Apoio ao candidato do Centrão em João Pessoa confirma traição de João Azevedo ao campo progressista

O anúncio do apoio de João Azevedo à candidatura de Cícero Lucena à prefeitura de João Pessoa, se não foi surpreendente, trata-se de um evento carregado de significados e que pode ensejar alterações significativas na política pessoense e, por consequência, de todo o estado da Paraíba.

Desde dezembro do ano passado, João Azevedo é filiado ao Cidadania, uma espécie de sublegenda do PSDB. Cícero Lucena é hoje filiado ao do Partido Progressista, que, na Paraíba, é controlado pela família Ribeiro.

O anúncio de hoje feito durante uma live transmitida pelas redes sociais ratificou uma trajetória de múltiplas traições do atual governador: traição ao eleitorado paraibano que o elegeu – no primeiro turno – para dar continuidade ao projeto iniciado por Ricardo Coutinho; ao próprio ex-governador, que foi o principal fiador e responsável pela eleição de João Azevedo; aos companheiros de jornadas, a maioria abandonados à própria sorte.

Com a formalização do apoio ao candidato do PP, João Azevedo ratifica  também a traição ao campo progressista e é mais um passo em direção ao bolsonarismo e sua agenda de reformas antipovo. É bom lembrar que tanto a atual senadora Daniela Ribeiro, uma das estrelas da live de hoje, como o irmão Aguinaldo, foram adversários de João Azevedo em 2018.

Não é só isso. O próprio Cícero Lucena foi um destacado cassista não faz tanto tempo. Eleito vice-governador de Ronaldo Cunha Lima, em 1990, Lucena assumiu o governo temporariamente quando o titular se licenciou depois de tentar assassinar o ex-governador Tarcísio Burity com tiros na cabeça. Depois, assumiu o governo de maneira definitiva quando Ronaldo renunciou para se candidatar ao Senado, em 1994. Cícero foi aquinhoado com um cargo no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1995, antes de se eleger prefeito de João Pessoa pelo PMDB, então partido da família Cunha Lima, em 1996. Em 2006, já no PSDB, foi eleito Senador. Sem condições de se reeleger em 2014, depois de ter sido derrotado em 2012 para a prefeitura de João Pessoa, resolveu abandonar a política.

Agora, Cícero Lucena retorna pelas mãos de Aguinaldo Ribeiro, um dos líderes do Centrão no Congresso, o principal bloco parlamentar de apoio aí governo de Jair Bolsonaro.

A grande dúvida é: qual será a resposta do campo progressista à consolidação da trajetória rumo ao bolsonarismo e à direita de João Azevedo e do seu governo? Vai se manter fragmentado vendo o conservadorismo ganhar terreno, ou vai reagir numa frente ampla para impedir que o retrocesso chegue também à Prefeitura de João Pessoa, desde 2005 administrada por lideranças com origem nos movimentos sociais e comprometidas com um projeto democrático para a cidade?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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