As mentiras do jornalismo de esgoto sobre Ricardo Coutinho continuam

Não sei por qual critério alguns proprietários de blogs na Paraíba se autonomeiam jornalistas.

Se for pelo diploma universitário que possuem, a conclusão inevitável é que, principalmente os jornalistas políticos – exatamente aqueles que enriquecem na profissão, alguns até muito joverns – nada aprenderam nos bancos universitários, sobretudo nas disciplinas que tratam da ética da profissão.

Eu que fui aluno de Comunicação Social na UFPB antes de me tornar historiador e sociólogo, sei muito bem que a preocupação com a ética no Jornalismo era, e ainda é, tenho certeza, quase uma obsessão dos professores do curso.

Conhecer o Código de Ética da profissão é tratado como uma obrigação do futuro profissional. Porque produzir informação é a principal função do jornalismo e informar bem deveria ser um valor inegociável de todo jornalista profissional que enxerga alguma responsabilidade social na profissão que abraçou.

Tanto que um capítulo inteiro (III) do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (os que nunca leram podem baixá-lo clicando aqui) é dedicado à “responsabilidade profissional do jornalista“.

Se a maioria dos nossos jornalistas políticos levassem a sério o código de ética da profissão deveriam levar a sério esses princípios:

  1. “a presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística;
  2. “a opinião manifestada em meios de informação deve ser exercida com responsabilidade;”
  3. que o jornalista não pode divulgar informações “visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica“;
  4. “ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas”;
  5. tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar”;
  6. promover a retificação das informações que se revelem falsas ou inexatas e defender o direito de resposta às pessoas ou organizações envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou por cuja publicação foi o responsável”.

Quem é leitor da maioria dos blogs de política na Paraíba sabe os valores acima quase nunca são respeitados, principalmente quando o objeto da notícia atende pelo nome de Ricardo Coutinho.

Não que eu acredite em “neutralidade”, especialmente numa atividade que lida não só com informação, mas com a formação de opiniões a partir dos fatos. Mais ainda quando essa atividade interessa tanto ao poder e a ele é tão ligada.

Constatar isso, entrentanto, não autoriza o vale-tudo no qual o jornalismo político da Paraíba se transformou, no qual, muitas vezes, o que menos interessa é oferecer ao leitor os dois lados da informação. Nem esse princípio que todo calouro do curso de Comunicação sabe existir é rerspeitado na Paraíba. Aqui, o que vale é o esforço permanente de destruir reputações, mesmo com base em mentiras.

Mais grave ainda é constatar que esse “jornalismo” é bancado com dinheiro público, sem o qual, aliás, nem 10% dos blogs existiriam, blogs, diga-se, que existem aos borbotões, quase tanto quanto são os jornalistas em atuação nessa pobre Paraíba.

Vejam o caso da “notícia” a respeito de uma cobrança pública, feita pelas redes sociais, pela ex-esposa de Ricardo Coutinho, Pâmela Bório, a respeito do “pagamento de 8 meses de pensão ao filho do casal, Henri Coutinho.” Nem o “suposto”, como eles gostam de usar, foi inserido nas diversas matérias postadas ontem.

Vejam essas pérolas do nosso jornalismo:

No caso acima, do blog Politika, o blogueiro Alan Kardec, uma das estrelas do jornalismo de esgoto paraibano, além dar crédito a Pâmela Bório só porque foi ela que fez a afirmação, o bloguero aproveitou para destilar seu ódio a RC, acusando o ex-governador de usar “um artificio tão desumano“.

Se o chamado “outro lado da notícia” não é encontrado nessas páginas movidas a fake news, o mesmo se pode dizer de anúncios de empresas privadas.

Mas, do poder público é outra história. anners do poder público , entretanto, povoam páginas como as de Alan Kardec.

Vejam abaixo: Governo da Paraíba, Prefeitura de João Pessoa, Câmara de Vereadores de João Pessoa.

