Manobra tenta criar impasse na UFPB para justificar nomeação de um dos candidatos derrotados

O resultado da eleição para a escolha do próximo/a reitor/a da UFPB foi de tal maneira contundente que não abre margem para contestação. Tanto que nenhum dos candidatos derrotados no peito fez isso apresentando qualquer recurso à Comissão Eleitoral.

Em razão disso, foi no mínimo estranho que, sem ter sido provocado, o presidente da Comissão Eleitoral, Ângelo Brito, ligadíssimo à reitora Margareth Diniz, tenha tomado a iniciativa de suspender o resultado da consulta em por conta de uma “denúncia anônima”, segundo a qual, estudantes de extensão, que não têm vínculo formal com a UFPB, teriam votado. Para Ângelo Brito, isso seria motivo para anular um pleito onde quase 10 mil discentes que acessaram o sistema para exercer seu direito de voto.

A atitude do presidente da Comissão Eleitoral da UFPB soa ainda mais estranha porque a confecção das listas de votação foi de responsabilidade da Superintendência de Tecnologia e Informação (STI), a pedido, como de praxe, da própria Comissão Eleitoral. Portanto, se os estudantes de extensão foram inseridos na plataforma criada especialmente para a votação, o que também não aconteceria sem um cadastro prévio deles, foram ou pela STI ou pela própria Comissão Eleitoral. Uma questão que precisa ser esclarecida, portanto, é se a inserção desses eleitores foi da responsabilidade da STI a pedido da Comissão Eleitoral.

Outra atitude de causar estranheza foi a rapidez como o Procurador da
UFPB, Carlos Octaviano de Medeiros, posicionou-se pela nulidade do processo, em um parecer que foi desmontado, ponto por ponto, por nada menos que 19 professores do Centro de Ciências Jurídicas instituição. (Leia aqui)

Uma situação que, convenhamos, exige uma investigação rigorosa, inclusive da Polícia Federal. Duas hipóteses são possíveis nesse caso: 1) se a inserção foi resultado de um erro; 2) ou se esses estudantes foram inseridos nas listas de votação de maneira proposital e planejada, para uso político posterior, como vemos agora claramente acontecer, com o objetivo de levantar dúvidas sobre o resultado da eleição – em parte, registre-se já projetado por pesquisas eleitorais, que são também largamente utilizadas nas eleições da UFPB.

O impasse artificial em curso, cuja intenção é lançar dúvidas sobre a lisura da consulta à comunidade, poderá ser usado como justificativa moral para que um dos candidatos que não obteve a maior votação aceitem uma futura nomeação de Jair Bolsonaro, o que pode levar a UFPB numa gigantesca crise política que em nada tornará melhor a vida acadêmica e administrativa da Instituição.

Virou uma sólida tradição na UFPB a aceitação dos resultados das consultas à comunidade universitária nas escolhas dos nosso reitores, o que vem acontecendo desde 1984, isso quando ainda estava em curso a ditadura militar, embora nos seus estertores. Em 1984, foi eleito diretamente o primeiro reitor da UFPB, e não saiu do bolso de um burocrata do MEC ou por acordos políticos alheios aos interesses da instituição. A atual reitora Margareth Diniz já viveu, em 2016, o dramas para ser nomeada e já ali a decisão da comunidade universitária esteve em risco. Que ela não caia na mesma tentação dos que tentaram impedir sua nomeação à época.

Aliás, ainda mais estranho tem sido o silêncio dos candidatos derrotados (Isac Medeiros e Valdiney Gouveia). É sempre bom lembrar nessas ocasiões que, por varais eleições seguidas, os candidatos assinavam um termo em que se comprometiam em renunciar caso fossem nomeados. Já que resolveram submeter suas candidaturas ao julgamento da comunidade universitária, os dois têm obrigação moral de virem a público e rechaçarem tanto essa manobra com cara de golpe oriunda da Comissão Eleitoral da UFPB, como qualquer tentativa que tenha a intenção de desrespeitar a vontade manifestada mas urnas por professores, servidores técnico-administraticos e estudantes.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

Um comentário em “Manobra tenta criar impasse na UFPB para justificar nomeação de um dos candidatos derrotados

  1. Quem tem traços fascistas sempre conta com um Deltan pra chamar de seu.
    A senhora que sai foi mais um erro de avaliação.

    Curtir

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: