Há exatos seis anos, Ricardo Coutinho iniciava a campanha que o tornaria a maior liderança política da Paraíba

Como lembrou Tião Lucena, foi num 17 de junho como hoje que Ricardo Coutinho iniciou sua campanha para governador, em 2014.

Cássio era considerado apontada não só como favorito, mas como um candidato imbatível. Só para relembrar o tamanho da disparidade, Cássio tinha o apoio de 28, dos 36 deputados da Assembleia e da maioria dos prefeitos. Seus apoiadores caçoavam das chances de vitória do mago.

Em março, logo após o anúncio do rompimento com Ricardo Coutinho, eu talvez tenha sido o único a anotar em artigo que a eleição não estava decidida, apesar da grande vantagem do tucano nas pesquisas.

“Os números de Cássio (40.8%) aferidos em um momento tão favorável devem acender o sinal de alerta entre os tucanos. Cássio não está com essa bola toda, como se imaginava”.

Ou seja, Cássio não tinha muito espaço para crescer, já que, em momento algum, superou a casa dos 50%. Era provável que nenhum eleitor paraibano o desconhecesse.

Mas, Cássio continuava a ser incensado pela turma do beija-mão da imprensa, ansiosa pela volta dos velhos tempos. Sem razão, diga-se. Acostumada a olhar para o presente e incapaz de fazer qualquer projeção de tendência, essa turma não foi capaz de observar que, no melhor momento da campanha, Cássio nunca ultrapassou os 50%, chegando no máximo aos 47%, isso sempre pelos prognósticos do sempre simpático às causas eleitorais cassistas, o Ibope. RC já havia pulado de 22 para 33%.

A um mês da eleição, eu registrei:

“O recomendável é esperar um pouco mais. Uma diferença de 14 pontos pode tranquilamente ser retirada em um mês de campanha. A questão a ser respondida é se o eleitor de Cássio estará aberto a mudar de voto. É essa a questão chave.”

Em 19 de setembro, já havia adquirido segurança suficiente para escrever um artigo cujo título antecipava a inexorável derrota de Cassio Cunha Lima: “Segundo turno à vista“. O texto foi recebido com sorrisos de desdém pelos cassistas na imprensa e na política.

“A mais de dois meses estacionado entre os 44%-47%, Cássio não conseguiu abrir uma vantagem que lhe desse a segurança de que não seria alcançado até o dia da eleição e venceria no primeiro turno.”

Em 2014, a eleição foi para o segundo turno e Ricardo Coutinho acabou vencendo com mais de 110 mil votos de frente. Foi a primeira surra eleitoral do até então”imbatível” Cássio.

Se Ricardo Coutinho for candidato a prefeito de João Pessoa, em 2020, enfrentando gente da estirpe de Nilvan Ferreira, Cícero Lucena, Válber Virgulino, Diego Tavares, Ricardo é de longe o favorito, mesmo contra as máquinas partidárias, as máquinas do Judiciário e do Ministério Públicos, unidas para derrotá-lo.

E se RC vencer não será diferente porque sempre foi assim.

Todas as citações desse texto podem ser conferidas aqui.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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