Se os codificados tinham acabado na Paraíba, foi João Azevedo quem os ressuscitou

O governo de João Azevedo e ele próprio vão terminar entrando para o folclore político da Paraíba. Perdido desde que começou o governo, João Azevedo se contradiz à cada declaração. Agora, diz que vai “acabar” com os codificados quando foi ele próprio a retomar a prática.

Todo mundo lembra. João Azevedo era tão tão desconhecido, que fez campanha com com um slogan que resume bem quem era ele no cenário político estadual: “meu nome é João”. Ora, se um candidato ao cargo mais importante do estado necessita lembrar a toda hora ao eleitor o seu nome…

Mesmo assim, ele foi eleito. E o foi por conta da gigantesca popularidade do governador Ricardo Coutinho e do seu governo, avaliado como o melhor do Nordeste e um dos melhores governos do Brasil – acreditem, até eu teria sido eleito governador com um cabo eleitoral desses!

Medroso feito galinha quando está cercada por raposas, o imberbe governador virou presa fácil, preferindo se render ao familismo oligárquico que, antes de Ricardo, governou a Paraíba sem contestação, e preferiu trair quem de fato o elegeu. Resultado dessa “operação”: Cícero Lucena está de volta à prefeitura de João Pessoa e Aguinaldo Ribeiro, um dos maiores oligarcas paraibanos e destacada liderança do Centrão, é o candidato de João Azevedo ao Senado – viu no que deu o eleitor dar trela ao falso moralismo das elites?

Três anos depois que assumiu o governo, a grande obra que João Azevedo tem para mostrar é não ter deixado pedra sobre pedra do renitente e corajoso trabalho de oito anos de Ricardo Coutinho, para a festa dos que se acostumaram em reservar para si os nacos mais vitaminados do orçamento público paraibano. Hoje, a Paraíba padece de um retrocesso de grande proporções.

Fim dos coficados? De novo?

Ontem, João Azevêdo anunciou o fim dos servidores codificados no Governo da Paraíba. Segundo ele, “uma vergonha que tem na Paraíba há 30 anos” (“uma vergonha que tem na Paraíba”…).

Se é verdade o que diz hoje João Azevedo, ele mentiu para os eleitores que o elegeram em 2018. Quando candidato, ele dizia que Ricardo Coutinho não só tinha diminuído o números de servidores temporários durante seu governo, como tinha acabado com os chamados codificados (escrevi sobre isso aqui).

Só para refrescar a memória dos mais esquecidos, quando Ricardo Coutinho assumiu o governo da Paraíba, em janeiro de 2011, o número de servidores temporários era de 32.282. Ao deixar o governo em 1 de janeiro de 2019 e repassar o carga para quem, meses depois, iria traí-lo, o número de servidores não concursados era 20.092, uma redução de quase 36% ou 11.190 prestadores de serviços a menos.

Sobre os codificados, vou transcrever o que disse o que disse sobre os codificados o então presidente do Tribunal de Contas da Paraíba, André Carlos Torres, ao site ClickPB, em 30 de maio de 2017, criados, segundo ele, “ainda em 2000”:

“A figura do codificado deixou de existir e hoje se assemelha mais a um prestador de serviço porque ele tem matrícula, nome, salário, desconto, bruto e líquido”. Ou seja, esses servidores não concursados passaram a ter direitos que todo trabalhador formal tem, uma conquista para eles e para a Paraíba.

Boa parte desses servidores foi regularizada através das Organizações Sociais, que continuam atuando na maioria dos estados brasileiros e que João Azevedo covardemente extingiu e inviabilizou o funcionamento.

E para quê? Eis a resposta: no governo João Azevedo, os números de prestadores de serviço voltou novamente a crescer. E muito. Em junho de 2021, o número desses servidores era de 27.394, um crescimento maior que 30% ou 7.302 prestadores de serviço a mais do que havia em janeiro de 2019.

E se ele diz que vai acabar com os codificados é porque ele os recriou.

Mais grave ainda é saber que esse crescimento aconteceu durante a pandemia, em que boa parte dos serviços públicos deixaram de funcionar presencialmente – alguém da Secom saberia expllicar essa mágica?

João Azevedo vai continuar mentido para o povo paraibano?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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