VITÓRIA DE RICARDO COUTINHO NO STF: processo da Operação Calvário vai para a Justiça Eleitoral

Segundo nota divulgada no final da tarde de hoje, os advogados de defesa do ex-governador Ricardo Coutinho, Igor Suassuna de Vasconcelos e Eduardo de Araújo Cavalcanti, informaram que o ministro Gilmar Mendes, do STF, acatou reclamação constitucional e “reconheceu a competência da justiça eleitoral para processar e julgar os processos da Operação Calvário contra Ricardo Coutinho.”

Trata-se de uma grande vitória para o ex-governador da Paraíba.

“Hoje a Justiça deu mais um passo importante, não só para o resgate da imagem e história de Ricardo Coutinho com a Paraíba, mas também para a proteção do direito de defesa e preservação do devido processo legal.”

Apesar desse processo ainda estar longe de um desfecho, ao obter o reconhecimento de que os delitos apontados na denúncia do Gaeco-MPPB não configuram crimes comuns, mas, sim, eleitorais, Ricardo Coutinho terá um poderoso argumento para defender sua honra depois de mais de três anos de ataques sistemáticos a ela.

Mais de três anos depois, nenhuma prova mais consistente foi apresentada para corroborar os crimes apontados na denúncia. O ex-governador, por exemplo, nunca foi sequer chamado a depor.

Quem se dispuser a ler a decisão de Gilmar Mendes verá que ela é fundada na própria “narrativa” feita pelo Gaeco-PPPB. Como Mendes deixou claro, tem “elementos típicos potencialmente suficientes” para fundamentar uma denúncia por crimes eleitorais. Sendo assim, pergunto eu, por que, então, os promotores responsáveis pela Operação Calvário deixaram de “pedir a condenação” por crimes eleitorais?

Lembram os motivos pelso quais os processos da Lava Jato que condenaram o ex-presidente Lula foram anulados? A principal razão era de que Sérgio Moro não era o juiz natural, nesse caso, territorial, da causa. Se o tal triplex, que nunca foi de Lula, está localizado em São Paulo, por que o processo foi parar em Curitiba? Se fosse outro juiz, Lula teria sido condenado sem provas?

Gilmar Mendes destaca ainda se tratar de uma garantia constitucional o direito ao “juiz natural” e que, qualquer que seja o caso, “os julgamentos devem ser realizados pela autoridade jurisdicional competente”, no caso, a justiça eleitoral. O princípio do juiz natural visa impedir, segundo ele, a instalação de “juízos ou tribunais de exceção”, já que, de outra maneira, acrescento, não estaria resguardada a impessoalidade nem a imparcialidade dos julgamentos, pois juízes poderiam ser escolhidos ao bel prazer das autoridades judiciais. O direito de ser julgado por um juiz natural evita, assim, os julgamentos caso a caso. 

O lavajatismo da Operação Calvário está sendo enfrentado pelas Cortes Superiores há algum tempo. Quando o mesmo vai acontcer no Tribunal de Justiça da Paraíba?

LÁ E LOU. Quando Daniella vai entregar os cargos que a família Ribeiro tem na prefeitura de Campina?

Em outubro do ano passado, Daniella Ribeiro exigiu, durante uma entrevista à Rádio Arapuan, que o também senador Veneziano Vital entregasse os cargos que havia indicado no governo João Azevedo — ambos se elegeram senador em 2018 para o Senado, Veneziano na mesma chapa majoritária de João Azevedo, Daniella Ribeiro pela oposição. Como é possível notar, Veneziano era tratado como intruso no governo que ajudara a eleger, enquanto Daniella já se comportava como dona.

Pois bem, desde que os Ribeiro iniciaram uma aproximação com João Azevedo, sobretudo depois que a família tomou de assalto do PSD, o partido que, na Paraíba, era comandado por Romero Rodrigues, os Cunha Lima, digamos assim, “sugerem” que a família entregue os numerosos cargos que controlam na Prefeitura de Campina Grande. Cássio, Bruno, Romero mantinham uma aliança com Enivaldo, Daniella e Aguinaldo, que resultou na indicação do rebento político da família, Lucas Ribeiro, como o candidato a vice-prefeito na chapa que elegeu Bruno Cunha Lima prefeito em 2020.

A última “sugestão” para a entrega dos cargos partiu do próprio Cássio Cunha Lima durante entrevista que o ex-governador concedeu, ontem, à TV Arapuan. Nessa entrevista, Cássio fez um histórico da aliança com a família Ribeiro, lembrou que seu irmão, Ronaldo Cunha Lima Filho, abriu mão do cargo de vice-prefeito para permitir a aliança com o Progressistas, que indicou Enivaldo Ribeiro candidato a vice de Romero Rodrigues, que concorria à reeleição, em 2016, e depois Lucas Ribeiro, em 2020.

Cássio lembrou que como os projetos dos dois grupos não mais convergem, pelo contrário, chegou a hora de Daniella e Cia entregarem os cargos que dispõem, para evitar o constrangimento de Bruno Cunha Lima ter de demiti-los.

Enfim, como a senadora já conseguiu o que queria — acomodar o filho na chapa de João Azevedo — sugiro que ela deixe de firula, aja com honradez, e tenha o mesmo comportamento que teve Veneziano Vital assim que decidiu ser candidato a governador pela oposição ao lado de Lula, Ricardo Coutinho e do PT: entregou todos os cargos que seu partido tinha no governo João Azevedo.

ALÉM DA TRAIÇÃO: João Azevedo mostra quem realmente é ao hoje criticar quem o elegeu

Há certas condutas morais na política que o povo não costuma perdoar. Uma delas é a traição. Uma segunda é a ingratidão. A outra é a mentira.

O governador João Azevedo concluiu esse ciclo hoje. Observem o que ele disse sobre como encontrou a saúde da Paraíba quando assumiu o governo, depois de uma vitória relativamente fácil em primeiro turno, ele que era um desconhecido para o povo paraibano até Ricardo Coutinho apresentá-lo como seu candidato e percorrer com ele o estado.

“Quando assumi a gestão deste Estado, algumas coisas na área de Saúde me incomodaram muito, pois encontramos uma Saúde com tantos problemas, com descaso, com os codificados, sem uma relação trabalhista respeitosa, e tivemos que dar solução a esses problemas”

É difícil acreditar que um governo que alcançou a popularidade como o de Ricardo Coutinho possa ter mudado de uma hora para outra, exceto se o governador estiver mentido. Em 2017, o então presidente do Tribunal de Contas da Paraíba, André Carlo Torres, concedeu entrevista ao site ClickPB e disse o seguinte:

“A figura do codificado deixou de existir e hoje se assemelha mais a um prestador de serviço porque ele tem matrícula, nome, salário, desconto, bruto e líquido”

André Carlo Torres Pontes
Presidente do TCE (2017-2018)

O que o conselheiro André Carlo Torres quis dizer é que foi Ricardo Coutinho quem deu solução a um problema que se arrastava há mais de uma década na Paraíba. Foi no governo de Ricardo Coutinho, por exemplo, que o Hospital de Traumas de João Pessoa passou a funcionar sem os graves problemas que marcavam sua administração desde que foi inaugurado, que o Hospital de Traumas de Campina Grande foi definitivamente concluído e equipado, e mais quatro grandes hospitais foram construídos: o de Mamanguape, o Hospital do Bem, de Patos, destinado a pacientes com câncer, o HTOP, desativado inexplicavelmente por João Azevedo, e o Hospital Metropolitano. Além desses, RC ampliou nove hospitais e três UPA’s foram inauguradas. Sem recorrer a servidores codificados.

