Lígia Feliciano, o machismo e a misoginia de João Azevedo

Questionado hoje (23) sobre a crítica da vice-governadora Lígia Feliciano, que comparou a Paraíba a uma mulher sofrida e disse que os paraibanos e paraibanas voltarão a se orgulhar do seu  estado, João Azevedo não se dispôs sequer a responder. Uma risada machista pareceu-lhe suficiente.

Como provocou Amanda Rodrigues, em texto publicada hoje no portal Brasil247:

“Ele (João Azevedo) agiria da mesma maneira se a crítica partisse de um homem? Ou a risada de João Azevedo, um desconhecido que ganhou de presente do povo da Paraíba o cargo de governador, revela um medo inconsciente de enfrentar uma mulher nas urnas?”

Amanda Rodrigues botou o dedo na ferida. Em tempos de bolsonarismo, tratar mulheres de forma desrespeitosa, com uma risada ao invés de um argumento político, rebaixando-as à condição de sequer merecerem uma resposta, não é só machismo, é também misoginia pura.

Além disso, revela a alienação do governador, que parece isolado no mundo da fantasia da Granja Santana. O que me traz à lembrança um episódio da eleição de 2010, quando o então governador e candidato à reeleição, José Maranhão, concedia uma entrevista ao jornalista Helder Moura, na TV Correio.

Moura perguntou se Maranhão tinha mágoas do então prefeito de João Pessoa e candidato da oposição, Ricardo Coutinho. Sem saber que  já estava ao vivo, Maranhão respondeu com um deboche e disse que o seu sentimento era de “pena”. Tentou se justificar quando percebeu a gafe, porém, o deslize estava consumado.

Do alto de sua experiência, Maranhão pelo menos sabia o quanto faz mal para uma campanha um candidato se apresentar de salto alto ao eleitor. Por isso, tentou reparar o erro.

Não parece ser esse o caso de João Azevedo. Os bajuladores na imprensa e na política já chegaram a dizer que não haveria chapa de oposição em 2022 na Paraíba (hoje, teremos pelo menos duas chapas de oposição). Uma delas, de uma mulher, Lígia Feliciano, que promete repetir feito de Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte.

Continue assim, João Azevedo. As mulheres começarão a dar a resposta merecida.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: