João Azevedo vai instalar leitos para pacientes de Covid-19 em estacionamento de hospital para cardíacos

João Azevêdo anunciou essa semana que seu governo instalará 100 leitos em um Hospital de Campanha.

Até aí, tudo bem, é o que vários governadores têm feito pelo país. Eu só estranhei o fato de que esses leitos funcionarão no estacionamento do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires.

Acho que o governador deve estar ciente dos perigos de instalar leitos para tratar de infectados por coronavírus em estado grave, em um ambiente tão próximo a um hospital especializado em doenças cardíacas. Isso é uma temeridade, não?

Eu lembro que uma das doenças pré-existentes que agravam os sintomas da Covid-19 são as cardíacas.

E, portanto, não me parece uma boa ideia instalar um hospital de campanha para infectados no estacionamento de um hospital de cardíacos.

Não devemos desconsiderar o fato de que os profissionais de saúde que trabalharão no hospital de campanha terão uma grande chance de serem infectados, como tem mostrado a experiência internacional, e mesmo aqui no Brasil – um enfermeiro patoense que trabalhava em São Paulo foi a óbito essa semana vítima da Covid-19. E isso por si só representa um grande perigo para quem trabalha no Hospital Metropolitano. E seus pacientes.

E lugares não faltam na Paraíba. Por exemplo, o Centro de Convenções. Além de ser coberto, ou seja, não haveria gastos para montar cobertura, o Centro de Convenções é vazio nos espaços onde as feiras são realizadas, bastando levar para lá os equipamentos.

Acho que Ricardo Coutinho precisa voltar a fazer lives urgentemente.

Como o governador tem adotado quase todas as sugestões que RC fez durante as duas últimas lives, ocasiões em que o ex-governador analisou a situação e apresentou propostas para o enfrentamento da Covid-19, talvez seja necessário ele voltar a falar.

Isso é urgente porque é cada vez mais preocupante a evidente incapacidade que o governo João Azevedo vem demonstrando num momento crucial é tão grave como o atual.

Incapaz de enfrentar as esperadas pressões numa situação como a de uma pandemia, que causa incertezas na vida de muita gente, João Azevedo vem fazendo concessões que podem custar caro em um futuro breve, já que podemos perder, com isso, a vantagem relativa do vírus ter chegado mais tardiamente à Paraíba.

Por exemplo, no último dia 27, o governo do estado autorizou a reabertura de bancos e lotéricas para atendimento presencial. O resultado é o que você vê abaixo.

Agência do Banco do Brasil, em Tambaú (01/04). Foto enviada pelo Facebook. Ambiente fechado, ar-condicionado central, a maioria dos clientes formada por idosos. O cenário para a catástrofe está montado.

Relatos encaminhados por redes sociais mostram que a situação é ainda mais preocupante em bairros populosos, como Mangabeira,onde a reabertura das casas lotéricas provocou grande filas e aglomerações, isso sem que nada seja feito para impedir essas situações, que são a forma mais eficaz para o coronavírus se espalhar.

Sem falar nas praias, onde as pessoas continuam a enchê-las como se o mundo vivesse em normalidade.

Quando o desastre ganhar a forma que se anuncia há tempos, talvez os alertas mórbidos que vêm de todos os cantos do mundo sejam lembrados. Por isso eu faço esse registro.

Mas, aí já vai ser tarde demais.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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