2010: o ano em que o IBOPE “errou” até pesquisa de boca de urna

Já se foi o tempo em que o eleitor definia seu voto em razão do apoio da Rede Globo a um dos candidatos e das pesquisas do IBOPE.

No caso das eleições presidenciais, desde 2002 não é assim: em 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018, os candidatos eleitos não foram apoiados pela Rede Globo – aliás, os dois que disputaram o segundo turno em 2018 (Bolsonaro e Fernando Haddad) eram, para se dizer o mínimo, mal vistos pela família Marinho.

O mesmo fenômeno se repete na Paraíba desde 2010, quando Ricardo Coutinho começou sua sequência de vitórias eleitorais sobre os candidatos apoiados pelo Sistema Paraíba (José Maranhão, em 2010, Cássio Cunha Lima, em 2014, só para citar as disputas em que Ricardo foi candidato). Esses dois perderam não só a eleição, como também o status de maiores “líderanças políticas” da Paraiba.

E de lambuja, o IBOPE também foi derrotado, porque foi evidenciado o uso de suas pesquisas como parte da estratégia de campanha dos adversários de Ricardo Coutinho.

Em 2010, a situação foi tão vexatória que o IBOPE conseguiu “errar” todos os prognósticos, inclusive a pesquisa boca de urna divulgada logo depois do fechamento das urnas.

Maranhão eleito

No final de julho daquele ano, segundo o IBOPE, o candidato à reeleição, José Maranhão, já abria uma vantagem de 16 pontos percentuais sobre Ricardo Coutinho. Veja:

Um mês depois, Maranhão a vantagem era ainda maior, apontando tendência de crescimento do então governador, e estagnação, com viés de queda, de Ricardo Coutinho. A ideia era apontar como tendência inexorável a vitória de José Maranhão a apenas dois meses da eleição. Tanto que a manchete do jornal Folha de São Paulo tratando da pesquisa, já dava quase como certa a reeleição de Maranhão. Veja.

Os números no G1.

Como sempre acontece, os percentuais dessas pesquisas vão se ajustando à realidade quanto mais o dia da eleição se aproxima. Mas, ao que pareve, o IBOPE não estava preocupado com a reputação na Paraíba.

Um dia antes da eleição (2/10), a TV Cabo Branco anunciava mais uma pesquisa do IBOPE em que Maranhão continuava 5 pontos percentuais à frente de Ricardo Coutinho. Veja.

Não satisfeito, no dia da eleição, o instituto divulga pesquisa de boca de urna com eleitores ainda nas filas de votação, em que Maranhão era apontado como vendedor da eleição.

Foi a suprema desmoralização do IBOPE. Abertas as urnas, contados os votos, não apenas o segundo turno foi confirmado, como Ricardo Coutinho ficou à frente do governador que disputava a reeleição no cargo.

15 dias depois, Ricardo Coutinho confirmava a vitória com quase 140 mil votos de diferença.

Esse foi o IBOPE em 2010. Mas, calma história não acaba aaui.

Como dizia uma das minhas avós: “quem te conhece que te compre”.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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