás, esse moralismo é próprio dos militares de classe média que assumiram o poder em 1889, ganhou contornos de obsessão com o tenentismo nos anos 1920 e, desde então, compõe o discurso de nossa elite econômica sempre que ela precisa, através dos sua prepostos na política e na imprensa, tirar do poder seus adversários.

Foi assim na campanha que levou Getúlio Vargas ao suicidio, em 1954, ao golpe civil-militar que derrubou João Goulart, em 1964, ao golpe parlamentar que tirou Dilma Rousseff da Presidência, e ao processo que condenou e prendeu o ex-presidente Lula para afastá-lo da disputa presidencial de 2018.

Pode parecer paradoxal que, após essas eventos, a corrupção endêmica brasileira, que corrói, em todas as esferas, nossas instituições dominadas por famílias da elite econômica, não tenha sido extirpada pelos arautos do falso-moralismo. Só a ingenuidade, ou a falta de conhecimento histórico ou ainda o mau-caratismo defende, por exemplo, que não houve corrupção no Brasil durante os anos em que os militares estiveram no poder depois de 1964.

Pelo contrário, a ditadura permitiu que a corrupção corresse solta sem meios para sequer denunciá-la. Ou em que período vocês acham que prosperaram alguns dos verdadeiros símbolos da corrupção brasileira como Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães, José Sarney? Em que período prosperou gigantes como a Odebrecht, ou a Rede Globo, só para citar dois casos mais conhecidos?

Vocês acham que a corrupção diminuiu depois da Lava Jato? Os inúmeros casos em prefeituras Paraíba afora (Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Sapé) mostram que não há pedagogia no lavajatismo, apenas o uso do sistema de Justiça como arma contra os adversários políticos dessa elite econômica.

Ou vocês acham que a família Bolsonaro, um bando de mamateiros que enriqueceram na politica, sem nunca terem feito outra coisa, é honesta? Vejam os lobbies, principalmente o da indústria de armas, a que o atual presidente serviu no Congresso durante sua estadia de 28 anos.Para piorar, com Bolsonaro, emergiram inúmeros aventureiros, oriundos da polícia e entre pastores evangélicos que infestam hoje o Congresso, do qual a deputada federal carioca e pastora, Flor de Lis, é uma espécie de tipo ideal do banditismo que mistura o nome de Jesus à defesa da violência, ou seja, do extermínio dos pobres, como meio para enfrentar a crise social brasileira e a ausência da proteção do Estado.

O “bandido bom é bandido morto” que sai dessas bocas que só têm ódio a oferecer só vale para pobres, porque quando se trata de bandidos rico há sempre um porém, um desvio moral, um desajuste familiar a justificar o ato criminoso.

Notem que as soluções para problemas, alguna seculares, são sempre fáceis, e sempre vêm de mentes intelectualmente limitadas.

O fato de Válber Virgolino ter se encontrado com o presidente Jair Bolsonaro na manhã de ontem, em Coremas, foi mais uma desses eventos carregados de significados.

Realmente, Freud explica muita coisa.

Irmão de Ruy Carneiro comemora possível manutenção da candidatura de Anísio Maia

Anísio Maia em reunião do G11, o Centrão da Paraíba, com João Azevedo

Uma estranha troca de mensagens ocorreu ontem à noite no grupo de Whatsapp chamado Política Paraibana. Os interlocutoras da conversa eram Belchior e Joaci Júnior, dirigente do PT.

O Belchior da conversa é, na realidade, Júnior Belchior, irmão do deputado federal Ruy Carneiro, candidato do PSDB à prefeitura de João Pessoa.

E os termos mostram como interessava à direita a manutenção da candidatura de Anísio Maia e a não efetivação do apoio do PT a Ricardo.

Joacil Júnior comemora o resultado da Convenção:

Joacil Júnior: Eu avisei, Anísio Maia nosso representante, junto com nosso grande aliado PCdoB.

Belchior: Deu tudo certo?

Joacil Júnior: Deu sim, chapa homologada na Convenção e já enviada para o TRE.

Belchior: Foi bom (!!!) que RC tava de olho.

Alguém consegue me explicar o interesse do irmão do candidato do PSDB, Ruy Carneiro, na manutenção da candidatura de Anísio Maia, a ponto de perguntar se havia dado “tudo certo”, como se ele já soubesse o que estava em curso?

A confirmação do petista (?) revela a tabelinha com o tucano numa vergonhosa junção de interesses e expectativas comuns. A torcida do irmão do deputado tucano Ruy Carneiro, um tucano de direita, pela manutenção da candidatura de Anísio Maia, que se diz de esquerda, demonstra o acerto que foi a decisão da Executiva Nacional do PT de intervir no Diretório Municipal de João Pessoa.

Se tem algo mais deplorável do que um deputado estadual de esquerda aceitar ser candidato para servir de laranja da direita na eleição, são dirigentes nacionais de um partido com a história e a tradição do PT permitirem que isso aconteça sem reagirem à altura a essa traição.

Entrada de Ricardo na disputa pela PMJP esvazia de sentido candidatura de Anísio Maia

Enquanto não existiu um candidato que representasse as forças progressistas, e que conseguisse reunir, ao mesmo tempo, capacidade para uni-las e chances de derrotar o bolsonarismo em todas as suas variantes em João Pessoa, a candidatura de Anísio Maia ainda fazia sentido existir, embora o desempenho do candidato do PT, meses depois do anúncio, tenha pouco avançado nas pesquisas muito pouco acima do 1%.

