PB é 2º lugar no Nordeste em casos de Covid, mas a prioridade de João Azevedo é outra

O governador João Azevedo anunciou que que seu governo pretende retomar a obras no Estado. O governo estadual anunciou pretende gastar R$ 601 milhões, com um aporte de R$ 197 milhões do governo federal nessas obras. 

É um anúncio absolutamente fora de hora, já que, enquanto João Azevedo montava essa peça de propaganda, a Secretaria de Saúde da Paraíba anunciava que o estado havia ultrapassado a marca dos mil mortos por Covid-19 (1.099 mortos ontem).

Ou seja, João Azevedo tenta fazer crer que a Paraíba vive uma situação de normalidade, mesmo a curva de infecções e mortes avança celeremente sobre o território paraibano, chegando às regiões mais longíquas e desasistidas do estado.

Com isso, João Azevedo avança seu plano que pretende colocar um fim completo ao isolamento social. O resultado dessa irresponsabilidade já estamos sentido: a expansão do contágio, que custará a vida de milhares de paraibanos, que poderiam ter sido salvas.

Para demostrar o quanto o governo da Paraíba está sendo incompetente em lidar com a pandemia de coronavírus na Paraíba, observe abaixo o quadro comparativo. Ele representa bem o tamanho da tragédia que se abate sobre a Paraíba. Como há diferenças em termos populacionais, a melhor maneira de compararmos o avanço da pandemia por estado é considerarmos a média de casos por milhão de habitantes.

Note que o número de casos por milhão de habitantes da Paraíba (13.370) é quase o dobro do que o Brasil tem. Além disso, como o quadro abaixo mostra, a Paraíba está bem acima dos estados vizinhos: Pernambuco tem 7.020 e o Rio Grande do Norte tem 10.134 casos de Covid-19 por milhão de habitantes.

A situação se torna ainda mais grave quando comparamos com os números da Bahia. A Bahia tem uma população de 16 milhões de habitantes, ou seja, quatro vezes maior que a da Paraíba, que tem 4 milhões. Só que enquanto a Bahia tem 5.754, ou seja, 7.616 casos de Covid-19 a menos que a Paraíba.

O que justifica tamanha diferença?

Diante de um quadro assim, qual deveria ser a prioridade de qualquer governante? Preservar do máximo de vida dos/as cidadaos/ãs que governa, ou continuar subestimando uma doença que já matou quase 65 mil brasileiros, agindo como se o Brasil já estivesse vivendo em estado de normalidade? Pior ainda, em meio a tantas mortes, o governador mostra que está preocupado mesmo é com a própria imagem.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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