Sem mencionar, entre outras melhorias, o salto nos leitos de UTI. Foi durante o governo de Ricardo Coutinho que o número de UTIs foi quase triplicado. O quadro abaixo mostra a evolução do número de leitos com UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da rede pública de saúde estadual.

Vejam que, em 2010, a rede estadual de saúde dispunha de apenas 78 leitos de UTI. Quando Ricardo Coutinho deixou o governo, em 2018, esse número saltara para 281.

João Azevedo bem que poderia ter recusado o apoio de Ricardo Coutinho em 2018. Não fez porque tinha a exata ideia tanto da dimensão política do então governador quanto de sua própria. Preferiu a dissimulação, para depois trair Ricardo Coutinho se juntando com quem trabalhou para derrotá-lo em 2018. É hoje um governador que ninguém respeita.

Hoje, ele acabou de se revelar por inteiro.

HORA DE ENGOLIR O CHORO? Republicanos soube pela imprensa que o vice de João Azevedo será Lucas Ribeiro

Há exatos 10 dias, o Republicanos divulgou uma nota, assinada pelo presidente do partido na Paraíba, Hugo Mota, em resposta à decisão tomada pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro de desistir de disputar o Senado e de indicar o candidato à vaga de vice na chapa de João Azevedo seria indicada pelo Progressistas.

Como ficou patente nos últimos meses, a vaga agora reivindicada por Aguinaldo Ribeiro estava prometida pelo governador ao Republicanos.

Na nota, Hugo Motta disse que não admitiria “tomar conhecimento da formação da chapa pela imprensa”.

Pois bem, foi exatamente o que aconteceu no fim de semana. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, do Progressistas, o partido de Aguinaldo Ribeiro, disse que o nome do candidato a vice da chapa de João Azevedo já está definido: Luccas Ribeiro, filho da senadora Daniella Ribeiro, sobrinho de Aguinaldo Ribeiro e atual vice-prefeito de Campina Grande.

Cícero Lucena pode ter se antecipado, mas ele apenas confirmou o desfecho por demais conhecido dessa disputa entre Progressistas e Republicanos pela vaga de vice na chapa de João Azevedo, decidido dez dias atrás quando Aguinaldo Ribeiro tomou a decisão e a comunicou ao governador.

O resto é enrolação e tentativa de ganhar tempo, enquanto o Republicanos se desmoraliza cada vez mais. O Progressistas sabe que o Republicanos não tem forças para reverter a decisão de Aguinaldo Ribeiro, assim como João Azevedo sabe que pode esticar a corda pois aposta que Hugo Motta e seus liderados não terão jamais coragem de abandonar o governo em ano de eleição.

Por isso, Hugo Motta, é hora de engolir o choro e procurar logo um candidato a Senador. E torcer para Aguinaldo Ribeiro não vetar a indicação.

PARQUE DO POVO CANTA “LULA, LULA”: vaias para Bolsonaro e Bruno são também para Pedro Cunha Lima

Acompanho eleições na Paraíba há décadas e por isso afirmo sem margem para dúvida: jamais aconteceu o que se desenrolou no Parque do Povo, ontem, 24 de junho, na principal noite do Maior São João do Mundo. Tudo foi planejado para ser, como eu disse ontem, uma noite de gala para o Jair Bolsonaro e para a família Cunha Lima.

E aconteceu exatamente o contrário. Enquanto Jair Bolsonaro e Bruno Cunha Lima receberam uma sonora vaia, além de expressões que é melhor não publicar aqui, o nome de Lula foi ovacionado no parque que é do povo. Inacreditável? Confira, então.

Os Cunha Lima na canoa bolsonarista

Como fazem Cícero Lucena e Aguinaldo Ribeiro, que tentam se equilibrar nas canoas de Bolsonaro e João Azevedo, os Cunha Lima tentam embarcar de corpo e alma na campanha do presidente da República candidato à reeleição com o objetivo  de alavancar a candidatura de Pedro Cunha Lima. Não é só estratégia eleitoral. É identidade política e ideológica.

Isso se os bolsonaristas deixarem. Enquanto Cícero Lucena foi humilhado em João Pessoa pela claque boslonarista e pelo próprio presidente, o deputado estadual e ex-comunista, Moacir Rodrigues, mais conhecido como “irmão de Romero”, reclamou de ter sido escanteado pelo cerimonial da Presidência, logo ele que se considera o “único deputado bolsonarista raiz”.

O último e o atual prefeitos de Campina Grande, Romero Rodrigues e Bruno Cunha Lima, eleitores de Pedro Cunha Lima, já declararam apoio à reeleição de Jair Bolsonaro. Aliás, se dependesse do presidente da República e Romero fosse mais corajoso, seria ele o candidato a governador do bolsonarismo na Paraíba. Como se vê, se o candidato de Pedro Cunha Lima a presidente continua a ser um mistério, bastando apenas a formalização do apoio, as principais lideranças que o cercam na Paraíba são bolsonaristas até a alma.

Como se vê, se o candidato de Pedro Cunha Lima a presidente continua sem ser revelado, bastando apenas a formalização do apoio, as principais lideranças que o cercam na Paraíba são bolsonaristas até a alma.

Portanto, a vaia generalizada que Jair Bolsonaro e Bruno Cunha Lima tomaram ontem no Parque do Povo foi dirigida também ao anti-lulismo de toda a família Cunha Lima.

A PACIÊNCIA ACABOU: Jair Bolsonaro e Bruno Cunha Lima são vaiados no Parque do Povo

Depois de pedir o julgamento das ruas, Jair Bolsonaro e seus apoiadores receberam o veredito do povo nordestino. Primeiro, em Caruaru, quando foi sonoramente vaiado na noite de ontem, assim que foi chamado ao palco do Pátio de Eventos do São João da cidade. Vejam e escutem:

O constrangimento foi tão grande que Bolsonaro falou menos de 30 segundos e logo se despediu. A vaia continuou.

