Advogado demonstra que ilegalidades e seletividade da Calvário podem levar à sua anulação

Quem viu ontem o programa Conexão Master presenciou uma das raras e isentas apreciações jurídicas sobre os métodos da chamada Operação Calvário na nossa imprensa.

Quem estava acostumado, como eu, ao tribunal da inquisição que faz suas transmissões ao vivo todos os dias, a prazo e à prestação, deve ter se surpreendido com a intervenção de um dos convidados do programa, o advogado Inácio Queiroz.

Entre outras ilegalidades, Queiroz tratou dos vazamentos seletivos de techos escolhidos a dedo cujo objetivo não é outro, senão “execrar a imagem de Ricardo Coutinho”, isso a partir unicamente da simples denúncia de investigados.

– Por que a defesa não teve acesso até agora às delações? pergunta o advogado.

O conteúdo das delações já havia sido requerido pela defesa, mas, como lembrou Inácio Queiroz, o peograma Fantástico, da Rede Globo, tornou pública parte delas antes que qualquer advogado dos investigados tivesse conhecimento do elas continham.

O que pode, segundo o advogado, pode ensejar a anulação das delações. Se isso acontecer, completou, a Operação Calvário simplesmente acaba por ser baseada até agora unicamente em delações.

– Delação não é prova, é meio para obter prova – enfatizou. – E o que sustenta a Calvário, hoje? Delações.

Vejam o absurdo da situação. Enquanto trechos circulam pela imprensa e são exibidos em programas de rádio e TV, a defesa do ex-governador Ricardo Coutinho é obrigada a recorrer ao STF para ter acesso ao conteúdo delas.

Segundo Queiroz, ainda no julgamento do habeas corpus essas delações podem ser anuladas, assim como, em 140 dias, todo o processo, tendo em vista as ilegalidades evidentes cometidas ao longo dele.

Enfim, ao que parece, a razão vai se sobrepondo ao poucos nesses debates da Calvário. E muitas vozes começam a se erguer para denunciar suas arbitrariedades.

Veja abaixo a participação do advogado Inácio Queiroz no peograma Conexão Master de ontem.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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