Sobre os palanques de Lula na Paraíba: as cartas estão na mesa, João Azevedo

O ex-presidente e candidato à Presidência em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva, iniciou ontem um périplo por seis estados do Nordeste, começando por Pernambuco, Piauí, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia para reuniões com apoiadores e possíveis aliados.

A Paraíba, como se vê, ficou fora da agenda pública de Lula, o que não significa que o ex-presidente não dê importância à montagem de um palanque no estado, já que antes se reuniu com o ex-governador Ricardo Coutinho e o senador Veneziano Vital do Rego, com direito a registro e tudo o mais.

Desde então, tem sido comovente acompanhar os esforços dos nossos “analistas” políticos para justificarem João Azevedo ter sido colocado no final da fila das conversas com Lula.

O desconforto dessa turma é tão grande que, no último final de semana, o “multimídia” Walter Santos chegou a acusar o PT de “intolerância” e a cometer o disparate cômico de afirmar que Lula não teria como “vencer sem o apoio do governador João Azevêdo”, que, segundo ele, deseja apoiar Lula, mas não o faz por conta de Gleisi Hoffman, que “insiste em errar contra Lula” – notem que o costume de bajular é tão arraigado em gente do tipo que, para não criticar Lula, eles preferem sugerir que o ex-presidente não decide sobre as estratégias das alianças, e sim a presidenta nacional do PT. Chega a ser patético.

Parece claro que a intenção de Lula é construir palanques em que o PT desempenhe papel relevante na disputa, e não atue como mera linha auxiliar, sobretudo de forças reconhecidamente conservadoras, e que também ajude na montagem das futuras alianças caso o favoritismo atual nas pesquisas se confirme nas urnas no próximo ano.

Isso não quer dizer que, caso João Azevedo, em aliança com notórios bolsonaristas e antilulistas, como Efraim Filho, deseje formar um palanque para Lula na Paraíba será recusado? Claro que não, porque em eleição dificilmente algum candidato rejeita apoio.

O recado de Lula parece claro, porém: O PT terá palanque próprio na Paraíba para viabilizar a eleição de um governador aliado, de Ricardo Coutinho senador e de deputados federais e estaduais que finalmente ampliem o peso do partido nos parlamentos estadual e nacional. E que a aliança formal não será com João Azevedo. Isso parece claro.

Não é preciso muita capacidade de antecipação para enxergar quais as implicações disso na campanha. Por exemplo, Lula só poderá participar dos programas de TV e dos materiais de campanha dos candidatos apoiados formalmente pelo PT. Ou seja, enquanto João Azevedo não vai poder usar a imagem e o nome de Lula na campanha, o candidato apoiado pelo PT vai fazê-lo livremente e sem qualquer constrangimento político e legal. Enfim, só quando Lula vier à Paraíba para comícios e outras atividades de campanha, a agenda do petista deverá ser administrada para caber João Azevedo.

Lula não vai rejeitar apoio de ninguém, mas ele deixa evidenciado que e quais cartas estão na mesa, sobretudo porque, ao contrário do que pensa nosso analista, Lula não depender do apoio do governador para repetir as votações que sempre teve nos estados no Nordeste (na última eleição, Fernando Haddad beirou a média dos 70% na nossa região).

É pegar ou largar, João Azevedo.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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