Lula sabe o que João Azevedo fez no verão passado

Quase toda a Paraíba sabe que governador João Azevedo não é um homem de convicções sólidas. Sabe também que é um político pouco confiável.

Há menos de 15 dias, quando tomou conhecimento de que a filiação de Ricardo Coutinho ao PT, a convite de Lula, era um fato consumado, ensaiou falar grosso com a direção nacional do partido. Em tom de ameaça, Azevedo disse que “escolhas determinam os ônus e os bônus e as consequências que teremos de cada decisão”.

A turma que teima em manter o PT preso à política que tornou o partido de Lula na Paraíba uma vergonhosa linha auxiliar do conservadorismo oligárquico tremeu de medo.

A resposta de Lula e Gleisi Hoffmann foram convites para conversas com o senador Veneziano Vital do Rego e com Luciano Cartaxo. Ambos aceitaram os convites. E não pensem que foi para tratar das belezas da Paraíba.

Para João Azevedo, nem uma conversa pelo Whatsapp.

Como a ameaça não surtiu efeito, a não ser deixar insones muitos petistas paraibanos, João Azevedo afinou o discurso e hoje anunciou, ao lado de Anísio Maia e Frei Anastácio, um programa de manutenção do emprego, digo, uma estratégia que o ainda deputado federal definiu em seu Instagram como um avanço “na disputa da tática pela candidatura de Lula na Paraíba”.

Ou seja, o tom ameaçador de semanas deu lugar a atitude servil dos que se acostumaram às traições, pois simulam subserviência para depois mostrarem as garras, E João Azevedo passou a implorar pela atenção de Lula.

E não pensem que isso deve apenas à influência da filiação de Ricardo Coutinho e das três deputadas/os estaduais que o acompanharão, além da ex-prefeita Márcia Lucena e de uma grande quantidade de seguidores do ex-governador, que se filiarão ao PT.

Lula e Gleisi Hoffmann sabem com quem estão lidando. Sabem, por exemplo, que João Azevedo sequer compareceu ao ato gigante que Ricardo Coutinho organizou, em 2016, em defesa do mandato de Dilma Rousseff, realizado no Espaço Cultural, no auge da luta contra o impeachment.

É o mesmo João Azevedo que, já eleito governador e prevendo já a vitória de Jair Bolsonaro, revelou seu oportunismo a se recusar a discursar no comício de Fernando Haddad realizado na Paraíba, na campanha de segundo turno.

Haddad e Gleisi Hoffman sabem, porque estavam presentes, que João Azevedo não só deixou de comparecer, como boicotou, o ato organizado por Ricardo Coutinho, em 2019, em Monteiro, em defesa da Transposição, a obra mais importante que o PT realizou no Nordeste.

É o mesmo que, não faz muito, chamou Lula de “extremista”, lembram? E apoiou a candidatura de Cícero Lucena, do PP, que no último final de semana – com o perdão do trocadilho – ciceroneou a primeira-dama, Michele Bolsonaro, em visita a João Pessoa.

Não se enganem. Lula sabe com quem está lidando.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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