DELAÇÃO PREMIADA Léo Pinheiro mentiu, incriminou Lula e escapou da prisão

Quem acompanhou as estripulias do juiz Sérgio Moro e dos procuradores da Lava Jato sabe do que eles foram capazes para incriminar Lula e condená-lo à prisão para exclui-lo da eleição de 2018.

Se o Brasil apenas desconfiava das intenções políticas da Lava Jato, passou a ter certeza quando vieram a público as relevações do site The Intercept Brasil sobre diálogos nada republicanos, nada dignos de quem senta na cadeira de juiz ou ocupar o lugar de membros do Ministério Público.

Mais ainda. Sabe que o que é capaz de dizer um delator trancafiado numa prisão brasileira. Esse foi o caso de Léo Pinheiro, o executivo da OAS cuja delação a única prova usada por Sérgio Moro para condenar p ex-presidente Lula.

Como as mensagens reveladas pelo The Intercept e pela Folha de São Paulo mostraram, Léo Pinheiro era visto com desconfiança pela Lava Jato e negociou por mais de um ano os termos de sua delação.

Segundo reportagem da Folha, o relato de Léo Pinheiro só foi aceito quando ele finalmente relacionou o tal apartamento triplex de Guarujá ao ex-presidente Lula.

Em março de 2016, os procuradores da Lava Jato tratavam assim o possível acordo com Léo Pinheiro.

Em julho do ano seguinte, Léo Pinheiro mudou a versão, incriminou Lula, e tudo se encaminhou para que a delação do ex-presidente da OAS finalmente fosse aceita pelos procuradores da Lava Jato.

Notem abaixo o que escreveu Deltan Dallagnol, uma das referências morais do coordenador do Gaeco na Paraíba, Octávio Paulo Neto. Dallagnol fala em “timming”, ou seja, no melhor momento para fechar o acordo com Léo Pinheiro, para não “parecer um prêmio pela condenação do Lula”.

Apesar do acordo de delação premiada só ter sido assinado pela PGR em dezembro de 2018, os termos da delação foram usados como principal prova no processo em que o então juiz Sérgio Moro condenou Lula à prisão – Moro foi bem premiado e hoje é ministro da Justiça do maior beneficiário do seu ato, Jair Bolsonaro.

E tem mais mais. Um ano depois de assinado o acordo, o Edson Fachin homologou o acordo, mas antes determinou o arquivamento dos trechos da delação de Léo Pinheiro que mencionavam o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do irmão do atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, José Ticiano Dias Toffoli.

Ou seja, Léo Pinheiro mentiu também nesses casos, mas só foram considerados verdadeiros os trechos em que ele se refere a Lula.

Léo Pinheiro que estava condenado a mais de 20 anos de prisão, hoje vive em prisão domiciliar.

Bom, né?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

Um comentário em “DELAÇÃO PREMIADA Léo Pinheiro mentiu, incriminou Lula e escapou da prisão

  1. Muito bom o trabalho, valeu a pena ler
    Parabéns. Nós merecemos trabalhos como estes.

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