Hoje, foi a vez de Campina Grande. Jair Bolsonaro teve de escutar um uníssono “fora Boslonaro” e outra palavra de ordem menos educada, mas que é cada vez mais ouvida por onde passa o presidente. As palavras de ordem pareciam dessa vez sair da maioria das bocas que foi ao Parque do Povo hoje à noite. Dessa vez, o presidente sentiu o termômetro do DataPovo medindo o humor do povo de Campina Grande, e se acovardou, recusando-se até a subir ao palco.

Sobrou para o prefeito Bruno Cunha Lima, que passou pelo maior constrangimento de sua vida política. Desavisada, a cantora Roberta Miranda chamou o prefeito e a primeira-dama ao palco. Bruno Cunha Lima resistiu, mas diante da insistência da cantora, não teve outra opção a não ser se submeter aos humores dos campinenses. A vaia generalizada ao prefeito fez Miranda apelar até para a boa educação que toda mãe deve oferecer aos filhos. Não teve jeito. Foi inacreditável ver Bruno Cunha Lima recusar o microfone, naquela que foi preparada para ser uma noite de gala para ele e para Jair Bolsonaro. Vejam que constrangedor:

Do Instagram do blog do jornalista Maurílio Jr.

Bolsonaro teve duas contundentes demonstrações de desprezo político. Longe da claque bolsonarista, que se dispersou assim que o presidente correu do palco, o que se viu foi uma rejeição generalizada.

Pois é, Jair Bolsonaro. A paciência do povo acabou.

CORRUPÇÃO NO GOVERNO BOLSONARO: Veneziano assina CPI do MEC; Daniella Ribeiro, não

O Senador Randolfe Rodrigues (Rede) divulgou que conseguiu as 27 assinaturas que são o mínimo necessário para a instalação da CPI do MEC. Da bancada da Paraíba, assinaram o requerimento Veneziano Vital e Nilda Gondim. A senadora Daniella Ribeiro se recusou até agora a apoiar as investigações sobre corrupção no MEC na gestão do ex-ministro Milton Ribeiro, preso na última terça-feira.

A revelação de que o presidente da República passou informações para Milton Ribeiro sobre uma possível busca e apreensão na residência do ex-ministro, tornam a CPI uma necessidade. Em outra interceptação telefônica, a esposa de Ribeiro disse que ele já sabia antecipadamente da operação.

A recusa de Daniella Ribeiro em assinar a CPI do MEC não surpreende, afinal postura da senadora  no Congresso sempre foi de apoio às pautas bolsonaristas. Aliás, nisso ela não está sozinha. Os posicionamentos tanto de Daniella Ribeiro quanto do irmão, Aguinaldo, são rigorosamente iguais.

LÁ E LÔ: Cícero Lucena é bolsonarista e principal aliado de João Azevedo

A humilhação imposta hoje pelo presidente Jair Bolsonaro ao prefeito de João Pessoa é resultado de um jogo duplo comum, de uma divisão de trabalho entre João Azevedo e Cícero Lucena. Mesmo antes de assumir o governo, João Azevedo fez vários acenos a Jair Bolsonaro, e a recusa em discursar durante o comício em apoio a Fernando Haddad, no segundo turno da eleição presidencial de 2018, podem ter certeza, foi o primeiro de muitos. Ali ficou delineada a estratégia política do futuro governo João Azevedo.

Lula estava preso e incomunicável, a eleição de Jair Bolsonaro quase um fato consumado, uma viragem à direita no Congresso como nunca o Brasil havia presenciado havia se consumado. O mar realmente não estava para peixe. Mas, é nessas horas que o caráter de certas pessoas se revela.

Pois bem, o governo João Azevedo mal tinha completado seis meses quando Ricardo Barbosa, um dos deputados estaduais mais influentes da base de João Azevedo – hoje candidato a federal, – defendeu uma aproximação com Jair Bolsonaro. Ricardo Barbosa chamou à época as diferenças com o presidente de “picuinhas” (leia aqui).

“O governador João Azevedo está no caminho certo e a política de governo tem que estar acima dessas futricas políticas”.

E deu um recado para quem criticava essa aproximação com Jair Bolsonaro: “E para essas pessoas, externo o nosso desprezo”.

Ricardo Barbosa já frequentou muitos palanques na Paraíba. Já foi considerado da “cozinha” dos Cunha Lima: foi assessor do então governador Ronaldo Cunha Lima, foi levado para governo FHC por Cícero Lucena, conseguiu uma vaga na Assembleia Legislativa por conta do apoio de Cássio Cunha Lima. Traiu Cássio e hoje é um dos mais próximos conselheiros de João Azevedo.

A estratégia de aproximação de João Azevedo com Bolsonaro defendida publicamente por Ricardo Barbosa pressupunha, por óbvio, um afastamento do campo petista. Por isso, seis meses depois, João Azevedo anunciava sua saída do PSB e, logo em seguida, a entrada no direitista Cidadania, expressando sua identificação com os valores do presidente do partido, o ex-ministro da Cultura de Michel Temer, Roberto Freire.

“Ressalto a ‘Carta de Princípios‘ do partido publicada em 24 de março de 2019, onde nos sentimos representado”, escreveu João Azevedo em carta que comunicava sua decisão de entrar no Cidadania.”

Como Bolsonaro não deu muita bola aos acenos de João Azevedo por conta de sua base política na Assembleia Legislativa da Paraíba, restou ao governador da Paraíba manter distância do campo progressista. Em abril de 2020, dois meses depois de se filiar ao Cidadania, João Azevedo já se embrenhava alegremente na estratégia da direita tradicional brasileira, começando por jogar água no moinho da terceira via na eleição presidencial, defendendo o nome do apresentador global Luciano Huck, para quem estenderia o “tapete vermelho”, porque, segundo ele, seria uma opção contra “os extremos” representados pelas candidaturas de Lula e Bolsonaro.

Eu acho que Huck é um nome novo, que foge dos extremos que o Brasil nesse momento polariza entre a esquerda e a direita ( João Azevedo).

João Azevedo já disse não querer ninguém que não apoie Lula em sua chapa. Aguinaldo Ribeiro é líder da maioria no Congresso Nacional com as bençãos de Artur Lira. Cícero Lucena é bolsonarista.

Enfim, esse é o governador que temos, que ruma na direção que o vento sopra. O povo teria outra definição mais adequada para esse comportamento, mas é melhor que ele se pronuncie nas urnas. Até lá, resta a diversão de ver João Azevedo e seus aliados desprezados por Jair Bolsonaro.

E Lula pedindo voto para Veneziano e Ricardo Coutinho.

Jair Bolsonaro humilha publicamente Cícero Lucena

O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, teve uma recepção merecida da plateia de bolsonaristas que foi acompanhar, hoje pela manhã, a inauguração dos Residenciais Canaã I e II, no Bairro das Indústrias.

