Nesse dia 8 de março não dê flores às mulheres, perfile-se ao lado delas por igualdade

Talvez o dia 8 de março seja o único dia em que um homem não deva oferecer flores, nem dá parabéns, nem fazer qualquer saudação protocolar às mulheres.

8 de março é dia de lembrar. De lembrar junto com as mulheres e em apoio a elas o motivo pelo qual esse dia existe.

De lembrar que a mulher conquistou diretos civis, ou seja, começou a ser tratada como uma cidadã, faz pouco mais de 100 anos, isso se considerarmos que o primeiro país a permitir que suas mulheres votassem foi a Nova Zelândia, em 1892 – em muitos países ocidentais, como a França (1945), a mulher começou a votar depois da Segunda Guerra Mundial.

Décadas depois, as mulheres ainda continuam subrrepresentadas nos parlamentos, nos poderes executivos e na Justiça, espaços ainda muito, muito predominantemente masculinos.

A cada 8 de março, portanto, devemos continuar a lembrar que, também não faz muito, as mulheres não tinham lugar nem no mercado de trabalho, sobretudo nos postos de comando de empresas privadas, mas também no serviço público.

E, hoje, apesar dos grandes avanços, elas ganham, em média, no Brasil, 20% a menos que os homens, exercendo as mesmíssimas funções.

Além disso, as mulheres continuam a ser mortas unicamente por sua condição de gênero, unicamente por serem mulheres, porque, para muitos homens, mulher é objeto e deve ser tratada como uma propriedade qualquer. Logo, no seu reacionarismo de macho, julgam manter sua propriedade com as armas do covarde, preferindo desfazer do que julgam ser seu a perdê-la.

É doloroso saber que muitas mulheres, dando ouvidos às pregações de homens temerosos de perder a condição de seus donos ou arranjarem concorrentes à altura, defendem a manutenção dessa desigualdade como se fosse a vontade de Deus.

Portanto, ontem foi dia de lembrarmos das mulheres que ainda vivem subjulgadas, das mulheres que não podem ter a oportunidade de ver suas qualidades individuais florescerem, de que devemos nos perfilar não ao lado das vítimas das violências cotidianas, físicas e morais, e não dos agressores covardes

E lembre-se, por fim, que você que é mulher pode não ser feminista,

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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