Como um cunhalimista histórico, não poderia faltar no blog de Kardec anúncio da Prefeitura de Campina Grande:

Aliás, vale o registro pitoresco: o “guerreiro chamado Inaldo” aí em cima é o presidente da Câmara de Vereadores de Bayeux, aliado do prefeito biônico Jefferson Kita. Os dois, com o apoio militante de Alan Kardec, atuam para que Kitta fique no cargo a todo custo, tentando evitar que a Câmara de Vereadores de Bayeux eleja o sucessor de Berg Lima, como determina a lei – e não pense que esse interesse todo de Kardec tenha alguma coisa a ver com amor por Bayeux.

Absurdos como esses não interessam ao Gaeco.

E Alan Kardec não foi o único. Vejam.

Blog Tá Na Área:

Blog do Anderson Soares:

Paraiba Radioblog:

O OUTRO LADO QUE SEMPRE FALTA

Em todos os blogs acima, a notícia continuava em destaque ainda hoje pela manhã. Ao contrário do que em jornalismo sério, seria essencial : o outro lado, que sequer foi consultado antes das matérias irem ao ar para desmentir a informação públicada nas redes sociais de Pâmela Bório.

Como não houve esse procedimento, a advogada de Ricardo Coutinho, Anna Carla Lopes Correia Lima, foi obrigada a emitir uma nota à imprensa para desmentir os fatos apontados, nota publicada pelo BlogdoTiãoLucena, um dos poucos a fazê-lo. Além disso, ela esclarece outros de igual relevância para entender o caso.

Na nota, a advogada começa estranhando que Pâmela Bório cite detalhes de um processo que “corre em segredo de justiça”, tratando-se, portanto, de uma ilegalidade torná-los públicos.

Mais ainda: que os fatos apontados por Pâmela Bório “de forma desonesta e caluniosa”, não correspondem à verdade, já que “quem sempre sustentou o filho menor foi o genitor, pagando, inclusive, despesas do apartamento, como condomínio e energia, onde mora a genitora“, o que incluiu educação, incluindo material escolar e fardamento, saúde, lazer, esporte, vestuário, alimentação, transporte e moradia, e que jamais houve atraso “em qualquer pagamento”.

A advogada lembra que, no final do ano passado, Ricardo Coutinho chegou a efetuar o pagamento para a escola do filho referente aos seis primeiros meses do ano letivo de 2020, mas Pâmela Bório não permitiu que Henri “frequentasse essa escola”, preferindo matriculá-lo em outra. O problema é que até hoje ela não fez os devidos pagamentos das mensalidades.

Um detalhe revelador do caráter da e-primeira-dama que a advogada expôs ontem à Paraíba:

Em abril do ano corrente, Ricardo Coutinho “tomou conhecimento que todo o dinheiro depositado por ele próprio (R$ 25.000,00), desde março de 2018″, para que Pâmela Bório pagasse o condomínio onde hoje mora com o filho, foi sacado por ela. Mas nem um centavo foi pago ao condomínio – esse caso resultou em um processo que tramita na Justiça por apropriação indébita contra Pâmela Bório.

Ainda segundo a nota:

“Em maio de 2020, após perda de duas das três fontes de renda que dispunha, o Sr. Ricardo Coutinho entrou com Ação Revisional de Alimentos, tendo sido proferida decisão para minorar os alimentos para o percentual de 30% dos seus proventos de aposentadoria da UFPB, cujo pagamento foi efetuado em julho, através de depósito judicial, enquanto o de agosto também o será, já que a Sra. Pâmela Bório não possui conta em Banco.”

Pâmela Bório entrou na Justiça reinvindicando “14,3 salários mínimos para custear despesas do filho”, porque Pâmela Bório entende que a obrigação de sustentar o filhoé apenas de Ricardo Coutinho. “Na verdade, a Sra. Pâmela não quer trabalhar, nunca o quis, tanto é assim que já faz anos que está fora do mercado de trabalho, vivendo em função de perseguir e caluniar o Sr. Ricardo Coutinho”.

Como já antecipei, poucos foram os blogs que publicaram a nota acima, inclusive e principalmente os mencionados no início do texto. O que não é surpresa, porque não se trata de jornalismo o que eles fazem.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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