Calvário: a Paraíba tem seu Sérgio Moro e seu Deltan Dallagnol?

Quem diz que o desembargador Ricardo Vital e o procurador Octávio Paulo Neto são o “Moro e o Dallagnol da Paraíba” é parte da imprensa que apoia a Operação Calvário.

A imagem abaixo é um print de um publicação que o jornalista Helder Mouro postou em seu blog.

No texto, Helder Moura diz que o desembargador Ricardo Vital  “já arbitrou várias prisões, entre as quais Leandro Nunes Azevedo e Livânia Farias” – os dois resolveram fazer delações premiadas, todos a pedido do procurador Octávio Paulo Neto, que, segundo o jornalista, “faz parte de uma nova geração de promotores e procuradores de Justiça, com uma nova visão sobre o papel do Ministério Público“. Ele não explicou que visão, mas os últimos acontecimentos falam por si.

Como as semelhanças de método são realmente gritantes entre os juízes e procuradores que comandam as Operações Lava Jato e Calvário (Sérgio Moro/Ricardo Vital e Deltan Dallagnol/Octávio Paulo Neto), Helder Moura não ao que para ele é um elogio:

“Nos bastidores, já há quem esteja chamando Ricardo e Octávio [que intimidade!] como sendo “o Moro e o Dallagnol da Paraíba”. Referências ao ex-juiz Sérgio Moro e ao procurador Delton Dallagnol, os principais ‘cabeças’ da Lava Jato, a mais bem-sucedida operação de combate à corrupção no País.”

Notem quem virou lugar-comum colocar juiz e procurador no mesmo time acusatório, quando, na realidade, o juiz deveria ser apenas… juiz!

Ou seja, julgar a partir das provas apresentadas no processo pelas parte, no caso o Ministério Público e os advogados de defesa.

Foi exatamente assim que o então juiz Sério Moro e hoje ministro de Jair Bolsonaro se comportou: fazendo dobradinha, atuando em conjunto, orientando e combinando ações, definindo o timing da com o procurador Deltan Dallagnol.

Se Roberto Vital e Octávio Paulo Neto são, respectivamente, as versões paraibanas de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, Ricardo Coutinho e todos os que foram recentemente acusados na Operação Calvário não terão a menor chance de defesa.

Aliás, já não estão tendo.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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