DENÚNCIA: Governo estadual corta 40% na remuneração de profesores

Imagine alguém nas circunstâncias atuais, casado, sob a dupla pressão de defender uma tese de Doutorado no prazo estabelecido, e em meio a crises de ansiedade provocadas pelo isolamento social nesses duros tempos de pandemia de coronavírus, perder, de uma hora para outra, 40% da remuneração?

Imaginou?

Isso aconteceu com Bruno Gaudêncio e com mais de 200 professores/as da Rede Estadual da Paraíba que nesse momento se encontram de licença maternidade, para tratamento de saúde e qualificação

Bruno Gaudêncio se esquadra no último caso. Ele tem Mestrado e, desde 2017, faz Doutorado na Universidade de São Paulo. Nesse momento, Bruno está no momento crítico, que é do de escrever a tese que pretende defender em breve.

Numa contundente denúncia feita pelo Facebook, Bruno Gaudêncio relata o drama dele e dos colegas. Em um dos trechos, escreve o seguinte:

O que o Governo João Azevedo vem fazendo com os professores desde que assumiu precisa ser divulgado e denunciado.

Mas, nada disso aparece na imprensa paraibana, que nunca foi tão silenciosa quanto hoje – e vocês devem imaginar a que custo. Nem repercutirá na Assembleia, cujo presidente está mais preocupado com sua imagem de santo-do-pau-oco.

Enquanto isso, João Azevwdo e sua trupe continua a fazer suas maldades, e terão o silêncio como resposta das nossas instituições. Não é só isso.

Maldades como a que praticaram com o professor Bruno Gaudêncio e mais 200 colegas de magistério resultam em economia cujos recursos terão outras destinações.

Enquanto isso, o exército de aspones “azevedeanos” se forma.

Enquanto isso, professores como Bruno Gaudêncio recebe esse tratamento desrespeitoso e, antes de tudo, desumano.

Mas, apesar de tudo, Bruno Gaudêncio promete resistir.

“Esperança de dias melhores diminuem, a vontade de desistir do magistério torna-se cada vez mais uma realidade. Torçam por mim nesta luta que se inicia…”

Que ele tenha a companhia de muitos outras centenas de Brunos e Brunas. Essa luta vale a pena.

Eis abaixo a mensagem de Bruno Gaudêncio.

DIÁRIO DE UM PROFESSOR HUMILHADO
IMAGINA VOCÊ PERDER DE UM DIA PARA OUTRO 40% DO SEU SALÁRIO?

Pois bem, foi o que fez a Secretaria de Educação do Estado da Paraíba, representada pelo senhor secretário Cláudio Furtado.

Sou professor efetivo do Governo do Estado da Paraíba desde 2013. Professor licenciado para Doutorado em História Social na Universidade de São Paulo, desde 2017.

No último dia 28 de setembro soube, sem aviso prévio, através do meu Contracheque que a bolsa de desempenho tinha sido cortada. E assim foi feito comigo e mais de 200 professores que estão de licença remunerada, de saúde, maternidade e de qualificação para mestrado e doutorado. O meu caso é justamente este último. Tal corte corresponde ao valor de 40% dos nossos salários.

Imagina a minha situação: há meses estou preso em um apartamento devido a pandemia, com uma filha pequena e minha esposa, escrevendo em condições adversas uma tese de doutorado.

Em agosto tive uma crise de ansiedade, causado por essa situação, que incluía ainda uma crise financeira, pois além de professor, sou artista e perdi parte da minha renda adicional, pois como escritor, consultor e curador de conteúdo literário e histórico, quase sempre arrumava contratos e prestações de serviço, vendia livros e participava de eventos, que complementavam a minha renda de professor.

Diante do acontecido desde o dia 28 de Setembro venho tentando mobilizar professores que estão na mesma situação em todo o Estado da Paraíba. Entrei em contato com os Sindicatos, com jornalistas e meios de comunicação, denunciando esta e outras situações.

O Governo do estado não publicou até o momento uma nota oficial sobre o caso, mesmo com toda a pressão dos professores e sindicatos. É um descaso! Um desrespeito sem tamanho. O que o Governo João Azevedo vem fazendo com os professores desde que assumiu precisa ser divulgado e denunciado.

Desta forma, compreendendo que o governo da Paraíba mais uma vez descumpre a lei e, de maneira ilegal e injusta, corta o pagamento da bolsa de desempenho docente para professores e professoras que estão de licença ou readaptados. Além disso, voltou a subtrair valores de professores e professoras que estão na ativa. Essa atitude demonstra como o Governo João Azevedo não se diferencia em nada do Governo Federal, não valorizando os professores da rede estadual.

Enquanto isso a crise de ansiedade só aumenta, os problemas financeiros se ampliam, a esperança de dias melhores diminuem, a vontade de desistir do magistério torna-se cada vez mais uma realidade. Torçam por mim nesta luta que se inicia…

P.S. Caso conheçam professores no Estado da Paraíba que tiveram as suas bolsas cortadas pelos mesmos motivos, marquem e entrem contato comigo. Apesar do cansaço crescente ainda tenho um pouco de energia para lutar…

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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