Roberto Freire: é preciso derrotar Bolsonaro e impedir o “retrocesso” da vitória de Lula

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, concedeu entrevista ao programa Hora H, apresentado pelos jornalistas Heron Cid e Alisson Bezerra. Os entrevistadores abrem a entrevista mencionando que o Cidadania é um dos participantes que participará de um encontro hoje em Brasília que pretende criar uma terceira via na eleição precisidencial, ou seja, uma alternativa eleitoral tanto à candidatura de Jair Bolsonaro como a de Luiz Inácio Lula da Silva

Heron Cid pergunta em seguida sobre a conjutura marcada por “polos mais extremados”, que, segundo ele, estão “muito em voga no Brasil”.

Roberto Freire começa sua resposta dizendo que a disjuntiva Lula X Bolsonaro não deve ser vista ainda como parte do cenário de 2022, lembrando que ainda não é possóvel afastar a possibilidade de que o desfecho da CPI da Covid resulte no impeachment do atual presidente em razão de sua atuação durante a pandemia de coronavírus, com possível responsabilização pelo desastre humaniotário que ela ainda provoca.

Em razão disso, Roberto Freire reafirmou o que há algum tempos é a posição do Cidadadania: trabalhar para criar uma alternativa que derrote Bolsonaro e impeça a vitória de Lula, que, para ele, seria um retrocesso, um “retorno ao século XX” . “Essa é a visão do Cidadania”, resumiu.

Quando questionado sobre a candidatura do funcionário da Rede Globo, Luciano Hulk, Freire não a descartou por completo e disse considerar que, caso aceite o desafio, ele “seria um grande candidato para derrotar essas forças do atraso“. Sobre o perfil ideal de um candidato, o presidente nacional do Cidadania falou de futuro, do século XXI, da defesa da Amazônia, da sustentabilidade ambiental, e da necessidade de um candidato que seja capaz de mostrar ao eleitor “que é isso que nós nós precisamos, e não alguém que vá disputar uma eleição e você vai ficar imaginando que [esse candidato] vai trazer o Brasil, de forma anacrônica, para o passado.

Sobre o desempenho do governador João Azevedo, Roberto Freire fez elogios, claro, mas deixou um recado que para o bom entendedor bastaria. Segundo Freire, o Cidadania vive um bom momento quando se analisa a postura que o partido “vem tendo em todo esse processo”, ou seja, “a capacidade de se afirmar sem ter essa vinculação com o que foi o governo petista, e muito menos ligação com o fascismo que hoje predomina no governo Boslonaro”.

Eis o resumo da entrevista. Porém, o mais impresionante foi a interpretação dada às palavras do presidente nacional do Cidadania pelo jornalista Heron Cid . Em texto publicado logo depois em seu blog sobre a entrevista, Heron Cid fez questão de acentuar o que sequer foi tratado ou perguntado a Freire (a entrevista de pouco mais de 8 minutos pode ser conferida integralmente clicando aqui): que Roberto Freire teria dado “aval a João Azevedo para aliança” e “até eventual apoio a Lula”.

É precupante. Acho que alguns jornalistas, no afã de servir ao governador, começa a ver a realidade através do espelho, isto é, às avessas.

Ah, o nosso jornalismo!

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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