Em plena crise da COVID-19, Adriano Galdino aumenta de R$ 25 mil para R$ 40 mil verba indenizatória dos deputados

Em fevereiro de 2020, o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, fez publicar no Diário Oficial do Poder Legislativo uma resolução que é um retrato fiel do quanto nossos parlamentares estão desapartados do mundo real, e mais agora quando a economia está em grave crise e o Brasil já conta seus mortos por Covid-19 aos milhares.

Desde fevereiro, os deputados estaduais da Paraíba resolveram que os R$ 25 mil reais que recebem mensalmente de verba indenizatória eram insuficientes e aprovaram um aumento de 60%, e agora receberão da cada vez mais pobre viúva R$ 40 mil reais!

Resolução da insensibilidade

Nem o fato da pandemia de coronavírus que chegaria ao Brasil duas semanas depois, despertou a sensibilidade do parlamento estadual, principalmente do presidente do poder, Adriano Galdino. Ou ele não sabia que o Brasil seria afetado pela COVID-19 e se repetiria no Brasil, até com maior gravidade, como se confirma a cada dia, os efeitos da doença, que já matou 10 mil brasileiros?

Ou seja, em tempos de crise com a que vivemos hoje, a Assembleia Legislativa continuar pagando R$ 1,4 milhão mensais, valor que chega aos R$ 17,2 milhões por ano, mesmo com os trabalhos legislativos habituais suspensos, é incompreensível até para o mais permissivo dos cidadãos quando o assunto é dinheiro público.

É hora de suspender os efeitos da resolução que aprovou esse aumento na verba indenizatória dos deputados estaduais paraibanos, mesmo reavaliar o valor anterior de R$ 25 mil reais, já que os parlamentares se reúnem hoje remotamente.

E é bom que aqui se afirme que não se trata apenas de dinheiro, ou melhor, de recursos públicos. Os representantes do povo paraibano deveriam mostrar que há algo mais importante do que seu mandato ou o conforto financeiro. Trata-se de dar exemplo, de demonstrar preocupação com a vida dos cidadãos e cidadãs paraibanas que já morreram ou morrerão durante essa crise, de ser solidário com os profissionais de saúde que se arriscam no tratamento dos doentes de Covid-19, de contribuir com o esforço de toda a sociedade, já que muitos deles dos pedem o sacrifício do isolamento social, mas sequer se mostram capazes de reduzir seus ganhos.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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