Depois do lançamento de Ricardo Coutinho à Prefeitura de João Pessoa, entretanto, a candidatura de Anísio Maia perdeu todo o sentido, a não ser para cumprir um papel divisonista e divesionista. Apesar dos esforços, Anísio Maia não conseguiu se viabilizar como um candidato que representasse eleitoralmente a diversidade de um base social que deu a vitória em João Pessoa às forças progressistas nas últimas quatro eleições, com a exceção duvidosa de 2016 em razão do quadro desfavorável e confuso que se estabeleceu, que levou Luciano Cartaxo a se mudar de mala e cuia para o campo do conservadorismo cassista. A fragilidade desmonstrada pela candidatura de Anísio Maia se evidencia ainda mais se considerarmos um quadro eleitoral sem a presença de Ricardo Coutinho.

Decorre da consideração desse fatos a decisão do ex-prefeito de João Pessoa e ex-governador de entrar na disputa. Essa decisão abre perspectivas de vitória onde antes mais existiam. Maia dos que isso, a candidatura de Ricardo Coutinho oferece ao eleitor uma alternativa programática, real, consistente, confiável, e não apenas àquele eleitor identificado com as ideias dos partidos que compõe o campo do PSB. A grande referência foram as administrações democráticas e desenvolvimentistas que mudaram a face urbana de João Pessoa, incluindo a sempre esquecida periferia.

Isso significa que, com Ricardo Coutinho candidato, o campo progressista saiu do gueto em que a direita pessoense, reanimada com a adesão de João Azevedo, tentou por meses mantê-lo. A decisão de Ricardo Coutinho, sobretudo, colocou água no chopp do governador João Azevedo que, por meses e a um custo incalculável para os cofres públicos,  planejou cuidadosamente acomodações para que a disputa em João Pessoa fosse na realidade uma disputa entre os candidatos identificados com o bolsonarismo, campo para o qual se mudou de mala e cuia. E a candidatura de Cícero Lucena, hoje filiado ao PP dos irmãos Daniela e Aguinaldo Ribeiro, do Grupo da Várzea, seria a grande estrela desse projeto conservador que é, na realidade, um caminho de volta ao passado que a cidade pensava superado.

Enfim, a candidatura de Ricardo Coutinho coloca os termos da disputa em outro patamar, não tendo sido à toa que todos os candidatos, com exceção de Edilma Freire, do PV, passaram o recibo do verdadeiro terror que a candidatura de Ricardo despertava em todos eles. Aliás, a candidata Edilma Freire passou a depender exclusivamente do peso da máquina de uma administração insossa e de poucas realizações, fragilidade já demonstrada pelo abandono de antigos aliados, que preferiram trair o prefeito, depois de oito anos de declaração de lealdade.

No mais, se agir com generosidade política, levando em conta a importância de uma eleição decisiva que antecede a batalha definitiva para o país e para o povo brasileiro, em 2022, o grupo de Anísio Maia se engajará na campanha de Ricardo Coutinho para prefeito de João Pessoa. Sobretudo porque agora se trata de uma decisão partidária. E ir contra ela reforçará ainda mais a impressão de que a candidatura do deputado estadual petista se prestava a dividir a esquerda, para os aplausos da imprensa bolsonarista e a felicidade de João Azevedo, Nonato Bandeira e Cícero Lucena.

SEM MANDADO JUDICIAL: Gaeco invade de madrugada propriedade de irmão de Ricardo Coutinho

Na quarta-feira da semana passada, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio (Lava Jato do Rio de Janeiro), ordenou que a Polícia Federal invadisse escritórios de diversos advogados, entre eles o de Cristiano Zanin, que defende o ex-presidente Lula nas ações da Lava Jato de Curitiba, e do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Ambos declarados adversários da prática do  lavajatismo dentro da Justiça e do Ministério Público.

A ação constitui um ataque sem precedentes à advocacia e mostra que a Lava Jato resolveu atravessar o Rubicão, em sua incursão sem volta e sem trégua contra a democracia.

Pois bem, fato semelhante e ainda mais grave se desenrolou na madrugada da segunda (14) para terça (15) últimas, agora na propriedade de Corialano Coutinho, na zona rural de Bananeiras.

Segundo consta no boletim de ocorrência policial número 95/2020, lavrado pelo escrivão matrícula 179.451-5 (veja cópia abaixo), José William Andrade Pinto compareceu à Delegacia de Bananeiras para denunciar uma invasão, ocorrida às 2 horas da madrugada, à residência de Coriolano Coutinho, irmão do ex-governador Ricardo Coutinho, na qual trabalha como vigilante.

Segundo José William, os invasores tentarem arrombar o cadeado da porteira da propriedade. Como não conseguiram, pularam a porteira e se dirigiram ao quarto onde o ele se encontrava.

“Polícia Militar!”, gritou um dos policiais.

Eram quatro ao todo, e, segundo José William, dois deles usavam coletes do GAECO-MP. Os outros dois foram procavelmente requisitados de um dos quartéis da região. Os dois PMs a serviço do GAECO, além de terem feito diversas perguntas pessoais ao vigilante, como os números de CPF e de telefone, questionaram se Coriolano e Ricardo Coutinho estavam ou se frequentavam a propriedade rural, o que foi negado por José William.

Depois disso, o policiais a serviço do GAECO invadiram o quarto do vigilante para fazerem buscas. Como nada se relevante enxontraram, tentaram entrar na casa, mas não o fizeram porque José William não dispunha das chaves.

O detalhe mais importante e que torna essa ocorrência um evidente ato de intimidação, sobretudo porque ela ocorre às vésperas de finalizar o prazo para realização das Convenções Partidárias, foi o fato dos policiais não apesentarem qualquer mandado judicial.

