Cícero Lucena, Luciano Cartaxo e Nilvan Ferreira: as opções de João Azevedo para tentar derrotar Ricardo Coutinho

Sem liderança, luz própria e sem nada para mostrar em termos administrativos, resta ao governador João Azevedo se aliar a futuros adversários que disputarão com ele a sucessão de 2022.

Nos dois principais colégios eleitorais do estado, o governador bóia ao sabor das ondas da indefinição. Como o Cidadania, o partido do governador, não dispõe de nomes viáveis eleitoralmente em João Pessoa, e temendo mais que tudo a vitória de Ricardo Coutinho, João Azevedo será obrigado a escolher entre a cruz e a espada.

Cícero Lucena

A começar pelas movimentações de Aguinaldo Ribeiro, que tenta seduzir João Azevedo a apoiar a candidatura de Cícero Lucena (PP) na disputa para a prefeitura de João Pessoa. Vencer na capital do estado faz parte da estratégia geral de um dos líderes do “centrão” no Congresso para fortalecer a candidatura da irmã, a senadora Daniela Ribeiro (PP) ao governo em 2022, dada como certa.

Caso Aguinaldo Ribeiro e João Azevedo se João juntem em João Pessoa, em 2020, e caso Cícero Lucena vença, João Azevedo terá dado uma inestimável ajuda a uma poderosa adversária que, além do mais, vai disputar o eleitorado mais conservador, que é o que vai testar ao atual governador.

Luciano Cartaxo

A outra opção de João Azevedo seria uma aliança com o PV de Luciano Cartaxo. O incoveniente é o mesmo. Em caso de vitória do/a candidata/ado atual prefeito de João Pessoa, Cartaxo volta à disputa ao governo, depois  de ter desistido da disputa em 2018, entre outras coisas, porque não confiava no vice, Manoel Jr.

Vitorioso, Cartaxo certamente se lançaria no dia seguinte na construção de sua candidatura ao governo, dessa vez muito mais livre do que em nas articulações da eleição anterior. Isso tanto por conta das restrições que quando ocupava o cargo de prefeito lhes eram impostas, quanto da dúvida sobre a lealdade do sucessor, que inexistirá em caso da vitória em João Pessoa, em 2020.

Trata-se, portanto, de um acordo que, levando em conta apenas o resultado, interessaria apenas a Luciano Cartaxo. Mas, se existe o bônus, o ônus político também existe.

O primeiro deles é que um acordo entre Luxiano Cartaxo e João Azevedo tornaria o prefeito sócio, pelo menos temporariamente até que um inevitável rompimento acontecesse, do projeto do político do atual governador, o que agregaria o desgaste ao candidato/a do PV.

Além disso, a soma das duas máquinas e a junção de ex-adversários – Lucélio Cartaxo foi um dos candidatos de oposição a João Azevedo na eleição passada, não esqueçamos, – espalharia por toda João Pessoa o cheiro do acordão que, certamente, não seria bem aceito pelo eleitorado pessoense. Isso tornará a/o candidata/o de Luciano Cartaxo dependente exclusivamente do poder da prefeitura e do governo do estado para sair do traço nas pesquisas e vencer a eleição.

Será suficiente para derrotar, por exemplo, um candidato do porte de Ricardo Coutinho? Tendo a achar que não.

No mais, se todos os que aspiram disputar o governo da Paraíba em 2022, Luciano Cartaxo é o único que não pode sofrer uma derrota em 2020. Se isso acontecer, ele sai do jogo.

Nilvan Ferreira

Restaria a João Azevedo um acordo para apoiar a candidatura de Nilvan Ferreira. Um indício de que um acordo geral entre João Azevedo pode estar em curso foi o anúncio, ontem, de que o Cidadania vai apoiar a família Paulino na eleição de Guarabira. Como se sabe, os Paulino são o grupo mais leal e aliado de longa data de José Maranhão.

A decisão fez o deputado estadual Ranieri Paulino entregar, vejam só, o posto de líder da oposição na Assembleia Legislativa, e virar instantâneamente governista. Coisas da velha Paraíba que está de volta.

Enfim, se o acordo de Guarabira entre Cidadania e PMDB abrir outras portas, pode ser que se desdobre em João Pessoa para um apoio à candidatura de Nilvan Ferreira.

Seria mais lógico e pela conveniência política, porque, caso venca, o radialista e apresentador da TV Correio não teria projeto para 2022. E como o projeto de José Maranhão deve ser mesmo a reeleição, uma acomodação seria plenamente possível.

Em qualquer cenário, João Azevedo atuará como um coadjuvante na eleição de 2020. É isso já diz muito do seu futuro político.

Depois eu volto para tratar de Campina Grande.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: