Coronavírus: João Azevedo mostra que no seu governo falta planejamento e sobra incompetência

Quando a fica evidente que temos um governo desorientado, que não sabe o que fazer diante de uma crise de graves proporções porque claramente não se preparou para ele, a sociedade civil se vê na responsabilidade de atropelar esse governo para se defender e fazer aquilo que seria responsabilidade do governo fazer.

A Sociedade Paraibana de Pediatria recomendou hoje o fechamento imediato das escolas e creches públicas e privadas da Paraíba. Segundo nota que distribuiu o objetivo é frear o aumento significativo dos casos de coronavírus que se espalham pelo país.

Como o governador não tomou a iniciativa, deixando para fazer o anúncio em entrevista coletiva, o que aconteceu apenas agora a pouco (11h). Talvez João Azevedo, como tecnocrata que sempre foi, não tenha ainda se apercebido da gravidade do problema nem do seu papel como governador.

Como mostramos ontem, o governo da Paraíba não se preparou para a crise que há meses se anunciava, mesmo com os alertas vindos de várias partes do mundo. O governo estadual nem sequer se mostrou em condições de atender a demanda por exames, mesmo naquelas pessoais potencialmente expostas ao vírus e, portanto, com grande capacidade de transmiti-lo.

Faltou planejamento, sobrou incompetência.

Nem mesmos os laboratórios privados foram fiscalizados. Era também óbvio que a demanda entre os usuários de planos de saúde seria crescente, porque seus usuários eram os que se exporiam mais ao vírus, já que são eles que apresentam mais condições financeiras de viajarem para o exterior (Europa, EUA e China).

Dois dos maiores laboratórios privados da Paraíba (Rosenne Dore e Maurílio de Almeida) comunicaram a suspensão dos serviços em razão de não dispõem do reagente para a realização dos exames para detecção da Covid-19.

A Paraíba se ressente como nunca de um governador que seja capaz não apenas de liderar sua equipe, mas de se antecipar ao problemas e planejar ações preventivas e de combate direto quando o problema assumir a gravidade que inevitavelmente terá.

Entrevista: João Azevedo não sabe o que fazer

A incapacidade do governo ficou ainda mais evidenciada nos anúncios feitos por João Azevedo durante a entrevista coletiva que ele concedeu, hoje, em João Pessoa, ao lado do secretário de Saúde, Geraldo Medeiros.

Por incrível que pareça, os paraibanos não conheceram um plano de enfrentamento à Covid-19.

Fora as iniciativas protocolares, algumas de amplo conhecimento da população, nada foi dito, por exemplo, sobre a ampliação do atendimento hospitalar, nem sobre a capacidade instalada de equipamentos que o governo mobilizou para enfrentar essa situação.

O governador também não deu garantias de que os testes para detecção da doença serão realizados, nem mesmo para os que potencialmente foram expostos ao vírus.

Nada também foi anunciado a respeito da cobertura social de populações vulneráveis. A população carcerária foi esquecida.

Existiu ou existe algum programa de treinamento para os profissionais de saúde para o enfrentamento de uma situação absolutamente nova? Cuidados e equipamentos de proteção para esses profissionais? Ninguém sabe.

Além disso, o governador não proibiu expressamente, nem sob o argumento da garantia da ordem pública, as aglomerações em eventos privados, apenas nas iniciativas do governo estadual. Os eventos privados já marcados vão acontecer?

E o mais grave. Nada foi dito sobre expansão de UTIs nem de disponibilização de respiradores para atender aos que serão mais gravemente afetados pela COVID-19.

Num quadro grave como o que se apresenta, a presença da vice-govetnadora, Lígia Feliciano, que é médica, acabou se manifestando como um rasgo de esperança. Lígia foi corajosa e generosamente se apresentou ao lado de João Azevedo em um momento tão delicado.

Ao ver Lígia, constatei que até agora ela demonstrou não ter, nem de longe, a vaidade tola do governador. Confesso que foi inevitável imaginar que eu me sentiria muito mais seguro, diante da manifesta demonstração de incompetência do governador e do seu governo, se à vice-govetnadora fosse entregue o comando da estruturação e combate à Covid-19 na Paraíba.

A Paraíba ficaria mais aliviada.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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