João Azevedo libera geral e agora se diz preocupado com aglomerações do Fest Verão

O governador João Azevedo é um poço de contradições. Primeiro, libera festas privadas em ambientes fechados, enquanto proíbe festas organizadas pelo poder público em ambientes abertos.

Todo mundo sabe que os ambientes abertos são muito menos propícios à propagação de vírus, sendo, portanto, injustificáveis os critérios usados pelo governador para autorizar as festas em ambientes fechados e proibi-las em lugares públicos.

Agora, com os postos de saúde públicos e privados lotados de pessoas infectadas, seja pela nova cepa de coronavírus (a ômicron), seja pela nova mutação de H3N2, ambos extremamente transmissíveis, o governador resolveu criticar os shows alinhados de gente do último fim de semana, principalmente os que aconteceram em Cabedelo, no Fest Verão.

Fast Verão: 80% de ocupação? Todo mundo vacinado?

O problema é que a impressão digital do governador está impressa nas imagens dos shows lotados do final de semana que estarreceram a Paraíba, sendo de causar estranheza não só que o governador critique agora as festas privadas lotadas, que acontecerão por todo o mês de Janeiro em Cabedelo. Ele terá coragem de probi-las, já que descumprem claramente o que diz o decreto assinado por ele?

Ou seja, o governador deve ter esquecido que esses shows acontecem porque seu governo os autorizou. No início de dezembro do ano passado, o governador autorizou  a “realização de shows, com ocupação de até 80% por cento da capacidade do local” no “período compreendido entre 03 de janeiro de 2022 a 31 de janeiro de 2022”.

O período do libera geral não foi obra do acaso. O Fest Verão é um milionário evento de shows que acontece sempre em janeiro, quando Cabedelo e João Pessoa estão lotadas de turistas. E um dos proprietários do Fast Verão é o filho do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, Messinho Lucena, que também é vice-prefeito de Cabedelo (não bastasse tudo isso, a prefeitura de Cabedelo é uma das patrocinadoras do evento).

Prefeitura de Cabedelo virou puxadinho da família Lucena?

Pergunto novamente: João Azevedo terá coragem de proibir as aglomerações das festas “privadas” ou vamos ter de esperar pelos resultados do liberou geral, que só virá no pós-janeiro, quando a explosão de casos se realizar? Atos assim põem em risco os esforços de toda a sociedade para um retorno seguro à normalidade.

Cobrar coragem e coerência do atual governador da Paraíba talvez seja ingenuidade de minha parte, porque nada no governo atual parece ser objeto de planejamento. E nenhuma decisão que envolva coragem e firmeza será tomada. O que havia de projeto integrador no governo da Paraíba deu lugar ao pragmatismo eleitoreiro, à acomodação dos grupos políticos para a reeleição do governador, tudo articulado por interesses particulares, que mandam hoje na Paraíba.

Tudo resumido numa só palavra: retrocesso.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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