Manoel Duarte: perseguição a Ricardo Coutinho esconde projeto de poder do Ministério Público

Manoel Duarte volta a escrever, agora sobre sobre as mudanças na atuação do Ministério Público, sobretudo depois da Operação Lava Jato. Apesar de considerar positiva a nova postura, Manoel Duarte diz que é preciso achar uma “dosagem correta” para combater o “vírus da ambição pelo Poder” que, segundo ele, contaminou o Ministério Público.

Manoel Duarte trata ainda da perseguição a Ricardo Coutinho e constata que, por trás da perseguição, espetacularizada pela mídia, existe um projeto de poder.

Vamos ao texto:

O ÓDIO NOS TEMPOS DO CÓLERA

EM TEMPOS de quarentena acabamos por nos focarmos em alguns assuntos que antes talvez não despertasse tanto a nossa atenção.

Em conversas virtuais com profissionais dos mais diversos, nos campos jurídico e político, tenho debatido sobre o novo modelo de atuação ministerial.

O Ministério Público é, sem dúvidas, a Instituição de maior relevo à luz do novo texto constitucional. A partir de 1988 cresceu de importância exponencialmente. Atua na defesa do meio ambiente, da proteção ao consumidor, dos vulneráveis socialmente, na garantia de direitos dos idosos, deficientes e menores, e claro, na persecução penal, no combate às organizações criminosas, ao tráfico de drogas e à corrupção.

Nesse contexto, em tempos recentes, passou por uma transformação responsável por modificar o seu perfil de atuação. A eleição do Procurador – Geral de Justiça, seu representante maior, ampliou a participação ativa, permitindo que a escolha possa recair sobre Promotores de Justiça de última entrância e não apenas exclusivamente sobre Procuradores de Justiça, como era anteriormente.

Na Paraíba proporcionou a possibilidade de “MENINOS” assumirem a direção do Órgão.
isso foi bom? Embora pareça estar vivendo um SURTO, a resposta é positiva. A Instituição se fortaleceu muito nos últimos dez anos, a partir da gestão comandada por jovens promotores que remodelaram o perfil da atuação ministerial, significativamente nos últimos mandatos anteriores.

Mas como todo remédio precisa ter a dosagem correta, esse modelo acabou errando na prescrição e se deixou contaminar pelo vírus da ambição pelo Poder. Basta observar o modo operacional da atuação da Lava-Jato, conforme foi revelado nos diálogos divulgados pelo The Intercepte Brasil. A operação começou com o propósito magnânimo de combate à corrupção, mas depois a ambição do seu núcleo passou a ser a defesa de um projeto de poder, que consistia em excluir LULA da eleição presidencial a qualquer custo. O comando operacional foi personificado na figura do todo poderoso e “amiguinho” da mídia Sérgio Moro, vide artigo “(A imprensa e seu herói).

Alguma dúvida que por trás da espetacularização operacional do Ministério Público em nossa terrinha, com cenários cinematográficos, tenha uma intenção subjacente de POJETO DE PODER? Alguma dúvida que o objetivo seja a EXCLUSÃO de Ricardo Coutinho do páreo eleitoral e, consequentemente, da vida pública?

Só os incautos e TOLOS não percebem que o discurso do combate à corrupção é quase que apenas um pretexto, esquema fanático onde a sua justiça não é muito mais que intolerância moralista.

E sinceramente, conforme ouvi de muitos, já está ENCHENDO O SACO essa perseguição odiosa a Ricardo Coutinho. Uma coisa é se investigar, ajuizar ações judiciais, é típico da função do MP, mas desde que respeitando, ao menos, minimamente, os princípios da dignidade da pessoa humana, do contraditório e da ampla defesa, o inverso do comportamento adotado por aqui.

Engraçado é que o próprio Ricardo Courinho teve um papel fundamental no fortalecimento da Entidade. Nomeou todos os Procuradores-Gerais obedecendo rigorosamente a escolha do mais votado pela classe, ao contrário do que fez governadores anteriores. Não o bastante, ainda nomeou um ex-Procurador-Geral DESEMBARGADOR.

Lembrei da entrevista do Sr. Sérgio Moro, quando anti-eticamente deixou o cargo de ministro da Justiça detonando o presidente da Republica, e admitindo, QUEM DIRIA, que os governos de LULA e DILMA souberam respeitar a autonomia da Polícia Federal.

Talvez, em breve, por aqui também, sintam saudades da gestão do ex-governador, se já não o estão.

Como no romance de Gabriel Garcia Marquez “O Amor em Tempos do Cólera”, o personagem Florentino espera anos até ter a oportunidade de estar novamente com sua amada, realizando sua espera após o sepultamento de Juvenal Urbino, onde se aproxima de Firmina e diz que estava esperando aquele dia por 51 anos, 9 meses e 4 dias.

Aqui, se esperou 8 ANOS – 2.920 DIAS – o tempo de acabar os dois mandatos de RICARDO COUTINHO como governador – os melhores que a Paraíba já teve – diga-se de passagem, e de ser traído por “Judas”, o discípulo que se elegeu governador, graças a RC, para que o Ministério Público, com seu sentimento às avessas do personagem Florentino do romance, descarregar o seu ÓDIO, a sua FÚRIA, a sua CÓLERA, a sua IRA contra o ex – governador e pessoas próximas.

MANOEL DUARTE

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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