Sintep denuncia: estudantes estão sem acesso às aulas virtuais; governo sonega direitos aos professores

Existem determinados setores do Estado que deveriam ser considerados estratégicos por qualquer governo, e, por conta disso, serem resguardados, principalmente durante crises como a que vivemos hoje.

Além da saúde pública, que, mais do que nunca, mostra sua relevância nós dias de hoje, a Educação é estratégica em qualquer país que protege seus jovens e projeta o quer ser no futuro.

Em um país como o Brasil, cujas elites jamais abraçaram um projeto nacional inclusivo, mesmo com as evidentes potencialidades do nosso povo e o gigantismo de nossas fronteiras, são poucos os governos que colocam em prática a retórica da educação como prioridade.

Esse parece ser o caso do governo João Azevedo. Os testemunhos dados pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Estado da Paraíba (Sintep) são de uma eloquência ímpar.

O Sintep denuncia (leia aqui) que Secretaria de Educação desmarcou seguidas reuniões previamente agendadas nós últimos meses, isso desde o início da pandemia.

A intenção do sindicato é buscar o diálogo para “construir saídas para este momento tão delicado para a Paraíba e para o Brasil”. Ouvir o que os professores têm a dizer e a propor, sobretudo quando o que está em risco são suas vidas e a vida dos estudantes e das centenas de milhares de famílias envolvidas.

Há três meses, os professores da rede estadual da Paraíba esperam que o governo João Azevedo cumpra os compromissos assumidos, que minimizariam os “impactos do isolamento social no processo educativo”.

Até agora nem os estudantes da rede estadual nem os professores tiveram acesso à internet gratuita para usar o aplicativo adotado pela Secretaria de Educação para as aulas à distância, nem a veiculação de vídeo-aulas em TV aberta.

Até mesmo a distribuição de cestas básicas aos estudantes, anunciada com pompa pela mídia governista, foi iniciada a pouco, ou seja, quase quatro meses depois da interrupção das aulas presenciais. 

O Sintep chama a atenção para a dramática situação da maioria dos estudantes da rede estadual, que estão fortemente prejudicados porque suas famílias não têm meios para pagar internet para os filhos, muito menos os equipamentos necessários para assistirem aulas on-line, aulas que duram turnos inteiros, cinco dias por semana.

Não bastasse essa atitude absolutamente descompromissada com a educação pública estadual, os servidores da educação, principalmente professores e professoras, têm recebido um tratamento que beira a desumanidade por parte do governo: inúmeros erros salariais, rescisões de contrato injustificadas de prestadores de serviço, isso em plena pandemia, licenças maternidade, de saúde e pedidos de aposentadorias negados, pedidos formais e garantidos por lei, cujos recursos são provenientes do Fundeb e da PBPREV. A Assembleia Legislativa e o Ministério Público precisam investigar essa denúncia.

O acúmulo por meses desses seguidos de atos de desrespeito contra os professores e as professoras da Paraíba, e contra os/as estudantes, parte dos quais enfrentará o desafio do Enem no final do ano, justifica a paralisação das aulas virtuais entre 22  e 30 de junho, período em que os docentes estaduais aproveitarão para realizar um planejamento efetivo das atividades.

Mais que um exemplo de compromisso com a educação pública, a atitude do Sintep é uma denúncia e um ato em defesa dos nossos estudantes, que tanto orgulho já deram à Paraíba.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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