Apesar dos acenos ao presidente e de infestar a administração pessoense de bolsonaristas, Cícero Lucena recebeu uma vaia de fazer corar até Valdemar Costa Neto, o presidente nacional do PL, o partido de Bolsonaro, preso por corrupção.

Eu poderia dizer que o prefeito de João Pessoa mereceu em razão desse esforço rasteiro de subserviência, de quem acende uma vela para Deus e ao diabo ao mesmo tempo, mas o ato foi de extrema deselegância, de falta de urbanidade e civilidade, próprio do bolsonarismo, afinal, estava ali o anfitrião, o prefeito da cidade que recebia o presidente numa cerimônia de Estado, bancada com dinheiro público.

Mais vergonhosa ainda foi a atitude do presidente da República. Ao invés de acalmar seus seguidores e pedir respeito para quem tinha sido convidado a falar, Jair Bolsonaro deu seguimento ao ato de provocação, levantando-se ao lado de Nilvan Ferreira, ao mesmo em que pedia à plateia que aplaudisse o seu pré -candidato a governador. Era um comício que se assistia. Nilvan Ferreira foi derrotado por Cícero Lucena no segundo turno da eleição para prefeito de João Pessoa, em 2020.

É um verdadeiro circo de horrores o que o Brasil presencia hoje. Cícero Lucena aprenderá a lição?

CORRUPÇÃO NO MEC: Nilvan Ferreira tentou se esconder, mas foi obrigado a defender Bolsonaro

O alerta de sobrevivência deve ter acendido para Nilvan Ferreira na manhã de hoje. Olhando com cuidado as avarias no casco do navio de Jair Bolsonaro, Nilvan Ferreira deve ter percebido que os buracos se alargaram muito com a prisão do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, no início da manhã de hoje.

Nilvan levou uma manhã inteira para postar uma nota no Twitter de apenas seis linhas em que defende Jair Bolsonaro atacando (claro!) o PT. A grande dúvida ainda não resolvida é o motivo que levou o candidato a pré-canddiato a governador levar quase 5 horas para elaborar e divulgar um texto de 8 linhas, já que Milton Ribeiro foi preso antes das 8 da manhã, e Nilvan postou às 12h33.

Mais estranho ainda foi ele ter escolhido o Twitter para divulgar seu posicionamento. Por que o apresentador e pré-candidato a governador só postou sua nota na rede social em que tem menos seguidores (31,1 mil), e “esqueceu” de postar em seu Facebook (84 mil seguidores) e, sobretudo, no Instagram, onde ele tem 14 vezes mais seguidores (429 mil) do que no Twitter? Veja.

E a nota pode ser considerada a maior piada dessa eleição. Segundo Nilvan Ferreira, o presidente que, em 2019, ameaçou de demissão o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, caso ele não trocasse o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, e o superintendente do Rio, Carlos Henrique Oliveira, para proteger os filhos da investigação, “incentiva que tudo seja investigado” em seu governo. Moro acabou pedindo demissão e os delegados substituídos.

Só para lembrar, Milton Ribeiro é investigado por corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência em um esquema para liberação de verbas do MEC. Além de Ribeiro, foram presos também os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, acusados de negociar com prefeitos a liberação de recursos do Ministério da Educação em troca de propina.

Em áudio que veio a público, o então ministro da educação disse textualmente:

Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar. Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”

Logo depois, Bolsonaro fez a defesa do seu ministro, revelando que investigações feitas pela CGU não deram em nada.

“Eu boto a minha cara no fogo pelo Milton. Uma covardia o que estão fazendo”, disse nosso imaculado presidente.

Ou seja, Nilvan Ferreira quer desviar o foco repetindo a já manjada fórmula bolsonarista de justificar os malfeitos do governo Bolsonaro atacando Lula e o PT.

Nilvan só esqueceu de dizer que o que menos existe no governo atual é investigação e transparência. Querem exemplos? Jair Bolsonaro nomeou o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, sem que ele estivesse sequer na lista tríplice elaborada pela associação nacional do Ministério Público, abandonando uma prática que se mantinha desde o primeiro governo Lula. Antes de nomear Aras, Bolsonaro se referiu assim ao PGR:

— Pessoal, vamos imaginar um jogo de xadrez no governo, vamos imaginar? Jogo de xadrez. Os peões seriam, em grande parte, quem? Os ministros. Lá para trás, um pouquinho, o Moro, da Justiça, é uma torre. Paulo Guedes, um cavalo. E a dama, seria quem? Alguém tem ideia? Quero ver se vocês são inteligentes. Quem seria a dama? Qual autoridade seria a dama? Que pode ser um homem, obviamente. Não, o presidente é o rei. A dama é a PGR. Tá legal?

Eu não preciso citar as duas indicações para o STF.

Além disso, Jair Bolsonaro foi o único presidente a decretar sigilo sobre os gastos da presidência depois da criação da Lei de Acesso à Informação por Dilma Rousseff em 2012. Hoje, qualquer cidadão tem acesso a contratos públicos, aos pagamentos realizados pelos governos, aos salários de servidores públicos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Menos aos gastos com a família presidencial.

Nilvan Ferreira também “esqueceu” do esquema de corrupção na compra de doses da Covaxin, feita pelo deputado federal Luís Miranda diretamente ao presidente, sem que ele tivesse tomado qualquer providência — não fosse a CPI da Covid um desvio bilionário teria acontecido (durante a pandemia), e não seria feito pelos governadores,

Além dos governos do PT terem criado uma legislação de combate à corrução, ter criado a CGU, ter dado autonomia à PF e ao Ministério Público, Lula e Dilma Rousseff tiveram atitudes diametralmente opostas da que teve o atual presidente. Até com certos exageros, como no caso do “escândalo da tapioca”, que provocou a demissão do então ministro Orlando Silva por conta da compra com carta-corporativo de tapiocas de R$ 8,00?

Sim, pasmem, comprar uma tapioca de R$ 8,00 já foi motivo para um escândalo nacional.

Sim, pasmem, comprar uma tapioca de R$ 8,00 já foi motivo para um escândalo nacional.

PS. O pré-candidato a governador, Nilvan Ferreira, entrou em contato para esclarecer que postou a nota referida acima também no seu Instagram, logo depois da postagem no Twitter. É verdade, e peço desculpas ao apresentador. Esclareço, entretanto, que meu erro foi motivado pela dificuldade em achar a nota no Instagram, na realidade, um print da publicação do Twitter. Ao invés do pré-candidato postar a nota na página principal do seu Instagram, preferiu publicá-la no story, em meio a dezenas de outras postagens, como se pode ver nas imagens abaixo.

Gervásio Maia chamou governador João Azevedo de mentiroso e ingrato (veja vídeo)

A manchete acima é de uma matéria do site Notícias do Vale PB. publicada em 30 de outubro de 2019. O site repercutia um vídeo que deputado federal Gervasio Maia postou em suas redes sociais com duras críticas ao governador João Azevedo.

