As razões de nossa tragédia sanitária são políticas

Como vocês podem ver acima e verão no vídeo abaixo, as evidências de que o recuo de João Azevedo de decretar o lockdown e levar a frente a decisão tomada junto com os prefeitos da Região Metropolitana de João Pessoa, deveu-se à pressão dos setores da sociedade que nunca se conformaram com a proposta de isolamento social.

A rigor, o isolamento social nunca efetivado na Paraiba, a não ser para fechar estabelecimentos comerciais e atividades consideradas não essenciais. Quanto a isso, os empresários têm toda razão de reclamar. Não houve uma ação por parte do governo estadual, que tem poder de polícia para fiscalizar e fazer valer os seguidos decretos assinados por João Azevedo.

Por conta disso, apenas adiamos a data para a efetivação do colapso do nosso sistema público de saúde na Paraíba. E como o povo não enxerga autoridade nem capacidade de liderança política no governador, e nem João Azevedo se esforça para, pelo menos, fazer parecer que as possui, as ruas das cidades da Paraíba se tornaram um espaço privilegiado de encontros sociais.

Além dos que não têm autoridade política nem liderança, tem também os demagogos, como o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, que, como um bom bolsonarista, fez coro com os setores empresariais influenciados pelo celerado que ocupa hoje a Presidência da República.

Para fazer demagogia, Romero Rodrigues criou todo tipo de dificuldade para que o isolamento social vigorasse na Rainha da Borborema. Como esperado, o coronavírus avançou sobre a população da cidade e a Covid-19 está prestes a comprometer o sistema de saúde de Campina Grande. Quando isso, acontecer, a as pessoas perceberem que não podem adoecer de qualquer outra doença porque não terão atendimento, entenderão o objetivo do isolamento social.

Eis no que deu essa história de “renovação” política apenas pelo trocar de nomes e rostos. A experiência política e administrativo faz falta, sobretudo agora. Os estados mais importantes do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, são governados por iniciantes na política e na administração pública (João Dória, Wilson Witzel e Romeu Zema), que chegaram aonde chegaram porque souberam surfar na onda do bolsonarismo em 2018.

João Azevedo está nessa lista, apesar de não dever sua eleição a essa onda bolsonarista. Pelo contrário. Mas, em menos de ano, João Azevedo traiu seus eleitores e pulou para o outro lado da cerca – como é do conhecimento geral, o partido no qual hoje é filiado, o Cidadania, é um satélites do PSDB. Aliás, em nota o PSB já pediu desculpas à Paraíba pelo erro.

Se tivessem dado crédito às recomendações das autoridades sanitárias do mundo todo, poderíamos ter evitado o desastre humanitário que está em vias de acontecer no Brasil. E já estaríamos nós preparando para retomar as atividades normais.

Na China, morreram pouco mais de 5 mil pessoas de Covid-19 – o país asiático tem 1,3 bilhão de habitantes. Lá, a economia já está voltando ao normal, depois de um lockdown radical. O Brasil perdeu a vantagem da experiência internacional, e o principal responsável são as atitudes negacionistas do seu presidente, acompanhando por um exército de gente desinformada. Hoje, o Brasil se aproxima das 30 mil mortes por Covid-19, sem contar os mortos que não foram testados. E a curva das mortes continua se acentuando, indicando que essa crise está longe do fim.

Se o vírus que causa tantas mortes é um acontecimento natural, o modo como cada sociedade enfrenta a pandemia de coronavírus tem a ver com escolhas políticas dos governos e de parte de cada sociedade nacional. A opção do Brasil foi pela morte, como se houvesse uma alternativa de enfrentamento da pandemia que não o lockdown. Ou o empresariado compreende isso, ou só estão prolongando os efeitos econômicos da pandemia, com o sacrifício de milhares de vidas que poderiam ser salvas. E nenhuma economia funciona desse jeito.

Abaixo, vídeo em que o radialista e apresentador do Sistema Correio, Nilvan Ferreira, esbraveja contra o lockdown e ataca principalmente o governador João Azevedo.

Você acha que o funcionário de Roberto Cavalcanti vai receber alguma resposta?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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