João Azevedo agora reclama do lavajatismo, porém ficou em silêncio quando Lula e Ricardo foram as vítimas

A coluna Aparte, do jornalista Arimatéia França, fez um resumo da entrevista que o governador João Azevedo concedeu ontem (22/12) à TV Itararé.

Em um dos trechos, o governador se mostra preocupado com a atuação dos órgãos de fiscalização e controle em ano de eleição.

“Os processos têm os seus tramites normais. Espero que nenhum órgão, seja de controle ou de fiscalização, eles utilizem de suas ferramentas para interferir no processo eleitoral. Espero que o processo seja isento desse tipo de interferência”.

Estranho o governador se preocupar com lavatismo no Brasil só agora, quando está prestes a disputar sua reeleição.

Enquanto Lula era submetido às perseguições da Lava Jato, João Azevedo não foi capaz de dizer um pio; quando Lula foi preso às véspera da eleição, o então candidato a governador foi incapaz de manifestar uma palavra de solidariedade. Lula passou quase dois anos preso, e João Azevedo agiu como se Lula não existisse (Ricardo Coutinho foi a Curitiba prestar solidariedade ao antigo companheiro.) No comício que Fernando Haddad fez em João Pessoa na campanha do segundo turno, João Azevedo, já eleito, subiu mudo e desceu calado do palanque.

Foto da visita que Ricardo Coutinho fez a Lula na prisão.

Como eu já disse, Lula sabe quem é João Azevedo e o que ele fez no verão passado.

As atitudes do atual governador da Paraíba já antecipavam as traições que só se revelariam plenamente ao longo do ano de 2019, quando Ricardo Coutinho foi submetido à uma violência jurídica e midiática que, em muitos aspectos, superou o que a Lava Jato fez com Lula (quer só um exemplo? Lula só foi preso depois do julgamento em segunda instância; Ricardo foi preso sem que sequer se denunciado).

Aliás, a denúncia feita quase um mês depois do pedido de prisão não foi aceita até hoje

João Azevedo começou a abandonar o principal fiador de sua eleição para o governo provavelmente antes de sentar na cadeira de governador. Foi incapaz de sequer agradecer o ato de Ricardo de não ter sido candidato ao Senado para manter as condições de eleger governador um desconhecido.

Ao contrário. O que RC recebeu em troca foi a mais sórdida das traições. Como se não bastasse, João Azevedo colocou a serviço da destruição da imagem de Ricardo Coutinho um exército de jornalistas, de blogs, sites e sistemas de comunicação. Isolado, Ricardo ficou à mercê dos seus inimigos.

A história, porém, é especialista em nos pregar peças. Numa dessas ironias da história, que o caso de Aécio Neves (só para citar o mais notório dos falsos moralistas) é exemplarmente didático, João Azevedo começa a temer que o feitiço vire contra o feiticeiro. Em relação à última delação premiada vazada (vazada ilegalmente, como foram todas as outras!) em que o ex-secretário Waldson Sousa acusa João Azevedo de ter obstruído a Justiça a partir de informações privilegiadas oriundas do MPPB, a mesma mídia, que fazia a festa quando se tratava de Ricardo Coutinho, fez uma cobertura constrangida, logo esquecida.

A guerra de verdade começa agora. E, como dizia Brizola, “a política ama a traição, mas abomina o traidor”. Então, prepare-se.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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