Nonato Bandeira, a raposa e as uvas ou a inveja mata!

Nonato Bandeira é o Secretário de Comunicação e um dos principais estrategistas de João Azevedo. Como não tem ninguém fora do governo disposto a defender o medíocre trabalho do governador, Bandeira esqueceu os intermediários plantados em todos os sites e programas de rádio e foi hoje (27), ele próprio, conceder entrevista à rádio Arapuã na qual falou de um mundo da fantasia que não existe nem nas propagandas do governo.

Sem mostrar um dado sequer, Nonato Bandeira contou um sonho que teve no qual a Paraíba estaria melhor hoje do que em 1º de janeiro de 2019, quando João Azevedo assumiu o governo, portanto, logo após a administração de Ricardo Coutinho. Para provar que não estava sonhando, Nonato mencionou a capacidade de “negociar” de João Azevedo e citou o apoio de 27 dos 36 deputados, sem explicar, entretanto, os motivos pelos quais nenhum deles defende publicamente o governador. Nos sonhos de Nonato, maioria na Assembleia significa apoio popular e voto na urna (em 2014, Ricardo Coutinho manteve o apoio de apenas 6 deputados e foi reeleito.)

O ponto alto da entrevista — e mais divertido — foi quando Nonato tratou de Lula. Disse que o ex-presidente “nunca elegeu um governador na Paraíba”, desdenhando agora do apoio que ele e João Azevedo procuraram com avidez nos últimos meses.

Nesse momento, ele assumiu o papel da raposa na fábula A raposa e as uvas. Lembram? Sem conseguir alcançar as uvas que desejava comer, a raposa desiste e vai embora justificando que as mesmas estavam verdes. Em Portugal existe um provérbio que resume a moral dessa fábula: “quem desdenha quer comprar”.

Pelo que sei, Nonato foi se humilhar para ser recebido por José Dirceu semanas atrás, ao ponto de ir sem ser convidado à casa onde o petista estava hospedado em João Pessoa. O governador tenta há meses uma conversa com o candidato a presidente pelo PT, ao ponto de, homem leal a aliados e a princípios políticos que é, cogitar mudar de partido para tentar o apoio de Lula.

Nonato: “Se o PT continuar no poder, depois de 14 anos, a corrupção poderia ser institucionalizada nos trópicos.“

Nonato Bandeira é um dos principais estrategistas de João Azevedo. Seguidor canino de Roberto Freire, presidente nacional do Cidadania, Nonato foi dono do partido na Paraíba por mais de uma década e deve ter incorporou ao longo dessa trajetória o ranço antipetista e anticomunista de quem, um dia, foi anarquista de universidade.

Em 2016, Nonato Bandeira escreveu um artigo para o MaisPB intitulado “Dilma, o poder e o exemplo de Einstein”. Da mesma maneira que tentou até ontem surfar na onda lulista, Nonato viu a onda do golpismo ganhar força e pegou de novo a prancha.

O artigo é um compêndio das ideias surradas usadas pela Lava Jato e pela grande mídia, toda ela alinhada ao projeto golpista que levou Michel Temer ao poder, e depois Bolsonaro.  Roberto Freire, o presidente do partido de João Azevedo e Nonato Bandeira, foi premiado com o Ministério da Cultura no governo de Michel Temer.

Nonato defendeu o afastamento da então presidenta como um “exemplo pedagógico”, caso contrário o país adotaria “a permissividade como regra geral”. Exultante com o verde e amarelo das camisas da CBF dos futuros bolsonaristas que enchiam as ruas do país, Nonato saudava aquela gente, que saía as ruas “não para comemorar vitória em final de Copa do Mundo, mas para protestar contra um Governo e o seu partido”, que não poderiam ser derrotados, pois, isso significaria a derrota da nação “para um único partido”.

Nonato chegou a antever o futuro: “Se Dilma continuar será sempre admissível nas futuras campanhas eleitorais prometer as coisas mais simples, como baixar preços da gasolina e da conta de luz e, depois de eleita, simplesmente aumentá-los”.

Era só tirar Dilma, não é mesmo? Foi exatamente Michel Temer quem criou a atual política de preços da Petrobrás, mantida por Bolsonaro. Hoje, Nonato paga alegremente R$ 7,00 por um litro de gasolina.

Lula também ganhou seu naco de lembrança no artigo de Nonato. “Se a digníssima presidente não deixar o cargo, o Congresso dará razão também a Lula”, que teria transformado, segundo ele, o poder público “em um grande balcão de negócios”.

Sobrou também para o PT:

“Se o PT continuar no poder, depois de 14 anos, a corrupção poderia ser institucionalizada nos trópicos.“

Aparelhamento do Estado, obstrução da justiça, ruína econômica, desemprego, indústrias fechadas, fuga de capitais, aumento da dívida pública. Nonato colava tudo na conta de Dilma, de Lula e do PT, um partido reduzido a “professores Luizinhos” que recebe na boca do caixa o mensalão de um banco estatal. “Isso, se quem estiver hoje no poder permanecer.”

Seis anos depois, seria “pedagógico” saber se o governador assina embaixo do que disse o assessor. Quem sabe, João Azevedo também tenha vestido a pele de raposa ao ver Veneziano degustando as uvas que ele tanto desejou, e mandou pelo seu homem de confiança o recado de invejoso.

Como uma eleição muda certas pessoas, não é mesmo?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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