UMA BANANA PARA OS PAIS: João Azevedo veta desconto e mostra que sua prioridade é defender donos de grandes escolas

O governador João Azevedo vetou a parte mais relevante do projeto aprovado pela Assembleia, que obrigava repasse da redução dos gastos das escolas particulares durante a pandemia, para o valor das mensalidades. O projeto é de autoria dos deputados Adriano Galdino, Estela Bezerra, Lindolfo Pires e Ricardo Barbosa, previa descontos de até 30%.

Quando calcularam os valores das mensalidades para o ano de 2020, além de atualizarem o valor acima da inflação, como sempre fazem, os donos de escolas e faculdades particulares incluíram nos custos uma projeção de gastos com energia elétrica, água, funcionários terceirizados de limpeza e segurança, só para citar os mais evidentes e que mais impactam na manutenção do lucrativo empreendimento.

Fico aqui imaginando o valor das contas de energia e água de uma escola como o Motiva. Ou do Pio X, onde meus dois filhos estudam. Dezenas de salas-de-aulas, por exemplo, que antes passavam pelo menos 10 horas com seus ar-condicionados ligados, agora ficam o dia inteiro vazias e escuras.

Você imagina o quanto uma dessas grandes escolas gastam com água e esgoto mensalmente?

A única despesa significativa dos donos de escolas particulares, a maior delas, certamente, que se manteve durante a pandemia, foi com salários de professores e servidores – aliás, os aumentos salariais para essas categorias pouco superam a inflação, enquanto o reajustes nas mensalidades são sempre muito acima da inflação.

Justificar que os custos com os sistemas adotados para aulas on-line, no caso do Pio X, o Microsoft Teams, chega a ser cínico. Quem fizer uma pesquisa na internet especificamente sobre esse aplicativo da Microsoft se deparará com essa notícia:

Microsoft oferece Microsoft Teams gratuitamente para manter organizações e escolas conectadas durante o COVID-19

Mas, imaginemos que a opção das maiores escolas tenha sido pela versão das plataformas que usam para aulas on-line. Feito isso, que tal um gasto superestimado de R$ 50,00 por aluno. Uma escola de 1000 alunos pagaria, portanto R$ 50 mil reais por mês pelo uso. Considerando uma mensalidade de, digamos, 1.100, 00, teremos um custo de menos de 5%!

Enquanto a maior parte das empresas e empresários é obrigada a viver as incertezas da crise, os empresários da educação, alguns deles, super-ricos, aliás, pretendem embolsar essa diferença, transformando previsão de gasto em lucro?

Ao vetar exatamente a parte do projeto da Assembleia que obrigava as empresas de educação a repassar a redução dos gastos projetados para as mensalidades que os pais pagam, João Azevedo mostra mais uma vez de que lado está.

E o presidente da Assembleia, Adriano Galdino, vai continuar ao lado dos pais e mães dos alunos?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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