Entre outros ataques, Gervasio Maia disse que João Azevedo havia “inventado” uma tentativa de conversa com o deputado em Brasília e que ele havia se recusado a recebê-lo. Em outras palavras, chamou o governador de mentiroso.

Em outra parte do vídeo, Gervasio Maia acusa João Azevedo de trair o projeto e as pessoas que ajudaram a elegê-lo para incorporar quem tentou derrotá-lo em 2018.

Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena estavam nessa lista?

Quanto valem as humilhações impostas ao Republicanos por Aguinaldo Ribeiro?

A fraqueza política de João Azevedo ficou evidenciada quando um grupo de parlamentares, todos de sua base de apoio, se juntou no Republicanos no ano da eleição para fortalecer a liderança do deputado federal Hugo Motta e se tornar um ponto de confronto com a estratégia do próprio governador.

O fortalecimento do Republicanos colocou uma questão logo de cara: por que esses deputados agiram para criar outro pólo político, onde se abrigaram, inclusive, parlamentares alinhados ao governador, como foram os casos de Wilson Filho e Raniery Paulino, só para citar os mais notórios. Essa ação serviu apenas para fragilizar o partido do governador, o PSB, que deve penar para fazer um deputado federal na próxima eleição.

Essa política deliberada tinha como alvo enfrentar enfraquecer o governador, e, de certa maneira, buscava enfrentar um outro movimento, do qual o governador era ao mesmo tempo partícipe e refém: o fortalecimento do Progressistas de Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena em aliança com João Azevedo.

A estratégia dos três pressupunha na eleição de 2022 um enfretamento com candidatos sem competitividade eleitoral (a fantasia do WO), já que não acreditavam no surgimento, sobretudo, da candidatura de Veneziano Vital, e tinham a inelegebilidade Ricardo Coutinho como fato consumado. A cooptação do PT estadual, via distribuição de cargos aos grupos de Anísio Maia e Frei Anastácio para formar maioria no Diretório Regional do partido, teria como consequência natural o apoio de Lula e do PT nacional, mesmo depois dos conflitos de 2020 na eleição de João Pessoa.

Enfim, o objetivo desse projeto de magalomania política era dar ares de fato consumado à reeleição de João Azevedo para que a chapa que estava em formação fosse resultado apenas de um acerto entre João Azevedo, Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena. A entrada de Ricardo Coutinho no PT, o lançamento da candidatura de Veneziano e o fortalecimento do Republicanos na base de João Azevedo colocaram água no chopp dos três.

Reflitamos juntos.

Por que as conversas com Romero Rodrigues para que o ex-prefeito de Campina Grande fosse o vice de João Azevedo não prosperaram? Teria Romero Rodrigues percebido que estava entrando numa arapuca, pouco tempo depois de iniciar a aproximação com João Azevedo, e isso explica porque pulou logo fora do barco?

Por que até hoje nenhum aceno mais claro foi feito a Adriano Galdino para ele ocupar a vaga de vice? E olhe que o presidente da Assembleia não cansou de se oferecer para disputar o cargo. Foi só quando entrou no Republicanos que Galdino se sentiu fortalecido para deixar de esperar que a vaga de vice caísse no seu colo e passou a reivindicar a vaga. Quebrando o paradigma dos últimos presidentes da Assembleia, Galdino lançou o irmão a deputado federal para ficar disponível para compor a chapa majoritária de João Azevedo. O sonho do presidente da Assembleia de ser candidato a vice-governador foi acalentado de tal maneira que o fez começar a preparar a filha para ocupar seu lugar no parlamento estadual.

Aguinaldo Ribeiro transformou o sonho de Adriano Galdino em pesadelo quando anunciou que, ao invés do Senador, ele iria indicar o vice de João Azevedo. Isso explica os maribondos que o presidente da Assembleia anda soltando pela boca contra o Progressistas sempre que tem oportunidade, recebendo como resposta outros impropérios.

Notem que o que o Progressistas disse Republicanos (e vice-versa) em qualquer lugar do mundo seria motivo para um rompimento politico. Vamos relembrar em destaque para percebermos a gravidade do que foi dito até agora:

13/06 – Enivaldo Ribeiro: “Vou te dizer uma coisa: [o Republicanos] não tem palavra, fica fazendo negociata, negociando por debaixo do pano sei lá como. Aguinaldo tem de ter é cuidado com esse povo!

17/06 Hugo Motta: “Estão premiando quem foi desleal e punindo quem foi leal”

19/06 – Adriano Galdino: “Aguinaldo Ribeiro é doutor em traição

20/06 – Aguinaldo Ribeiro: “Eu fico com vergonha para a população, por saber que tem político na Paraíba que trata disso, de balcão de negócios, para fazer acordo. Isto, eu tenho vergonha! ‘Só vou se você me der isso, me der aquilo’.”

Como o Republicanos vai subir no mesmo palanque onde estará Aguinaldo Ribeiro e o Progressistas?

A grande pergunta que emerge dessa narrativa de embates e passadas de perna é essa: depois de tanta humilhação, o Republicanos manterá o apoio a João Azevedo? Melhor dizendo: o Republicanos terá coragem de romper com o governo? 

Quantos empregos João Azevedo distribuiu com o partido? Certamente, muitos. Hugo Motta precisa deles para se eleger? Adriano Galdino depende dessas nomeações para eleger o irmão para a Câmara Federal? Wilson Santiago, também?

A resposta a essas perguntas nós saberemos em breve ou só no dia 5 de agosto? 

PROGRESSISTAS X REPUBLICANOS: João Azevedo diz que “decisão pessoal” de Aguinaldo Ribeiro sobre vice já é “ponto pacífico”

Notei um  diagnóstico comum a respeito da crise na base política de João Azevedo em pelo menos dois programas de política transmitidos a partir do meio-dia (Arapuan e Correio): o governador deixou ir longe demais os desarranjos políticos do seu governo e precisa restabelecer a ordem, mesmo à custa da perda do apoio do Republicanos – “para ganhar ou para perder”, foram os termos usados por Lázaro Farias, na Correio. 

Gutemberg Cardoso, na Arapuan, chegou a comparar o Republicanos ao Centrão no Congresso e ironizou suas lideranças dizendo que duvidava que o partido tivesse coragem de romper com o governo. 

Nos dois casos, a conclusão é de que a autoridade política de João Azevedo sofre uma rápida erosão e que, caso o governador não deixe claro que é ele quem dita os rumos da montagem da chapa majoritária, o barco governista pode afundar. E, se for o caso, o Republicanos será o braço a ser cortado.

