Lula quer Ricardo no PT; Anísio Maia e João Azevedo, não

Parece que o presidente estadual do PT, Jackson Macedo, se tornou a única voz de Lula e da Direção Nacional do partido na Paraíba. Portanto, se alguém tem dúvida sobre qualquer posicionamento do PT na Paraíba, fora das intrigas plantadas pela Secom estadual e alegremente espalhadas por nossa ultra governista imprensa, basta consultar Macedo.

Foi o que fez o PBAgora. Segundo o site, “três alas” do PT paraibano articulam “nos bastidores” uma nota contra a filiação de Ricardo Coutinho ao partido. Entre elas, como não poderia deixar de ser, figura deputado estadual Anísio Maia, cacique do governismo petista, sempre presente quando o assunto é defender os interesses de um governador que pertence a um partido, o Cidadania, que é nacionalmente a antítese do que diz ser o PT. 

Se alguém achar que existem divergências de fundo ideológico que justifiquem essa posição é porque desconsidera o grau de adesismo aos governos que esse grupo sujeitou o PT nos últimos anos aqui na Paraíba, o que explica os seguidos fracassos eleitorais do partido no estado — como corolário dessa trajetória, depois de décadas, o PT ficou sem representação parlamentar na Assembleia na eleição de 2018. 

E foi na condição de suplente que Anísio Maia vendeu de vez o que restava de sua alma de esquerda. Para assumir o mandato, Maia não pensou duas vezes, por exemplo, em adentrar aos quadros do grupo criado pelo presidente da Assembleia, Adriano Galdino, apelidado de g10, depois desfeito quando o mesmo atingiu seus objetivos. 

Muita gente no PT achava que quando Anísio assumisse a vaga definitivamente, essa postura iria mudar. Não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, quando o deputado Genival Matias (Avante) morreu e Maia assumiu a titularidade do mandato, não só ele se tornou ainda mais governista, como arrastou o PT quase todo para dentro do governo.

O grau de adesismo desses setores do PT ao projeto conservador e de regressão em curso na Paraíba é tão patente que Anísio Maia não se constrangeu em lançar sua candidatura a prefeito de João Pessoa com o único e exclusivo objetivo de evitar que o PT apoiasse qualquer aproximação com Ricardo Coutinho. 

Para jogar as aparências sem explicitar que as verdadeiras intenções da candidatura própria era jogar água no moinho do reacionarismo, representado pelo candidato do PP da família Ribeiro — o mesmo PP de Ciro Nogueira e ao qual Jair Bolsonaro pode vir a se filiar, — Cícero Lucena, não por acaso, apoiado por João Azevedo.

Mas, como o povo não é besta e reconhece um candidato laranja de longe, Anísio Maia teve apenas 5.431 votos, ou 1,49% — foi tão ridícula essa votação que se Maia tivesse sido candidato a vereador teria ficado em quinto lugar!

Pensam que, mesmo com esse resultado, Anísio e seu grupo no PT pararam por aí? Não. Para fazerem jus aos numerosos cargos que ocupam no governo estadual, trabalham incessantemente para levar Lula e o PT para os braços do governador candidato à reeleição, cujo maior projeto foi trair Ricardo Coutinho, a quem deve a eleição, e reunir tantos outros adesistas em torno de um só objetivo: o de destruir a imagem pública do ex-governador, construída por todos os avanços promovidos durante seus oito anos de governo, além de todas as experiências acumuladas na nossa cultura política. 

E o que Anísio e sua turma prometem entregar em troca do apoio a João Azevedo? Voto? Não, porque se tem algo que essa turma não dispõe é de voto. Eles prometem entregar o tempo de TV, resultado do desempenho nacional do PT e para o qual pouco contribuíram (com votos) e a cereja do bolo: a presença de Lula no palanque. 

Assim como Lula continua sendo a maior liderança política do país, Ricardo Coutinho continua sendo a maior liderança política da Paraíba, e Lula sabe que seria insensatez recusar sua filiação ao PT na Paraíba, que se ressente exatamente disso: liderança e voto. E para quê? Para apoiar um governador de um partido que sempre foi uma sublegenda do PSDB.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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