E mesmo que tivessem em mãos um, não poderiam cumpri-lo durante o período noturno já que o direito à inviolabilidade do lar é tão importante que está na Constituição Federal (art. 5º, XI): “a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial”.

As recorrentes violações desse direito se tornou um problema tão grave que a Constituição precisou ser ratificada  na Lei do Abuso de Autoridade (LAA), promulgada em novembro do ano passado.

Segundo o Art. 22 da LAA, “Invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem determinação judicial ou fora das condições estabelecidas em lei”, é um crime que pode render ao infrator uma pena de detenção de um a quatro anos, além de multa.

Não é só isso: a Lei de Abuso de Autoridade proíbe o cumprimento de  “mandado de busca e apreensão domiciliar após as 21h (vinte e uma horas) ou antes das 5h (cinco horas).”
No caso denunciado pelo vigilante José William Andrade Pinto, além de dos policiais terem entrado na propriedade de madrugada, além de ilegal, configurando, portanto, uma invasão de propriedade, é também de causar estranheza. Além disso, nem um mandado havia para ser cumprido os policiais tinham em mãos para dar ares de legalidade à ação.

Enfim, o país mergulha cada vez mais fundo no arbítrio praticado pelo e em nome do Estado, e a sociedade civil precisa reagir antes que seja tarde. Quando vem do Ministério Público – sob o resguardo da Justiça? – ações como a que se desenrolou na madrugada da última terça em Bananeiras, o direito de qualquer cidadão/ã está em risco.

Porque, quem pode se sentir seguro tendo as suas casas invadidas por quem tem o dever de cuidar da legalidade e dos direitos fundamentais das pessoas?

Filha se desembargador que dirigia bêbada, invadiu ciclovia e foi presa com papelotes de cocaína já está em casa

Celeste Ribeiro Coutinho Maia dirigia seu Mercedes em alta velocidade na noite do último domingo. Ela foi presa depois de invadir, em alta velocidade, a ciclovia em frente ao MAG Shopping e quase atropelar dois policiais civis. Celeste fugiu do local, mas foi perseguida e presa (leia aqui).

Segundo os dois policiais, além de estar bêbada (Celeste se recusou a fazer o teste do bafômetro), a moça estava com a carteira vencida e em sua bolsa foram encontrados vários papelotes de cocaína.

Quantos crimes temos aí cometidos? O mais grave, para os padrões morais dos nossos juízes, é o de suspeita de tráfico de drogas (não foi divulgada ainda a quantidade).

Pois bem, mesmo com a lista de crimes apontados acima, Celeste foi solta ontem pelo juiz da 4ª Vara Criminal de João Pessoa, André Ricardo.

Segundo matéria do Estadão de março do ano passado, como a Lei de Drogas, de 2006, não prevê parâmetros objetivos para que uma quantidade de drogas seja considerada tráfico, prevalece o entendimento do policial para determinar se a acusação será por consumo ou tráfico.

Ainda segundo o Estadão, em geral, há uma tolerância maior “com suspeitos com maior escolaridade”, o que é uma maneira de de dizer que depende da condição social do indivíduo se ele vai ser autuado como traficante ou como consumidor, o que faz uma grande diferença quando chega a hora do juiz estabelecer a pena pelo crime cometido.

Vejam o caso de um mulher que foi condenada a 6 anos, 9 meses e 20  dias de reclusão, em regime fechado, porque foi presa com 1 grama (isso mesmo, um grama) de maconha, sem o agravante de que ela nunca tinha comercializado a droga antes. O caso foi parar no STF, ou seja, a mulher teve de percorrer todas as instâncias da Justiça para ter a sentença anulada (leia matéria do Conjur sobre o caso).

O sobrenome de Celeste nós permite antever qual será o tratamento que ela receberá, tanto dos policiais que a prenderam em flagrante, quanto da Justiça. Aliás, como eu já antecipei, a moça já está no conforto de casa sob a proteção do pai, o desembargador Paulo Maia Filho.

PS. O radialista Emerson Machado (Mofi), tão rigoroso quando o acusado é pobre, quase não registou o fato em suas redes sociais. Tripudiar de pobre não é sinal de coragem, é o inverso disso.

Efraim Filho manda recado a João Azevedo: “o Dem não dobra os joelhos”

Na Convenção do Democratas que lançou a candidatura de Raoni Mendes à Prefeitura de João Pessoa, ontem (12/09), chamou a atenção um trecho do discurso do deputado federal Efraim Filho.

No tom enfático de quem reage às pressões e mantém posição, Efraim Filho mandou um recado que tem destinatário certo, embora o nome não sido mencionado.

O deputado federal deixou a entender que havia pressões para que o Dem “dobrasse os joelhos” e “abaixasse o cangote” para retirar a candidatura de Raoni Mendes, o que não aconteceu. E a prova disso era a realização da Convenção que ratificava a candidatura do ex-vereador e ex-deputado estadual.

Para Efraim Filho:

Raoni Mendes representa a liberdade e a autonomia de poder ser candidato.

Por que a necessidade de reafirmar essa condição? O discurso de Efraim Filho é, portanto, uma clara resposta tanto às pressões para que o partido e o deputado declarassem apoio a Cícero Lucena em João Pessoa, deixando pelo caminho Raoni Mendes, quanto à traição de João Azevedo a alguns candidatos do Dem, como é o caso de Douglas Lucena, prefeito de Bananeiras que disputa a reeleição.

