O Estadão e suas velharias: é possível a volta do PSDB?

A “dialética” da casa-grande que o editorial do Estadão de hoje expõe, é tão rasa quanto oportunista e mentirosa: dos contrários Lula e Bolsonaro, nascerá uma síntese dos dois, uma alternativa: quem sabe o janota Dória? Ou o marqueteiro Luciano Huck?

É tão cínico o argumento de que o “bolsonarismo é um monstrengo antidemocrático que só ganhou vida e ribalta por obra e graça do lulopetismo”, que chega a provocar enjôos o mau-caratismo dessa velharia saudosa da República Velha, ou quem sabe dos tempos se D. Pedro II, para quem o Estado de São Paulo fala. 

Qual o papel da mídia corporativa, Globo e Estadão à frente, para o crescimento desse monstrengo, engordado com três pratos diários transbordantes de ódio e lanches temperados de molhos ácidos como veneno?

A história tem dessas peripécias e, vez em quando, prega peças que, não fossem já conhecidas, causariam surpresas. O ódio dessa gente foi perceber que o “monstrengo do bolsonarismo” foi quem ganhou massa nesse regime de engorda, ao invés do velho e senil tucanato. E não foi por falta de aviso.

Essa gente perversa não esperava que a dieta antissocial, anti-igualdade e antipovo, embalada com o papel cintilante da anticorrupção – logo eles? – engordasse o “monstrengo do bolsonarismo”. A história se repetia, e de novo e mais uma vez, como tragédia.

Por conta disso, não adianta o Estadão querer transformar a vítima de mais essa fraude histórica em algoz. Lula e a esquerda foram demonizados pela casa-grande, incomodadas com a, mesmo que tímida, ascensão social dos mais pobres, mas a alternativa era o fascismo à brasileira de Jair Bolsonaro, e não o desmoralizado tucanato.

Acho que a casa-grande vãi ter que se acostumar. Ainda que a centro-esquerda, na sua timidez de quem passou à defensiva e continua encurralada no canto da sala, não tenha se apercebido de que é a única alternativa real ao bolsonarismo, porque histórica, mais dia menos dia essa realidade tende a se impor como verdade.

Mas, é precisa se mover para ocupar o espaço vazio que a ela pertence. No seu pior momento, a centro-esquerda obteve 45% dos votos em 2018, com Fernando Haddad. E não me consta que a situação política tenha piorado. É preciso projetar o futuro para começar a se posicionar desde já. E o tempo urge.

Portanto, se a centro-esquerda, ao invés de se deixar seduzir pelo canto do cisne de que um acordo com o centro é o caminho, e conseguir elaborar um projeto que indique ao povo uma alternativa real, que consiga atrair setores da classe média e parte do centro, é só uma questão de tempo para que a velha polarização que marca as eleições presidenciais no Brasil, desde 1989, volte a se repetir. Se o povo brasileiro aprendeu a distinguir é quem é quem na política brasileira.

Em tempos de democracia, é assim desde 1945.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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