A sabujice de Walter Santos

Faz tempo que o multimídia Walter Santos deixou de ser jornalista para ser dono de empresa. Hoje ele presta serviço — aliás, um péssimo, mas bem remunerado serviço — a quem detém a chave dos cofres públicos da Paraíba, principalmente o estadual, e retribui com insossas e mal redigidas “colunas”, cuja utilidade é uma só: mostrar o nível de degradação moral e profissional a que chegou nosso jornalismo político.

Quando não é o silêncio bem pago é a sabujice mais indecorosa — alguém da imprensa paraibana, e não só Walter Santos, ouviu falar de uma empresa chamada Extra Construções? (Quer saber? Leia aqui e aqui)

Pois bem, na “coluna” de hoje (14/09), preocupado com a possível candidatura de Lígia Feliciano, do PDT, ao governo do estado “contra o governador João Azevedo”, o “analista das conjunturas” aproveitou para fazer mais um dos seus alertas a Lula.

Sem ter mais o que fazer nem no que pensar para mostrar serviço ao governador do direitista Cidadania, WS fantasiou que o meu apoio a Ciro Gomes é jogo duplo de Ricardo Coutinho, como se o ex-governador precisasse demonstrar mais lealdade ao ex-presidente do que já fez até hoje.

Como lealdade não deve constar no dicionário de WS, fico na obrigação de lembrá-lo que Ricardo, ao contrário de João Azevedo, nunca se escondeu debaixo da cama quando o caldo da Lava Jato entornou. Lembro também que João Azevedo só quer aproximação com Lula por conta do favoritismo do ex-presidente nas pesquisas, principalmente no Nordeste.

Ricardo, ao contrário, nadou contra a maré e defendeu Lula quando o costume era detratá-lo. Eu sei porque também fiz muito isso, quando critiquei — e ainda critico — a Lava Jato de Curitiba e a daqui. Sempre fui um crítico do lawfare, e não só o praticado contra Lula.

WS também esquece, por exemplo, que os principais aliados de João Azevedo são Cícero Lucena e Aguinaldo Ribeiro, ambos do Progressistas, o maior partido do Centrão e que manda hoje no governo Bolsonaro — sabe Ciro Nogueira, o ministro da Casa Civil? É do Progressistas.

Também não sou “conceituador de campanha” de Ricardo — o ex-governador não se tornou a maior liderança da Paraíba precisando de “conceituadores”, — nem faço campanha para Ciro “às escondidas”: faço nas redes sociais e neste blog, como já fiz em 2018. E sabe o que me deixaria verdadeiramente feliz? Uma aliança entre Ciro e Lula.

Só quem não orienta suas decisões pela generosidade de certos valores políticos, e só pensa em como servir ao poderoso da vez (qualquer um) é capaz de afirmar que “na Paraíba Velha de Guerra qualquer aprendiz de ciência política da UFPB sabe que as duas coisas [apoiar Ricardo e Ciro Gomes] não combinam”. “Combina” mesmo é juntar um candidato a presidente do PT com um candidato a governador do Cidadania de Roberto Freire.

Haja sabujice!

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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