Para desalento de muitos, entretanto, o governador continuou a agir balançando ao sabor das ondas provocadas por seus aliados em guerra. Numa entrevista concedida em Campina Grande, hoje (veja acima), o governador foi perguntado sobre a participação do Republicanos na chapa. Ele desconversou dizendo que iria discutir, mas adiantou que a nova opção de Aguinaldo Ribeiro, que trocou, unilateralmente, a indicação da vaga de senador pela indicação do vice, é “ponto pacífico, e essa não é uma questão mais a ser tratada“. Segundo João Azevedo, Aguinaldo tomou uma “decisão pessoal” e “decisão pessoal não se discute”, ou seja, o que Aguinaldo Ribeiro decidiu está decidido. E ponto final. Não adianta o Republicanos reclamarem.

Incapaz de mostrar qualquer firmeza na condução desse processo, João Azevedo deixou claro que não existe prazo para a resolução do impasse, apesar de estarmos a apenas 46 dias para o prazo final para a realização das Convenções partidárias, que é 5 de agosto, e cada dia que essa paralisia se prolonga, mais as inquietações aumentam. O medo e a covardia são mesmo paralisantes.

João Azevedo finalizou sua declaração lembrando que Hugo Motta tem “boa índole”, mas não vai aceitar “grito dos Republicanos” – esse direito está reservado só a Aguinaldo Ribeiro – e que saberá dizer não quando chegar a hora.

João Azevedo deu essas declarações ao lado – pasmem! – do patriarca da família Ribeiro, Enivaldo Ribeiro, que na semana passada disse que o Republicanos fazia “negociata” com João Azevedo. Aliás Enivaldo Ribeiro protagonizou, agira ao lado do governador, outra uma cena, dessa vez hilária e constrangedora ao mesmo tempo, ao se recusar a responder duas pergunta do jornalista Arimatéa Souza.

Veja:

Enfim, com já ficou óbvio, João Azevedo não cansa de oferecer demostrações de suas preferências de alianças. Na última sexta-feira, ele esteve à tarde com o vice-prefeito de Campina Grande, Lucas Ribeiro, em Areia, e à noite, dessa feita, em Bananeiras, com o próprio Aguinaldo Ribeiro. 

Com duas facas em cada lado do pescoço, a única coisa que João Azevedo deixou claro é que não tem a menor ideia de como sair da cova em que se meteu.

EM REUNIÃO NO SINTAB-CG, Agentes Comunitários de Saúde aplaudem saudação de Ricardo ao apoio de Veneziano à luta da categoria

Durante reunião no Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais do Agreste e da Borborema (Sintab), em homenagem à luta vitoriosa dos Agentes Comunitários de Saúde, o ex-governador Ricardo Coutinho saudou o apoio do Senador e pré-candidato a governador, Veneziano Vital, pela contribuição decisiva para a aprovação da PEC 120, que estabeleceu um piso salarial nacional, uma antiga reivindicação da categoria.

Veneziano, que também é vice-presidente do Senado, foi muito aplaudido pelo auditório, que estava lotado.

Veja:

Também participou do ato a presidente da CONACS (Confederação Nacional dos Agentes Comunitário de Saúde), Ilda Angélica Correia.

Além de um piso salarial nacional de dois salários mínimos (R$ 2.424,00), a PEC 120 prevê adicional de insalubridade e aposentadoria especial, devido aos riscos que envolvem o trabalho dos agentes, além de outros benefícios a serem criados pelos estados.

EM BANANEIRAS, só faltou João Azevedo dizer ao Republicanos: “a porta da rua é a serventia da casa”

Enquanto o caldeirão da crise na base política do João Azevedo borbulha sobre as brasas incandescentes dos ataques mútuos entre Progressistas e Republicanos, numa guerra declarada na qual a maneira mais amena de se referir ao adversário foi “traidor”, o governador esnobou novamente Hugo Motta e Adriano Galdino e, no fim de semana em Bananeiras, deu o braço a Aguinaldo Ribeiro e caiu forró – tudo bem que João Azevedo não tem a mesma desenvoltura de um Veneziano Vital como forrozeiro, mas deu pro gasto.

A atitude de João Azevedo expõe sem margem para dúvida de qual lado ele está nessa briga. Ao aparecer ao lado de Aguinaldo Ribeiro em meio aos bate-bocas públicos entre Progressistas e Republicanos, o governador só faltou dizer a Hugo Motta e Adriano Galdino, sem precisar de mensagens cifradas, que “a porta da rua é a serventia da casa”, e que, segundo a vontade dos Ribeiro, não há mais como os dois grupos conviverem no mesmo espaço.

E não há mesmo.

Só a fraqueza de um governador como João Azevedo permitiu que um partido aliado anunciasse apoio à candidatura de um oposicionista e ainda assim continuasse no governo.

Por outro lado, a decisão do Republicanos de apoiar Efraim Filho foi uma evidente reação ao peso desproporcional concedido por João Azevedo ao Progressistas nas definições da chapa, ao ponto de Aguinaldo Ribeiro escolher qual cargo seu partido indicará na futura chapa – note-se que não completou ainda uma semana o anúncio formal do apoio do Progressistas à candidatura de João Azevedo.

E nada índica que esse quadro vai mudar até as convenções partidárias e chegará o momento em que João Azevedo terá de optar entre um partido ou outro. O Republicanos vai esperar esse fatídico dia da desmoralização final chegar?

De toda maneira, no mesmo fim de semana em que João Azevedo dançava forró ao lado de Aguinaldo Ribeiro, o Republicanos continuou a reafirmar apoio à candidatura de Efraim Filho e a confrontar tanto o governador quanto o Progressistas, num cabo de guerra que só enfraquece o governador.

Veja as fotos em que Adriano Galdino e Efraim Filho postaram em suas redes sociais em resposta ao novo dono do governo.

JOÃO AZEVEDO NA COVA: da traição a Ricardo Coutinho à aliança com Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena

Como João Azevedo permitiu que seu grupo político mergulhasse na crise em que vive, hoje? Ontem, por exemplo, foi a vez do presidente da Assembleia, Adriano Galdino, colocou mais gasolina no incêndio que se alastra na base de apoio do governador.

Pode ser que não, mas notaram que Galdino fez questão de filmar sua declaração e depois publicizá-la? Ou seja, temos dois grupos políticos numa luta fraticida que não deixa margem para qualquer reconcialiação futura.

Falta ao governador autoridade? Liderança? Experiência política? Planejamento? Quadros para assessorá-lo capazes de contribuir com análises mais precisas de conjuntura e projeções de cenários? Talvez a combinação de dessas ausências de atributos consiga explicar o fracasso político e administrativo de João Azevedo. E sua previsível derrota na eleição que se aproxima.

E não se trata apenas de incompetência para governar e tomar decisões políticas. Outra característica pessoal do governador, revelada desde os primeiros dias do governo, é seu conservadorismo. É isso que explica por que, desde os primeiros dias de governo, João Azevedo optado por romper com Ricardo Coutinho, o principal responsável por colocá-lo na cadeira de governador.

