GOVERNISTAS DO PT QUEREM TIRAR RICARDO DA ELEIÇÃO: a quem serve a candidatura de Anísio Maia?

Quando veio a público o teor da petição do advogado de Anísio Maia junto à Justiça Eleitoral, Anselmo Castilho, revelado como sempre pelo site ultra-governista WSCOM, revelou-se definitivamente a quem serve a candidatura do deputado estadual petista, incensada por meses pela midia: a Joao Azevedo e seu candidato e amigo Cicero Lucena (PP-Cidadania).

Sejamos diretos: caso prosperasse o questionamento feito por Anísio Maia à Comissão Provisória do PSB de João Pessoa, que, segundo a petição, estaria com prazo legal vencido – o que, mais uma vez, não procede sendo, portanto, mais uma fake news contra Ricardo Coutinho, – ficaria aberta a possibilidade para a tão sonhada impugnação do candidato do PSB, sonho de 10 entre 10 bolsonaristas, incluindo, claro, João Azevedo e Cícero Lucena.

A atitude mostra até onde o outro candidato governista está disposto a ir para manter uma candidatura cuja consequência prática não tem sido outra, senão dividir o campo progressista – Anísio Maia é da “base” do governador João Azevedo (Cidadania) na Assembleia e foi membro do G10, o chamado “centrão da Paraíba”.

Anísio em reunião do G10 com João Azevedo

Até sexta, persistia a dúvida sobre se a batalha jurídica para manter a candidatura de Anísio Maia a prefeito tinha a ver com a alegada defesa da democracia interna do PT, em razão da decisão do Diretório Nacional do partido de retirar a candidatura de Maia e declarar apoio a Ricardo Coutinho – esse argumento não se sustenta, já que, em momento algum foi contestada a decisão do Diretório Nacional do partido, tomada no início de junho, de que a palavra final sobre candidaturas e coligações, nas capitais e em cidades com mais de 200 mil habitantes, deveria passar pelo crivo dessa instância partidária.

O que corroborava as suspeitas do papel da candidatura de Anísio Maia tinha o objetivo de facilitar a vida de Cícero Lucena era o fato do petista, nas várias entrevistas que deu nós últimos meses, nem nos debates recentes, foi o fato de nunca ter criticado o candidato a prefeito de João Azevedo.

A decisão do Diretório Nacional do PT, que contou com o aval de Lula, sustentou-se em dois argumentos principais.

Primeiro, mesmo depois de meses em pré-campanha, a candidatura de Anísio Maia não se consolidou – a intenção de votos no deputado governista nunca consegiu ir além do 1%, ou seja, até o anúncio da candidatura de Ricardo Coutinho, o quadro eleitoral em João Pessoa era de vitória antecipada dos vários candidatos bolsonaristas.

Com o lançamento da candidatura de Ricardo Coutinho, o quadro mudaria completamente, fato que era reconhecido uma semana antes das Convenções até por Giucélia Figueiredo, a presidente municipal do PT e principal sustentáculo da candidatura de Anísio Maia. Segundo ela própria declarou em reunião que aconteceu a sede do PSB, da qual também participaram, entre outros, Ricardo Coutinho (PSB), Jackson Macedo (PT) e Gregória Bernário (PCdoB). Talvez porque havia a certeza de que Ricardo Coutinho não se lançaria na disputa, houve nessa reunião uma única unanimidade: a de que a candidatura de Ricardo Coutinho era a única capaz de unir o campo progressista. Como se vê, hoje, nada disso era verdadeiro.

O segundo argumento do PT para decidir apoiar o nome de Ricardo Coutinho foi a trajetória de aliado nas lutas contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a defesa da inocência de Lula, cada vez mais ratificada pelos fatos e reconhecida pela Justiça, e o apoio à candidatura de Fernando Haddad, em 2018, que viabilizou uma votação de 70% para o petista na Paraíba.

Ou seja, qualquer análise que articule conjuntura nacional e local, e leve em conta o que estará em jogo para o país nessa eleição, e não mesquinharias, algumas inconfessáveis, apresentadas sob o manto da defesa da democracia partidária, resultará numa conclusão bastante óbvia: a candidatura de Ricardo Coutinho era e é uma necessidade política para todo o campo progressista. E não valorizar o fato de que, em razão das circunstâncias, ao lançar-se candidato, Ricardo faz outro ato de sacrifício pessoal, talvez maior do que fez em 2018, quando deixou de se candidatar ao Senado para viabilizar a eleição de João Azevedo e depois ser traído da maneira mais torpe.

Enfim, cada grupo político que se reinvindica de esquerda sabe da importância estratégicoa das eleições de 2020 e é consciente do papel que pretende desempenhar nesse momento histórico.

O futuro é implacável com os desertores da causa do povo e da nação brasileira.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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