Folha mostra que querem fragilizar Ricardo Coutinho para isolarem Lula

O jornal Folha de São Paulo publicou hoje extensa matéria sobre os impactos da Operação Calvário na liderança de Ricardo Coutinho com articulador da esquerda brasileira e, sobretudo, dentro do PSB, e como isso pode afetar a relação com Lula e o PT.

Segundo a matéria, a “avalanche” de acusações da Operação Calvário contra Ricardo Coutinho “afeta as articulações eleitorais no campo da esquerda por atingir em cheio o principal elo entre o PT e o PSB,” que é o ex-governador da Paraíba.

Além disso, o JORNALISTA João Valadares, que aponta Ricardo como “fiel escudeiro” do ex-presidente Lula, lembra que o ex-governador da Paraíba, por exemplo, foi “voz dissonante”, em 2014, quando “a grande maioria da sigla decidiu apoiar Aécio Neves, do PSDB” e em 2016, quando decidiu “apoiar o impeachment de Dilma Rousseff”.

Ricardo apoiou Dilma, em 2014, e foi uma voz corajosa contra o impeachment. Ele paga hoje por essa ousadia de confrontar o sistema? Quem sabe…

E quem acompanha política no Brasil deve lembrar, também, que um dos motivos que levaram RC a ficar no governo foi evitar que Ciro Gomes recebesse de bandeja o apoio de uma governadora, no caso Lígia Feliciano, do PDT, partido de Ciro Gomes, que assumiria o cargo caso Coutinho tivesse renunciado para se candidatar ao Senado.

A matéria lembra ainda que em breve as cortes mais altas da Justiça brasileira (STJ e STF) devem analisar o habeas corpus concedido pelo ministro Napoleão Nunes Maia, do STJ, contra a prisão ilegal do ex-governador, como ele demonstrou ser em sua decisão, que foi atacado violentamente pela “nossa” imprensa.

O que demonstra que, se a busca da Justiça for a verdade e não a busca de uma condenação antecipada, a morte política de Ricardo Coutinho, o ex-governador não tem, até agora, com o que se preocupar.

Superado esse momento onde existe uma clara campanha dos seus adversários na mídia, na política, para que ele volte à prisão, o presente de natal que eles já comemoravam por antecipação, o ex-governador certamente estará de volta à política, e isso é o que aterroriza seus adversários.

Abaixo da foto do ministro Napoleão, Gilvan Freire escreveu o seguinte: “É preciso estourar os tumores do Judiciário, retirar o pus e eliminar os micróbios e bactérias. “No quinto parágrafo do texto, publicado pelo site Polêmica Paraíba, o ex-deputado cassista e advogado, como um menino birrento, diz “E no Judiciário, em seu topo, oscilando entre muitos juízes honestos [Sérgio Moro, por óbvio] e os expoentes influentes da criminalidade togada, todos vão se tolerando para que o crime triunfe sobre a lei e os processos sejam negócios mercantis em favor dos transgressores e seus ramos parentais.” Quem acha que essa turma está interessada em lutar contra a corrupção é porque decididamente não conhece nossa imprensa.

A Folha lembra que RC foi um dos principais “protagonista da política paraibana nos últimos 16 anos” e seu “enfraquecimento” tenta criar “obstáculos para Lula nas articulações com o PSB”.

Ou seja, a intenção dos ataques a Ricardo tem dois objetivos: primeiro, abrir caminho para lideranças conservadoras nas disputas de 2016 pela Prefeitura de João Pessoa (eu não descarto nem a candidatura de alguém do Ministério Público), e isolar o ex-presidente Lula dentro da esquerda, já que ele sempre foi o adversário a ser batido por setores da política e da justiça brasileiras.

Com Ricardo Coutinho “fragilizado” pretende-se que novos articuladores ganhem relevância dentro do PSB, os mesmos que conduziram o partido para os braços de Aécio Neves, em 2014. São esses setores que querem fragilizar RC dentro do PSB, sobretudo junto à ala majoritária de Pernambuco.

Enfim, as eleições na Paraíba e no Brasil demonstram isso: com Lula candidato, Jair Bolsonaro jamais teria sido eleito presidente; com Ricardo Coutinho candidato a prefeito de João Pessoa, a eleição já estaria resolvida por antecipação, como mostravam todas as pesquisas.

Portanto, assim como a de Lula, a liderança de Ricardo Coutinho precisava ser destruída. E o quanto antes.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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