Tião Lucena e o martírio de Nilvan Ferreira

Pense num tormento tormentoso!

TIÃO LUCENA

Embora isolado do mundo nesse meu retiro forçado, de vez em quando recebo  a visita do passarinho fuxiqueiro que me conta as novidades.

A última delas foi a do martírio de Nilvan Ferreira.

Diz o passarinho que o “caba véi” botou na cabeça de fazer um vídeo para divulgar nas redes sociais homenageando João Pessoa pelos seus 435 anos de existência.

Mas fez uma exigência: No vídeo não poderia aparecer rua ou logradouro que tivesse uma obra de Ricardo Coutinho.

Foi aí que começou o martírio.

Para onde se virava, via uma obra

Chegaram, ele e a sua equipe, no Geisel e se depararam com a Central de Polícia. Deram as costas para a Central e lá estava o Viaduto Eduardo Campos. Mais adiante, o Almeidão melhorado. Desceram pela BR e ao emburacarem para Oitizeiro, barruaram na  duplicação de Cruz das Armas.

-Assim tá danado! -, disse o câmera já ficando azoado.

– O jeito é cortar pelo Zé Américo -, alguém sugeriu.

Mas foi pior.

Lá no final da principal avenida do Zé Américo, já chegando em Mangabeira, estava o trevo majestoso que Ricardo construiu.

-E se a gente cortar por Mussumago? -, perguntou ao locutor, sendo de logo descartado porque no cruzamento de Mussumago com a PB 008 está a Academia de Polícia.

-Na praia a gente enche o bucho – gabou-se Ferreira, mas de logo lembrou que na praia iria se deparar com o Mercado do Peixe e com o Largo da Gameleira.

– Será que não tem onde fazer uma bosta de um vídeo?”, desesperou-se.

Ao que o conformado câmera monologou:

-Só se a gente for de olhos fechados para não ver a Feirinha de Artesanato,  o Espaço Cultural reformado, o alargamento do acesso à UFPB, as alças da Beira Rio, a duplicação da Pedro II, a duplicação do Retão de Manaíra, o Centro de Convenções, o Teatro Pedra do Reino, o Santa Roza todo renovado, o Terminal da Integração e fazer o filme o cabaré de Maria Preta.

O nosso herói não teve coragem para tanto. Conformou-se com o Largo de São Francisco, construído pelos colonizadores.

Acesse o Blog do Tião Lucena clicando aqui.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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