5 de agosto será o dia do renascimento para Ricardo Coutinho e Amanda Rodrigues?

Tem dias que duram para sempre em nossas vidas. E esse certamente será um deles para Ricardo Coutinho e Amanda Rodrigues. Antes de dizer o motivo pelo qual eu abro esse texto mencionando a eternidade de certos dias, achei necessário lembrar o passado recente dos dois para acentuar a particularidade feliz desse 5 de agosto, também aniversário de João Pessoa.

Talvez nenhum casal tenha vivido o que Ricardo Coutinho e Amanda Rodrigues viveram nos últimos meses. Amanda acompanhou de perto Ricardo ser submetido a um cerco cuja violência jurídica talvez não encontre paralelo no Brasil, nem com Lula nas mãos de Sérgio Moro e da Lava Jato – Lula, por exemplo, nunca foi preso “preventivamente” nem nunca foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica, como se já estivesse cumprindo pena antecipadamente – e, na prática, Ricardo estava mesmo. Como sofrimento pouco é bobagem, Ricardo Coutinho perdeu até mesmo a guarda e a companhia do filho, Henri.

Foram meses de humilhações públicas, de acusações sem provas, de enxovalhamento da honra, numa campanha cuja sistemática vai muito além do desejo de fazer justiça, se assemelhando mais ao prazer sádico dos que se comprazem com o sofrimento do outro.

Eis uma brevíssima história da Operação Calvário, que um dia haverá de envergonhar nosso judiciário e nossos promotores.

A história costuma nos pregar peças, porque esse 5 de agosto, dia do aniversário de João Pessoa, parece ter nascido prenhe de felicidades para Ricardo Coutinho e Amanda Rodrigues.

Primeiro, imagine Ricardi recebdendo a notícia dos seus advogados de que o STF determinou que fosse retirada a tornozeleira que marcava mais do que a região acima do pé, marcava sua honra e lhe doía profundamente. Agora, coloque-se no lugar de um Ricardo já aliviado e feliz com essa notícia, e se imagine recebendo da mulher uma outra notícia mais prazerosa ainda, a de que será pai de novo?

Foi nisso que eu pensei quando vi as fotos de sapatinhos de recém-nascidos que Amanda Rodrigues postou em seu Instragram anunciando ao mundo as boas novas e mencionado que a “felicidade e o amor que não cabe dentro de nós”.

Entendeu por que esse 5 de agosto durará para sempre nas vidas de Ricardo Coutinho e Amanda Rodrigues?

Mais cedo, eu escrevi sobre o acaso simbólico de Ricardo ter ficado livre da tornozeleira eletrônica em um 5 de agosto, dia do aniversário de João Pessoa. A notícia que ele recebeu, também hoje, de que vai ser pai novamente, traz consigo inevitáveis associações: com a nova vida que germina e que, para o mundo, começou a nascer hoje; ou com o renascimento  de um novo Ricardo, ainda mais forte, porque mais calejado pela dor e pelo sofrimento.

A verdade e o amor vencerão.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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