GOLPE EM BAYUEX: Por que deixaram pra depor Berg Lima no ano da eleição?

Não conheço a fundo a política de Bayeux, muito menos o prefeito da cidade, Berg Lima, aquele que foi filmado recebendo pessoalmente dinheiro de um empresário para liberar crédito que ele, o empresário, tinha a receber por serviços já prestados à prefeitura.

É um caso típico de corrupção e o vídeo acima mostra não haver dúvidas quanto a isso.

Questionável, entretanto, nesse caso, foi a decisão do Gaeco – olha ele aí de novo – de pedir a prisão “provisória” e o afastamento do prefeito do cargo.

É bom lembrar que o Gaeco investiga crimes que envolve formação de quadrilha, o que nunca ficou demonstrado no processo que envolve o atual prefeito de Bayeux – ele inclusive aparece sozinho no vídeo, – o que foi revertido pela 6ª Turma do STJ quando votou o pedido de habeas corpus e determinou a soltura de Berg Lima depois de mais de quatro meses de prisão.

Mesmo solto, Berg Lima só reassumiria o cargo um ano depois. Ou seja, ele permaneceu um ano e cinco meses longe da prefeitura como medida cautelar para impedir que ele interferisse nas investigações. Mesmo assim, Berg Lima só voltou ao cargo por conta de uma liminar desembargador Marcos Cavalcanti de Albuquerque, do Tribunal de Justiça da Paraíba.

Alguém sabe informar o resultado dessas investigações?

O fato é que enquanto Berg Lima permaneceu preso, a cidade foi jogada em um verdadeiro caos administrativo, o que também aconteceu na cidade de Patos, onde o prefeito legitimamente eleito, Dinaldo Wanderley, foi afastado do cargo, ao que parece, indefinidamente. Desde agosto de 2018, a prefeitura da capital do sertão é governada por prefeitos interinos.

Se um prefeito é afastado do cargo para não atrapalhar as investigações, o que é correto, essas investigações devem ter um prazo para serem realizadas, inclusive em nome do bom funcionamento administrativo da cidade. Do contrário, o Ministério Público e a Justiça é que passam a ser a fonte de legitimidade do poder municipal, e sem que os munícipes encontrem vantagens nisso.

Na prática, essas medidas cautelares se prestam, ao que parece, a apenas subverter a vontade popular, muitas vezes deixando no lugar do prefeito afastado políticos de questionável idoneidade moral.

Como aconteceu, inclusive, no caso de Bayeux, onde o vice-prefeito de Berg Lima que assumiu o cargo no lugar do titular, Luiz Antônio, do PSDB e ligado ao deputado federal Ruy Carneiro, também foi filmado (veja abaixo) pedindo dinheiro a um empresário para tornar público o vídeo em que Lima recebe propina.

Transcrevo abaixo trechos desses edificantes diálogos:

Sobre o interesse do PSDB em passar a controlar a prefeitura de Bayeux:

Luiz Antônio: Homi, a ideia é estourar, porque quando estourar o
Ministério Público vai ter que bater em cima
, vai ter que responder
ao Ministério Público. Eu tô achando que o Governador tá
segurando.

Empresário: Governador? Segurando ele lá? Sim, para não ir para o…

Luiz Antônio: Para o PSDB. É uma ideia não é?

Sobre os vínculos de Luiz Antônio com Rui Carneiro, deputado federal do PSDB:

Luiz Antônio: Deixa eu lhe dizer, oh, com isso aqui, o negócio vai ser grande, eu disse a Rui [Carneiro]… até o tio de Berg que foi candidato a vereador, Carlos, me chamou para almoçar ontem, fui almoçar com ele ontem, provavelmente ele não sabe no que tá tramitando. Disse olhe: “quero votar em você para Estadual e votar em Rui para Federal”, disse: “como é que é o negócio”? “não, não quero nada”. Meu filho trabalha como engenheiro e lá na frente eu quero só que
Rui arrume uma vaguinha para ele em Santa Rita [o prefeito de Santa Rita, Panta, é também ligado a Rui Carneiro.]

Sobre como comprar o apoio da mídia:

Luiz Antônio: Aí os caba da mídia, sabe quanto é que um caba desse de Portal quer? Para poder republicar matéria? É mil conto ‘porra’! Já pensasse, tem dezesseis portais em Bayeux, aí tem uma TV Cabo Branco, uma TV Tambaú que é uma porrada de dinheiro. Que a turma fala em dois dígitos. Tá doido. A turma fala, dois dígitos. Pelo amor de Deus, não existe um negócio desse não, é cinquenta ali, é cinco para ali, cinco par ali, cinco para ali, meu amigo é por isso queÉ por fora! Como é que vai dar dinheiro por fora? Como é que o gestor arruma tanto dinheiro por fora? É difícil, deixe eu ir.

Entenderam?

Imprensa calvariana moblizada para depor Berg Lima

As imagens abaixo são prints de alguns blog de João Pessoa. Todos unanimante jogam no time daqueles que querem depor o prefeito de Bayeux para colocar em seu lugar o atual presidente da Câmara de Vereadores, Jeferson Quita.

A intenção parece óbvia: constranger o vereadores da base de apoio de Berg Lima. Pura chantagem política!

A estratégia para Bayeux é a mesma que levou Vitor Hugo, um obscuro vereador do baixo clero de Cabedelo, a assumir a prefeitura da cidade.

E Vitor Hugo também foi citado nos mesmos esquemas que levaram o ex-prefeito Leto Viana e vários vereadores à cadeia – Victor Hugo era da base de Leto Viana, – mas, não se sabe o motivo, o vereador não apenas foi poupado, como assumiu o cargo de Leto Viana.

Ele concorreu à prefeitura ocupando o cargo de prefeito e é, hoje, o atual prefeito da cidade de Cabedelo. Bom, né?

No caso de Bayeux, a situação é ainda mais esdrúxula. O atual presidente da Câmara agiu por duas vezes para impedir, vejam só, que Berg Lima fosse cassado sob acusação de receber propina.

Agora, Kita deseja cassar o mandato de Berg Lima sob um pretexto ridículo: o prefeito passou a pagar adicional noturno a guardas municipais.

Não fosse a intervenção do STJ, o desfecho planejado para tomar a prefeitura de Bayeux talvez tivesse sido o mesmo do de Cabedelo. Mas, Berg Lima voltou ao cargo e frustrou o plano.

A menos de 10 meses da eleição, o mais adequado e racional seria esperar pela eleição para que o povo expresse sua vontade, mas o presidente da Câmara de Bayeux, com o apoio dos golpistas de sempre na imprensa e do submundo da política, está com pressa e se prepara para o bote final.

Como Berg Lima sobreviveu até agora não se sabe como, vamos ver ser ele tem uma carta na manga.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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