Para que servem os “Ibopes” da vida em época de eleição?

Já virou clichê falar dos erros do Ibope em eleições na Paraíba.

Mais do que isso: o instituto que ainda é sinônimo de medição das preferências do brasileiro, já errou por aqui até resultado de pesquisa de boca-de-urna, quando a possibilidade do eleitor mudar de voto é quase ZERO. Quem erra dessa maneira é para cair no ridículo mesmo.

Mas, como em 2010 tinha muita gente ainda na fila de votação depois do fechamento das urnas, valeu uma última tentativa, com a incrível margem de erro de 6%!

Para todos os institutos que são contratados pelas empresas de comunicação, cujos donos são entranhados na vida política tanto quanto os jornalistas que empregam, haverá sempre a justificativa da tal margem de erro, esse salvo-conduto da picaretagem travestida de ciência estatística.

Na divulgada ontem, o Ibope monta um cenário em que um aglomerado quatro candidatos estão empatados técnicamente, ou seja, dentro da famosa margem de erro, que é de 4%. Com 15%, Nilvan Ferreira está empatado “tecnicamente” com a última da fila dos segundos colocados, Edilma Freire, que tem 8%, o que mostra inutilidade dessa pesquisa.

Só quem desgarrou desse bolo foi o queridinho da mídia, Cícero Lucena (PP), que agora pode ser apontado como primeiro lugar – logo ele que, oito anos atrás, liderou quase todas as pesquisas antes do primeiro turno, mas só foi ao segundo turno por uma margem de 600 em relação a Estela Bezerra. E levou uma surra de 70 a 30% 15 dias depois. Surra da memória do povo? Quem saberá?

Prestem atenção: poucos eleitores ainda caem na esparrela de votar em quem os institutos decidem apontar o dedo. Se fosse assim, Lula, Dilma e Bolsonaro não teriam sido eleitos presidentes, nem Ricardo Coutinho governador (em 2010 e 2014).

Os institutos e quem encomenda essas pesquisas sabem disso. Sabem, mas que continuam a utilizá-las porque elas são parte das estratégias de campanha, e o papel delas é criar expectativas de vitória para um lado e desânimo para o outro, estimular a militância de determinados candidatos e desestimular a de outros.

Portanto, não vale a pena perder tempo, muito menos se alegrar ou entristecer com resultado de pesquisa, sobretudo se ela tiver sido realizada pelo Ibope na Paraíba. E esse é um recado para todos/as os/as candidatos/os.

No caso de Ricardo Coutinho, o prognóstico está mantido. O candidato do PSB vai para o segundo turno, e não terá menos de 25% dos votos válidos.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: