4 casos e 1a morte por Covid durante essa semana mostram o equívoco que foi acabar com as barreiras sanitárias no Conde

O primeiro caso confirmado de Covid-19 no Conde aconteceu na 21/04, dia de Tiradentes. Segundo informou a prefeitura do município nas redes sociais, o infectado foi um homem de 18 anos que realizou “viagens a trabalho”, e fez o teste no dia 20 ao apresentar sintomas de Covid. O resultado saiu no dia seguinte.

Isso foi numa terça-feira. Três dias depois (24/04), a prefeitura confirmou o crescimento exponencial dos casos confirmados. Em apenas três dias, os casos confirmados de Covid subiram 300%, de 1 para 4. Mais dramático ainda foi o registro do primeiro óbito.

O que explica crescimento tão rápido dos casos de Covid-19 no Conde? Talvez não seja possível estabelecer uma relação direta e exclusiva com a suspensão das barreiras sanitárias, mas certamente essa é, sem dúvida, uma hipótese bastante plausível que deve ser considerada.

Sobretudo para demonstar a importância do isolamento social e justificar a necessidade das barreiras sanitárias criadas pela prefeitura da cidade para impedir que o vírus ultrapasse suas fronteiras, tendo como vetor turistas provenientes de cidades muito mais populosas, principalmente João Pessoa e Recife, onde já circula velozmente.

Depois que o Ministério Público Estadual entrou com uma ação para pôr um fim às barreiras sanitárias, medida logo acolhida pela juíza da cidade, o acesso ao Conde ficou liberado nos dois primeiros dias de um final de semana crítico por conta do feriado prolongado de Tiradentes, quando, em situações normais, a cidade fica abarrotada de visitantes.

É lícito supor também que, em tempos pandemia, quem opta por passar um fim de semana prolongado numa cidade turística, normalmente são pessoas que não levam a sério a recomendação de isolamento social, portanto, são indivíduos com maior probabilidade de estarem infectados.

As imagens abaixo e a que abre essa postagem mostram a quantidade de automóveis que entrou na cidade na sexta e no sábado.

Os registros do Comando Geral da Guarda Civil Municipal do Conde mostram que passaram pelas três barreiras ao longo do último sábado 2241 automóveis! Se considerarmos uma média de 4 pessoas por automóvel, entraram provavelmente na cidade quase 9 mil pessoas!

Outros registros mostram que ocorrências, incomuns quando a cidade não tem tantos visitantes, voltaram a se repetir no último sábado no Conde (1 caso de violência doméstica, 9 infrações de trânsito e 13 de perturbação do sossego.)

Esses números são eloquentes demais para serem desconsiderados. Eles demonstram o quanto foi equivocada a iniciativa do Ministério Público Estadual de propor e a decisão da juíza do Conde de acabar com as barreiras sanitárias. E o quanto foram corretas, tanto a decisão da prefeita Márcia Lucena de criá-las, quanto do Desembargador João Benedito da Silva, do TJ-PB de mantê-las.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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