Coronavírus: João Azevedo veta gratificação para profissionais da saúde, mas mantém exército de aspones na folha

Como quase todo tecnocrata, João Azevedo é um adepto da austeridade fiscal. Mas, não pense que isso seja uma virtude. Trata-se, antes, de um discurso que é usado para encobrir as inversões de prioridades que escondem injustiças orçamentárias.

Por exemplo. No início da pandemia de coronavírus, o governador fez um remanejamento no orçamento de R$ 7,5 milhões para gastar com publicidade. Não fosse a reação popular a essa medida, que, por razões óvias, contou mais uma vez com o silêncio de quase toda nossa imprensa, a medida teria sido efetivada, para a festa de alguns poucos jornalistas, empresários da comunicação e marketing.

Para baixar o Diário Oficial em que consta esse decreto clique aqui

Enquanto o atual governador é capaz de decretar remanejamento de recursos para atender setores minoritários e em nada prioritários, que enriquecem com dinheiro público, veta a justa e necessária decisão da Assembleia Legislativa, que aprovou projeto de autoria do deputado estadual Nabor Wanderley. O projeto legalização a manutenção de gratificação de produtividade para os profissionais da saúde que, no desempenho de suas funções de salvar as vidas dos paraibanos afetados pela Covid-19, foram também contaminados.

Ora, se um profissional de saúde é afastado do trabalho por ter contraído o vírus, por que não manter a gratificação?

É o mínimo que o povo paraibano pode fazer para reconhecer o trabalho desses profissionais, que arriscam todos os dias suas vidas e as vidas dos seus familiares, mas de prestar-lhes uma justa homenagem nesses tempos tão difícies. Seria uma maneira de dizer a todos/as ele/as que o povo paraibano reconhece e valoriza seus esforços, alguns até com o sacrificio de suas vidas.

Segundo levantamento do Conselho Federal de Enfermagem, ​O Brasil já perdeu 200 profissionais de Enfermagem. De todas as mortes por Covid-19 entre esses trabalhadores no mundo, 30% são brasileiros/as (clique aqui). Há um mês, seis médicos já haviam morrido na Paraíba vítima de Covid-19.

E o governador diz que é medida é inconstitucional “por apresentar vício formal” e ferir o “princípio da segurança jurídica” – no caso do projeto da Assembleia que determinava um desconto nas mensalidades das escolas privadas, as Cortes Superiores já decidiram pea legalidades da norma. O “mercado” é imexível.

Se é assim, ele deveria ter se antecipado a anunciado, junto com o veto, a criação de uma gratificação nos mesmos moldes.

No fim das contas é só uma questão de prioridades. Numa época de recursos escassos, manter as acomodações e os aspones que infestam o atual governo é a prioridade para João Azevedo.

Não tem dinheiro pra tudo. Deu pra entender o que é asteridade fiscal?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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