Essa dúvida sobre a lealdade de João Azevedo ao projeto político liderado na Paraíba por Ricardo Coutinho começou a ganhar contornos de desconfiança ainda na campanha presidencial do segundo turno de 2018. Já vitorioso em primeiro turno, João Azevedo se recusou a discursar no comício em apoio a Fernando Haddad, organizado em João Pessoa por Ricardo Coutinho. Aquela recusa já começava a mostrar o caráter do governador eleito, sua covardia e falta de lealdade, o que certamente não passou despercebido para Haddad, Gleisi Hoffman e, claro, para Lula.

João Azevedo começou a se revelar por completo nas primeiras ações da Operação Calvário, que foi deslanchada na Paraíba, talvez não por acaso, com uma reportagem do Fantástico em que um assessor da ex-secretária Livânia Farias recebia, segundo ele disse em delação premiada, uma caixa de vinhos recheada de dinheiro. Detalhe fundamental: o dinheiro era para financiar a campanha de João Azevedo.

A senha estava dada. Três meses após tomar posse, o rompimento com Ricardo Coutinho já era dado como certo, principalmente por alguns jornalistas que chamavam João Azevedo durante a campanha pela jocosa alcunha de “poste”. Os mesmos que passaram, de uma hora para outra, a tratá-lo como um homem do “diálogo”. João Azevedo abandonou Ricardo Coutinho à própria sorte, principalmente para os inimigos na imprensa e na política dominados pelo ódio político e sequiosos por vingança.

Foi aí que começou a direitização do governo. Como eu já disse por aqui em mais de uma ocasião, não foi obra do acaso a escolha pelo partido Cidadania feita por João Azevedo quando ele resolveu sair do PSB. O passo seguinte foi João Azevedo pular de canoa para reencontrar o velho amigo Cícero Lucena, que já tinha sido convencido a voltar para a política, depois de uma curta aposentadoria, pelo também amigo Aguinaldo Ribeiro. Ambos tão conservadores quanto João Azevedo.

Agora, sim, depois de tantos anos, João Azevedo estava em casa, entre os seus. Inebriado pelo poder, cercado por bajuladores, João Azevedo certamente foi convencido de que adquirira uma liderança política que nunca teve, que fazia um governo melhor que o de Ricardo Coutinho, que poderia montar a chapa que quisesse em 2022 e seus aliados apenas abaixariam a cabeça, em concordância. Lembram da história de que João Azevedo venceria em 2022 por WO? Esse foi certamente o maior sinal de alheamento da realidade política que alguém já manifestou nas últimas décadas por aqui — a única vez em que isso aconteceu foi em 1998, porque a disputa real foi resolvida na convenção do PMDN entre José Maranhão e Ronaldo Cunha Lima. É nisso que dá acreditar nas projeções de puxa-sacos.

Por isso, os outros parceiros de 2018, os que permaneceram com o governador, foram tratados com desdém, desprezados pela soberba delirante, excluídos pela nova aliança com Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena na qual não existia espaço para mais ninguém além deles. Não se enganem, a soberba, a vaidade, a presunção é capaz de produzirem esse tipo de comportamento na política. Restaria a Efraim Filho, a Adriano Galdino, a Hugo Motta e Cia baterem palmas? Saber pela boca de Aguinaldo, como souberam, que não haverá lugar para eles na chapa dessa velha aliança?

A realidade fez os três acordarem quando o final de 2021 chegou e a eleição de 2022 entrou definitivamente na pauta dos partidos. E João Azevedo viu a oposição ganhar um tamanho incomum, considerando que na Paraíba as eleições sempre foram marcadas pela polarização política. E isso, por si só, sinaliza o quê? A inviabilidade eleitoral de João Azevedo, a fragilidade de sua base apoio, marcada pela absoluta ausência de uma liderança que lhe dê unidade e direção, e um governo sem realizações.

Após desistência de Aguinaldo Ribeiro, prefeito de Curral de Cima decide apoiar Ricardo Coutinho

O prefeito de São João de Curral de Cima, litoral Norte da Paraíba, Totó Ribeiro, anunciou apoio à candidatura de Ricardo Coutinho ao Senado. Ao lado da pré-candidata a deputada estadual Danielle do Vale, o prefeito concedeu entrevista à imprensa para explicar sua escolha. (Assista ao vídeo abaixo)

Ele disse que se espelhou muito no ex-governador para reconstruir Curral de Cima, da mesma maneira que “Ricardo reconstruiu a Paraíba”.

Totó Ribeiro esclareceu ainda que, depois desistência de Aguinaldo Ribeiro, com quem havia assumido compromisso, “jamais poderia deixar de votar em Ricardo.”

“Eu esperei até a última hora por Aguinaldo Ribeiro. Eu dizia sempre a ele: se Aguinaldo Ribeiro não for candidato, o senhor pode contar com meu apoio.”

O prefeito de Curral de Cima disse ainda que recebeu várias ligações de pessoas querendo seu apoio para Senador:

“Como eu já tinha dado a minha palavra, e minha palavra não cai, dinheiro não compra o voto de Totó Ribeiro, eu decidi, ontem, com minha família e meu grupo e decidi que meu senador ia ser ele.”

Ricardo Coutinho agradeceu o desprendimento de Totó Ribeiro.

“O que eu tenho a oferecer aos apoiadores de minha candidatura é minha história, meu trabalho como vereador e deputado, como prefeito e governador, minha trajetória de compromisso com o povo, principalmente com os mais pobres, das cidades esquecidas do nosso estado.”

Totó Ribeiro se junta ao prefeito do Congo, Romualdo Antônio Quirino Sousa, no apoio à candidatura de Ricardo Coutinho ao Senado.

Aguinaldo Ribeiro reafirma acordo com João Azevedo e diz que não vai se “submeter à provocação rasteira”

Antes de qualquer coisa, é preciso reconhecer a excelente cobertura que o rádio-jornalismo da Arapuan está fazendo sobre a crise na base do governador João Azevedo, sobretudo depois do anúncio da desistência de Aguinaldo Ribeiro de concorrer a única vaga de Senador na eleição de 2022.

Ontem, o programa do final da tarde (60 minutos), com Bruno Pereira e Fernando Braz, levou ao ar entrevistas com os três protagonistas principais dessa crise política, cujo resultado final pode ser a retirada de um dos dois grupos da aliança em apoio à reeleição de João Azevedo: João Azevedo, Aguinaldo Ribeiro e Hugo Motta.

Já registramos aqui o recuo de João Azevedo, que, desdizendo o que ele próprio já havia corroborado, afirmou não haver ainda acordo para que o Progressistas de Aguinaldo Ribeiro indicasse o vice em sua chapa. O problema é que alguns minutos antes, o próprio Aguinaldo Ribeiro reafirmou o que foi anunciado por ele na última quarta-feira, na frente de João Azevedo. Vamos relembrar esse momento.

