Página do TJPB virou espaço de militância anti-ricardista?

Lenílson Guedes é assessor de comunicação do Tribunal de Justiça da Paraíba. O jornalista é dos felizardos que, sem ser concursado, trabalha no poder judiciário paraibano.

Além disso, Lenílson Guedes é um dos proprietários do site Os Guedes, uma espécie de página de relações públicas que existe para levantar a bola so tradicionalismo político paraibano, como se pode notar abaixo no registro de postagens da última semana.

Dependendo do personagem, notem o tom ameno de Os Guedes
Os Guedes mostram uma dedicação muito especial ao herdeiro dos Cunha Lima

Agora, quando o assunto é Ricardo Coutinho o tom adquire a aspereza do inimigo político.

Não sei se os desembargadores do Tribunal de Justiça notaram, mas Lenilson Guedes tem emprestado, quando noticia questões que envolvem Ricardo Coutinho, uma linha pouco usual de cobertura, sobretudo institucional e, mais ainda, em uma página da Justiça.

Ao que parece, Lenílson Guedes tem também o monopólio das matérias envolvendo o ex-governador. Sempre escalado, ele capricha e parece saborear cada palavra que escreve.

Na matéria de hoje (leia aqui), por exemplo, ele se esmerou, tanto na dubiedade proposital quanto na ausência de informações relevantes para bem informar o leitor da página do TJPB quanto dos releases encaminhados e publicados na imprensa.

Por exemplo, ele destaca o fato da juíza Michelini de Oliveira Dantas Jatobá, que recebeu mais uma denúncia do Ministério Público estadual contra o ex-governador Ricardo Vieira Coutinho, ser da Vara de Entorpecentes da Capital. Uma informação relevante seria a respeito do motivo pelos qual um processo da Calvário foi parar na Vara de Entorpecentes.

Dando continuidade ao esforço diversionista, que visa mais confundir do que esclarecer, Guedes faz questão de citar artigos, parágrafos, caputs, mas evita mencionar o motivo factual que levou à denúncia e a aceitação da mesma: a tal caixa de vinho recheada de cédulas que o ex-assessor de Livânia Farias, Leandro Nunes, teria recebido da mãos de uma secretária de Daniel Gomes em um hotel do Rio de Janeiro.

A informação fundamental e que não consta na matéria escrita por Lenílson Guedes é essa: segundo o próprio delator, Leandro Nunes, o dinheiro era destinado ao pagamento de dívidas da campanha de 2018.

Como Ricardo Coutinho não foi candidato, por que ele figura como um dos denunciados? Enquanto isso, quem foi candidato e, portanto, benefeciário direto, sequer é mencionado – entre esses, participantes da chapa majoritária que disputou a eleição de 2018. Como Luiz Couto não tem atualmente mandato federal, por exemplo, e foi candidato ao Senado em 2018.

Enfim, quem lê a matéria escrita por Lenílson Guedes e publicada na página do TJPB termina com mais dúvida do quê informação. Pela militância anti-ricardista do autor, desconfio que propositadamente.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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