Em Bananeiras, João Azevedo preferiu apoiar Matheus Bezerra, do MDB, que em 2018 fez campanha para José Maranhão em Bananeiras.

Matheus Bezerra, à esquerda de José Maranhão (2018)

Enquanto Douglas Lucena, aliado de primeira hora de João Azevedo, que sequer pestanejou em abandonar o antigo aliado pelo caminho para se aliar ao antigo adversário.

Abaixo, trecho do discurso em que Efraim Morais exalta a independência do Dem e manda um recado a João Azevedo.

CNMP adverte promotores: “deixem o conforto de seus cargos públicos, renunciem à magistratura judiciária ou ministerial, e entrem na arena partidária”

Ao que parece, o lavajatismo perde espaço até mesmo dentro do Ministério Público. Foi durante a gestão do ex-Procuador Geral da República, Rodrigo Janot, que essa prática foi legitimada até virar sinônimo de lawfare, que é o uso das leis como arma de guerra de guerra política, na qual a mídia desempenha o papel estratégico de mobilizar a opinião pública para condenação antecipada do inimigo político.

Hoje, finalmente o Conselho Nacional do Ministério Público julgou as infrações éticas do ex-coordenador da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol – na semana passada, Dallagnol já havia escapado de uma condenação no caso do famoso power point: o julgamento da reclamação do ex-presidente Lula foi adiado 40 vezes até finalemte precrever em 13 de setembro, benefício que sempre foi criticado pelo procurador.

Aliás, o julgamento só ocorreu na sessão de hoje porque o ministro Gilmar Mendes cassou a decisão de Celso de Mello, que havia suspendido o trâmite de duas ações que corriam no CNMP contra Dallagnol, uma de Renan Calheiro e outra de Kátia Abreu.

Para o conselheiro Otávio Rodrigues, relator da ação apresentada por Calheiros, Deltan Dallagnol “ultrapassou os limites da simples crítica, com manifestação pessoal desconfortável à vítima”, ao atacar de “modo deliberado não só um senador da República, mas ao Poder Legislativo”.

Deltan Dallagnol alegava que manifestações públicas e políticas com a de cima estavam protegidas pela liberdade de expressão, justificativa que o relator discordou de maneira enfática:

“Reduzir este caso a um debate sobre liberdade de expressão é ignorar o imenso risco à democracia quando se abrem as portas para agentes não eleitos, vitalícios e inamovíveis, disputarem espaços, narrativas e, em última análise, o poder, com agentes eleitos, dependentes do sufrágio popular periódico”.

Notem que essa é uma luta bastante desigual. A única condição que assegura a posição de Dallagnol ou de qualquer promotor ou procurador é ter passado em um concurso público, enquanto qualquer político que exerce cargo público tem que obrigatoramente passar pelo crivo das urnas.

Enquanto Daltan Dallaganol (ou qualquer outro procurador ou promotor) exerce seu cargo de maneira vitalícia e são inamovíveis, ou seja, não podem ser afastados, a não ser por decisão de órgãos como o CNMP, qualquer político depende do voto popular e, portanto, de suas imagem pública. Assim, quando um promotor ou procurador usa sua posição para atacar políticos, o que está em risco é a democracia, que está sendo corroída por dentro das instituições.

Numa das trocas de mensagens entre procuradores da Lava Jato reveladas pelo site The Intercept Brasil, além dos então senadores pelo Paraná, Roberto Requião e Gleisi Hoffman serem tratados como inimigos por uma dos interlocutores de Dallagnol, Vladimir Aras, o procuradador curitibano chegou a defender que o Ministério Público lançasse candidatos ao Senado em todos os estados, ou seja, se convertesse em um partido político. Vejam:

14 de dezembro de 2016 – Chat privado
Vladimir Aras – 10:30:29 – Vc tem de pensar no Senado
Deltan Dallagnol – 12:58:02 – Obrigado pelo incentivo, mas vejo muitos poréns
Aras – 13:09:38 – Vc se elege fácil e impede um dos nossos inimigos no Senado: Requiao ou Gleise caem
Dallagnol – 13:29:56 – Não resolve o problema. Ajuda se o MPF lançar um candidato por Estado. Seria totalmente diferente e daria trabalho, mas pode ser uma das estratégias para uma saída.

Para Otavio Rodrigues, um membro do Ministério Público “deve se abster de realizar manifestações públicas, pois ao fazê-lo, também compromete a isenção perante a sociedade”. Ele também deu um conselho a quem, no Ministério Público, pretende continuar atuando na política sem levar em conta “a tarefa de zelar pela lisura do processo eleitoral, sob pena de prejudicar a própria credibilidade da instituição”:

“Nada impede que os primeiros [promotores e procuradores] deixem o conforto de seus cargos públicos, renunciem à magistratura judiciária ou ministerial, e entrem na arena partidária, disputando votos e espaço na mídia sem a proteção reputacional que a toga e a beca quase sempre emprestam aos que as vestem”.

Na troca de mensagens citada acima, Dallagnol pensou seriamente em disputar o senado em 2018, mas perder algumas de vantagens que o Ministério Público oferece – e olhe que o Senado é considerado um “céu” para muitos políticos – desestimulava o procurador. Veja quais:

1º de março de 2017 – Chat privado
Luciana Asper Valdir – 10:41:42 – Tem alguma chance de vc se candidatar a senador?? Alguns estão me perguntando.
Deltan Dallagnol – 11:49:16 – 
Dallagnol – 11:49:22 – Valeu Lu!
Dallagnol – 11:50:43 – Não tem urgência, vou aguardar então, obrigado!
Dallagnol – 11:57:18 – Eu não gostaria, sendo sincero, por uma série de razões. Não é meu perfil, é uma turbulência na vida familiar, ganha menos, tem menos férias, fica tomando pedrada na vitrine num jogo de menitras, correria um risco grande ao me desligar do MPF, tem a questão da LJ etc. (…)

Ganha menos, tem menos férias”

Pelo visto, Deltan Dallagnol queria só o bonus de fazer política, ser estilingue, sem o ônus de assumir posições como político e virar vidraça. E depender do voto para continar na carreira.

