Filha se desembargador que dirigia bêbada, invadiu ciclovia e foi presa com papelotes de cocaína já está em casa

Celeste Ribeiro Coutinho Maia dirigia seu Mercedes em alta velocidade na noite do último domingo. Ela foi presa depois de invadir, em alta velocidade, a ciclovia em frente ao MAG Shopping e quase atropelar dois policiais civis. Celeste fugiu do local, mas foi perseguida e presa (leia aqui).

Segundo os dois policiais, além de estar bêbada (Celeste se recusou a fazer o teste do bafômetro), a moça estava com a carteira vencida e em sua bolsa foram encontrados vários papelotes de cocaína.

Quantos crimes temos aí cometidos? O mais grave, para os padrões morais dos nossos juízes, é o de suspeita de tráfico de drogas (não foi divulgada ainda a quantidade).

Pois bem, mesmo com a lista de crimes apontados acima, Celeste foi solta ontem pelo juiz da 4ª Vara Criminal de João Pessoa, André Ricardo.

Segundo matéria do Estadão de março do ano passado, como a Lei de Drogas, de 2006, não prevê parâmetros objetivos para que uma quantidade de drogas seja considerada tráfico, prevalece o entendimento do policial para determinar se a acusação será por consumo ou tráfico.

Ainda segundo o Estadão, em geral, há uma tolerância maior “com suspeitos com maior escolaridade”, o que é uma maneira de de dizer que depende da condição social do indivíduo se ele vai ser autuado como traficante ou como consumidor, o que faz uma grande diferença quando chega a hora do juiz estabelecer a pena pelo crime cometido.

Vejam o caso de um mulher que foi condenada a 6 anos, 9 meses e 20  dias de reclusão, em regime fechado, porque foi presa com 1 grama (isso mesmo, um grama) de maconha, sem o agravante de que ela nunca tinha comercializado a droga antes. O caso foi parar no STF, ou seja, a mulher teve de percorrer todas as instâncias da Justiça para ter a sentença anulada (leia matéria do Conjur sobre o caso).

O sobrenome de Celeste nós permite antever qual será o tratamento que ela receberá, tanto dos policiais que a prenderam em flagrante, quanto da Justiça. Aliás, como eu já antecipei, a moça já está no conforto de casa sob a proteção do pai, o desembargador Paulo Maia Filho.

PS. O radialista Emerson Machado (Mofi), tão rigoroso quando o acusado é pobre, quase não registou o fato em suas redes sociais. Tripudiar de pobre não é sinal de coragem, é o inverso disso.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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