Coronavírus: leitos de UTI da rede estadual cresceram 262% na administração de Ricardo Coutinho

A Covid-19 é uma doença respiratória. Na maior parte dos casos, quem tiver contanto com o coronavírus desenvolverá sintomas leves semelhantes à uma gripe comum ou nem sintoma desenvolverá.

Diferente de outros vírus, entretanto, o coronavírus tem muita facilidade para ser transmitido. Ou seja, ele se espalha com muita rapidez e tende a atingir um grande número de pessoas. Os casos mais graves, aqueles que levaram à morte até agora de mais de 7 mil pessoas pelo mundo (leia mais aqui), entre os 170 mil casos já confirmados, desenvolveram graves problemas respiratórios e precisaram de UTIs. Ou seja, dispor de UTIs é fundamental para que a Covid-19 não faça tantas vítimas.

Dito isso, agora prestem atenção ao quadro abaixo. Ele mostra a evolução do número de leitos com UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da rede pública de saúde estadual.

Notem o número no final da coluna azul: 78. Esse número representa a soma de todos os leitos com UTI dos hospitais estaduais até 2010.

Agora, olhem para a coluna ao lado, a de cor laranja. Nela estão os números de leitos que dispunham de UTI 8 anos depois, portanto, em 2018: 281.

O quadro é didático o suficiente para não precisar de nenhuma interpretação, mas mesmo assim considero necessário esclarecer alguns pontos para percebermos o alcance histórico da expansão que o quadro mostra.

A importância das UTIs para salvar vidas

A primeira Unidade de Terapia Intensiva foi criada em Boston (EUA), em 1926, há quase um século, portanto. Também em 1926 foi criado o primeiro ventilador mecânico para ajudar os pacientes com dificuldades de respirar a fazê-lo adequadamente (leia mais aqui). No Brasil, a primeira UTI foi implantada apenas em 1967.

A UTI é destinada a pacientes que requerem cuidados especiais e prioritários, como são os caso dos pacientes que desenvolveram os sintomas de crise respiratória mais graves, caraterísticos da fase mais crítica da Covid-19, e que têm uma chance maior de irem a óbito.

Pois bem, entre 1967, ano em que foi introduzida no Brasil, até 2010, a Paraíba dispunha nos hospitais da rede pública estadual de saúde de apenas 78 leitos com UTI, a maior parte concentrada em João Pessoa.

Em apenas 8 (oito) anos, o Governo da Paraíba criou 281 (duzentos e oitenta e um) leitos de UTI, um acréscimo de 203 leitos em relação ao número que o estado dispunha em 2010 em sua rede estadual de saúde, uma ampliação de mais de 262% – isso mesmo, 262%! – de leitos com UTI nos hospitais estaduais administrados pela Secretaria Estadual de Saúde. Em apenas 8 anos a Paraíba passou a dispor em sua rede estadual de saúde quase três vezes mais do que existia nas décadas anteriores.

Mais ainda. Em apenas 3 (três) hospitais – Trauma de João Pessoa (23 leitos de UTI), Trauma de Campina Grande (31 leitos) e Metropolitano, de Santa Rita (40), foram criadas, entre 2010 e 2018, mais leitos de UTI (94 leitos) do que em toda a história da saúde pública da Paraíba (78)!

Mais ainda. Só a capacidade instalada hoje em um único hospital, o Metropolitano, construído e inaugurado no governo de Ricardo Coutinho, é quase o número de UTIs que existia em 2010!

Agora, imaginem se, diante da situação gravíssima de pandemia global de Covid-19, como a que enfrentamos atualmente, que vai exigir o máximo de leitos com UTI para tratamento dos casos mais graves, a Paraíba tivesse que partir do patamar de 2010, acrescidos, talvez, do ritmo de crescimento que existia até então?

Imaginaram?

A observação desses números sugerem pelo menos mais uma reflexão:

Teria dado para Ricardo Coutinho fazer tanto pela saúde pública da Paraíba se tivesse desviado a quantidade de recursos públicos que a promotores da Operação Calvário o acusam?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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