Enfim, quando um membro do Ministério Público entra em embates públicos, de claros contornos políticos e com repercussões eleitorais, ou faz uso do seu poder para lançar dúvidas sobre a reputação alheia, publicizando (vazando) detalhes de investigações ainda em curso com a clara intenção de produzir antecipação de condenações, o que, para alguns funciona como uma sentença de morte política, o resultado é a partidarização do Ministério Público.

E certamente não foi para agirem como militantes que os constituintes eleitos em 1986 asseguraram a promotores e procuradores essas prerrogativas, além dos mehores salários do serviço público e privilégios que poucas carreram têm.

Manobra tenta criar impasse na UFPB para justificar nomeação de um dos candidatos derrotados

O resultado da eleição para a escolha do próximo/a reitor/a da UFPB foi de tal maneira contundente que não abre margem para contestação. Tanto que nenhum dos candidatos derrotados no peito fez isso apresentando qualquer recurso à Comissão Eleitoral.

Em razão disso, foi no mínimo estranho que, sem ter sido provocado, o presidente da Comissão Eleitoral, Ângelo Brito, ligadíssimo à reitora Margareth Diniz, tenha tomado a iniciativa de suspender o resultado da consulta em por conta de uma “denúncia anônima”, segundo a qual, estudantes de extensão, que não têm vínculo formal com a UFPB, teriam votado. Para Ângelo Brito, isso seria motivo para anular um pleito onde quase 10 mil discentes que acessaram o sistema para exercer seu direito de voto.

A atitude do presidente da Comissão Eleitoral da UFPB soa ainda mais estranha porque a confecção das listas de votação foi de responsabilidade da Superintendência de Tecnologia e Informação (STI), a pedido, como de praxe, da própria Comissão Eleitoral. Portanto, se os estudantes de extensão foram inseridos na plataforma criada especialmente para a votação, o que também não aconteceria sem um cadastro prévio deles, foram ou pela STI ou pela própria Comissão Eleitoral. Uma questão que precisa ser esclarecida, portanto, é se a inserção desses eleitores foi da responsabilidade da STI a pedido da Comissão Eleitoral.

Outra atitude de causar estranheza foi a rapidez como o Procurador da
UFPB, Carlos Octaviano de Medeiros, posicionou-se pela nulidade do processo, em um parecer que foi desmontado, ponto por ponto, por nada menos que 19 professores do Centro de Ciências Jurídicas instituição. (Leia aqui)

Uma situação que, convenhamos, exige uma investigação rigorosa, inclusive da Polícia Federal. Duas hipóteses são possíveis nesse caso: 1) se a inserção foi resultado de um erro; 2) ou se esses estudantes foram inseridos nas listas de votação de maneira proposital e planejada, para uso político posterior, como vemos agora claramente acontecer, com o objetivo de levantar dúvidas sobre o resultado da eleição – em parte, registre-se já projetado por pesquisas eleitorais, que são também largamente utilizadas nas eleições da UFPB.

O impasse artificial em curso, cuja intenção é lançar dúvidas sobre a lisura da consulta à comunidade, poderá ser usado como justificativa moral para que um dos candidatos que não obteve a maior votação aceitem uma futura nomeação de Jair Bolsonaro, o que pode levar a UFPB numa gigantesca crise política que em nada tornará melhor a vida acadêmica e administrativa da Instituição.

Virou uma sólida tradição na UFPB a aceitação dos resultados das consultas à comunidade universitária nas escolhas dos nosso reitores, o que vem acontecendo desde 1984, isso quando ainda estava em curso a ditadura militar, embora nos seus estertores. Em 1984, foi eleito diretamente o primeiro reitor da UFPB, e não saiu do bolso de um burocrata do MEC ou por acordos políticos alheios aos interesses da instituição. A atual reitora Margareth Diniz já viveu, em 2016, o dramas para ser nomeada e já ali a decisão da comunidade universitária esteve em risco. Que ela não caia na mesma tentação dos que tentaram impedir sua nomeação à época.

Aliás, ainda mais estranho tem sido o silêncio dos candidatos derrotados (Isac Medeiros e Valdiney Gouveia). É sempre bom lembrar nessas ocasiões que, por varais eleições seguidas, os candidatos assinavam um termo em que se comprometiam em renunciar caso fossem nomeados. Já que resolveram submeter suas candidaturas ao julgamento da comunidade universitária, os dois têm obrigação moral de virem a público e rechaçarem tanto essa manobra com cara de golpe oriunda da Comissão Eleitoral da UFPB, como qualquer tentativa que tenha a intenção de desrespeitar a vontade manifestada mas urnas por professores, servidores técnico-administraticos e estudantes.

Diego Tavares, Socorro Gadelha e Daniela Bandeira eram candidatos… a João Azevedo

Nenhuma decisão foi tão acertada como a de Luciano Cartaxo quando escolheu a professora Edilma Freire sua candidata a sucedê-lo. 

