Luís Nassif sobre a Operação Calvário: “Em poucos lugares, nós tivemos um abuso tão grande, tão vergonhosamente reiterado, quanto na Paraíba”

Recomendo vivamente a entrevista que Márcia Lucena concedeu ontem à TV GGN, o canal do Youtube de Luís Nassif, um dos mais aclamados jornalistas brasileiros. Antes dedicado ao jornalismo econômico, Nassif – talvez por isso mesmo – converteu-se no melhor analista de conjuntura do país, análises que ele brinda seus leitores regularmente no portal JornalGGN.

O título da entrevista tenta resumir o significado mais profundo da Operação Calvário: O TERROR DA PARAÍBA PELOS FILHOS DE SÉRGIO MORO

Por óbvio, como não poderia deixar de ser, o tema da entrevista foi a Operação Calvário. Márcia foi acompanhada na entrevista de seu advogado, Jorge Xavier. Também participaram Marcelo Auler, outro grande jornalista investigativo, e o advogado Bruno Salles.

Vale a pena destacar as palavras com as quais Luís Nassif abriu a entrevista. Ele lembrou que a Calvário é parte do lawfare lavajatista, o conceito jurídico que pode ser resumido assim: o uso do sistema judiciário como arma política.

Segundo Nassif:

“Um dos fenômenos mais nocivos e perniciosos da Justiça brasileira dos últimos anos foi o tal do lawfare, aquele conjunto de ações que visam esmagar os réus, o direito penal do inimigo. Você mira as pessoas e parte para uma peserguição implacável, cujo exemplo maior foi a Lava Jato”.

Para Nassif, como já é por demais perceptível, a Lava Jato não se restringiu a Curitiba e pasosu a inspirar muitos juízes e promotores, expandi-se além das fronteiras comadadas pelo ex-juiz Sérgio Moro e pelo procurador Deltan Dallagnol, gerando uma prole de outros juízes e promotores lavajatistas.

A Lava Jato não ficou restrita a Curitiba, que foi o epicentro dessa pústula que tomou conta do Judiciário. Acabou se espalhando por muitos outros locais, com uso político, procuradores exorbitando de suas funções, tornado-se donos de estados e de municípios.

Segundo o jornalista, a Paraíba foi um desses lugares onde o lavajatismo deu cria. E essa cria virou o mostro chamado Operação Calvário:

Em poucos lugares, nós tivemos um abuso tão grande, tão reiterado, tão vergonhosamente reiterado, quanto na Paraíba.

A entrevista é uma boa maneira de esclarecer a perseguição que Márcia Lucena vem sendo vítima nos últimos anos. O advogado Jorge Xavier resumiu a “história escabrosa”, como se referiu Nassif, da qual Márcia Lucena pe vítima. Parte dessa história nós conhecemos. Em dezembro de 2019, Márcia Lucena foi presa, três dias depois consegiu habeas corpus no STJ, depois convertido em medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, uma verdadeira prisão domiciliar.

Mesmo sem ser ré, o desembargador Ricardo Vital obrigou Márcia a disputar a eleição de 2020 com a tronozeleira eletrônica. Como lembrou Xavier, a denúncia contra a ex-prefeita do Conde sequer foi aceita até agora, apesar da mídia paraibana tratá-la como se ela já estivesse sido condenada.

Sobre o papel da mídia, Luís Nassif pergutou se a parceria da Operação Calvário com a mídia paraibana “foi simular ao que a Lava Jato de Curitiba fez?”

Xavier respondeu:

Eu diria que foi idêntica, sem tirar nem pôr. É uma cópia, um modelo de atuação.

Para o esterrecimento dos participantes da entrevista, Xavier informou que um pouco antes da entrevista o desembargador Ricardo Vital, relator da Calvário no TJ da Paraíba, declinou da competência, ou seja, quase dois anos depois, assumiu-se incompetente para processar Márcia Lucena e outros investigados, encaminhando o processo para a primeira instância.

Os relatos feitos por Márcia Lucena durante a entrevista demonstram o potencial que a Operação Calvário teve para afetar não só a imagem pública dos acusados a ponto de derrotar uma prefeita até então muito bem avaliada e que tinha uma vitória que parecia certa a vitória antes da prisão – e esse parece ter sido o objetivo principal, – mas também são capazes de atigir a vida pessoal dos acusados. Ainda bem que Márcia tem se mostrado forte o suficiente para não desistir e mantém-se firma na luta para demonstrar a perseguição política da qual é vítima.

Depois de escutar Márcia Lucena e Jorge Xavier, advogado Bruno Salles defendeu que o Brasil precisa de um reforma do Judiciário urgente.

No Brasil, o Ministério Público mente em um processo de maneira impune. Inventa informações em um processo (…) Nos Estados Unidos, se um procurador faz isso ele perde o cargo e provavelmente vai preso. Aqui no Brasil ele vira “mito”.

Assista toda a entrevista e tire suas próprias conclusões.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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