Os Lundgreen querem o Conde de volta

O presidente da Câmara de Vereadores do Conde, Carlos André de Oliveira Silva, Manga Rosa, quer porque quer ser prefeito do Conde para facilitar a volta da família Ludgreen. Como bom serviçal, Manga Rosa age na Câmara a mando do advogado Hermann Lundgreen, que vem a ser filho de Tatiana Lundgren e Aluísio Régis, dois ex-prefeitos da cidade.

Como é comum nas tradicionais famílias brasileiras, Herman herdou o nome do fundador da linhagem, o sueco Herman Theodor Lundgren, que chegou ao Brasil no final do século XIX e enriqueceu trabalhando no porto do Recife. Foi ele o criador das Lojas Pernambucanas, que por muito tempo foi a maior rede varejista do Brasil.

Pois bem, Herman Ludgreen é o autor do pedido de pedido de cassação de Márcia Lucena, pedido sustentado em um processo que ainda está em fase de instrução e cuja prova até agora apresentadas se resumem a uma delação premiada e, mesmo assim, não tem nenhuma relação com a administração do Conde.

Como a estratégia para tomar a prefeitura do Conde de assalto parece que não previa a liminar do STJ que libertou Márcia Lucena, tanto que Manga Rosa mudou quase todo o secretariado quando assumiu a Prefeitura, no dia 18, um dia depois da prisão da titular e legítima prefeita. A estratégia provavelmente contava que Márcia passaria todo o recesso judiciário presa, e que o grupo teria tempo para articular a cassação da prefeita. Provavelmente por isso, o pedido foi protoclado no dia 23 de dezembro, dia em que Márcia Lucena reassumiu o cargo.

O processo foi aberto e uma comissão processante criada. Essa comissão decidiu que não havia motivos para cassar o mandato de Márcia Lucena e decidiu pelo arquivamento do processo. Mas, como o presidente da Câmara do Conde parece não se preocupar com a situação do povo do Conde – ah, Manga Rosa mora em João Pessoa, – ele decidiu que a sua prioridade em tempos de pandemia é cassar o mandato da advbesária política, assumir por uns meses a prefeitura e, quem sabe, como preposto obediente, repassá-la à família Ludgreen.

Pois não é que Manga Rosa convocou uma reunião on-line dos vereadores. O desespero para dar o golpe em Márcia Lucena é tão grande que uma improvisada reunião foi organizada (vejam so!) pelo Facebook! E como desmoralização pouca é bobagem para o ínclito presidente da Câmara do Conde, a reunião aconteceu no perfil de um empresário da construção civil do Conde! Manga Rosa conduziu uma sessão que foi, por conta dos problemas técnicos e pela falta de familiaridade com essa tecnologia, uma cnfusão só.

Vejam trechos do relato da reunião feito pelo site LitoralJá, cujo título da matéria (O MANGA ARMA CONTRA A PREFEITA MÁRCIA LUCENA) não deixa dúvida sobre as intenções:

“A sessão foi transmitida de forma amadora, através de um Facebook de um particular. O áudio estava nitidamente com problemas, o que foi alvo de críticas de alguns vereadores.Além da falta de profissionalismo com a tecnologia, o poder legislativo deixou ainda de publicar oficialmente um link para que o povo condense pudesse acompanhar os trabalhos de interesses públicos. A câmara não dispõe dos devidos recursos técnicos para realizar tal trabalho, pois os vereadores não receberam tablets ou computadores para acessarem as transmissões.

A falta de clareza dos áudios deixavam os vereadores em frequentes dúvidas do assunto debatido e, ou, sobre o que deveriam votar. (…)

Em meio a esse pandemônio, prevaleceu a vontade a as ordens da família Ludgreen, que se considera dona da cidade e Márcia Lucena uma instrusa no seu festim.

OS CANDIDATOS DA FAMÍLIA

A família Ludgreen pode ter dois candidatos. Um deles é Aloísio Lundgren Régis, irmão de Hermann Lundgreen.

Em 27 de julho do ano passado, Aloísio se filiou ao PMDB. Segundo matéria do PBAgora sobre a filiação, “A filiação ocorre dentro do objetivo da sigla de angariar novos nomes que possam disputar as eleições de 2020”.

A outra opção é Karla Pimentel Régis, esposa de Hermann Lundgreen, que se filiou ao PSL.

Segundo matéria do BlogDoSuetoni de janeiro de 2019, “ela foi incumbida de presidir e estruturar o PSL na cidade. A missão foi passada pelo presidente estadual do partido, o coronel Francisco. O deputado federal eleito Julian Lemos também esteve presente da reunião.”

Ainda segundo escreveu Suetoni, a família tenta “surfar na onda do conservadorismo que elegeu o presidente Jair Bolsonaro em 2018” e, nas palavras da própria Karla, sua candidatura “é reflexo do apoio à candidatura de Bolsonaro.”

Karla Pimentel Régis ao lado de Julien Lemos

Os Lundgreen são uma família de bolsonaristas. Hermann Lundgreen foi um ativo cabo eleitoral do atual presidente da República. Um dia haveremos de saber se esse encontro feliz teve a ver com a prisão de Márcia Lucena.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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