Além de Edilma, as opções do prefeito de João Pessoa eram Diego Tavares (ex-PTB e DEM), Socorro Gadelha ( ex-PP) e Daniella Bandeira, secretários/as de longa data da atual administração pessoense e que viviam a declarar fidelidade ao projeto de Luciano Cartaxo.

Pois bem, o anúncio da saída de Daniela Bandeira da prefeitura de João Pessoa e do Partido Verde completa o ciclo de uma traição anunciada. E em bloco. Bandeira resolveu adotar o mesmo caminho de Diego Tavares e Socorro Gadelha, que abandonaram o barco assim que souberam que não foram os escolhidos.

A atitude demonstra que os/as três eram candidatos/as, na verdade, a João Azevedo. Com essa atitude mesquinha, Diego Tavares, Socorro Gadelha e Daniela Bandeira se incorporaram de corpo e alma ao azevedismo, a corrente política dos escaladores do prestígio alheio que, sem voto para se elegerem sequer síndicos de  condomínios, ganham de presente cargos de grande poder apenas pela grande capacidade de dissimulação.

Ou seja, os/as três eram candidatos, na verdade, a trair Luciano Cartaxo, assim como fez o atual governador, que traiu Ricardo Coutinho nem bem ganhou a eleição e assumiu o cargo mais cobiçado da política paraibana.

E com esse exemplo em carne viva, Cartaxo se precaveu e pulou uma fogueira.

João Azevedo se reúne com Julian Lemos e quer bolsonarismo com Cícero Lucena

Segundo informou Emerson Machado (Mofi), durante o programa Balanço Geral, que ele apresenta ao lado de Eclinton Monteiro e Sony Lacerda na 98 FM, o deputado federal bolsonarista, Julian Lemos (PSL), reuniu-se com João Azevedo, entre outros assuntos, para tratar do apoio à candidatura de Cícero Lucena (PP), a grande obsessão do governador.

Estava presente também o secretário Nonato Bandeira. Segundo Mofi, Julian Lemos está indeciso entre o apoio à Raoni Mendes (DEM) e Cícero Lucena.

A conversa de ontem pode ter convencido o ex-coordenador da campanha de Jair Bolsonaro no Nordeste, que não cansa de lançar confetes à capacidade de “diálogo” do atual governador.

Entre outras coisas, o deputado federal já disse defender um projeto para proibir o comunismo no Brasil (veja aqui). Julian Lemos já foi denunciado três vezes com base na Lei Maria da Penha após ter agredido a ex-mulher e a irmã (veja aqui). Também já chamou o governador de “grandioso”.

Quando a jurisprudência das Cortes Superiores valerá para Ricardo Coutinho?

O ex-presidente Lula costuma dizer que no Brasil existem dois códigos penais: um para julgá-lo o outro para o resto dos brasileiros.

Pelo visto, Lula terá de incluir mais um código penal especialíssimo e feito sob medida: o código com o qual a Justiça paraibana aceita as denúncias e deve julgar Ricardo Coutinho.

Duas decisões da Justiça, hoje (01/09), demonstram isso. A primeira, a decisão da Segunda Turma do STF que suspendeu a ação que tramitava na 13ª vara de Curitiba contra o Vital do Rêgo Filho (TCU).

Reproduzo abaixo trecho do voto de Gilmar Mendes sobre o caso, disponível também no Blog do Tião:

O inquérito se baseia em provas e indícios indiretos, em conjecturas e ilações que não podem sustentar as investigações. É com base na prova de contato entre Leo Pinheiro e Gin Argello que se imputa a participação de Vital do Rego, já que inexiste qualquer outro elemento de prova. Não se deve permitir prosseguimento de investigação com base em acusação de corrupção fundada unicamente na colaboração dos colaboradores. E, mesmo entre eles, há divergências.”

Ou seja, a Lava Jato investiga há quatro anos esse caso e até agora não conseguiu ir além da delação de delatores interessados nos benefícios oferecidos a corruptos pagos com a boca na botija.

Lula

O outro caso envolve o próprio Lula. O TRF1 (Distrito Federal) decidiu absolver o ex-presidente da acusação de ter receber vantagem indevida da Odebrecht por meio de palestras, que foram comprovadamente realizadas.

A decisão do Tribunal tem por base a acusação absolutamente precária do Ministério Público Federal, que não tinha provas e, segundo a defesa do ex-presidente, sequer especificava quais as condutas ilícitas atribuídas a Lula.

Segundo Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula:

“Sempre que foi julgado por um órgão imparcial e independente — fora da Lava Jato de Curitiba — Lula foi absolvido ou a acusação foi sumariamente rejeitada, na linha da defesa que apresentamos em favor do ex-presidente

Resta saber quando finalmente a jurisprudência das Cortes Superiores valerá para Ricardo Coutinho.

Após denunciar extorsão na Prefeitura de Bayeux, Wanderly Farias é nomeado Secretário de Comunicação

A imagem acima é de um print de uma mensagem postada por Wanderly Farias no Whatsapp. Na mensagem, que tem o sugestivo título em letras garrafais de COMEÇOU O DESMANTELO, Farias denuncia que, pela acordo que elegeu indiretamente Luciene de Fofinho prefeita de Bayeux, “o vice Adriano Martins e Zé Baixinho ficaram com [secretaria de] infraestrutura e o lixo”. Os dois foram eleitos para a Câmara em 2018, sendo que Adriano assumiu a prefeitura ao lado de Luciene de Fofinho.

Segundo a denúncia de Wanderly Farias, o proprietário da empresa que coleta lixo na cidade estaria “se queixando” que Martins e Baixinho estariam exigindo R$ 100 mil reais por mês para que a empresa não fosse substituída por outra. Wanderly termina a mensagem com uma misteriosa ameaça: “E parece que tem áudios das conversas”.