E nós estaremos indicando o candidato a vice-governador ao lado do governador João Azevedo.

João Azevedo talvez estivesse em outro mundo, vendo um vídeo do Tik Tok, lendo mensagens do Whatsapp, pensando no que iria comer no almoço, ele só não pode dizer que não ouviu, já que estava a um metro de Aguinaldo Ribeiro quando o deputado anunciou o acordo, que, até o final da tarde de ontem, era dado como certo por ambas as partes.

Pois bem, Aguinaldo Ribeiro foi entrevistado ao vivo no mesmo programa e não só reafirmou o que há mais de dois dias vem repetindo – que o acordo com João Azevedo para o Progressistas indicar o candidato a vice havia sido firmado, – como tratou como provocação as declarações de Hugo Motta e Adriano Galdino – os únicos do partido, registre-se, que até agora tiveram coragem de peitar Aguinaldo Ribeiro.

Nós definimos com o governador pela vice“.

Não há como negar que Aguinaldo Ribeiro tem razão, e não acho que ele iria anunciar publicamente um acordo sem a concordância do seu principal interlocutor. Com a “sutileza” que é sua marca, João Azevedo disse uma coisa e, ato contínuo, fez outra. Ontem, o governador esteve em duas cidades distintas, porém próximas.

À tarde, participou de um evento político em Areia com o vice-prefeito de Campina Grande, Bruno Ribeiro, sobrinho de Aguinaldo e filho de Daniella Ribeiro, o nome mais cotado para ocupar a vaga de candidato a vice de João Azevedo.

À noite, foi a vez do governador posar para fotos na companhia do próprio Aguinaldo Ribeiro, na abertura do São João de Bananeiras. Não se vê sombra de ninguém do Republicanos.

Instagram do radialista Gutemberg Cardoso

Hugo Motta e Adriano Galdino pelo jeito vão ter de engolir o choro e encontrar logo um candidato a Senador. E torcerem para que Aguinaldinho aceite a indicação.

Do contrário, a porta da Granja Santana será a serventia da casa. Efraim Filho percebeu logo onde estava pisando e pulou fora dessa barco, cujos furos já são impossíveis de disfarçar.

João Azevedo volta atrás, desmente Aguinaldo e diz que vaga de vice está em aberto

Quando anunciou, na última quarta-feira, a decisão de desistir do Senado para ser candidato novamente a deputado federal, Aguinaldo Ribeiro aproveitou para anunciar, na presença de João Azevedo, um pacote: que o Progressistas indicaria o candidato a vice na chapa de reeleição do governador, ao invés do candidato a Senador.

Nas diversas entrevistas que concedeu depois de quarta-feira, Aguinaldo Ribeiro continuou repetindo os termos desse acordo, firmado, segundo ele, com o próprio João Azevedo em reunião na Granja Santana, antes dos dois partirem juntos, na companhia de Cícero Lucena, para a salão de festas anunciar a decisão.

A situação ficou tão óbvia que o Republicanos resolveu lançar uma nota protestando em razão do acordo que os excluía. O presidente da Assembleia, Adriano Galdino, reclamou do divisionismo que a presença da família Ribeiro provocou na base de João Azevedo.

João Azevedo chegou a criticar a posição do Republicanos. Disse que se reunia duas vezes por semana com representantes do partido, mas, pelo jeito, em nenhuma delas relatou a Hugo Motta e Cia o acordo que pretendia firmar com Aguinaldo Ribeiro.

A pressão do Republicanos parece que surtiu o efeito desejado. Em entrevista concedida ao programa 60 minutos, conduzido por Bruno Pereira e Fernando Braz, o governador aparentemente mudou de posição e disse que a indicação do seu candidato a vice não está resolvida, que será negociada com o Republicanos e o Progressistas e que, portanto, Aguinaldo Ribeiro estava mentindo ao dizer que já havia um acordo firmado para o PP indicar o candidato a vice-governador.

Assista:

João Azevedo é um desastre político completo. A sua incapacidade de tomar decisões sob pressão, de não mostrar capacidade de enfrentar interesses em conflito dos aliados políticos, os vai-e-vens recorrentes, a sua inconfiabilidade, mostram que o principal problema da aliança governista é o próprio governador.

Diante da primeira pressão, João Azevedo voltou atrás e desdisse tudo que seu principal aliado havia repetido como uma verdade até então incontestável.

Ganhar tempo com os Republicanos esperando a traição de Efraim Filho a Pedro Cunha Lima? Se for isso, o Republicanos continuará ao relento, já que Efraim pertence ao União Brasil. O Republicanos espera tirar o que puder de um governador frágil e sem palavra? Aguinaldo Ribeiro aceitará ser desmoralizado publicamente pelo governador?

O final de semana promete…

CAVANDO A PRÓPRIA COVA: João Azevedo assume a defesa de Aguinaldo e ataca Republicanos

Após a entrevista concedida ontem pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro, na qual atacou pesadamente o Republicanos, acusando o partido de jogo duplo e cobrando um posicionamento mais claro de apoio à reeleição de João Azevedo, Hugo Motta respondeu com uma nota emitida no início da noite de ontem.

O Republicanos deixou claro que não aceitará o jogo de cartas marcadas entre João Azevedo, Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena, que exclui o partido das definições sobre a chapa majoritária.

Por fim, o partido afirma que não admitirá ser punido por sua lealdade ao Governador João Azevedo, nem tomar conhecimento da formação da chapa pela imprensa, e aguarda, muito em breve, ser chamado para participar das discussões acerca da formação da chapa majoritária ao Governo Estadual.

Hoje, Aguinaldo Ribeiro reafirmou as críticas e chamou de “conversa mole” a postura do Republicanos de querer atravessar a eleição com os pés em das canoas.

Adriano Galdino resolveu entrar na briga e disse que o recém-chegado à base de apoio, Aguinaldo Ribeiro, além de impor condições, exigir a vaga de vice e quatro secretárias no governo João Azevedo, “esculhambou a base política” do governador. E insinuou que Aguinaldo Ribeiro mudou de planos por por medo de enfrentar Ricardo Coutinho. Adriano Galdino era candidato a candidato a vice-governador e vê esse pirulito ser roubado por Aguinaldo de sua boca.

João Azevedo, como sempre, ficou observando à distância o circo pegar fogo. Só próximo ao meio-dia de hoje, resolveu se manifestar em defesa de Aguinaldo Ribeiro, claro. Disse que a nota do Republicanos foi “infeliz”, e minimizou o fato de Aguinaldo Ribeiro desistir de ser candidato a deputado federal para indicar a vaga de vice em sua chapa, vaga que, há meses, era reivindicada pelo Republicanos.

A cada episódio dessa confusão, mais uma pá de terra é cavada pelo governador João Azevedo, que virou refém de Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena. Foi nessa cova em o governador se enfiou.