De olho no calendário eleitoral, jornalista campinense recomenda pressa ao Gaeco e a Ricardo Vital

Nenhum texto publicado até agora na nossa imprensa teve o didatismo de mostrar à chamada opinião pública o verdadeiro objetivo da Operação Calvário.

Quem lê o título imagina logo que ali está antecipado o conteúdo do artigo (A estratégia de Ricardo que pode torná-lo prefeito de João Pessoa), mas o inusitado, entretanto, é que o autor, um certo Júnior Gurgel, jornalista de Campina Grande, ao invés de expor a estratégia do ex-governador, expõe, na verdade, a estratégia dos adversários políticos de Ricardo Coutinho, na qual o Gaego, coordenado pelo promotor e membro da Procuradoria Geral da República, Octávio Paulo Neto, e o desembargador Ricardo Vital são considerados peças-chave.

Bem se vê que Jr. Gurgel está com pressa e recomenda pressa. Ele começa o texto dizendo, do alto do conhecimento que parece ter dos detalhes sigilosos da Operação Calvário, que “já não existe mais o que se delatar” no processo contra Ricardo Coutinho. Segundo ele, o GAECO-PB ainda não alcançou “à [sic] estratégia dos advogados de Ricardo Coutinho, e onde [sic] pretendem chegar, quando exibirem troféu de uma vitória, debaixo do nariz do Poder Judiciário da Paraíba” [?]. O raciocínio é tortuoso, mas não impede que as intenções seguintes do autor sejam compreendidas.

Notem que a preocupação não é com o processo em si, sobretudo com a comprovação dos fatos apontados, mas com os prazos. Segundo o jornalista, “o processo se arrasta” – engraçado é que o processo, para citar apenas um deles, o do chamado dinheiro voador, que se arrasta, esse sim, há 14 anos sem que o ex-senador Cassio Cunha Lima, obviamente por ser tucano, tenha sido apontado sequer como réu. Esse processo nunca mereceu dos nossos preocupados jornalistas uma única mísera linha de protesto sobre a morosidade da nossa “justiça”.

E a pressa desse senhor é tanta que ele esqueceu de conferir que, a rigor, sequer existe um “processo”, porque o que tivemos até agora, no caso de Ricardo Coutinho, foi a denúncia do MPPB, que, registre-se, ainda não foi aceita, apesar de restarem poucas dúvidas de que será, em razão dos procedimentos adotados até agora pelo desembargador Ricardo Vital.

Do alto de sua sapiência jurídica, Jr Gurgel defende que tudo seja deixado de lado em nome da celeridade processual, inclusive a busca de novas delações ou mesmo – heresia das heresias! – o retorno à prisão do ex-governador, como se um procedimento atrasasse o outro.

Foco, Gaeco, Foco! É a recomendação do douto jornalista. Segundo ele, as delações que “existem são suficientes para um século de cadeia” – mas, mal sabe ele que, segundo jurisprudência firmada nas Cortes Superiores, delação sem a devida produção de provas não podem justificar condenação.

É tão grande o desespero para que RC seja condenado antes da eleição, para alcançar o objetivo insofismável de inviabilizar a candidatura do ex-governador à Prefeitura de João Pessoa, assim como Moro e Dallagnol fizeram para impedir a de Lula à Presidência, que o jornalista campinense questiona se a estratégia do MPPB não está beneficiando Ricardo Coutinho:  ou o Gaeco está ‘fazendo o jogo’ do ex-governador, ou mordeu “a ‘isca’ de seus advogados?”

Não deixa de ser proveitoso para a sociedade que jornalistas exponham, de forma tão crua, o que está por trás de Operações como a Calvário e seus objetivos políticos, cada vez mais evidentes.

E quando se fala de Justiça no Brasil, normalmente somos levados a pensar no quanto ela é vagarosa, o que não parece ser, nem de longe, o caso da Operação Calvário, assim como a Lava Lato não foi para Lula – no caso do ex-presidente, em menos de um ano ele foi denunciado e condenado, o que fugiu a todos os padrões de celeridade de nossa “Justiça”. Enfim, quando interessa, a Justiça é rápida no gatilho!

E a pressa que Jr. Gurgel deseja para a Calvário. Como ele tem como certa a condenação de Ricardo Coutinho, o melhor mesmo é que, tanto o promotor Octávio Paulo Neto quanto o desembargador Ricardo Vital corram, de olho no calendário (o eleitoral):

“Chegamos ao mês de fevereiro (2020). Em Junho, se inicia o período eleitoral. É exatamente esta oportunidade que Ricardo Coutinho aguarda para sair pela porta da frente, sem fugir da Justiça.”

Que desespero danado! Como essa gente gostaria de parar o tempo! Se RC não for condenado até lá, para o desespero de Jr. Gurgel e sua turma, RC “será candidato a Prefeito de João Pessoa e tudo irá por água abaixo!”

A grande notícia que o “jornalista” – ou ele seria assessor de algum político? – espera receber até lá é: o “processo está concluso para julgamento”.

“Aí, a expectativa seria não pelos anos de cadeia de seus prováveis condenados mas, pela inelegibilidade de Ricardo Coutinho no pleito que começa em 130 dias.”

Precisa dizer mais alguma coisa?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

Um comentário em “De olho no calendário eleitoral, jornalista campinense recomenda pressa ao Gaeco e a Ricardo Vital

  1. Se Ricardo for prefeito de João Pessoa, será porque a população pessoense quer e não por manobra política como muitos dos seus adversários políticos estão pensando em fazer para impedi-lo.

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