Wanderly pertencia à equipe do ex-prefeito Jeferson Kita. Por isso, muita gente estranhou o comunicado abaixo:

JORNALISTA WANDERLY FARIAS SERÁ O SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO NA GESTÃO LUCIENE GOMES

Prego batido, ponta virada. Foi confirmada a indicação do competente jornalista, Wanderly Farias, para ocupar a Pasta de Comunicação na gestão da prefeita Luciene Gomes.

Wanderly tem larga experiência na área de comunicação e tem muito a contribuir com a gestão, somando-se a outros importantes nomes que integram a equipe de auxiliares da prefeita.

Luciene tem usado como critério primordial para suas nomeações, a competência técnica e o profissionalismo de cada integrante.
Parabéns, prefeita!

Heleno Teixeira

Você já deve ter entendido como o jogo da politika é jogado em Bayeux, não? O Ministério Público parece que ainda não.

QUEM É A NOVA PERFEITA DE BAYEUX?

A nova prefeita de Bayeux atende pelo nome de Luciene de Fofinho. Antes de herdar os votos do marido, o ex-vereador Mizael do Carmo, mais conhecido na cidade pela alcunha de “Fofinho”, Luciene ganhou notoriedade nacional em 2009 por ter sido incluída pela prefeitura entre as beneficiárias do Bolsa Família, mesmo que o marido à época recebesse R$ 7 mil reais referente ao cargo de vereador e presidente da Câmara de Bayeux.

A atuação recente de Luciene de Fofinho como vereadora foi marcada pela oposição ferrenha ao ex-prefeito Berg Lima, preso após ser filmado recebendo propina de um empresário de Bayeux para liberar pagamentos à empresa do mesmo.

Aliada de primeira hora do atual presidente da Câmara de Vereadores de Bayeux e ex-prefeito interino depois da renúncia de Berg Lima, Jeferson Kita, Luciene de Fofinho não pensou duas vezes para mudar de lado e aliar-se ao antigo adversário. A oferta era sedutora: Luciene seria eleita indiretamente prefeita de Bayeux.

Luciene também é conhecida por seu fervor religioso. Ela adora misturar política e religião, sendo o que Jair Bolsonaro definiria como “terrivelmente evangélica”.

Vale a pena Inácio Falcão ter Ana Cláudia Vital como vice em Campina Grande?

A decadência política da família Vital do Rego só não é tão patente porque os arranjos políticos salvaram a carreira dos seus membros mais proeminentes.

Vital do Rego Filho se salvou quando assegurou, ainda quando Dilma Rousseff era presidente, e com o apoio de Eduardo Cunha e Michel Temer, uma vagas para o Tribunal de Contas da União. Em 2014, mostrou seu tamanho de nanico na política paraibana quando obteve apenas 5,22% (dos votos válidos) na eleição para governador.

Já o irmão de Vitalzinho, Veneziano Vital do Rego, teve a sorte de ser um dos ungidos por Ricardo Coutinho em 2018, depois de um mandato desastroso como deputado federal, e se eleger, sem muito esforço, para um mandato de Senador. Como João Azevedo, Veneziano foi outro que não pensou duas vezes em enfiar a adaga da traição nas costas do ex-governador.

Aliás, a canalhice política de João Azevedo é tão grande que o governador anda hoje abraçado, em vários municípios, com quem foi seu adversário em 2018, e não apenas no caso de João Pessoa.

Além de apoiar Roberto Paulino em Guarabira, que foi candidato a Senador na chapa de José Maranhão na eleição passada, e cujo filho, Ranieri, era, há bem pouco tempo, o líder da oposição na Assembleia, o governador anunciou apoio ao candidato do MDB de Bananeiras, Matheus Bezerra, negando com isso apoio ao atual prefeito Douglas Lucena, que pediu votos para Azevedo na última eleição. O tio de Douglas, Henrique Lucena, chamou a atitude de João Azevedo de “filhadaputice“.

Voltemos à outra face da traição, Veneziano Vital do Rego. A decadência do ex-prefeito de Campina Grande em seu principal colégio eleitoral não pode ser encoberta nem pelo cavalo que Ricardo Coutinho selou para ele em 2018. Em 2016, por exemplo, Veneziano foi candidato a prefeito e tomou uma surra desmoralizante de votos, quando não chegou sequer a 25% dos votos da cidade.

E não é só isso. Em 2018, sofreu nova derrota na Rainha da Borborema, obtendo ainda menos votos (21%), mesmo com o eleitor podendo votar em dois candidatos.

Não é por outro motivo que os Vital do Rego já pensam em retirar a candidatura de Ana Cláudia Vital à Prefeitura de Campina Grande. A intenção será evitar novo vexame eleitoral e manter a aura de liderança política, mesmo que os resultados eleitorais do clã em Campina Grande mostrem o contrário.

A dúvida é saber ser vale a pena Inácio Falcão receber esse apoio no primeiro turno e incorporar esse desgaste à sua candidatura, o que significaria apostar no risco de a eleição ser decidida já em primeiro turno.

Depois de “suposta” sonegação da Brisa Net ser tratada como “vergonhosa”, empresa vira anunciante da POP FM

Os jornalistas Adelton Alves e Edmilson Pereira apesentaram durante anos um programa na rádio Arapuã. Hoje, estão na POP FM com Paraiba Agora.

