Adriano Galdino deixa João Azevedo sozinho e critica retirada dos leitos dos hospital de Taperoá

Em live realizada na tarde de hoje, o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, deu um duro recado a João Azevedo e isolou ainda mais o governador, que decidiu de maneira truculenta retirar a força dez leitos de UTI do Hospital de Taperoá, que atende toda aquela região do Carriri paraibano.

Galdino disse que foi contrário à retirada dos equipamento “na hora” em que o fato ocorreu (2 da manhã de hoje) e continuava contrário. Tudo bem que o que disse Adriano Galdino são palavras ao vento, já que, pelo visto, o governador não levou em conta em nenhum momento a opinião do seu principal sustentáculo na Assembleia – nem de madrugada nem depois.

O que mostra ser esse um governo é um ajustamento de deslealdades.

Primeiro, porque o uso da violência por parte do governador para tirar dez camas do Hospital de Taperoá, depois de ter feito um acordo com o prefeito da cidade, é uma manifestação de indecente deslealdade. Com o prefeito, os vereadores e o povo da cidade.

Segundo, a truculência usada em Taperoá mostra que João Azedo só é valente contra os mais fracos. Na semana passada, duas “carreatas da morte” foram às ruas em João Pessoa e em Campina Grande, o que infringiu a determinação legal que impedia esse tipo de aglomeração.

Nesse caso, João Azevedo não mandou um único policial acabar com o ato ilegal, um ato que certamente ajudou a espalhar o coronavírus pela duas cidades e colocar em risco a vida de muita gente. Mas, coragem “não nasce em pé de árvore”, diria meu avô.

Já no caso de Taperoá, dez viaturas policiais foram usadas para tirar da cidade dez leitos, numa demonstração de força desproporcional, próprio de quem faz uso desses expedientes para tentar mostrar uma autoridade que não tem. Mas, lembrando novamente do meu avô, autoridade “não nasce em pé de árvore”.

Porque, convenhamos, essa demonstração de truculência esconde a falta de planejamento e prepara do atual governador e do seu secretário de saúde para comandar o estado em meio a essa grave crise.

Depois dos mais de três meses em que a crise da Covid-19 avança sobre as fronteiras nacionais, o governo da Paraíba não foi capaz de mostrar até agora nenhuma capacidade de planejamento, o que se revela quando p comprar dez leitos de UTI, precisando retirá-las à forca de um hospital de uma pequena cidade paraibana? A preocupação das autoridades do município são legítimas, afinal como e onde serão atendidos os pacientes daquela região se até os leitos que existiam anteriormente foram retirados?

Por isso, não apenas foi covarde a atitude de João Azevedo e do seu secretário de saúde de determinar a retirada dos leitos do Hospital de Taperoá, como a do presidente da Assembleia, Adriano Galdino, que só manifestou publicamente em defesa da cidade que o prefeito lhe apoia depois da repercussão negativa do caso.

Sem referências de lideranças políticas em um momento grave como o atual, não temos razões para acreditar que enfrentaremos essa crise de maneira adequada.

Abaixo, vídeo da live de hoje em que Adriano Galdino deixa João Azevedo sozinho, tendo abandonado o povo da região de Taperoá.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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