Amanda Rodrigues: Sobre como mudei e como vivemos hoje

Amanda Rodrigues postou hoje (16/05) um vídeo no Instagram que vai dar muito o que falar porque, pela primeira vez desde que começou a falar e escrever nas redes sociais, ela expôs o que pensa sobre como a política mudou suas ideias, sobre o papel do Estado e sobre o governo Bolsonaro. (Para ver o vídeo clique aqui)

De empresária que desconhecia os meandros da atuação dos governos e reproduzia velhos e conhecidos preconceitos, comuns desse setor da socidedade, à administradora pública que acompanhou de perto as mudanças políticas e adminstrativas que a Paraíba viveu e das quais participou ativamente a partir de 2016, o depoimento de Amanda Rodrigues é um testemunho generoso de como a experiência pode promover mudanças nas pessoas e, mais que tudo, um apelo à razão.

Sobre como mudei e como vivemos hoje

Nasci numa família conservadora, católica, que veio de baixo, que precisou lutar muito, para mudar de vida. Herdei dos meus pais essa vocação, que é lutar incansavelmente para alcançar meus objetivos.

Sempre trabalhei na iniciativa privada, achava que não precisava de apoio do Estado. Na verdade, me irritava pagar impostos, eu tinha a sensação de que tudo que eu pagava de impostos não retornava para a sociedade. Achava que não tinha segurança, saúde, etc, etc. Como quase todos os empresários, eu era a favor de menos estado regulando a economia e mais privatizações.

Isso, até que comecei a trabalhar na administração pública. Só aí pude compreender que o Estado é fundamental, pude ver como a boa política pode ser transformadora, pode ajudar a mudar a vida das pessoas, principalmente dos que mais precisam. Enquanto ajudava a administrar a Paraíba ao lado de Ricardo Coutinho, que conheci em 2015, em 2016 passei a ser parte de sua equipe, o amor pelo trabalho se transformou em uma amizade, depois, em um relacionamento, e em 2019 em casamento.

Pude acompanhar emocionada e com uma pontinha de orgulho, a imensa obra que estávamos realizando (enviar estudantes da escola pública para fazer intercâmbio no exterior é um símbolo do como o Estado pode ajudar a mudar a vida das pessoas). Ao mesmo tempo em que finalmente comecei a entender tudo isso, sentia nascer em mim outra compreensão do mundo: a importância da política para a sociedade, da boa política, da política comprometida com as mudanças e com as necessidades das maiorias.

Antes, durante o governo de Lula, eu via as melhorias nas condições de vida, principalmente dos mais pobres, mas também da classe média e do empresariado, mas não compreendia o que tudo aquilo tinha a ver com a política. Eu via como a vida dos meus funcionários mudavam. Antes, andavam de ônibus, depois passaram a ter moto ou carro. Eles passaram também a ter poder de consumo, e aquilo me deixava muito feliz. Mas, foi só após essa passagem pelo setor público que compreendi que mesmo na minha antiga ignorância, os impostos que eu pagava estavam, sim, retornando para melhorar a vida de muitas pessoas.

Fiz esse pequeno resumo da minha trajetória de mudança interior, das minhas ideias sobre o mundo e a política, para dizer que quando vejo hoje algumas pessoas, mesmos as queridas, falando barbaridades acerca da política e se dizendo orgulhosamente de direita, me choco muito. Me choco porque eu sei o que “ser de direita” no Brasil de hoje representa. Eu sou empresária, mas isso não significa que eu tenha obrigatoriamente que ser de “direita”.

Num país desigual como o Brasil, e, mais ainda, na Paraíba, não só os mais pobres precisam da intervenção do Estado, mas o próprio empresariado. Essa história de liberdade de mercado só é boa para as maiores empresas, as multinacionais. Assim como os mais pobres e a classe média precisam de apoio do Estado, o empresário precisa de políticas de apoio aos seus negócios (empréstimos a juros baixos, por exemplo).

Por incrível que possa parecer, defender isso não é ser de esquerda ou direita. É ser racional, que é algo que anda em falta no Brasil ultimamente.

O determinante é termos a capacidade de conhecer o potencial do Brasil e dos brasileiros. E apostar nisso. Coisa que o atual governo federal despreza. Vivemos essa situação de termos um governo que só sabe destruir, e por isso é incapaz de unir o Brasil em um momento tão difícil.

E graças a Deus, existem obstáculos no caminho que não permite ele tornar lei tudo o que deseja. Apesar do estrago já ser grande, ainda resta alguma coisa, e é por isso que nós brasileiros temos que lutar. Pelo direito da constituição ser cumprida, para que mais nenhum programa de inclusão social seja destruído, lutar por menos ódio e mais solidariedade! Não é lutar por ser direta ou esquerda, e sim, para que os princípios que todos temos não sejam atropelados.

Eu sei que todos são a favor da vida, mesmo que esbravejem o contrário, pois se alguém não se importa com as mortes que estão vendo na mídia, passarão a se importar quando ela chegar na sua família. A discussão não é sobre se as academias vão abrir ou fechar, e sim sobre mais e mais brasileiros mortos, não estamos numa ilha no que diz respeito ao coronavírus, temos o mundo como exemplo.

O que acontece no Brasil acontece igual no mundo, e o sucesso está sendo alcançado onde as pessoas realmente ficaram em casa. Não existe economia com milhares de mortos espalhados pelo Brasil. Toda vez que o embate sobre acabar o isolamento é defendido, mesmo sabendo o sofrimento que isso vai resultar em milhares de famílias, não ajuda em nada, nem na recuperação da economia, porque quanto mais gente ficar doente e precisar de UTI, mais tempo vai durar o isolamento social.

Por isso, eu peço: reflitam! Pensem!

A uma conclusão eu também cheguei vivendo a crise atual. Precisamos de mais Estado, e o SUS é um exemplo disso. O SUS é o grande diferencial do nosso país e ele precisa não penas ser mantido, mas fortalecido depois dessa crise.

Ontem foi o dia da família, e por suas famílias, eu poço fiquem em casa!

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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