MESMO COM 507 MORTOS POR COVID-19 NA PARAÍBA, João Azevedo pretende acabar com isolamento social

O Brasil chegou ontem a 37.712 mortos por Covid-19 e a aceleração ascendente dos casos, por enquanto, não dá sinais de arrefecimento.

A situação ainda é pior no Nordeste.

Segundo matéria do UOL, a análise dos números recentes dos infectados por coronavírus no Brasil deixa clara que o Nordeste já é o epicentro da pandemia e a tendência é a região “passar a ser, nos próximos dias, a região com mais diagnósticos de covid-19 no Brasil”.

Ontem, segundo o UOL, a região Nordeste chegou aos 250  mil casos, o mesmo número da região  número da região Sudeste, isso, claro, sem considerarmos as subnotificações. (Leia a matéria clicando aqui)

Os números da Paraíba confirmam a escalada do coronavírus entre os nordestinos. De 18 de março, quando foi registrado o primeiro caso oficial de contaminação por coronavírus na Paraíba, a 18 de abril, os estado já tinha 200 casos e 30 mortes registradas por Covid. Dois meses depois, o casos já haviam chegado a 4.347 e o número de mortes a 194 (leia matéria do G1 aqui).

Ontem (08/06), a Paraíba chegou a 20.951 casos confirmados e ao triste registro de 507 mortos, 23 mortes em apenas um dia.

Os gráficos abaixo nos permitem visualizar a escalada da contaminação por coronavírus e das mortes provocadas pela doença entre os Paraíba.

Não bastasse isso, a ocupação de leitos de UTI chega a 69% em todo o Estado e a 81% na região metropolitana de João Pessoa, onde estão concentrados o maior número desse componente fundamental para o tratamento dos doentes.

Mesmo com esses dados tão alarmentes, o fim do isolamento social já é dado como certo na Paraíba, e tanto o governador João Azevedo como seus assessores mais próximos já falam abertamente do reinício progressivo das atividades econômicas.

O Procurador-Geral do Estado, Fábio Andrade, já anda debatendo o plano de retomada da economia da Paraíba – certamente essas discussões não envolvem sindicatos e representações de trabalhadores para escutar o que eles acham.

O prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo (PRB), anunciou ontem que pretende liberar o funcionamento progressivo das atividades econômicas no município.

Sem se preocupar com a quantidade de leitos de UTI que a cidade que governa dispõe para tratar os cabedelenses infectados por Covid-19 que desenvolverão os sintomas graves da doenca, a única coisa que parece interessar a Vitor Hugo é servir aos interesses do empresário Roberto Cavalcanti, que, apenas por acaso, também é filiado ao PRB da Igreja Universal – a sina dos prefeitos de Cabedelo, pelo jeito, é obedecer a empresários que atendem pelo nome de Roberto.

Ontem, os radialistas Nilvan Ferreira e Vitor Paiva deram continuadade à sua cruzada para acabar com o isolamento social no Sistema Correio, o que é uma pequena amostra do quanto tanto o sistema quanto os radialistas – Nilvan é candidato a prefeito de João Pessoa – estão preocupados com o bem-estar do povo paraibano.

Enfim, os mesmos responsáveis pelo fracasso do isolamento social – a escalada da contaminação está aí para mostrar isso – são os mesmo que agora querem voltar às atividades normais quando a Paraíba já tem mais de 500 mortos por Covid-19.

Se o ainda presidente Jair Bolsonaro queria companhia para dividir suas responsabilidades com o genocídio em curso (são quase 40 mil brasileiros mortos), provavelmente terá a companhia de alguns governadores e prefeitos.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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