Sem dinheiro e sem planejamento, governador anuncia medidas sem recursos em caixa

João Azevedo anunciou no último sábado (21/03) que o governo do estado abrirá 300 leitos de UTI, isso depois de ter dito que os leitos disponíveis no sistema de saúde da Paraíba seriam suficientes para enfrentar a pandemia provocada pelo coronavírus.

João Azevedo fez isso depois que o ex-governador Ricardo Coutinho cobrou uma estratégia dos administradores públicos da Paraíba, com medidas claras e efetivas, sobretudo a urgente expansão do número de UTIs e respiradores mecânicos nos hospitais públicos da Paraíba.

Na matéria publicada na página do governo do estado, o governo anunciou um montante de R$ 36 milhões para financiar essa iniciativa, mas nada foi dito sobre a origem desses recursos. O governo dispõe desse montante? Como eu disse, essa informação não constava na matéria feita pelo próprio governo.

Hoje, entretanto, a Paraíba ficou sabendo que o estado não dispõe de dinheiro em caixa para bancar a compra dos equipamentos para montagem das 300 UTIs.

Ao responder questionamento do jornalista Laerte Cerqueira durante entrevista concedida hoje (23/03) à TV Cabo Branco (veja vídeo abaixo), depois de mencionar varias “sinalizações” – isso mesmo, “sinalizações”, – de liberação de recursos, o governo diz de onde virão os recursos que financiarão a implantação das 300 UTIs.

A bancada federal, e há de se louvar a atitude de toda a bancada, no sentido de fazer com quê pelo menos R$ 30 milhões de reais seriam (sic) destinados à implantação de mais de 300 UTIs no estado da Paraíba.

Ou seja, o governador está à espera de dois milhões de reais que cada parlamentar (são 3 senadores e 12 deputados federais) pode disponibilizar com suas emendas, recursos que ainda dependerão da autorização do remanejamento da fonte orçamentária e a liberação dos recursos pelo presidente da República.

Obviamente, que um montante de recursos como esse depende da apresentação de um plano, que a Paraíba não sabe se o governo tem. Como já demonstramos, não existe nada que ser tratado como estratégia, um plano de ações articulado, a não ser iniciativas fragmentadas e, por vezes, contraditórias – eu lembro de novo: há quatro dias o secretário de saúde e o governador disseram que a Paraíba tinha leitos suficientes para enfrentar a pandemia de Covid-19.

Ao invés de priorizar a instalação de UTIs, destinando recursos próprios para financiar as compras, o governador prefere apostar no incerto. Já que só agora ele anunciou que o governo da Paraíba vai disponibilizar R$ 37 milhões para compra equipamentos, as UTIs poderiam ser adquiridas com esses recursos.

Já o Governo do Ceará…

Compare com a atitude que o governo do Ceará vem tomando para enfrentar a Covid-19. Em 12 de março, há 11 dias, portanto, o governador Camilo Santana anunciou um conjunto de ações, entre as quais a liberação de R$ 45 milhões para o combate à Covid-19.

Além dessa medida, outras de igual importância foram anunciadas – isso há 11 dias, uma eternidade quando o assunto é enfrentar uma epidemia grave como a Covid-19:

  • Liberação pelo Governo do Estado de R$ 45 milhões para a Secretaria da Saúde do Estado;
  • Liberação de 200 enfermarias e 30 leitos de UTI para enfrentamento da crise;
  • Preparação de 14 equipamentos de saúde para atendimento de pacientes;
  • Treinamento e orientação das unidades hospitalares públicas e privadas do Ceará;
  • Acompanhando dos casos suspeitos informados à Sesa através de suas equipes;
  • Disponibilização de canais de comunicação para a população e para os profissionais de saúde;
  • Divulgação diária (17h) de boletim informativo sobre a situação epidemiológica e as medidas adotadas pelo estado;
  • Disponibilização de equipes de saúde para triagem nas visitas das unidades prisionais.

O governo cearense não parou por aí. Uma semana depois, no dia 18 de março, novas medidas foram anunciadas, entre elas a implantação de mais 600 unidades de terapia intensiva (UTIs), o que praticamente duplica a capacidade da rede pública do estado, a compra de 10 mil kits para detecção de Covid-19, de 100 mil máscaras e 400 mil litros de álcool em gel para os equipamentos de saúde, além de outras iniciativas que você pode conferir acessando clicando aqui.

Gostaria mesmo que tivéssemos um governador e um governo que inspirasse confiança, porque não há espaço para improvisos, tanto de secretários que se mostram incapazes, como de um governador sem experiência e sem condições de liderar nosso povo nessa guerra que já começou.

Mas, lidernaça parece ser um produto em falta na Paraíba de hoje.

Abaixo, trecho da entrevista de hoje João Azevedo.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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