API virou puxadinho da Secom?

Em 5 de junho de 2018, há menos de dois anos, o jornalista Sílvio Osias publicou em seu blog no Jornal da Paraíba um artigo cujo título trazia uma pergunta retórica carregada de ironia : A Associação Paraibana de Imprensa serve mesmo para quê?”

Sílvio Osias enumera em seu texto inúmeros episódios que demonstram, por si só, a relevância política e social que a API teve no passado, em geral ao lado das grandes causas do país.

O que quero dizer, resume Osias, é que a entidade representativa da imprensa dialogava com a sociedade. Recebia pessoas ilustres. Desempenhava um papel importante. Exibia filmes. Promovia debates. Tinha portas abertas

A API era “parte significativa na formação da nossa consciência crítica”.

Não é mais.

Hoje, uma nota da API me fez relembrar desse passado glorioso que, pelo menos nos anos finais, eu também presenciei. A referida nota, infelizmente, não representa um esforço de retomada nesses anos bolsonaristas de ameaça às liberdades democráticas, entre elas a de imprensa.

Pelo contrário, a nota da API não apenas reforça ainda mais o contraste temporal que Sílvio Osias mencionou em seu artigo, como expõe, de forma crua e patética, a que foi reduzida uma das mais importantes entidades da sociedade civil paraibana.

A nota é uma defesa de Nonato Bandeira e um ataque contra o grupo de deputados estaduais que acusou Secretário de Comunicação da Paraíba de usar o gigantesco orçamento da Secom para financiar blogs e sites com a intenção de difamá-los, o que é de uma gravidade sem tamanho, sobretudo quando as fake news ameaçam o jornalismo, o que é agravado pelo uso de recursos públicos.

Aliás, esses mesmos blogueiros têm o costume de atacar também outros jornalistas, como Tião Lucena, que nunca teve uma linha sequer de solidariedade do presidente da API, João Pinto.

E é bom dizer que Nonato Bandeira não foi criticado na condição de jornalista. E por um motivo muito simples. Há mais de 15 anos, Bandeira não entra numa redação ou empresa de comunicação como profissional de jornalismo. As vezes que visitou esses ambientes nesses últimos anos ou o fez na condição de agente público, como secretário, ou de agente político, já que, por muitos anos, ele foi presidente estadual do PPS, hoje Cidadania.

Ora, se as críticas a Nonato Bandeira não foram dirigidas ao jornalista, mas ao secretário, então, o que motivou a API a se meter nessa briga política?

Exibir ao mundo que se tornou um “puxadinho da Secom“?

Ou tem mais caroço nesse angu que o G11 ainda não sabe?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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