Na última terça, os dois tornaram pública uma denúncia contra a Brisa Net, empresa que atua no mercado oferecendo serviços de fibra óptica. Segundo informou Adelton Alves, a Associação Nacional para Inclusão Digital (ANID) encaminhou denuncia ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) contra a Brisa Net por sonegação de impostos. Seriam R$ 14 milhões em valores sonegados e, portanto, em impostos devidos ao Estado da Paraíba.

Depois de ler a notícia, Adelton Alves pergunta a Edmilson Pereira se ele acredita ser verdadeira essa denúncia. Pereira responde: “É uma constatação pública”.

Adelton Alves: “Se for (verdade) é uma vergonha. É uma empresa grande, não precisa disso, tem uma estrutura enorme, já toma conta (do mercado de internet) de quase todo o Nordeste, e já avança para o Sul do país”.

Enquanto Alves falava, Edmilson Pereira corroborava as palavras do companheiro de bancada.

Em seguida, Adelton Alves conclama a Brisa Net a pagar os impostos que deve à Paraíba.

Brisa Net vira anunciante da POP

Para minha surpresa e de um leitor que me chamou atenção para o fato, três dias depois, Adelton Alves anunciou um novo “parceiro” para o programa: a Brisa Net.

Uma empresa que é acusada gravemente de sonegação, prática qualificada por Adelton Alves de “vergonhosa”, em seguida torna-se parceira, anunciante do programa.

Resta saber se algum dia a denúncia tratada no programa da última terça voltará a ser mencionada de novo.

Esse pessoal se entende.

João Azevedo prepara privatização da PBGás

Não faz muito, Erika Del Pino era considerada um militante histórica do Partido Socialista Brasileiro, ex-membra do diretório municipal do partido e fervorosa militante ricardista.

Segundo os próximos dizem, em tom de brincadeira, claro, Del Pino era capaz de riscar a faca no chão caso escutasse de um interlocutor uma crítica a Ricardo Coutinho – não conheço Erika Del Pino pessoalmente, mas sei de muitos que assim se comportavam, como Ronaldo Barbosa, que por muitos e muitos anos presidiu o PSB e era presença marcante, e até dirigente, nas reuniões da Frente Brasil Popular. Tristes tempos esses nossos!…

Pois bem, assim como tantos, Erika Del Pino foi uma das que esqueceram instantaneamente seu passado de esquerda e socialista em troca de uma sinecura no governo, e não pensou duas vezes em se bandear para um partido que está no lado oposto do espectro político e ideológico brasileiro, o Cidadania.

Segundo quem me repassou as informações de que trato abaixo, Erika foi uma das primeiras a entregar o cargo que tinha no PSB e uma das primeiras a se desfiliar do partido logo que João Azevedo rompeu com Ricardo Coutinho, para se alinhar ao séquito de “traidores de primeira hora”. A intenção era compor o núcleo duro dos cristãos novos do azevedismo, essa corrente asséptica que não poderia ter outro padrão moral que não o do líder que deu-lhe forma – se é que ela tem alguma.

A subserviência dessa gente chega ao ponto de aceitar ser nomeada interinamente para a presidência da PBGás apenas para guardar o lugar, enquanto João Azevedo não define quem será o verdadeiro ocupante nos arranjos em curso que estão dando cara ao governo.

A imagem abaixo é de um trecho de uma ata de reunião da PBGás. Notem que na ata está estipulado o prazo do mandato tampão com data de vencimento estipulada para o próximo dia 2 de Setembro, data em que certamente a vaga terá novo dono, indicado por um dos novos sócios do poder.


Se você procurar na página da PBGás não encontrará informações a respeito dessa nomeação. É sempre bom lembrar que a PBGás é uma empresa de economia mista, que presta serviço de utilidade publica e cujo sócio majoritário é o Estado da Paraíba.

Tudo isso é importante porque se trata de um dos cargos mais cobiçados da estrutura do Governo (R$ 18 mil de remuneração) e, sobretudo, trânsito em um segmento cujo interesse de privatização pelo governo federal já foi demonstrado.

Aliás, consta que o homem de confiança de João Azevedo, Deusdeth Queiroga, secretário a qual a PBGás é vinculada, já manifestou em reunião do Conselho da PBGás a opinião de que a empresa pode ser privatizada encomendou a Erika Del Pino, essa ex-fervorosa militante de esquerda, estudos preliminares a respeito das medidas a serem adotadas para a privatização da PBGás.

Não seria surpreendente. Privatizar é parte do ideário dos novos donos do poder na Paraíba. Foi para isso que eles derrubaram Dilma Rousseff; é para isso que querem afastar Ricardo Coutinho da política.

QUEM DIRIA? Secretaria de Cultura e Funesc viraram um “clube do Bolinha”

Desde 2011, as mulheres nunca foram minoria nos cargos dirigentes dos órgãos que comandam a política cultural do estado da Paraíba (Secult e Funesc).

Em 2020, tudo mudou, e não foi porque as mulheres perderam sua competência. O que aconteceu para a Secult e a Funesc ter sido transformada em um clube do Bolinha, onde, pelo visto, se depender do governador, mulher não entra.

Veja:

2011
SECULT: Chico César – Amazile Vieira
FUNESC: Lu Maia – Willian Tejo

2013
SECULT Chico César – Amazile Vieira
FUNESC: Lau Siqueira – Lu Maia

2015
SECULT: Lau Siqueira – Fernanda Norat
FUNESC: Márcia Lucena – Nézia Gomes

2019
SECULT: Damião Ramos – Milton Dornellas
FUNESC: Nézia Gomes – Raisa Agra

2020
SECULT: Damião Ramos – Milton Dornellas
FUNESC: Walter Galvão – Pedro Santos